1Medo ou ansiedade
Intensidade do medo sentido em cada uma das 24 situações, de nenhum a profundo, somando de 0 a 72.
A Escala de Ansiedade Social de Liebowitz (LSAS-SR) pergunta quanto medo a pessoa sente e quanto evita 24 situações de desempenho e de interação social. Cada situação recebe duas notas de 0 a 3, o total vai de 0 a 144 e o estudo brasileiro propõe 32 pontos como corte de rastreio. Veja como somar medo, evitação e subescalas e como ler o resultado sem confundi-lo com diagnóstico.
A Escala de Ansiedade Social de Liebowitz – versão autoaplicada (LSAS-SR) é um autorrelato derivado da escala clínica de Michael Liebowitz (1987). A pessoa avalia 24 situações sociais e de desempenho da última semana, marcando medo ou ansiedade de 0 a 3 e evitação de 0 a 3. O total vai de 0 a 144. No Brasil, Santos e colaboradores (2015) propuseram 32 pontos como corte de rastreio; o resultado indica investigação, não diagnóstico.
Intensidade do medo sentido em cada uma das 24 situações, de nenhum a profundo, somando de 0 a 72.
Frequência com que a pessoa evita cada situação, de nunca a geralmente, também somando de 0 a 72.
Treze situações em que a pessoa age sendo observada, como falar em público, comer, escrever ou trabalhar diante de outros.
Onze situações de contato e assertividade, como falar com desconhecidos, discordar, ir a uma festa ou falar com autoridades.
Transcreva o medo e a evitação das 24 situações, a data da aplicação e as situações respondidas por hipótese; acrescente, se quiser, prejuízo relatado, semana de referência e medicação. O resultado segue para o laudo-base editável, onde você integra o prejuízo funcional, a história e as explicações alternativas antes de concluir.
O servidor valida as 48 marcações, soma medo (0 a 72), evitação (0 a 72), desempenho (0 a 78), interação (0 a 66) e total (0 a 144), compara com os cortes 30, 32, 44 e 60 e com as médias brasileiras de casos, subclínicos e não casos.
Testar com LSAS-SRCalcule a idade na data de aplicação do LSAS-SR
Autor(es): Michael R. Liebowitz; autorrelato: Fresco et al.; validação brasileira: Larissa Forni dos Santos, Sonia R. Loureiro, José Alexandre S. Crippa e Flávia L. Osório · 1987 (autorrelato: 2001; validação brasileira: 2013 e 2015)
Conteúdo da equipe editorial PontoAzul, baseado nas fontes listadas ao final. Revisão editorial v2, atualizada em .
A Escala de Ansiedade Social de Liebowitz foi publicada em 1987 pelo psiquiatra Michael R. Liebowitz, da Universidade Columbia e do New York State Psychiatric Institute, num capítulo sobre fobia social da série Modern Problems of Pharmacopsychiatry. A proposta era medir separadamente o medo e a evitação em situações sociais, porque uma pessoa pode temer muito e ainda assim enfrentar, ou evitar sem relatar tanto medo. Originalmente aplicada pelo clínico, a escala virou referência em ensaios clínicos de ansiedade social.
A LSAS-SR é a versão de autorrelato. Fresco e colaboradores (2001) compararam os dois formatos em 99 pessoas com transtorno de ansiedade social e 53 controles e encontraram propriedades muito parecidas, o que liberou o uso autoaplicado. Em 2009, Rytwinski e colaboradores testaram o rastreio em 291 pacientes e 53 controles: 30 pontos equilibraram melhor sensibilidade e especificidade para o transtorno e 60 para a forma generalizada.
No Brasil, pesquisadoras da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP) validaram a versão autoaplicada. Santos, Loureiro, Crippa e Osório (2013) relataram alfa entre 0,90 e 0,96 e reteste de 15 dias com coeficiente de 0,81. Em 2015, o mesmo grupo entrevistou 252 universitários com a SCID e propôs 32 pontos como corte de rastreio para a população brasileira. A análise fatorial não reproduziu as estruturas estrangeiras, por isso desempenho e interação são lidos de forma descritiva.
A LSAS-SR serve para adultos com queixa de medo de avaliação, dificuldade de falar em público, de iniciar conversas ou de agir sendo observados. Abre a investigação de ansiedade social, mostra em quais situações o medo e a evitação se concentram e orienta a entrevista. Reaplicada com a mesma janela de uma semana, acompanha a mudança ao longo da psicoterapia. Na avaliação neuropsicológica, ajuda a interpretar baixo desempenho em tarefas com exposição e queixas acadêmicas ligadas a seminários. Os dados brasileiros vêm de universitários de até 35 anos: em pessoas mais velhas o uso é possível, mas a leitura precisa registrar essa distância da amostra de validação.
