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Saúde emocional · Avaliação

BDI-II: Inventário de Depressão de Beck

O BDI-II é o Inventário de Depressão de Beck revisado para o DSM-IV: 21 grupos de afirmações sobre as duas últimas semanas, cada um de 0 a 3, com total de 0 a 63.

Itens
21, pontuados de 0 a 3
Escore total
0 a 63
Tempo
5 a 10 minutos

BDI-II em resumo

O Inventário de Depressão de Beck – II (BDI-II) é uma escala de autorrelato publicada por Beck, Steer e Brown em 1996 para medir a intensidade de sintomas depressivos nas últimas duas semanas. Tem 21 itens com quatro alternativas pontuadas de 0 a 3, somando de 0 a 63. A versão brasileira foi adaptada por Gorenstein, Wang, Argimon e Werlang. O resultado indica gravidade, não diagnóstico.

Itens
21, pontuados de 0 a 3
Escore total
0 a 63
Período avaliado
Últimas 2 semanas, incluindo o dia de hoje
Faixas originais
0–13 mínima, 14–19 leve, 20–28 moderada, 29–63 grave
Formato
Autorrelato, individual ou coletivo
Tempo
5 a 10 minutos
Editora no Brasil
Casa do Psicólogo/Pearson
Consulta oficial
SATEPSI: conferir o registro de BDI-II pela edição do manual

O que o BDI-II avalia?

1Fator cognitivo-afetivo

Tristeza, pessimismo, sentimento de fracasso, culpa, autocrítica, desvalorização, pensamentos suicidas e perda de prazer, entre outros.

2Fator somático-vegetativo

Perda de energia, alterações de sono e apetite, fadiga, dificuldade de concentração, agitação e perda de interesse sexual.

3Item de ideação suicida

Item 9, sobre pensamentos ou desejos suicidas. Qualquer resposta acima de 0 exige avaliação de risco imediata.

Dados que viram resultado

Do BDI-II ao gráfico e ao laudo

Registre os 21 escores numéricos de 0 a 3 do BDI-II já aplicado. O resultado apoia o laudo-base; o profissional revisa sintomas, contexto e informações de risco na avaliação.

  • 21 escores organizados
  • Total e intensidade calculados
  • Base para sua interpretação

Correção programada e Cérebro PontoAzul

O PontoAzul soma o total e apresenta a faixa de intensidade correspondente.

Testar com BDI-II

Calculadora de idade cronológica

Beck Depression Inventory – Second Edition (BDI-II), de Beck, Steer e Brown (1996), adaptação brasileira de Gorenstein, Wang, Argimon e Werlang

Autor(es): Aaron T. Beck, Robert A. Steer e Gregory K. Brown; adaptação brasileira de Clarice Gorenstein, Yuan-Pang Wang, Irani Argimon e Blanca Werlang · 1996 (adaptação brasileira: 2011)

Conteúdo da equipe editorial PontoAzul, baseado nas fontes listadas ao final. Revisão editorial v2, atualizada em .

O que é o BDI-II?

O Beck Depression Inventory foi criado por Aaron T. Beck em 1961 e se tornou um dos instrumentos de autorrelato mais usados no mundo para medir depressão. Em 1996, Beck, Steer e Brown publicaram o BDI-II, revisão feita para acompanhar os critérios de episódio depressivo maior do DSM-IV: quatro itens foram substituídos (entre eles, agitação, desvalorização, dificuldade de concentração e perda de energia), o período de referência passou de uma para duas semanas e os itens de sono e apetite passaram a registrar aumento e diminuição.

A escala tem 21 grupos de afirmações, pontuados de 0 a 3, e total de 0 a 63. As análises fatoriais revisadas por Wang e Gorenstein (2013) mostram uma dimensão geral de depressão com dois componentes: cognitivo-afetivo e somático-vegetativo. A consistência interna gira em torno de 0,90.

No Brasil, a adaptação foi conduzida por Clarice Gorenstein, Yuan-Pang Wang, Irani Argimon e Blanca Werlang e publicada pela Casa do Psicólogo, hoje Pearson. Para consultar a situação da edição e a vigência das normas, use o registro individual no SATEPSI. É um instrumento protegido: itens e tabelas não podem ser reproduzidos.

