1Não aceitação
Reagir às próprias emoções negativas com vergonha, culpa, raiva ou constrangimento por estar se sentindo assim.
A DERS mede dificuldades de regulação emocional relatadas pelo adulto em 36 frases respondidas de 1 (quase nunca) a 5 (quase sempre). Onze itens são invertidos antes da soma, e seis subescalas compõem o total de 36 a 180: quanto maior, mais dificuldade. Não existe ponto de corte. Veja como corrigir, ler as subescalas e levar o resultado ao laudo.
A Escala de Dificuldades de Regulação Emocional (DERS) é um autorrelato criado por Gratz e Roemer em 2004 e adaptado para o Brasil por Cancian e colaboradores em 2019. O adulto indica com que frequência 36 frases se aplicam a ele, de 1 (quase nunca) a 5 (quase sempre). Após inverter 11 itens, seis subescalas somam um total de 36 a 180, em que valores maiores indicam mais dificuldade. A escala não tem ponto de corte nem faz diagnóstico.
Reagir às próprias emoções negativas com vergonha, culpa, raiva ou constrangimento por estar se sentindo assim.
Dificuldade de se concentrar e de concluir tarefas quando a pessoa está chateada ou aborrecida.
Dificuldade de manter o controle do próprio comportamento quando as emoções ficam intensas.
Pouca atenção às próprias emoções e pouco reconhecimento delas; todos os seis itens são invertidos.
Crença de que pouco pode ser feito para melhorar quando está chateado e de que o mal-estar vai durar.
Dificuldade de saber e de entender o que está sentindo em determinado momento.
Você transcreve as 36 respostas de 1 a 5 exatamente como foram marcadas na folha, sem inverter nada, e informa a data da aplicação. Somas, frequências, situações com dificuldade frequente e alertas de padrão de resposta entram no laudo-base, que você revisa.
O servidor inverte os 11 itens, soma as seis subescalas, o total de 36 a 180 e o total sem Consciência, calcula médias por item e compara com Hallion et al. (2018) e com as médias brasileiras de Cancian et al. (2019).
Testar com DERSCalcule a idade na data de aplicação do DERS
Autor(es): Kim L. Gratz e Lizabeth Roemer; versão brasileira: Ana Carolina M. Cancian, Margareth S. Oliveira e colaboradores · 2004 (versão brasileira: 2019)
Conteúdo da equipe editorial PontoAzul, baseado nas fontes listadas ao final. Revisão editorial v2, atualizada em .
A Escala de Dificuldades de Regulação Emocional (DERS), em inglês Difficulties in Emotion Regulation Scale, foi publicada em 2004 por Kim L. Gratz e Lizabeth Roemer, da Universidade de Massachusetts Boston, no Journal of Psychopathology and Behavioral Assessment. A proposta era medir regulação de forma ampla: além de reduzir a intensidade de uma emoção, perceber, entender e aceitar o que se sente e agir conforme os próprios objetivos mesmo aborrecido.
O estudo original, com 357 universitários de 18 a 55 anos, reuniu 36 itens em seis fatores: não aceitação da resposta emocional, dificuldade em manter comportamento dirigido a objetivos, dificuldade em controlar impulsos, falta de consciência emocional, acesso limitado a estratégias de regulação e falta de clareza emocional. A consistência interna do total foi 0,93, com subescalas acima de 0,80, e a estabilidade em quatro a oito semanas foi 0,88. A pessoa indica com que frequência cada frase se aplica a ela, de quase nunca (0–10%) a quase sempre (91–100%), e os itens são recodificados para que pontuações maiores indiquem mais dificuldade.
No Brasil, Cancian, Souza, Silva, Machado e Oliveira (2019) estudaram 377 adultos da população geral, de 18 a 66 anos, e confirmaram os seis fatores e um fator geral, com alfa de 0,94 no total. Machado, Gurgel, Boeckel e Reppold (2020) replicaram a estrutura em 402 adultos de 18 a 71 anos, que responderam em cerca de 15 minutos.
A DERS é indicada para adultos quando a pergunta clínica envolve como a pessoa lida com emoções negativas, e não apenas quanto sofre. Como as dificuldades de regulação aparecem em quadros de humor, ansiedade, alimentação, uso de substâncias e personalidade, a escala tem papel transdiagnóstico: descreve um processo que atravessa diagnósticos e ajuda a escolher alvos de intervenção, como aceitação, clareza ou repertório de estratégias. Na bateria, combina com medidas de sintomas (BDI-II, BAI) e de traço (BIS-11).