Quando o LSAS-SR não é a melhor escolha
A LSAS-SR não fecha diagnóstico de transtorno de ansiedade social e não mede sintomas físicos nem prejuízo funcional, que precisam vir da entrevista. Para ansiedade geral, prefira BAI, GAD-7 ou HAM-A; para incluir reações corporais no rastreio, o SPIN cobre esse componente. Em crianças, use instrumentos próprios para a idade.
Cada uma das 24 situações recebe duas marcações independentes da própria pessoa: medo ou ansiedade (0 nenhum, 1 pouco, 2 moderado, 3 profundo) e evitação (0 nunca, 1 ocasionalmente, 2 frequentemente, 3 geralmente). As mesmas 48 marcações alimentam os cinco escores abaixo; desempenho e interação são cortes transversais das situações, não colunas extras.
| Dimensão | Itens | O que avalia |
|---|---|---|
| Medo ou ansiedade | 24 situações | Soma das 24 notas de medo; amplitude de 0 a 72. |
| Evitação | 24 situações | Soma das 24 notas de evitação; amplitude de 0 a 72. |
| Desempenho | 13 situações | Medo mais evitação nas situações em que a pessoa é observada ou avaliada; 0 a 78. |
| Interação social | 11 situações | Medo mais evitação nas situações de contato, conversa e assertividade; 0 a 66. |
| Total | 48 marcações | Medo mais evitação de todas as situações; 0 a 144, comparado aos cortes publicados. |
Explique que a escala pergunta, para cada situação, quanto medo a pessoa sente e com que frequência a evita, sempre pensando na última semana.
Oriente que situações não vividas na semana sejam respondidas imaginando o que a pessoa sentiria e faria nelas, e peça que marque quais foram respondidas assim.
Confira ao final se as 48 marcações estão preenchidas, sem duplicidade, e se as colunas de medo e evitação foram de fato diferenciadas.
Registre a data e se a semana foi típica; férias, afastamento ou isolamento reduzem as situações vividas e alteram as respostas.
Pergunte sobre medicação ou álcool usados antes de situações sociais e sobre o prejuízo no estudo, no trabalho e nas relações, que a escala não mede.
A correção da Escala de Liebowitz é aditiva e sem inversões. Cada situação produz duas notas de 0 a 3; a soma das 24 notas de medo vai de 0 a 72, a das 24 de evitação também, e o total soma as duas colunas, de 0 a 144. As 13 situações de desempenho somam até 78 e as 11 de interação social até 66. Como os máximos são diferentes, compare as subescalas pelo percentual do máximo, nunca pelo número bruto.
A leitura do total usa cortes publicados, não faixas de gravidade. O corte brasileiro de 32 separou casos de não casos com sensibilidade de 0,96 e especificidade de 0,79; o ponto de 44 separou casos de subclínicos com sensibilidade de 0,85 e especificidade de 0,90. Os casos tiveram média de 70,91, os subclínicos 54,90 e os não casos 24,81. O que diferenciou casos de subclínicos foi o prejuízo funcional, que só a entrevista alcança.
No PontoAzul, você transcreve as 48 marcações e a data, indica as situações respondidas por hipótese e, se quiser, o prejuízo relatado e a semana de referência. A plataforma recalcula medo, evitação, desempenho, interação e total, posiciona o resultado frente aos cortes 30, 32, 44 e 60 e às médias dos grupos brasileiros, classifica cada situação pelo par medo × evitação e sinaliza preenchimento uniforme, colunas idênticas e idade fora da amostra de validação.
Confira se cada uma das 24 situações tem as duas marcações, medo e evitação, com um único código inteiro de 0 a 3. São 48 valores no protocolo completo.
Some as 24 notas de medo (0 a 72) e as 24 notas de evitação (0 a 72). Não existe item invertido na LSAS-SR.
Some medo e evitação para obter o escore total, de 0 a 144.
Separe as 13 situações de desempenho (0 a 78) e as 11 de interação social (0 a 66), somando medo e evitação de cada uma. Desempenho mais interação precisa reproduzir o total.
Compare o total com o corte brasileiro de 32 e, se for útil, com o ponto de 44 e com as referências internacionais de 30 e 60, sempre nomeando a fonte.