Indicação e população

O BDI-II é indicado para medir a intensidade de sintomas depressivos em adolescentes e adultos, em contextos clínicos, hospitalares e de pesquisa. Na avaliação psicológica e neuropsicológica, ajuda a verificar se queixas de memória e atenção podem estar associadas a humor deprimido, a documentar a gravidade no início do acompanhamento e a medir a resposta ao tratamento com reaplicações a cada quatro a oito semanas. Também sinaliza, pelo item 9, a necessidade de avaliação de risco suicida.

Quando o BDI-II não é a melhor escolha

O BDI-II não deve ser usado sozinho para diagnosticar episódio depressivo, nem como avaliação de risco suicida, que exige entrevista específica. Em pacientes com doenças clínicas, os itens somáticos podem elevar o escore sem depressão; considere a leitura por fatores. Em crianças abaixo da faixa normatizada, prefira o CDI. Em rastreio populacional rápido, o PHQ-9 é mais curto e gratuito.

Estrutura do BDI-II

Cada item é um grupo de quatro afirmações ordenadas por intensidade; o respondente escolhe a que melhor descreve como se sentiu nas duas últimas semanas. Os itens de sono e de apetite têm alternativas que distinguem aumento e diminuição.

DimensãoItensO que avalia
Humor e perspectiva1–3Tristeza, pessimismo e sentimento de fracasso.
Prazer, culpa e autoimagem4–8Perda de prazer, culpa, sentimento de punição, autoestima e autocrítica.
Ideação suicida9Pensamentos ou desejos suicidas; item crítico.
Choro, agitação, interesse e decisão10–14Choro, agitação, perda de interesse, indecisão e desvalorização.
Energia, sono, irritabilidade e apetite15–18Falta de energia, mudanças no sono, irritabilidade e mudanças no apetite.
Concentração, fadiga e sexualidade19–21Dificuldade de concentração, cansaço e perda de interesse sexual.

Protocolo de aplicação

  1. 1

    Entregue o caderno e explique que cada grupo tem quatro afirmações e que o paciente deve escolher a que melhor descreve as últimas duas semanas, incluindo hoje.

  2. 2

    Se o paciente tiver dificuldade de leitura, leia as afirmações em voz alta sem enfatizar nenhuma.

  3. 3

    Na devolução, verifique itens em branco ou com duas marcações e esclareça com o paciente.

  4. 4

    Leia o item 9 antes de liberar o paciente; se houver pontuação, faça a avaliação de risco na hora.

  5. 5

    Registre data, contexto e medicação em uso para comparar nas reavaliações.

Como corrigir o BDI-II

A correção do BDI-II soma os 21 itens, de 0 a 63. Os itens 16 e 18 têm sete alternativas, mas a pontuação continua de 0 a 3; as letras só indicam a direção da mudança. O total é classificado pela tabela normativa adotada, e o item 9 é lido separadamente como indicador de risco. A análise por fatores ajuda a separar sintomas cognitivo-afetivos de somáticos, útil em doenças clínicas.

No PontoAzul, você registra um escore de 0 a 3 para cada um dos 21 itens já conferidos no protocolo. A plataforma soma o total e aplica as faixas 0–13, 14–19, 20–28 e 29–63. A revisão de respostas relevantes, incluindo o item 9, cabe ao profissional; o fluxo atual não deve ser apresentado como alerta automático de risco. O resultado organizado apoia a redação e revisão do laudo-base.

  1. Confira se o paciente escolheu uma afirmação por item; se marcou duas, considere a de maior pontuação.

  2. Pontue cada item de 0 a 3. Nos itens 16 (sono) e 18 (apetite), as alternativas “a” e “b” valem o mesmo número: 1a e 1b valem 1, 2a e 2b valem 2, 3a e 3b valem 3.

  3. Some os 21 itens para o escore total (0 a 63).

  4. Verifique o item 9 antes de qualquer outra coisa: resposta de 1 a 3 exige avaliação de risco na mesma sessão.

  5. Classifique o total pela tabela normativa adotada (manual brasileiro ou faixas originais de Beck et al., 1996) e registre a referência.

