1Irritabilidade e pensamento acelerado
Primeiro fator da análise brasileira: irritabilidade, menos sono, pensamentos acelerados, distração, sociabilidade, interesse sexual, condutas arriscadas e gastos.
O MDQ é o questionário de autorrelato mais estudado para rastrear o espectro bipolar. São 13 itens de sim ou não sobre algum período da vida, mais duas perguntas sobre simultaneidade e prejuízo. A regra original pede 7 itens com as duas condições; o corte brasileiro de Castelo et al. (2010) usa 8 itens. Veja como corrigir, interpretar e levar ao laudo.
O Questionário de Transtornos do Humor (MDQ), publicado por Hirschfeld et al. em 2000, é um instrumento de autorrelato para rastrear transtorno do espectro bipolar em adultos. A questão 1 traz 13 itens de sim ou não sobre algum período de humor elevado ou irritável; as questões 2 e 3 perguntam se vários ocorreram juntos e quanto problema causaram. É rastreio positivo com 7 itens e as duas condições, ou com 8 itens pelo corte brasileiro. Não fecha diagnóstico.
Primeiro fator da análise brasileira: irritabilidade, menos sono, pensamentos acelerados, distração, sociabilidade, interesse sexual, condutas arriscadas e gastos.
Segundo fator da análise brasileira, formado pelos itens de muito mais energia e de muito mais atividade que o habitual.
Verifica se vários sintomas marcados aconteceram no mesmo período, o que aproxima o relato de um episódio delimitado.
Gradua de nenhum problema a problema muito grave o impacto desses períodos no trabalho, na família, no dinheiro ou na justiça.
Você transcreve os 13 itens de sim ou não do MDQ já aplicado, a questão 2, a questão 3 e a data da aplicação. Assim, o laudo-base recebe a contagem, as duas leituras com suas fontes e os pontos para a entrevista, prontos para a sua revisão.
O servidor confere as respostas, conta os sim de 0 a 13, aplica a regra original (7 itens, simultaneidade e prejuízo) e o corte brasileiro de 8, indica a proximidade dos cortes e agrupa os itens pelos fatores.
Testar com MDQCalcule a idade na data de aplicação do MDQ
Autor(es): Robert M. A. Hirschfeld, Janet B. W. Williams, Robert L. Spitzer e colaboradores; versão brasileira de Melissa S. Castelo, André F. Carvalho e colaboradores · 2000 (validação brasileira: 2010)
Conteúdo da equipe editorial PontoAzul, baseado nas fontes listadas ao final. Revisão editorial v2, atualizada em .
O Mood Disorder Questionnaire (MDQ), ou Questionário de Transtornos do Humor, foi publicado em 2000 por Robert M. A. Hirschfeld e um grupo que incluía Janet B. W. Williams e Robert L. Spitzer. A proposta era oferecer um rastreio breve para o transtorno do espectro bipolar, frequentemente reconhecido anos depois do primeiro episódio, porque muitas pessoas procuram ajuda na fase depressiva e não relatam os períodos de humor elevado.
O questionário tem três partes pontuáveis. A questão 1 traz 13 itens de sim ou não, derivados dos critérios de mania e hipomania do DSM-IV: sentir-se excessivamente bem, irritabilidade, autoconfiança, menos sono, fala acelerada, pensamentos acelerados, distração, energia, atividade, sociabilidade, interesse sexual, condutas arriscadas e gastos. A questão 2 pergunta se vários ocorreram no mesmo período, e a questão 3 gradua o problema causado. Os direitos são administrados pela editora Jones & Bartlett; por isso, os enunciados não são reproduzidos aqui.
No Brasil, Castelo et al. (2010) validaram a versão em português com 114 pacientes ambulatoriais do Hospital de Saúde Mental de Messejana, em Fortaleza (CE), de 18 a 70 anos, comparando o questionário, aplicado por entrevistador, com o módulo de humor da SCID feito por psiquiatra cego. O alfa de Cronbach foi de 0,76, a área sob a curva de 0,87 e o melhor corte foi de 8 itens.
O MDQ é indicado para adultos com queixa de humor, especialmente quem chega com depressão e ainda não foi investigado para bipolaridade, antes de decisões sobre o tratamento. Também é útil quando há história de oscilações bruscas, irritabilidade intensa, gastos impulsivos ou períodos de pouca necessidade de sono. Na avaliação psicológica e neuropsicológica, ajuda a formular hipóteses diante de queixas de desatenção, impulsividade e instabilidade que podem pertencer ao TDAH, a um transtorno de personalidade ou ao espectro bipolar. O resultado orienta a entrevista e o encaminhamento psiquiátrico; não decide diagnóstico nem medicação.