Marque as situações respondidas por hipótese (que a pessoa não viveu na semana) e registre a semana de referência, porque ambas mudam o peso da leitura.
Exemplo de correção
Exemplo demonstrativo: estudante fictício de 24 anos procura atendimento por evitar seminários e reuniões de grupo. Após responder à LSAS-SR, as 48 marcações foram somadas assim:
Total 47 de 144: acima do corte brasileiro de 32 e do ponto de 44, abaixo da referência de 60. A carga maior está em desempenho. O rastreio é positivo e pede entrevista sobre prejuízo funcional antes de qualquer conclusão.
Não existem faixas de gravidade validadas para a LSAS-SR. As faixas abaixo são posições do total diante de cortes publicados: 32 (rastreio, casos × não casos) e 44 (casos × subclínicos), de Santos e colaboradores (2015) em universitários brasileiros entrevistados com a SCID; e 60, associado à forma generalizada em pacientes de serviços dos Estados Unidos (Rytwinski et al., 2009). É a mesma lógica de leitura usada no PontoAzul.
| Faixa | Classificação | Leitura clínica |
|---|---|---|
| 0–31 | Abaixo do corte | Total abaixo do corte brasileiro. Queixas sociais relevantes ainda merecem entrevista, sobretudo se a pessoa evitou muitas situações. |
| 32–43 | Rastreio positivo | Atinge o corte de 32. Nessa zona o estudo brasileiro encontrou tanto casos quanto subclínicos; o prejuízo funcional decide. |
| 44–59 | Positivo, ≥ 44 | Atinge o ponto que melhor separou casos com prejuízo de subclínicos no estudo brasileiro; investigar com entrevista estruturada. |
| 60–144 | Positivo, ≥ 60 | Atinge a referência internacional associada à forma generalizada em grupos clínicos; não classifica a forma de uma pessoa. |
Sensibilidade e especificidade descrevem o corte em grupos, não a chance individual. As amostras brasileiras eram universitárias, de até 35 anos; em outras idades e contextos, leia com essa limitação. Os estudos americanos usaram 30 como corte. Tabelas de “leve, moderada, grave” que circulam na internet não vêm dos estudos de validação.
Somar só a coluna de medo
O total da LSAS-SR soma medo e evitação. Usar apenas uma coluna gera um número de 0 a 72 que não pode ser comparado aos cortes publicados.
Usar faixas de gravidade sem fonte
Rótulos como “moderada” ou “grave” para intervalos do total não constam dos estudos de validação. No laudo, descreva a posição frente aos cortes nomeados.
Trocar o corte entre aplicações
Ler o primeiro protocolo pelo corte 30 e o reteste pelo 32 muda a conclusão sem mudança real. Fixe a referência e registre-a.
Confundir desempenho com interação
Distribuir as 24 situações nas subescalas erradas desloca pontos entre 0 a 78 e 0 a 66. A conferência simples é: desempenho mais interação igual ao total.
No PontoAzul, a correção do LSAS-SR segue as regras do instrumento e mostra o cálculo para você conferir. Teste grátis por 7 dias.
Trecho demonstrativo, sem dados de paciente real. O PontoAzul recalcula medo, evitação, desempenho, interação e total a partir das 48 marcações e entrega a posição frente aos cortes publicados; a redação final e o dado de prejuízo funcional ficam com o profissional.
Em 05/10/2026, o estudante fictício de 24 anos respondeu à Escala de Ansiedade Social de Liebowitz – versão autoaplicada (LSAS-SR) com referência à última semana. Obteve 47 de 144 pontos (medo 26; evitação 21), acima do corte brasileiro de 32 e do ponto de 44 descritos por Santos et al. (2015), e abaixo da referência de 60. A carga concentrou-se nas situações de desempenho (29 de 78), com medo e evitação marcantes em apresentações e reuniões. O resultado configura rastreio positivo e não constitui diagnóstico. Recomenda-se entrevista clínica estruturada sobre prejuízo acadêmico, duração do padrão e explicações alternativas antes de concluir.
Trecho ilustrativo de caso fictício. O texto final é sempre revisado pelo profissional.
Fontes consultadas pela equipe editorial para revisar as informações desta página.
Dezessete itens, três áreas de sintomas e escore total de 0 a 68.
Trinta situações, cinco fatores de 6–30 e total descritivo de 30–150.
BAI: 21 sintomas, 0 a 63 pontos, intensidade da ansiedade na última semana.
Sete itens, total de 0 a 21 e corte de rastreio em 10 pontos.
Correção, resultados, gráficos e laudo no mesmo fluxo para você revisar.
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