1Lavagem
Incômodo com contaminação, com tocar objetos manipulados por outras pessoas e necessidade de lavar ou limpar.
O OCI-R é um autorrelato breve de rastreio para sintomas obsessivo-compulsivos. São 18 itens respondidos de 0 a 4 sobre o quanto cada experiência incomodou no último mês, agrupados em seis subescalas de três itens: lavagem, verificação, ordenação, obsessão, acumulação e neutralização. O total vai de 0 a 72, e o corte original é 21. Veja como corrigir e interpretar.
O Inventário de Obsessões e Compulsões Revisado (OCI-R) é um questionário de autorrelato publicado por Foa e colaboradores em 2002, versão curta do OCI de 42 itens. Tem 18 itens pontuados de 0 (nem um pouco) a 4 (extremamente), sobre o incômodo no último mês, em seis subescalas de três itens. O total vai de 0 a 72, e 21 pontos ou mais sugerem investigar TOC. É rastreio: não diagnostica.
Incômodo com contaminação, com tocar objetos manipulados por outras pessoas e necessidade de lavar ou limpar.
Conferir repetidamente portas, janelas, gás, torneiras, interruptores e outras coisas além do necessário.
Necessidade de que objetos estejam arrumados de certo modo e incômodo quando alguém altera essa ordem.
Pensamentos desagradáveis e indesejados que surgem contra a vontade e são difíceis de controlar ou afastar.
Guardar, colecionar e evitar descartar objetos sem utilidade, a ponto de atravancarem o espaço.
Contar, repetir números ou atribuir valor a números bons e maus para aliviar o desconforto.
Você transcreve as 18 respostas de 0 a 4 do OCI-R já aplicado, na ordem da folha ou pela entrada rápida, informa a data e confirma a transcrição. A partir daí, o resultado alimenta um laudo-base editável; a versão para a família não cita o item de conteúdo íntimo e a da instituição não traz nenhum dado do inventário.
O servidor soma as seis subescalas de 0 a 12 e o total de 0 a 72, confere que as somas fecham, aplica o corte de 21 e os cortes complementares do estudo original, situa as somas frente às medianas brasileiras e sinaliza padrões de resposta uniformes.
Testar com OCI-RCalcule a idade na data de aplicação do OCI-R
Autor(es): Edna B. Foa, Jonathan D. Huppert, Susanne Leiberg e colaboradores; versão brasileira de F. P. Souza, E. B. Foa, E. Meyer, K. G. Niederauer, A. L. Raffin e A. V. Cordioli · 2002 (versão brasileira: 2008; estudo psicométrico brasileiro: 2011)
Conteúdo da equipe editorial PontoAzul, baseado nas fontes listadas ao final. Revisão editorial v2, atualizada em .
O Obsessive-Compulsive Inventory-Revised (OCI-R), chamado no Brasil de Inventário de Obsessões e Compulsões Revisado, foi publicado em 2002 por Edna Foa e colaboradores na revista Psychological Assessment. Ele encurtou o OCI original, de 42 itens, retirando a escala de frequência, que era redundante, simplificando a pontuação e reduzindo a sobreposição entre subescalas. O resultado é um autorrelato de 18 itens que mantém boas propriedades psicométricas e diferencia pessoas com e sem TOC. Na validação, participaram pessoas com TOC, com outros transtornos de ansiedade e sem ansiedade clínica, incluindo 215 pacientes com TOC.
Cada item descreve uma experiência comum no TOC, e a pessoa indica de 0 (nem um pouco) a 4 (extremamente) o quanto ela a incomodou ou causou ansiedade no último mês. Os itens formam seis subescalas de três itens: lavagem, verificação, ordenação, obsessão, acumulação e neutralização. Por isso o OCI-R mede o sofrimento associado aos sintomas e o perfil por dimensão, e não o tempo gasto nem o prejuízo, que ficam para a entrevista.
A versão brasileira foi traduzida e adaptada por Souza, Foa, Meyer, Niederauer, Raffin e Cordioli (2008), no Hospital de Clínicas de Porto Alegre, com retrotradução aprovada pela autora. Em 2011, Souza e colaboradores estudaram 260 adultos: 64 com TOC, 33 com fobia social, 33 com transtorno de pânico e 130 sem transtorno. A estrutura de seis fatores foi replicada, o teste-reteste em sete dias chegou a 0,98 no total e a escala mostrou sensibilidade à terapia cognitivo-comportamental em grupo.