  6. Opcionalmente, descreva a proporção entre sintomas cognitivo-afetivos e somáticos, útil em pacientes com doenças clínicas.

Exemplo de correção

Mulher de 41 anos em acompanhamento por perda de interesse e insônia. Pontuações fictícias:

Itens 1–8
2+1+1+2+1+0+1+2 = 10
Item 9 (ideação)
0
Itens 10–15
1+1+2+1+1+2 = 8
Itens 16–21 (item 16 marcado como 2b)
2+1+1+2+2+0 = 8
Escore total
26

Total 26: sintomas depressivos de intensidade moderada pelas faixas originais (20–28), sem ideação suicida relatada no item 9. Distribuição equilibrada entre sintomas cognitivo-afetivos e somáticos.

Interpretação dos resultados

O manual original do BDI-II propõe quatro faixas de gravidade para pacientes com diagnóstico de depressão. O manual brasileiro traz as normas nacionais atualizadas; ao usá-lo, siga a classificação dele e informe a referência no laudo. Em amostra comunitária brasileira, Gomes-Oliveira et al. (2012) encontraram o ponto 10/11 como melhor corte de rastreio, com sensibilidade de 70% e especificidade de 87%.

FaixaClassificaçãoLeitura clínica
0 – 13MínimaSintomas ausentes ou mínimos; compatível com remissão em acompanhamento.
14 – 19LeveSintomas presentes com impacto limitado; acompanhar e investigar contexto.
20 – 28ModeradaSintomas frequentes e com prejuízo; em geral justifica intervenção estruturada.
29 – 63GraveSintomas intensos e generalizados; avaliar risco, urgência e encaminhamento médico.

Os cortes de rastreio variam conforme o tipo de amostra, como mostra a revisão de Wang e Gorenstein (2013). Qualquer pontuação no item 9 exige manejo imediato: pergunte diretamente sobre plano, intenção, meios e tentativas anteriores, não deixe o paciente sair sem plano de segurança e, se houver risco, acione a rede (CAPS, UPA, SAMU 192) e oriente o CVV (188).

Erros comuns na correção manual

Pontuar 1a, 2b e 3a de forma diferente

Nos itens de sono e apetite, as letras indicam direção (aumento ou diminuição), não pontuação extra. 2a e 2b valem 2.

Somar o total antes de olhar o item 9

Um total baixo com item 9 positivo continua sendo situação de risco. A leitura do item crítico deve vir antes da classificação.

Usar faixas do BDI antigo

O BDI de 1961 e o BDI-II têm itens e cortes diferentes. Misturar referências muda a classificação sem mudar o paciente.

Aplicar a versão de Cunha (2001) como se fosse vigente

Confira a edição e a referência usadas na correção. O fluxo atual apresenta total e faixa; a revisão de respostas e de sinais de risco permanece uma etapa clínica do profissional.

No PontoAzul, a correção do BDI-II segue as regras do instrumento e mostra o cálculo para você conferir. Teste grátis por 7 dias.

Como o BDI-II aparece no laudo

Trecho demonstrativo, sem dados de paciente real. O PontoAzul organiza total e faixa; as observações sobre sintomas e entrevista no exemplo são acrescentadas pelo profissional.

No Inventário de Depressão de Beck – II (BDI-II; Beck, Steer & Brown, 1996; adaptação brasileira de Gorenstein et al.), aplicado em 03/09/2026, a paciente obteve 26 pontos, compatível com sintomatologia depressiva de intensidade moderada. Destacaram-se tristeza, perda de prazer, autocrítica, alterações de sono e fadiga. Não houve endosso de pensamentos suicidas no item 9, o que foi confirmado em entrevista. O resultado é coerente com a queixa de desânimo das últimas semanas e será reavaliado após seis semanas de intervenção.

Trecho ilustrativo de caso fictício. O texto final é sempre revisado pelo profissional.

