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Saúde emocional · Rastreio

PHQ-9: pontuação e interpretação da depressão

Nove respostas sobre as últimas duas semanas viram um escore de 0 a 27, cinco faixas de gravidade e um sinal separado para o item 9.

Itens
9
Escore
0 a 27
Período
2 semanas
Idade
Adultos

PHQ-9 em resumo

O Questionário de Saúde do Paciente de 9 itens (PHQ-9) é um instrumento de rastreio de sintomas depressivos, geralmente preenchido pela própria pessoa, com referência às últimas duas semanas. Os nove itens recebem de 0 a 3 pontos, totalizando 0 a 27. O total descreve a intensidade dos sintomas; 10 pontos ou mais é um limiar frequente de rastreio em adultos, mas entrevista clínica e impacto funcional continuam indispensáveis.

Itens
9
Escore
0 a 27
Período
2 semanas
Idade
Adultos
Rastreio
≥ 10 pontos
Formato
Autorrelato ou entrevista
Referência BR
Santos et al., 2013

O que o PHQ-9 avalia?

1Humor e interesse

Os dois primeiros sintomas ajudam a qualificar tristeza e perda de prazer, centrais para a investigação clínica.

2Sintomas físicos

Sono, energia, apetite e atividade psicomotora mostram a dimensão corporal da queixa nas últimas duas semanas.

3Cognição e autovalor

Concentração e avaliação negativa de si complementam a leitura do prejuízo relatado pela pessoa.

4Item 9

Pensamentos de morte ou autoagressão exigem avaliação específica, independentemente da pontuação total obtida.

Dados que viram resultado

Do PHQ-9 ao gráfico e ao laudo

Você registra as nove frequências das últimas duas semanas e a dificuldade funcional informada no PHQ-9. O resultado segue para um laudo-base editável, com pontuação, contexto e espaço para sua interpretação clínica.

  • Soma dos nove itens sem retrabalho
  • Alerta do item 9 separado
  • Laudo com contexto funcional registrado

Correção programada e Cérebro PontoAzul

O Cérebro PontoAzul organiza o total de 0 a 27, a faixa de intensidade, a resposta separada do item 9 e o contexto funcional para você conferir.

Testar com PHQ-9

Calculadora de idade cronológica

Questionário de Saúde do Paciente de 9 itens (Patient Health Questionnaire-9)

Autor(es): Kurt Kroenke, Robert L. Spitzer e Janet B. W. Williams; validação populacional brasileira: Iná S. Santos e colaboradores · 2001 (validação brasileira: 2013)

Conteúdo da equipe editorial PontoAzul, baseado nas fontes listadas ao final. Revisão editorial v2, atualizada em .

O que é o PHQ-9?

O Patient Health Questionnaire-9 (PHQ-9) é o módulo de depressão do questionário PHQ, derivado do PRIME-MD e estudado por Kurt Kroenke, Robert L. Spitzer e Janet B. W. Williams. Seu uso principal é quantificar a frequência de nove grupos de sintomas associados a episódio depressivo durante as duas semanas anteriores à resposta. Essa janela curta permite repetir a medida em momentos definidos, observar a trajetória do paciente e conversar sobre mudanças específicas, sem transformar uma pontuação isolada em diagnóstico. O instrumento pode ser preenchido pela própria pessoa ou administrado por entrevistador treinado, quando leitura, escolaridade ou situação clínica exigem apoio.

Cada uma das nove respostas indica a frequência do sintoma de 0 a 3, produzindo um total entre 0 e 27. Os dois primeiros itens abordam humor deprimido e perda de interesse; os demais cobrem sono, energia, apetite, autovalor, concentração, atividade psicomotora e pensamentos de morte ou autoagressão. A pergunta adicional sobre dificuldade funcional não integra o escore. Por isso, duas pessoas com o mesmo total podem precisar de leituras clínicas diferentes: distribuição das respostas, prejuízo nas atividades e presença de risco importam tanto quanto o número final.

No Brasil, Santos e colaboradores avaliaram o PHQ-9 em 447 adultos da população geral de Pelotas, comparando-o a uma entrevista diagnóstica estruturada. O estudo identificou total superior a 9 pontos como um limiar útil para rastreio nessa amostra. Esse achado sustenta o uso do escore contínuo, mas não torna o corte universal para todas as idades e contextos. A página reúne a lógica de pontuação, a leitura das faixas e os cuidados para documentar a avaliação de modo que o resultado permaneça ligado ao paciente e à pergunta clínica.

