1A1 a A5 — Aprendizagem
Cinco leituras da lista A, cada uma seguida de evocação livre. A soma das cinco tentativas e a inclinação da curva mostram a aprendizagem.
O RAVLT avalia memória episódica verbal com uma lista de 15 palavras lida cinco vezes (A1–A5), uma lista de interferência (B1), uma evocação após a interferência (A6), outra após 20 minutos (A7) e uma tarefa de reconhecimento. A correção gera a curva de aprendizagem e índices como ALT, velocidade de esquecimento e interferências. Veja como calcular cada um.
O Teste de Aprendizagem Auditivo-Verbal de Rey (RAVLT) é um teste de memória episódica verbal criado por André Rey. O avaliador lê uma lista de 15 palavras cinco vezes (A1–A5), apresenta uma lista de interferência (B1), pede evocação imediata (A6) e tardia após cerca de 20 minutos (A7) e aplica reconhecimento. A versão brasileira, de de Paula e Malloy-Diniz (Vetor), tem normas de 6 a 92 anos.
Cinco leituras da lista A, cada uma seguida de evocação livre. A soma das cinco tentativas e a inclinação da curva mostram a aprendizagem.
Uma lista nova de 15 palavras, lida uma vez e evocada logo em seguida. Serve para medir a interferência proativa da lista A.
Sem nova leitura, o examinando evoca a lista A depois da lista B. Mostra quanto a interferência retroativa apagou.
Evocação da lista A após cerca de 20 minutos preenchidos com tarefas não verbais. É a medida de retenção de longo prazo.
Lista com palavras das listas A e B e distratores; o examinando indica quais eram da lista A. Separa falha de armazenamento de falha de recuperação.
Você registra o número de palavras corretas em A1–A5, B1, A6 e A7 e os dados do reconhecimento. Os resultados viram um parágrafo do laudo-base com o padrão de memória episódica, para você revisar.
O PontoAzul calcula soma A1–A5, ALT, velocidade de esquecimento, interferência proativa e retroativa e converte em percentis pela idade.
Testar com RAVLTCalcule a idade na data de aplicação do RAVLT
Autor(es): André Rey; adaptação e normas brasileiras de Jonas Jardim de Paula e Leandro F. Malloy-Diniz · 1958 (original); edição brasileira Vetor, 2018
Conteúdo da equipe editorial PontoAzul, baseado nas fontes listadas ao final. Revisão editorial v2, atualizada em .
O Rey Auditory Verbal Learning Test (RAVLT) foi descrito por André Rey em 1958, no livro L'examen clinique en psychologie, e se tornou um dos testes mais usados no mundo para avaliar memória episódica verbal. No Brasil, a edição publicada pela Vetor Editora, com adaptação e normas de Jonas Jardim de Paula e Leandro F. Malloy-Diniz, cobre de 6 a 92 anos e usa palavras de alta frequência no português brasileiro.
O teste decompõe a memória em etapas. As cinco leituras da lista A mostram como a pessoa aprende com a repetição. A lista B cria interferência e permite medir o efeito do material antigo sobre o novo (interferência proativa) e do novo sobre o antigo (interferência retroativa). A evocação tardia mostra quanto fica retido após cerca de 20 minutos, e o reconhecimento separa quem não armazenou de quem armazenou mas não consegue recuperar.
Essa decomposição é o que torna o RAVLT tão útil no diagnóstico diferencial: estudos brasileiros o utilizam para distinguir envelhecimento normal, comprometimento cognitivo leve e demência, além de descrever o perfil de memória em epilepsia, transtorno bipolar e depressão.
O RAVLT é indicado sempre que houver queixa de memória ou necessidade de descrever o funcionamento mnemônico: investigação de comprometimento cognitivo leve e demências em idosos, avaliação neuropsicológica de crianças com dificuldades de aprendizagem, epilepsia de lobo temporal, traumatismo cranioencefálico, transtornos de humor e TDAH em adultos. Também serve para acompanhar evolução, desde que se respeite intervalo de reteste e se considere o efeito de prática.
Quando o RAVLT não é a melhor escolha
O RAVLT exige audição adequada, compreensão do português e capacidade de evocar palavras oralmente. Evite-o em afasia de expressão importante, perda auditiva sem correção ou quando não for possível garantir o intervalo sem tarefas verbais. Não reaplique a mesma lista em intervalo curto: o efeito de prática invalida a comparação com as normas.
O RAVLT segue uma sequência fixa de etapas. O avaliador lê as palavras em ritmo constante, anota tudo o que o examinando diz (inclusive repetições e intrusões) e controla o intervalo até a evocação tardia.
| Dimensão | Itens | O que avalia |
|---|---|---|
| Aprendizagem da lista A | A1–A5 | Cinco ciclos de leitura e evocação livre das 15 palavras da lista A. |
| Interferência | B1 | Leitura e evocação única de uma segunda lista de 15 palavras. |
| Evocação imediata | A6 | Evocação da lista A logo após a lista B, sem nova leitura. |
| Intervalo | ~20 min | Tempo preenchido com tarefas que não envolvam memória verbal. |
| Evocação tardia | A7 | Evocação livre da lista A após o intervalo. |
| Reconhecimento | Lista mista | Identificação das palavras da lista A entre palavras da lista B e distratores. |
Explique que vai ler uma lista de palavras e que a pessoa deve repetir todas as que lembrar, em qualquer ordem.
Leia a lista A em ritmo de cerca de uma palavra por segundo e registre literalmente a evocação; repita por cinco tentativas (A1–A5).
Leia a lista B uma vez (B1) e, em seguida, peça a evocação da lista A sem nova leitura (A6).
Preencha cerca de 20 minutos com tarefas não verbais e então peça a evocação tardia da lista A (A7).