Quando o MDQ não é a melhor escolha
O MDQ não mede gravidade atual nem acompanha tratamento, porque pergunta sobre algum período da vida. Para sintomas depressivos atuais, use PHQ-9, BDI-II ou HAM-D. Quando a dúvida principal é desatenção e inquietação desde a infância, comece pela ASRS ou pela DIVA-5. Em adolescentes, a validação brasileira não se aplica, e o diagnóstico exige entrevista psiquiátrica.
Na análise da versão brasileira (Castelo, 2012), os 13 itens da questão 1 se agruparam em dois fatores, e três não carregaram em nenhum. As questões 2 e 3 ficam fora da contagem, mas participam da regra original.
| Dimensão | Itens | O que avalia |
|---|---|---|
| Fator 1: irritabilidade | 2, 4, 6, 7, 10–13 | Irritabilidade, menos sono, pensamentos acelerados, distração, sociabilidade, sexualidade, condutas arriscadas e gastos; 27,3% da variância. |
| Fator 2: energia | 8–9 | Muito mais energia e muito mais atividade que o habitual; 11,8% da variância. |
| Itens sem fator | 1, 3, 5 | Sentir-se tão bem que os outros estranharam, autoconfiança aumentada e falar mais ou mais rápido. |
| Questão 2: simultaneidade | Sim ou não | Só se aplica com 2 ou mais itens com sim; pergunta se vários ocorreram no mesmo período. |
| Questão 3: prejuízo | 4 níveis | Nenhum problema, pouco grave, mais ou menos grave ou muito grave; a regra original exige um dos dois últimos. |
| Perguntas de história | Original | O formulário norte-americano termina com perguntas sobre parentes e diagnóstico anterior, fora da regra de pontuação. |
Explique que as perguntas tratam de algum período da vida em que a pessoa esteve diferente do seu jeito habitual, e não apenas de como está hoje.
Ofereça autorrelato ou leitura pelo entrevistador conforme a escolaridade; na validação brasileira, o questionário foi aplicado por entrevistador.
Depois dos 13 itens, faça a questão 2 quando houver 2 ou mais sim e a questão 3 quando houver ao menos 1 sim.
Registre o humor no momento da aplicação, porque a depressão atual pode reduzir a lembrança de períodos de humor elevado.
Se a pessoa consentir, colete o relato de alguém próximo sobre os mesmos períodos, já que a percepção dos próprios episódios costuma ser limitada.
A correção do MDQ começa pela contagem dos itens com sim na questão 1, de 0 a 13. A regra original exige três condições simultâneas: 7 ou mais itens, vários sintomas no mesmo período (questão 2 = sim) e problema mais ou menos grave ou muito grave (questão 3). O corte brasileiro de Castelo et al. (2010) considera apenas a contagem, positiva a partir de 8 itens. Essa diferença explica leituras divergentes: a exigência de prejuízo moderado ou grave pode deixar de fora períodos de hipomania, enquanto o corte apenas por contagem é mais sensível e menos específico.
Na amostra brasileira, o corte de 8 teve valor preditivo positivo de 0,82 e negativo de 0,84. Como 60,5% dessa amostra tinha o transtorno, esses valores não se transferem para a atenção primária.
No PontoAzul, você transcreve os 13 itens e as questões 2 e 3 que se aplicam. A plataforma conta os sim, aplica lado a lado a regra original e o corte brasileiro, mostra qual condição faltou, avisa quando a contagem está a 1 item de um corte e distribui os itens pelos fatores da análise brasileira.
Confira se os 13 itens da questão 1 têm uma única resposta, sim ou não; não estime itens em branco.
Conte os itens com sim para obter a contagem da questão 1, de 0 a 13. As questões 2 e 3 não entram nessa soma.
Com 2 ou mais sim, registre a questão 2 (vários no mesmo período); com pelo menos 1 sim, registre a questão 3 (nenhum, pouco grave, mais ou menos grave ou muito grave).
Aplique a regra original de Hirschfeld et al. (2000): 7 ou mais itens com sim, questão 2 = sim e questão 3 mais ou menos grave ou muito grave. As três condições são obrigatórias.
Aplique o corte brasileiro de Castelo et al. (2010): 8 ou mais itens com sim na questão 1, independentemente das questões 2 e 3.
Registre as duas leituras com a fonte de cada uma e anote se a contagem está a 1 item de algum corte.
Exemplo de correção
Exemplo demonstrativo: mulher fictícia de 31 anos, com episódios depressivos recorrentes, avaliada antes de rever o tratamento. Respostas transcritas:
Contagem 8 de 13: positiva pelo corte brasileiro e negativa pela regra original, porque o problema foi descrito como pouco grave. A divergência é compatível com períodos de hipomania, que por definição não causam prejuízo acentuado, e pede entrevista dirigida aos episódios.