Indicação e população

O PHQ-9 é indicado quando o profissional precisa rastrear ou acompanhar sintomas depressivos em adultos de forma breve e comparável. Na atenção primária, pode indicar quem deve passar por avaliação clínica mais aprofundada. Em psicologia e neuropsicologia, ajuda a contextualizar queixas de atenção, memória, fadiga e rendimento que podem coexistir com sofrimento emocional. Em acompanhamento, reaplicar com a mesma janela de duas semanas permite observar mudança no total e nos sintomas específicos. Em pesquisa, a pontuação contínua facilita comparação entre grupos; na clínica, a leitura deve incluir dificuldade funcional, história de saúde e entrevista. Resultados de adolescentes exigem versão e evidências próprias para a faixa etária. O instrumento não foi concebido para decidir sozinho tratamento, afastamento ou diagnóstico.

Quando o PHQ-9 não é a melhor escolha

O PHQ-9 não substitui entrevista diagnóstica nem avaliação de risco de suicídio. Se a demanda principal é ansiedade, considere a HAM-A ou o BAI; para medir depressão por avaliação do clínico, considere a HAM-D. Em crianças ou adolescentes, escolha versão e estudos de validação próprios dessa faixa etária.

Estrutura do PHQ-9

O PHQ-9 tem nove itens pontuados e uma pergunta adicional sobre o impacto dos sintomas nas atividades. Essa pergunta funcional não entra na soma de 0 a 27.

DimensãoItensO que avalia
Humor e prazer1–2Humor deprimido e perda de interesse, sinais centrais para a investigação de episódio depressivo.
Sintomas associados3–8Sono, energia, apetite, autovalor, concentração e alterações psicomotoras.
Pensamentos de morte9Resposta examinada separadamente para orientar avaliação clínica de risco.
Impacto funcionalPergunta extraDificuldade percebida no trabalho, em casa ou nas relações; não soma pontos ao total.

Protocolo de aplicação

  1. 1

    Explique que as respostas devem refletir a frequência dos sintomas nas duas semanas anteriores, sem incluir períodos mais antigos.

  2. 2

    Ofereça o formato de autorrelato ou entrevista assistida conforme leitura, escolaridade e condições da pessoa, mantendo as opções de resposta.

  3. 3

    Verifique se os nove itens receberam uma única marcação de 0 a 3 e registre separadamente a resposta sobre dificuldade funcional.

  4. 4

    Se o item 9 recebeu valor acima de zero, interrompa a rotina de simples pontuação e faça avaliação clínica imediata de segurança.

  5. 5

    Anote data, contexto e eventuais intervenções para que a próxima aplicação possa ser comparada com a mesma janela temporal.

Como corrigir o PHQ-9

A correção do PHQ-9 começa pela conferência de nove respostas inteiras, cada uma de 0 a 3. Somá-las produz um valor contínuo de 0 a 27. A pergunta adicional sobre dificuldade no trabalho, em casa ou nas relações descreve repercussão funcional e fica fora da soma. Os intervalos 0–4, 5–9, 10–14, 15–19 e 20–27 dão nomes à intensidade relatada, conforme a publicação original. O ponto de 10 ou mais usado como rastreio tem finalidade distinta: sinalizar quem pode se beneficiar de entrevista para investigar episódio depressivo.

O estudo brasileiro de Santos e colaboradores comparou o total com entrevista padronizada e encontrou melhor equilíbrio entre sensibilidade e especificidade acima de 9 pontos em adultos da comunidade. Isso equivale a iniciar o rastreio em 10 pontos, mas não autoriza concluir diagnóstico pelo número. O profissional deve perguntar sobre duração, prejuízo, comorbidades, uso de substâncias, doenças clínicas e condições que possam explicar sintomas semelhantes. O item 9 não deve ser reduzido à faixa global: resposta positiva pede avaliação específica de segurança, porque ele não funciona como medida completa de risco de suicídio.

No PontoAzul, você registra os nove valores do protocolo já aplicado. A plataforma calcula o total de 0 a 27, identifica a faixa de intensidade, destaca a resposta do item 9 e organiza esses dados com o impacto funcional para revisão no laudo-base. A comparação entre datas ajuda a perceber mudança, desde que o profissional mantenha o período de referência e interprete a evolução no contexto do caso.