O OCI-R é indicado para rastrear sintomas obsessivo-compulsivos em adultos em avaliações psicológicas e neuropsicológicas, triagens de ambulatório e acompanhamento de tratamento. Por ser rápido, funciona bem no início da avaliação, para decidir se vale aplicar uma entrevista longa como a Y-BOCS e para orientar as perguntas pelas dimensões mais pontuadas. Também é útil na reaplicação ao longo da terapia: no estudo brasileiro, a mediana do grupo com TOC caiu de 33,5 para 6,5 após 12 sessões de terapia cognitivo-comportamental em grupo. Em quadros de ansiedade, ajuda no diagnóstico diferencial, e ao lado do OBQ-44 apoia a formulação cognitiva do caso.
Quando o OCI-R não é a melhor escolha
O OCI-R não mede tempo gasto, interferência nem crítica, e não substitui entrevista: para quantificar gravidade e acompanhar resposta com o juízo do avaliador, use a Y-BOCS. Para crenças obsessivas, como responsabilidade e perfeccionismo, use o OBQ-44. Em crianças e adolescentes, prefira medidas com versão e normas infantis, como a CY-BOCS. Um total abaixo do corte não encerra a investigação quando outras fontes relatam sintomas.
Os 18 itens aparecem intercalados na folha: cada subescala reúne três itens espalhados, e não três itens seguidos. Todos usam a mesma escala de resposta, e nenhum é invertido.
| Dimensão | Itens | O que avalia |
|---|---|---|
| Lavagem | 5, 11, 17 | Contaminação, toque e limpeza excessiva; soma de 0 a 12. |
| Obsessão | 6, 12, 18 | Pensamentos intrusivos indesejados e dificuldade de afastá-los; soma de 0 a 12. |
| Acumulação | 1, 7, 13 | Guardar, colecionar e não descartar objetos; soma de 0 a 12. |
| Ordenação | 3, 9, 15 | Arrumação, ordem e incômodo com mudanças; soma de 0 a 12. |
| Verificação | 2, 8, 14 | Conferências repetidas de portas, gás, torneiras e luzes; soma de 0 a 12. |
| Neutralização | 4, 10, 16 | Contagem, repetição de números e números bons e maus; soma de 0 a 12. |
| Escala de resposta | 0–4 | Nem um pouco, um pouco, moderadamente, muito e extremamente. |
Entregue a folha explicando que as frases descrevem experiências comuns e que a resposta se refere ao último mês.
Mostre a escala de 0 (nem um pouco) a 4 (extremamente) e peça uma única marcação por item, sem deixar itens em branco.
Em baixa escolaridade ou dificuldade de leitura, leia os itens em voz alta sem sugerir a intensidade da resposta.
Ao receber a folha, confira itens em branco, rasuras e duplas marcações e esclareça com a pessoa antes de corrigir.
Registre data, contexto da aplicação e tratamento em curso, porque o total cai com a terapia e muda a leitura nas reaplicações.
A correção do OCI-R é uma soma simples, sem itens invertidos. Cada subescala soma três itens e vai de 0 a 12; o total soma os 18 itens e vai de 0 a 72, o que equivale à soma das seis subescalas. O ponto de corte de 21 vem do estudo original, que comparou pessoas com TOC a pessoas sem ansiedade clínica. Ele serve para decidir se é preciso investigar, não para graduar a gravidade.
A leitura de subescalas exige cuidado. No estudo original, obsessão foi a dimensão que melhor separou pessoas com TOC de pessoas sem ansiedade clínica, enquanto acumulação e ordenação diferenciaram pouco. Na amostra brasileira, o grupo com TOC pontuou mais que os grupos com fobia social, pânico e sem transtorno no total e em todas as subescalas, exceto acumulação e ordenação. Um perfil concentrado nessas duas dimensões pede, portanto, leitura cuidadosa junto da entrevista.
No PontoAzul, você transcreve as 18 respostas de 0 a 4 na ordem da folha ou pela entrada rápida e confirma a transcrição. A plataforma soma as seis subescalas e o total de 0 a 72, aplica o corte de 21 e avisa quando o total está a até 2 pontos dele, situa cada soma frente às medianas dos grupos brasileiros de Souza et al. (2011), lista os itens marcados com 2 ou mais e sinaliza padrões como todas as respostas em zero ou a mesma resposta repetida em quase todos os itens.
Confira se os 18 itens têm uma única resposta de 0 a 4 e se a pessoa respondeu pensando no último mês.
Some os três itens de cada subescala: lavagem (5, 11, 17), obsessão (6, 12, 18), acumulação (1, 7, 13), ordenação (3, 9, 15), verificação (2, 8, 14) e neutralização (4, 10, 16).
