1Fator cognitivo-afetivo
Tristeza, pessimismo, sentimento de fracasso, culpa, autocrítica, desvalorização, pensamentos suicidas e perda de prazer, entre outros.
O BDI-II é o Inventário de Depressão de Beck revisado para o DSM-IV: 21 grupos de afirmações sobre as duas últimas semanas, cada um de 0 a 3, com total de 0 a 63. No Brasil, é publicado pela Pearson/Casa do Psicólogo. Veja como pontuar, quais faixas usar e como manejar o item de pensamentos suicidas.
O Inventário de Depressão de Beck – II (BDI-II) é uma escala de autorrelato publicada por Beck, Steer e Brown em 1996 para medir a intensidade de sintomas depressivos nas últimas duas semanas. Tem 21 itens com quatro alternativas pontuadas de 0 a 3, somando de 0 a 63. A versão brasileira foi adaptada por Gorenstein, Wang, Argimon e Werlang. O resultado indica gravidade, não diagnóstico.
Tristeza, pessimismo, sentimento de fracasso, culpa, autocrítica, desvalorização, pensamentos suicidas e perda de prazer, entre outros.
Perda de energia, alterações de sono e apetite, fadiga, dificuldade de concentração, agitação e perda de interesse sexual.
Item 9, sobre pensamentos ou desejos suicidas. Qualquer resposta acima de 0 exige avaliação de risco imediata.
Registre os 21 escores numéricos de 0 a 3 do BDI-II já aplicado. O resultado apoia o laudo-base; o profissional revisa sintomas, contexto e informações de risco na avaliação.
O PontoAzul soma o total e apresenta a faixa de intensidade correspondente.
Testar com BDI-IICalcule a idade na data de aplicação do BDI-II
Autor(es): Aaron T. Beck, Robert A. Steer e Gregory K. Brown; adaptação brasileira de Clarice Gorenstein, Yuan-Pang Wang, Irani Argimon e Blanca Werlang · 1996 (adaptação brasileira: 2011)
Conteúdo da equipe editorial PontoAzul, baseado nas fontes listadas ao final. Revisão editorial v2, atualizada em .
O Beck Depression Inventory foi criado por Aaron T. Beck em 1961 e se tornou um dos instrumentos de autorrelato mais usados no mundo para medir depressão. Em 1996, Beck, Steer e Brown publicaram o BDI-II, revisão feita para acompanhar os critérios de episódio depressivo maior do DSM-IV: quatro itens foram substituídos (entre eles, agitação, desvalorização, dificuldade de concentração e perda de energia), o período de referência passou de uma para duas semanas e os itens de sono e apetite passaram a registrar aumento e diminuição.
A escala tem 21 grupos de afirmações, pontuados de 0 a 3, e total de 0 a 63. As análises fatoriais revisadas por Wang e Gorenstein (2013) mostram uma dimensão geral de depressão com dois componentes: cognitivo-afetivo e somático-vegetativo. A consistência interna gira em torno de 0,90.
No Brasil, a adaptação foi conduzida por Clarice Gorenstein, Yuan-Pang Wang, Irani Argimon e Blanca Werlang e publicada pela Casa do Psicólogo, hoje Pearson. Para consultar a situação da edição e a vigência das normas, use o registro individual no SATEPSI. É um instrumento protegido: itens e tabelas não podem ser reproduzidos.
O BDI-II é indicado para medir a intensidade de sintomas depressivos em adolescentes e adultos, em contextos clínicos, hospitalares e de pesquisa. Na avaliação psicológica e neuropsicológica, ajuda a verificar se queixas de memória e atenção podem estar associadas a humor deprimido, a documentar a gravidade no início do acompanhamento e a medir a resposta ao tratamento com reaplicações a cada quatro a oito semanas. Também sinaliza, pelo item 9, a necessidade de avaliação de risco suicida.
Quando o BDI-II não é a melhor escolha
O BDI-II não deve ser usado sozinho para diagnosticar episódio depressivo, nem como avaliação de risco suicida, que exige entrevista específica. Em pacientes com doenças clínicas, os itens somáticos podem elevar o escore sem depressão; considere a leitura por fatores. Em crianças abaixo da faixa normatizada, prefira o CDI. Em rastreio populacional rápido, o PHQ-9 é mais curto e gratuito.
Cada item é um grupo de quatro afirmações ordenadas por intensidade; o respondente escolhe a que melhor descreve como se sentiu nas duas últimas semanas. Os itens de sono e de apetite têm alternativas que distinguem aumento e diminuição.
| Dimensão | Itens | O que avalia |
|---|---|---|
| Humor e perspectiva | 1–3 | Tristeza, pessimismo e sentimento de fracasso. |
| Prazer, culpa e autoimagem | 4–8 | Perda de prazer, culpa, sentimento de punição, autoestima e autocrítica. |
| Ideação suicida | 9 | Pensamentos ou desejos suicidas; item crítico. |
| Choro, agitação, interesse e decisão | 10–14 | Choro, agitação, perda de interesse, indecisão e desvalorização. |
| Energia, sono, irritabilidade e apetite | 15–18 | Falta de energia, mudanças no sono, irritabilidade e mudanças no apetite. |
| Concentração, fadiga e sexualidade | 19–21 | Dificuldade de concentração, cansaço e perda de interesse sexual. |
Entregue o caderno e explique que cada grupo tem quatro afirmações e que o paciente deve escolher a que melhor descreve as últimas duas semanas, incluindo hoje.
Se o paciente tiver dificuldade de leitura, leia as afirmações em voz alta sem enfatizar nenhuma.
Na devolução, verifique itens em branco ou com duas marcações e esclareça com o paciente.