Quando o DERS não é a melhor escolha
A DERS não mede sintomas de depressão, ansiedade ou estresse, não avalia risco e não diagnostica transtorno da personalidade borderline nem outro quadro. Para quantificar sintomas, use BDI-II ou BAI; para traço impulsivo geral, a BIS-11. A escala também não pergunta sobre autolesão ou suicídio, que exigem investigação direta na entrevista, e não tem dados brasileiros para menores de 18 anos.
Os 36 itens formam seis subescalas obtidas por análise fatorial e confirmadas nas duas validações brasileiras. Onze frases descrevem regulação preservada e são invertidas para que mais pontos signifiquem sempre mais dificuldade.
| Dimensão | Itens | O que avalia |
|---|---|---|
| Não aceitação (NAC) | 6 itens | Respostas secundárias negativas às próprias emoções; soma de 6 a 30, sem itens invertidos. |
| Objetivos (OBJ) | 5 itens | Manter atenção e concluir tarefas quando aborrecido; soma de 5 a 25, com um item invertido. |
| Impulsos (IMP) | 6 itens | Controle do comportamento sob emoção intensa; soma de 6 a 30, com um item invertido. |
| Consciência (CON) | 6 itens | Atenção e reconhecimento das emoções; soma de 6 a 30, todos os itens invertidos. |
| Estratégias (EST) | 8 itens | Percepção de acesso a formas eficazes de se regular; soma de 8 a 40, com um item invertido. |
| Clareza (CLA) | 5 itens | Saber e entender o que sente; soma de 5 a 25, com dois itens invertidos. |
| Total | 36 itens | Soma das seis subescalas, de 36 a 180; também se calcula sem Consciência, de 30 a 150. |
Explique que a escala pergunta com que frequência cada frase se aplica à pessoa e que não há respostas certas ou erradas.
Apresente as cinco opções com as porcentagens da folha, de 0–10% a 91–100%, para ancorar a frequência.
Avise que algumas frases descrevem facilidades, para que a pessoa não responda no automático.
Deixe a pessoa responder sozinha, sem limite de tempo, e confira ao final se os 36 itens têm uma única marcação.
Registre a data e eventos recentes, como crise, perda ou conflito, porque o momento emocional altera o relato de frequência.
Retome na entrevista as situações com dificuldade frequente e investigue diretamente autolesão e risco, que a escala não pergunta.
A correção da DERS depende de uma etapa: a inversão. Onze frases descrevem regulação preservada (por exemplo, prestar atenção aos próprios sentimentos), e cada uma é recodificada como 6 menos a resposta. Os seis itens de Consciência emocional são todos invertidos; Clareza tem dois, e Objetivos, Impulsos e Estratégias têm um cada. Só depois disso as respostas entram nas seis somas, que variam de 5 a 25 (Objetivos e Clareza), de 6 a 30 (Não aceitação, Impulsos e Consciência) e de 8 a 40 (Estratégias). O total vai de 36 a 180.
Como Consciência emocional teve carga baixa no fator geral brasileiro (0,30) e ficou fora do melhor modelo na amostra clínica de Hallion et al. (2018), vale ler também o total sem ela, de 30 a 150. A média por item, de 1 a 5, devolve cada subescala à linguagem de frequência da folha e permite comparar dimensões de tamanhos diferentes.
No PontoAzul, você transcreve as 36 respostas exatamente como estão na folha, sem inverter nada, e informa a data. O servidor aplica a inversão nos 11 itens, soma as seis subescalas, o total e o total sem Consciência, calcula a média por item e a frequência equivalente, compara cada soma com a média do grupo clínico de Hallion et al. (2018) e situa o total entre as médias brasileiras por nível de sintomas na DASS-21 (Cancian et al., 2019). Também sinaliza a mesma resposta em 29 ou mais itens, concordância frequente com afirmativas opostas e idade abaixo de 18 anos.
Confira se as 36 frases têm uma resposta de 1 (quase nunca, 0–10%) a 5 (quase sempre, 91–100%).
Inverta os 11 itens que descrevem regulação preservada (1, 2, 6, 7, 8, 10, 17, 20, 22, 24 e 34) pela fórmula 6 − resposta: 1 vira 5, 2 vira 4, 3 continua 3.
Some Não aceitação (11, 12, 21, 23, 25, 29), Objetivos (13, 18, 20, 26, 33) e Impulsos (3, 14, 19, 24, 27, 32), já com as inversões.
Some Consciência (2, 6, 8, 10, 17, 34), Estratégias (15, 16, 22, 28, 30, 31, 35, 36) e Clareza (1, 4, 5, 7, 9).
Some as seis subescalas para o total (36 a 180) e calcule também o total sem Consciência (30 itens, 30 a 150).
Divida cada soma pelo número de itens para obter a média de 1 a 5 e traduza-a na opção de frequência mais próxima da folha.