O MDQ não tem faixas de gravidade: o resultado é positivo ou negativo segundo duas regras publicadas. A original vem de Hirschfeld et al. (2000), com 198 pacientes de ambulatórios de transtornos do humor nos Estados Unidos (sensibilidade de 0,73 e especificidade de 0,90). O corte brasileiro vem de Castelo et al. (2010), com 114 pacientes de Fortaleza (CE), dos quais 60,5% tinham transtorno do espectro bipolar pela SCID: sensibilidade de 0,91 e especificidade de 0,70. A tabela posiciona a contagem diante das duas regras.
| Faixa | Classificação | Leitura clínica |
|---|---|---|
| 0 a 6 itens | Ambas negativas | Rastreio negativo nas duas regras. Não exclui transtorno bipolar quando há outras fontes de informação. |
| 7 itens | Depende de Q2 e Q3 | Positivo só pela regra original, se houver simultaneidade e problema mais ou menos grave ou muito grave; a 1 item do corte brasileiro. |
| ≥ 8 sem Q2 e Q3 | Só brasileira | Positivo pelo corte de 8, negativo pela regra original por falta de simultaneidade ou de prejuízo; investigar hipomania. |
| ≥ 8 com Q2 e Q3 | Ambas positivas | As duas regras convergem; indicar entrevista diagnóstica e avaliação psiquiátrica com prioridade. |
Sensibilidade, especificidade e valores preditivos descrevem amostras e não a chance de uma pessoa ter o transtorno. O desempenho cai fora de serviços especializados: na população geral norte-americana, a sensibilidade foi de 0,28 (Hirschfeld et al., 2003), e a metanálise de Wang et al. (2015) encontrou sensibilidade combinada de 0,62 com o corte de 7. Humor atual, pouca percepção dos próprios períodos, substâncias e TDAH também mudam o resultado.
Somar as questões 2 e 3 na contagem
A contagem vai de 0 a 13 e usa só a questão 1. Simultaneidade e prejuízo são condições da regra original, não pontos extras.
Aplicar a regra original sem Q2 e Q3
Considerar positivo apenas por 7 itens transforma a regra em versão modificada, com outro desempenho. Registre qual regra foi usada.
Misturar o corte 7 com o corte 8
No estudo brasileiro, 7 itens deram sensibilidade de 0,96 e especificidade de 0,53; 8 itens, 0,91 e 0,70. Trocar o corte muda a leitura sem mudar a pessoa.
Perguntar só sobre o momento atual
O MDQ pergunta sobre algum período da vida. Restringir a resposta às últimas semanas apaga episódios passados e gera falsos negativos.
Tratar rastreio negativo como exclusão
A sensibilidade é menor para o tipo II e fora de ambulatórios especializados. História, relato de familiares e entrevista continuam necessários.
No PontoAzul, a correção do MDQ segue as regras do instrumento e mostra o cálculo para você conferir. Teste grátis por 7 dias.
O PontoAzul leva ao laudo-base a contagem, as duas leituras com suas fontes, os itens pelos fatores brasileiros e as questões 2 e 3. O profissional acrescenta a história clínica e decide os encaminhamentos.
Em 06/10/2026, a avaliada respondeu ao Questionário de Transtornos do Humor (MDQ; Hirschfeld et al., 2000; versão brasileira de Castelo et al., 2010), referindo-se a algum período da vida em que esteve diferente do seu jeito habitual. Marcou sim em 8 dos 13 itens, com predomínio de irritabilidade, pensamentos acelerados, menos sono e mais energia e atividade. Relatou que vários ocorreram no mesmo período e descreveu o problema causado como pouco grave. O resultado é positivo pelo corte brasileiro de 8 itens e negativo pela regra original, que exige problema mais ou menos grave ou muito grave. Recomenda-se entrevista dirigida aos períodos descritos, relato de pessoa próxima e avaliação psiquiátrica.
Trecho ilustrativo de caso fictício. O texto final é sempre revisado pelo profissional.
Fontes consultadas pela equipe editorial para revisar as informações desta página.
Nove itens, escore de 0 a 27 e alerta separado para o item 9.
BDI-II: 21 itens, 0 a 63 pontos, gravidade de sintomas depressivos nas últimas duas semanas.
Dezessete itens clínicos, total de 0 a 52 e atenção independente ao item de suicídio.
ASRS-v1.1: 18 itens de TDAH adulto da OMS, rastreio positivo com 4 de 6 na Parte A.
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