Leia o item 9 antes de liberar o paciente; se houver pontuação, faça a avaliação de risco na hora.
Registre data, contexto e medicação em uso para comparar nas reavaliações.
A correção do BDI-II soma os 21 itens, de 0 a 63. Os itens 16 e 18 têm sete alternativas, mas a pontuação continua de 0 a 3; as letras só indicam a direção da mudança. O total é classificado pela tabela normativa adotada, e o item 9 é lido separadamente como indicador de risco. A análise por fatores ajuda a separar sintomas cognitivo-afetivos de somáticos, útil em doenças clínicas.
No PontoAzul, você registra um escore de 0 a 3 para cada um dos 21 itens já conferidos no protocolo. A plataforma soma o total e aplica as faixas 0–13, 14–19, 20–28 e 29–63. A revisão de respostas relevantes, incluindo o item 9, cabe ao profissional; o fluxo atual não deve ser apresentado como alerta automático de risco. O resultado organizado apoia a redação e revisão do laudo-base.
Confira se o paciente escolheu uma afirmação por item; se marcou duas, considere a de maior pontuação.
Pontue cada item de 0 a 3. Nos itens 16 (sono) e 18 (apetite), as alternativas “a” e “b” valem o mesmo número: 1a e 1b valem 1, 2a e 2b valem 2, 3a e 3b valem 3.
Some os 21 itens para o escore total (0 a 63).
Verifique o item 9 antes de qualquer outra coisa: resposta de 1 a 3 exige avaliação de risco na mesma sessão.
Classifique o total pela tabela normativa adotada (manual brasileiro ou faixas originais de Beck et al., 1996) e registre a referência.
Opcionalmente, descreva a proporção entre sintomas cognitivo-afetivos e somáticos, útil em pacientes com doenças clínicas.
Exemplo de correção
Mulher de 41 anos em acompanhamento por perda de interesse e insônia. Pontuações fictícias:
Total 26: sintomas depressivos de intensidade moderada pelas faixas originais (20–28), sem ideação suicida relatada no item 9. Distribuição equilibrada entre sintomas cognitivo-afetivos e somáticos.
O manual original do BDI-II propõe quatro faixas de gravidade para pacientes com diagnóstico de depressão. O manual brasileiro traz as normas nacionais atualizadas; ao usá-lo, siga a classificação dele e informe a referência no laudo. Em amostra comunitária brasileira, Gomes-Oliveira et al. (2012) encontraram o ponto 10/11 como melhor corte de rastreio, com sensibilidade de 70% e especificidade de 87%.
| Faixa | Classificação | Leitura clínica |
|---|---|---|
| 0 – 13 | Mínima | Sintomas ausentes ou mínimos; compatível com remissão em acompanhamento. |
| 14 – 19 | Leve | Sintomas presentes com impacto limitado; acompanhar e investigar contexto. |
| 20 – 28 | Moderada | Sintomas frequentes e com prejuízo; em geral justifica intervenção estruturada. |
| 29 – 63 | Grave | Sintomas intensos e generalizados; avaliar risco, urgência e encaminhamento médico. |
Os cortes de rastreio variam conforme o tipo de amostra, como mostra a revisão de Wang e Gorenstein (2013). Qualquer pontuação no item 9 exige manejo imediato: pergunte diretamente sobre plano, intenção, meios e tentativas anteriores, não deixe o paciente sair sem plano de segurança e, se houver risco, acione a rede (CAPS, UPA, SAMU 192) e oriente o CVV (188).
Pontuar 1a, 2b e 3a de forma diferente
Nos itens de sono e apetite, as letras indicam direção (aumento ou diminuição), não pontuação extra. 2a e 2b valem 2.
Somar o total antes de olhar o item 9
Um total baixo com item 9 positivo continua sendo situação de risco. A leitura do item crítico deve vir antes da classificação.
Usar faixas do BDI antigo
O BDI de 1961 e o BDI-II têm itens e cortes diferentes. Misturar referências muda a classificação sem mudar o paciente.
Aplicar a versão de Cunha (2001) como se fosse vigente
Confira a edição e a referência usadas na correção. O fluxo atual apresenta total e faixa; a revisão de respostas e de sinais de risco permanece uma etapa clínica do profissional.
No PontoAzul, a correção do BDI-II segue as regras do instrumento e mostra o cálculo para você conferir. Teste grátis por 7 dias.
Trecho demonstrativo, sem dados de paciente real. O PontoAzul organiza total e faixa; as observações sobre sintomas e entrevista no exemplo são acrescentadas pelo profissional.
No Inventário de Depressão de Beck – II (BDI-II; Beck, Steer & Brown, 1996; adaptação brasileira de Gorenstein et al.), aplicado em 03/09/2026, a paciente obteve 26 pontos, compatível com sintomatologia depressiva de intensidade moderada. Destacaram-se tristeza, perda de prazer, autocrítica, alterações de sono e fadiga. Não houve endosso de pensamentos suicidas no item 9, o que foi confirmado em entrevista. O resultado é coerente com a queixa de desânimo das últimas semanas e será reavaliado após seis semanas de intervenção.
Trecho ilustrativo de caso fictício. O texto final é sempre revisado pelo profissional.
Fontes consultadas pela equipe editorial para revisar as informações desta página.
PCL-5: 20 itens, 0 a 80 pontos, quatro clusters do DSM-5 e corte brasileiro de 36.
Nove itens, escore de 0 a 27 e alerta separado para o item 9.
BAI: 21 sintomas, 0 a 63 pontos, intensidade da ansiedade na última semana.
20 respostas verdadeiro/falso e escore de 0 a 20 para expectativas negativas sobre o futuro.
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