  1. Confira se cada um dos nove itens se refere às últimas duas semanas e recebeu apenas um valor entre 0 e 3.

  2. Some as nove respostas pontuadas; o mínimo possível é 0 e o máximo é 27. Não inclua a pergunta sobre impacto funcional.

  3. Compare o total com as faixas 0–4, 5–9, 10–14, 15–19 e 20–27, informando que elas descrevem intensidade de sintomas.

  4. Leia o item 9 de modo independente: qualquer resposta acima de zero pede investigação clínica imediata de pensamentos, intenção e segurança.

  5. Registre o grau de dificuldade funcional e a data da aplicação para dar contexto ao resultado e às futuras reavaliações.

Exemplo de correção

Paciente fictícia de 38 anos relata queda de energia e perda de interesse. O protocolo respondido em 12/03/2026 registra os nove valores abaixo:

Itens 1–3
2+2+1 = 5
Itens 4–6
2+1+1 = 4
Itens 7–9
1+1+0 = 2
Total
5+4+2 = 11
Item 9
0 ponto

O total de 11 pontos cai na faixa moderada de sintomas. O item 9 foi zero; a entrevista ainda deve explorar duração, contexto e impacto funcional.

Interpretação dos resultados

As cinco faixas descritivas seguem Kroenke, Spitzer e Williams (2001). Um total a partir de 10 pontos é um limiar de rastreio, não um diagnóstico. Em estudo populacional brasileiro com adultos de Pelotas, Santos e colaboradores (2013) identificaram o corte acima de 9 pontos para rastrear episódio depressivo maior.

FaixaClassificaçãoLeitura clínica
0–4MínimaPoucos sintomas relatados no período. Queixa relevante ainda pode exigir investigação.
5–9LeveSintomas presentes em parte do período; verificar persistência e repercussão funcional.
10–14ModeradaIntensidade acima do limiar frequente de rastreio; aprofundar a entrevista clínica.
15–19Moderadamente graveCarga elevada de sintomas; integrar achados à avaliação e ao plano de cuidado.
20–27GraveCarga muito elevada de sintomas; avaliar necessidades clínicas com prioridade.

As categorias de intensidade e o corte de rastreio respondem a perguntas diferentes. A pontuação não confirma transtorno depressivo, não mede risco de suicídio por si só e pode ser influenciada por condições clínicas, medicação e contexto de vida. Interprete também a dificuldade funcional e cada resposta.

Erros comuns na correção manual

Somar o impacto funcional ao total

A pergunta adicional descreve dificuldade nas atividades. Ela não é um décimo item pontuado; incluí-la altera indevidamente a escala de 0 a 27.

Ignorar o item 9 baixo

Mesmo com total baixo, qualquer marcação acima de zero no item 9 merece avaliação clínica de segurança; a soma não substitui essa leitura.

Confundir rastreio com diagnóstico

O limiar de 10 pontos aponta necessidade de investigação. Entrevista, duração, prejuízo, outras causas e história clínica decidem a conclusão.

Comparar períodos diferentes

Uma reavaliação só é interpretável quando se mantém a janela de duas semanas e se documentam data, mudanças de contexto e intervenções.

No PontoAzul, a correção do PHQ-9 segue as regras do instrumento e mostra o cálculo para você conferir. Teste grátis por 7 dias.

Como o PHQ-9 aparece no laudo

O PontoAzul reúne o total, a faixa, a resposta do item 9 e o impacto funcional no laudo-base. O profissional revê a interpretação e a conduta antes de usar o texto.

Em 12/03/2026, a paciente fictícia respondeu ao Questionário de Saúde do Paciente de 9 itens (PHQ-9) com referência às duas semanas anteriores. Obteve 11 de 27 pontos, valor situado na faixa moderada de sintomas depressivos descrita por Kroenke, Spitzer e Williams (2001). O item 9 recebeu zero ponto. A paciente relatou dificuldade funcional, informação que não integrou a soma e deve ser explorada em entrevista. Recomenda-se relacionar o resultado à história clínica, investigar outras causas para os sintomas e definir acompanhamento conforme a avaliação profissional.

Trecho ilustrativo de caso fictício. O texto final é sempre revisado pelo profissional.