Registre cada subescala de 0 a 12 e identifique as que concentram a pontuação.
Some os 18 itens para o total (0 a 72) e confira se ele é igual à soma das seis subescalas.
Compare o total com o corte de 21: 21 ou mais é rastreio positivo e indica entrevista específica para TOC.
Marque os itens respondidos com 2 ou mais para orientar as perguntas da entrevista seguinte.
Exemplo de correção
Exemplo demonstrativo: homem de 34 anos que relata demorar para sair de casa por conferir fechaduras e o fogão. Respostas transcritas do protocolo:
Total 30, acima do corte de 21: rastreio positivo, com peso concentrado em verificação e obsessão. O resultado justifica entrevista para TOC, de preferência com a Y-BOCS, mas não confirma o diagnóstico.
O OCI-R não tem faixas de gravidade no artigo original. Foa e colaboradores (2002) derivaram por curva ROC o corte de 21, que separou pessoas com TOC de pessoas sem ansiedade clínica com sensibilidade e especificidade em torno de 65%. O estudo brasileiro de Souza et al. (2011) não propôs corte próprio.
| Faixa | Classificação | Leitura clínica |
|---|---|---|
| 0–20 | Abaixo do corte | Incômodo relatado abaixo do limiar de rastreio; não afasta sintomas descritos em entrevista ou por familiares. |
| ≥ 21 | Rastreio positivo | Indica investigar TOC com entrevista estruturada e medida de gravidade, sem confirmar diagnóstico. |
Com sensibilidade perto de 65%, o corte deixa de identificar cerca de um terço das pessoas com TOC, e parte das pessoas sem o transtorno também passa de 21. Acumulação e ordenação diferenciam pouco quem tem TOC, e pensamentos intrusivos aparecem em outros quadros ansiosos. Como o DSM-5 separou o transtorno de acumulação, Wootton et al. (2015) propuseram ler a acumulação à parte do restante da escala.
Somar itens consecutivos como subescala
Os itens são intercalados. Somar 1, 2 e 3 como se fossem uma dimensão mistura acumulação, verificação e ordenação e produz um perfil sem sentido.
Ler o corte como diagnóstico
O 21 é limiar de rastreio. Um total acima dele pede entrevista; um total abaixo dele não descarta TOC quando há queixa clínica.
Somar com itens em branco
Um item vazio contado como zero subestima o total e a subescala dele. Recupere a resposta com a pessoa antes de corrigir e de comparar com o corte.
Trocar o período do último mês
A instrução pede o incômodo no último mês. Responder sobre a vida inteira ou só sobre hoje muda o que o total representa e prejudica a comparação entre aplicações.
Tratar acumulação alta como TOC
A acumulação é diagnóstico próprio no DSM-5 e diferencia mal pessoas com e sem TOC. Uma subescala elevada isolada pede investigação específica, não conclusão.
No PontoAzul, a correção do OCI-R segue as regras do instrumento e mostra o cálculo para você conferir. Teste grátis por 7 dias.
Trecho demonstrativo, sem dados de paciente real. O PontoAzul leva ao laudo-base o total, as seis subescalas, a posição frente ao corte e os itens marcados com 2 ou mais; a formulação clínica é escrita e revisada pelo profissional.
Em 14/10/2026, o paciente do exemplo fictício respondeu ao Inventário de Obsessões e Compulsões Revisado (OCI-R), versão brasileira de Souza et al. (2008), considerando o último mês. O total foi de 30 em 72 pontos, acima do corte de rastreio de 21 proposto por Foa et al. (2002). A pontuação concentrou-se nas subescalas de verificação (11 em 12) e obsessão (8 em 12), com valores baixos em lavagem, acumulação e neutralização. O resultado indica rastreio positivo e não estabelece diagnóstico. Recomenda-se entrevista clínica com a Y-BOCS para estimar tempo gasto, interferência e controle dos sintomas.
Trecho ilustrativo de caso fictício. O texto final é sempre revisado pelo profissional.
Fontes consultadas pela equipe editorial para revisar as informações desta página.
Escala Yale-Brown: 10 itens de gravidade, total de 0 a 40, obsessões e compulsões em cinco dimensões.
44 afirmativas de 1 a 7, três domínios de crenças e total de 44 a 308, sem itens invertidos.
BAI: 21 sintomas, 0 a 63 pontos, intensidade da ansiedade na última semana.
Dezessete itens, três áreas de sintomas e escore total de 0 a 68.
Correção, resultados, gráficos e laudo no mesmo fluxo para você revisar.
Testar grátis por 7 dias