Aplique o reconhecimento com a lista mista e registre acertos e falsos reconhecimentos.
A correção do RAVLT combina somas e razões. O total A1–A5 e a ALT (soma − 5 × A1) descrevem a aprendizagem; a velocidade de esquecimento (A7 ÷ A6), a interferência proativa (B1 ÷ A1) e a retroativa (A6 ÷ A5) descrevem retenção e vulnerabilidade à interferência; o reconhecimento completa a leitura. Cada escore é convertido em percentil pela faixa etária.
No PontoAzul, você registra o número de palavras corretas em cada etapa e os dados do reconhecimento. A plataforma calcula a soma, a ALT e as três razões, aplica a norma da idade do examinando e desenha a curva de aprendizagem de A1 a A7. Os cálculos ficam visíveis para conferência e o resultado entra no laudo-base.
Em cada etapa, conte as palavras corretas da lista-alvo. Repetições contam uma vez só; intrusões e palavras de outra lista não somam, mas devem ser anotadas.
Some A1 + A2 + A3 + A4 + A5 para obter o escore total de aprendizagem.
Calcule a ALT (aprendizagem ao longo das tentativas): soma A1–A5 − (5 × A1).
Calcule as razões: velocidade de esquecimento = A7 ÷ A6; interferência proativa = B1 ÷ A1; interferência retroativa = A6 ÷ A5.
No reconhecimento, conte acertos e falsos reconhecimentos e aplique a pontuação corrigida definida no manual.
Converta os escores em percentis na tabela da faixa etária do examinando e desenhe a curva A1–A7.
Exemplo de correção
Caso fictício: homem de 58 anos, 11 anos de estudo, com queixa de esquecimento. Palavras evocadas:
A curva sobe de 5 para 11 palavras (aprendizagem presente), mas o examinando perde 3 palavras após a lista B e mais 3 no intervalo, com velocidade de esquecimento de 0,63. Se o reconhecimento for bom, o padrão sugere dificuldade de recuperação; se for fraco, de consolidação. Percentis dependem da tabela do manual.
As normas brasileiras do RAVLT convertem cada escore em percentil por faixa etária, e estudos como Malloy-Diniz et al. (2007) e Magalhães e Hamdan (2010) mostraram forte efeito de idade e escolaridade. Como as tabelas do manual são protegidas e não há um ponto de corte único para o teste, a leitura se faz por padrões entre as etapas. A tabela abaixo resume os padrões mais úteis para o laudo depois da conversão normativa.
| Faixa | Classificação | Leitura clínica |
|---|---|---|
| Curva ascendente, A7 próximo de A6, reconhecimento bom | Memória episódica preservada | Aprende com a repetição, retém após o intervalo e reconhece com poucos falsos positivos. |
| Curva achatada (ALT baixa) | Dificuldade de aprendizagem | A repetição não melhora a evocação. Considere atenção, memória operacional e estratégia antes de concluir por déficit de memória. |
| A7 baixo com reconhecimento bom | Falha de recuperação | A informação foi armazenada, mas não é acessada espontaneamente; padrão frequente em quadros subcorticais e depressão. |
| A7 baixo e reconhecimento baixo | Falha de consolidação | A informação não foi retida; padrão que exige investigação de quadros amnésicos, como no início de demência do tipo Alzheimer. |
Muitas intrusões e falsos reconhecimentos têm valor clínico próprio e devem aparecer no laudo. Nunca compare o total A1–A5 com normas de outra faixa etária. O RAVLT, sozinho, não diagnostica demência ou outro transtorno.
Inverter as razões de interferência
A interferência proativa é B1 ÷ A1 e a retroativa é A6 ÷ A5. Trocar numerador e denominador produz valores acima de 1 que parecem “ótimos” e não são.
Calcular ALT com A5 em vez de A1
A ALT desconta cinco vezes o A1 da soma das cinco tentativas. Usar o A5 zera a aprendizagem de quem melhora bastante.
Contar repetições e intrusões como acertos
Palavras ditas duas vezes contam uma; palavras da lista B no A6 são intrusões. Somá-las infla todos os índices.
Encurtar ou preencher mal o intervalo do A7
Intervalo curto ou tarefas verbais no meio alteram a evocação tardia. No PontoAzul, você registra o intervalo usado e os índices ficam documentados junto com a curva.
No PontoAzul, a correção do RAVLT segue as regras do instrumento e mostra o cálculo para você conferir. Teste grátis por 7 dias.
Trecho demonstrativo, sem dados de paciente real. No PontoAzul, você digita as palavras corretas de cada etapa e o laudo-base traz a curva A1–A7, os índices e os percentis, para você revisar.
No Teste de Aprendizagem Auditivo-Verbal de Rey (RAVLT), aplicado em 10/09/2026, o examinando evocou 5, 7, 9, 10 e 11 palavras nas tentativas A1 a A5, somando 42 palavras, com índice de aprendizagem ao longo das tentativas de 17 pontos. Após a lista de interferência, evocou 8 palavras (A6) e, após 20 minutos, 5 palavras (A7), com velocidade de esquecimento de 0,63. O perfil indica aprendizagem presente, porém com perda acentuada da informação ao longo do tempo, a ser integrada ao resultado do reconhecimento.
Trecho ilustrativo de caso fictício. O texto final é sempre revisado pelo profissional.
Fontes consultadas pela equipe editorial para revisar as informações desta página.
Figura A: 18 elementos e até 36 pontos em cada etapa de cópia ou memória.
Ordem direta e inversa com escores por idade e rede escolar no módulo PontoAzul.
NEUPSILIN: 8 funções cognitivas, 32 tarefas, perfil em escore Z em uma sessão.
FDT: leitura, contagem, escolha e alternância, com índices de inibição e flexibilidade.
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