PHQ-9 e instrumentos parecidos

  • BDI-II: O BDI-II é um autorrelato mais extenso de sintomas depressivos. O PHQ-9 usa nove respostas e uma janela explícita de duas semanas, útil para rastreio e seguimento.
  • HAM-D: A HAM-D depende da pontuação do avaliador em entrevista; o PHQ-9 privilegia a frequência informada pelo paciente.
  • SRQ-20: O SRQ-20 rastreia sofrimento mental comum de modo mais amplo; o PHQ-9 concentra os sintomas depressivos.

Referências e fontes públicas

Fontes consultadas pela equipe editorial para revisar as informações desta página.

Bibliografia complementar (3)
  1. Kroenke, K., Spitzer, R. L., & Williams, J. B. W. (2001). The PHQ-9: Validity of a brief depression severity measure. Journal of General Internal Medicine, 16(9), 606–613. https://doi.org/10.1046/j.1525-1497.2001.016009606.x
  2. Santos, I. S., et al. (2013). Sensibilidade e especificidade do Patient Health Questionnaire-9 (PHQ-9) entre adultos da população geral. Cadernos de Saúde Pública, 29(8), 1533–1543. https://doi.org/10.1590/0102-311X00144612
  3. Na, P. J., et al. (2018). The PHQ-9 Item 9 based screening for suicide risk: A validation study with the Columbia Suicide Severity Rating Scale. Journal of Affective Disorders, 232, 34–40. https://doi.org/10.1016/j.jad.2018.02.045

Perguntas frequentes sobre o PHQ-9

Quantos itens tem o PHQ-9?
São nove itens pontuados, com respostas de 0 a 3 conforme a frequência nas últimas duas semanas. A pergunta adicional sobre dificuldade para trabalhar, cuidar da casa ou se relacionar descreve impacto funcional; ela não entra na soma. O total dos nove itens varia de 0 a 27 pontos.
Como calcular a pontuação do PHQ-9?
Some os nove valores de 0 a 3 e confira se todos foram respondidos. O resultado possível vai de 0 a 27. Não some a pergunta sobre dificuldade funcional. Depois registre a faixa de intensidade, a data e a resposta do item 9 separadamente, para que o laudo preserve o contexto da avaliação.
Qual o ponto de corte do PHQ-9?
Dez pontos ou mais é um limiar frequente de rastreio em adultos. No estudo brasileiro de Santos e colaboradores, o corte acima de 9 pontos teve melhor equilíbrio entre sensibilidade e especificidade na amostra comunitária. Esse limiar não confirma depressão: indica necessidade de avaliação clínica e de leitura do impacto funcional.
Quais são as faixas de gravidade do PHQ-9?
Os intervalos da publicação original são 0–4 para sintomas mínimos, 5–9 leves, 10–14 moderados, 15–19 moderadamente graves e 20–27 graves. Essas faixas nomeiam a carga relatada nas duas semanas anteriores. Elas não substituem investigação de duração, prejuízo, outras condições de saúde e risco associado à resposta do item 9.
O PHQ-9 é autoaplicável?
Sim. Ele costuma ser preenchido pela própria pessoa, mas também pode ser conduzido por entrevistador treinado quando há barreiras de leitura ou necessidade de apoio. O profissional deve manter a janela de duas semanas e as opções de frequência para preservar a interpretação. A forma de administração deve ficar registrada se houver reavaliação.
O item 9 positivo significa risco de suicídio?
Não permite medir sozinho a gravidade do risco, mas exige avaliação clínica imediata de pensamentos, intenção, plano, meios e segurança, mesmo que o total seja baixo. Estudos de validação mostram que o item 9 não substitui um instrumento específico de avaliação de risco. A conduta e o encaminhamento devem seguir o resultado dessa avaliação profissional.
PHQ-9 e BDI-II medem a mesma coisa?
Ambos investigam sintomas depressivos, mas têm extensão, estrutura e regras próprias. O PHQ-9 usa nove frequências referentes a duas semanas e gera total de 0 a 27; o BDI-II é mais extenso. A escolha depende do objetivo, do público e da bateria, não apenas do tempo de preenchimento.
Como o PontoAzul ajuda com o PHQ-9?
Você registra o protocolo já aplicado e o PontoAzul calcula o total, identifica a faixa e destaca o item 9 junto do impacto funcional. O resultado entra no caso e no laudo-base editável para revisão do profissional. Isso evita somas manuais, perda da resposta de risco e retrabalho na redação.

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