BDI-II e instrumentos parecidos

  • PHQ-9: O PHQ-9 reúne 9 itens alinhados a sintomas depressivos. O BDI-II reúne 21 grupos de afirmações e dispõe de adaptação brasileira; período, pontuação e referência de interpretação devem acompanhar o instrumento escolhido.
  • BDI (primeira versão): O BDI original é de 1961. O BDI-II atualizou itens e passou o período de referência para duas semanas; as versões devem ser identificadas ao comparar escores.
  • HAM-D: A HAM-D é pontuada pelo clínico em entrevista. O BDI-II capta a experiência subjetiva do paciente; as duas se complementam.
  • BAI: O BAI mede ansiedade com o mesmo formato de 21 itens. É comum aplicar os dois juntos porque os quadros se sobrepõem.

Referências e fontes públicas

Fontes consultadas pela equipe editorial para revisar as informações desta página.

Bibliografia complementar (4)
  1. Beck, A. T., Steer, R. A., & Brown, G. K. (1996). Manual for the Beck Depression Inventory-II. San Antonio, TX: Psychological Corporation.
  2. Gorenstein, C., Wang, Y. P., Argimon, I. L., & Werlang, B. S. G. (2011). Manual do Inventário de Depressão de Beck – BDI-II. São Paulo: Casa do Psicólogo.
  3. Gomes-Oliveira, M. H., Gorenstein, C., Lotufo Neto, F., Andrade, L. H., & Wang, Y. P. (2012). Validation of the Brazilian Portuguese version of the Beck Depression Inventory-II in a community sample. Revista Brasileira de Psiquiatria, 34(4), 389–394.
  4. Wang, Y. P., & Gorenstein, C. (2013). Psychometric properties of the Beck Depression Inventory-II: a comprehensive review. Revista Brasileira de Psiquiatria, 35(4), 416–431.

Perguntas frequentes sobre o BDI-II

Qual o ponto de corte do Inventário de Depressão de Beck (BDI-II)?
Pelas faixas originais de Beck et al. (1996): 0 a 13 mínima, 14 a 19 leve, 20 a 28 moderada e 29 a 63 grave. Para rastreio em amostra comunitária brasileira, Gomes-Oliveira et al. (2012) apontaram o corte 10/11. Siga o manual brasileiro ao usar suas normas.
Como corrigir o BDI-II?
Some a pontuação de 0 a 3 dos 21 itens, obtendo de 0 a 63. Nos itens de sono e apetite, as letras a e b não mudam o valor. Leia o item 9 separadamente e classifique o total pela tabela de gravidade adotada.
O BDI-II é aprovado no SATEPSI?
Use a consulta oficial do SATEPSI para localizar o BDI-II pela edição e editora do material aplicado. Confira parecer, faixa etária e vigência normativa nesse registro; a revisão de 1996 e adaptações anteriores do BDI não devem ser tratadas como o mesmo instrumento.
Qual a diferença entre BDI e BDI-II?
O BDI-II, de 1996, substituiu quatro itens do BDI de 1961, passou o período de referência de uma para duas semanas e alinhou o conteúdo ao DSM-IV. As faixas de corte também mudaram. Identifique a edição e a tabela utilizadas ao comparar resultados.
O que fazer se o paciente pontuar no item 9 do BDI-II?
Faça avaliação de risco suicida na mesma sessão: pergunte sobre frequência dos pensamentos, plano, intenção, acesso a meios e tentativas anteriores. Construa um plano de segurança, envolva a rede de apoio e, se houver risco, encaminhe para atendimento de urgência e oriente o CVV (188).
O BDI-II pode ser usado em adolescentes?
O BDI-II é utilizado na avaliação de adolescentes e adultos. Confirme no manual da edição adotada a idade mínima, a população normativa e as condições de aplicação antes de interpretar o resultado.
Como o PontoAzul ajuda com o BDI-II?
No PontoAzul, você registra um escore de 0 a 3 para cada um dos 21 itens já conferidos no protocolo. A plataforma soma o total e aplica as faixas 0–13, 14–19, 20–28 e 29–63. A revisão de respostas relevantes, incluindo o item 9, cabe ao profissional; o fluxo atual não deve ser apresentado como alerta automático de risco. O resultado organizado apoia a redação e revisão do laudo-base. Teste grátis por 7 dias.

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