Compare as somas com médias de grupos publicados, identificando a amostra, e registre padrões de resposta uniformes antes de interpretar.
Exemplo de correção
Exemplo demonstrativo: homem fictício de 34 anos, com queixa de dificuldade de retomar o trabalho depois de discussões. Já com os itens invertidos:
Total 102 de 180 (média 2,83, cerca de metade do tempo) e 89 sem Consciência. Objetivos tem a média mais alta (3,80, a maior parte do tempo) e Consciência a mais baixa (2,17). O total fica acima da média clínica de Hallion et al. (2018), de 89,33, o que contextualiza, mas não classifica nem diagnostica.
A DERS não tem ponto de corte publicado nem norma brasileira por subescala, então a leitura é dimensional. O primeiro passo é a média por item de cada subescala, traduzida na frequência da folha: perto de 1, a dificuldade quase nunca ocorre; perto de 3, ocorre cerca de metade do tempo; perto de 5, quase sempre. O segundo é a comparação com grupos. Em 427 adultos em tratamento ambulatorial por transtornos de ansiedade, humor, obsessivo-compulsivos ou relacionados ao trauma (Hallion et al., 2018), o total médio foi 89,33 e o total sem Consciência, 73,96. Na amostra brasileira de Cancian et al. (2019), o total médio subiu de cerca de 71 a 75 pontos nos grupos sem sintomas elevados na DASS-21 para 107 a 112 nos grupos com sintomas extremamente severos. Essas médias descrevem grupos e não funcionam como faixas individuais.
As médias vêm de amostras diferentes (clínica norte-americana e população geral brasileira) e não viram percentil. Estar perto da média de um grupo da DASS-21 não informa o nível de depressão, ansiedade ou estresse da pessoa, que deve ser medido diretamente. Consciência emocional se relaciona pouco com o restante da escala, por isso o total sem ela merece leitura paralela. A DERS não tem escala de validade.
Esquecer os 11 itens invertidos
Somar a folha sem inverter derruba Consciência, toda invertida, e distorce Clareza, Objetivos, Impulsos e Estratégias.
Inverter com a fórmula errada
Em escala de 1 a 5, a inversão é 6 menos a resposta. Usar 5 menos a resposta gera zeros e reduz o total em um ponto por item invertido.
Comparar subescalas pela soma bruta
Estratégias tem 8 itens e Clareza tem 5. Somas diferentes não indicam dificuldade maior; a comparação correta usa a média por item.
Ler o total sem olhar Consciência
Consciência emocional destoa das outras cinco subescalas. Um total puxado por ela pede leitura separada, com o total sem Consciência ao lado.
Misturar a DERS com versões curtas
DERS-16, DERS-18 e DERS-SF têm outros itens e somas. Aplicar uma e corrigir com a chave da outra produz subescalas incompletas.
No PontoAzul, a correção do DERS segue as regras do instrumento e mostra o cálculo para você conferir. Teste grátis por 7 dias.
No PontoAzul, as seis subescalas, o total com e sem Consciência e as comparações com grupos publicados chegam ao laudo-base com o gráfico do resultado. O trecho abaixo mostra a redação de um caso fictício, revisada pelo profissional.
Em 14/10/2026, o avaliado, de 34 anos, respondeu à Escala de Dificuldades de Regulação Emocional (DERS; Gratz e Roemer, 2004; versão brasileira de Cancian et al., 2019). Após a inversão dos 11 itens previstos, o total foi de 102 pontos (média 2,83, equivalente a cerca de metade do tempo) e de 89 sem a subescala de Consciência emocional, ambos acima das médias de um grupo clínico de referência. A maior dificuldade relatada está em manter comportamento dirigido a objetivos quando chateado (19 pontos; média 3,80, a maior parte do tempo), seguida pelo acesso limitado a estratégias (26; 3,25). Consciência emocional ficou mais baixa (13; 2,17). Em hipótese, a dificuldade estaria mais em retomar as tarefas do que em perceber as emoções, o que a entrevista deve confirmar. A escala descreve dificuldades relatadas e não estabelece diagnóstico.
Trecho ilustrativo de caso fictício. O texto final é sempre revisado pelo profissional.
Fontes consultadas pela equipe editorial para revisar as informações desta página.
Trinta itens, total de 30 a 120 e dois fatores no fluxo brasileiro do PontoAzul.
BDI-II: 21 itens, 0 a 63 pontos, gravidade de sintomas depressivos nas últimas duas semanas.
BAI: 21 sintomas, 0 a 63 pontos, intensidade da ansiedade na última semana.
PID-5: 220 itens, 25 facetas e 5 domínios de traços desadaptativos, com médias de 0 a 3.
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