1Responsabilidade e ameaça
Dezesseis afirmativas sobre poder causar ou impedir danos e sobre superestimar a probabilidade e a gravidade do perigo.
O OBQ-44 mede crenças disfuncionais ligadas a obsessões e compulsões em 44 afirmativas respondidas de 1 a 7. Três domínios (responsabilidade e ameaça, perfeccionismo e certeza, importância e controle dos pensamentos) somam de 44 a 308 pontos. Não existe ponto de corte: a leitura usa média por item e médias de grupos publicados. Veja como corrigir, interpretar e levar o resultado ao laudo.
O Questionário de Crenças Obsessivas (OBQ-44) é um autorrelato do Obsessive Compulsive Cognitions Working Group (2005), adaptado para o Brasil por Bortoncello e colaboradores em 2012. O adulto indica de 1 (discordo totalmente) a 7 (concordo totalmente) quanto concorda com 44 afirmativas sobre responsabilidade e ameaça, perfeccionismo e certeza, importância e controle dos pensamentos. O total vai de 44 a 308, sem itens invertidos e sem ponto de corte: mede crenças, não sintomas nem diagnóstico.
Dezesseis afirmativas sobre poder causar ou impedir danos e sobre superestimar a probabilidade e a gravidade do perigo.
Dezesseis afirmativas sobre existir uma solução perfeita, o peso de pequenos erros e a necessidade de ter certeza absoluta.
Doze afirmativas sobre pensamentos que parecem significativos só por surgirem e sobre a obrigação de controlá-los.
Você transcreve as 44 respostas de 1 a 7 do protocolo já preenchido, na ordem da folha ou por domínio, e informa a data da aplicação. Somas, médias, afirmativas com concordância forte e sinais de padrão de resposta entram no laudo-base, aberto à sua revisão.
O servidor valida respostas e idade, soma os três domínios e o total de 44 a 308, calcula médias por item, conta concordância e ponto médio e situa as somas entre as médias de Wang et al. (2015) e de Bortoncello et al. (2012).
Testar com OBQ-44Calcule a idade na data de aplicação do OBQ-44
Autor(es): Obsessive Compulsive Cognitions Working Group (OCCWG); adaptação brasileira: Cristiane F. Bortoncello, Aristides V. Cordioli e colaboradores · 2005 (adaptação brasileira: 2012)
Conteúdo da equipe editorial PontoAzul, baseado nas fontes listadas ao final. Revisão editorial v2, atualizada em .
O OBQ-44 (Obsessive Beliefs Questionnaire, versão de 44 itens) foi publicado em 2005 pelo Obsessive Compulsive Cognitions Working Group (OCCWG), consórcio internacional de pesquisadores que estudava as crenças descritas pelo modelo cognitivo do transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). A análise fatorial com 410 pacientes com TOC, 105 pacientes ansiosos sem obsessões, 87 adultos da comunidade e 291 universitários reduziu os seis grupos de crenças da versão longa a três fatores e a 44 afirmativas com as cargas mais altas, publicadas no apêndice do artigo na Behaviour Research and Therapy.
A lógica do instrumento vem da teoria cognitiva do TOC: pensamentos intrusivos são comuns na população, mas se tornam obsessões quando a pessoa os interpreta como sinal de perigo, responsabilidade ou falha moral. O OBQ-44 mede exatamente essas interpretações em três domínios: responsabilidade e superestimação da ameaça, perfeccionismo e intolerância à incerteza e importância e controle dos pensamentos. Cada afirmativa recebe de 1 a 7, e nenhuma é invertida, o que torna a soma direta, de 44 a 308.
No Brasil, Bortoncello, Vivan, Gomes e Cordioli (2012) traduziram e adaptaram o questionário no Hospital de Clínicas de Porto Alegre, com retrotradução aprovada pelos autores originais e teste de compreensão com 20 pacientes de 20 a 65 anos. Outro estudo do grupo, com 104 adultos com TOC, encontrou os três domínios originais, consistência interna muito boa, boa reprodutibilidade e queda das somas após terapia cognitivo-comportamental em grupo.
O OBQ-44 é indicado para adultos em avaliação ou tratamento de sintomas obsessivo-compulsivos, quando a pergunta clínica é sobre o modo de pensar que sustenta os sintomas. Na formulação de caso, mostra se o eixo principal é responsabilidade, perfeccionismo ou valor dado aos pensamentos, o que ajuda a escolher alvos da terapia cognitivo-comportamental. Também serve para acompanhar mudança: as somas caíram após o tratamento em grupo na amostra brasileira. Na bateria, costuma entrar depois de uma medida de sintomas, como OCI-R ou Y-BOCS, e ao lado de escalas de ansiedade e depressão que ajudam a separar crença de estado emocional.
Quando o OBQ-44 não é a melhor escolha
O OBQ-44 não mede a gravidade do TOC nem rastreia sintomas: ele descreve crenças. Para quantificar obsessões e compulsões em entrevista, use a Y-BOCS; para um rastreio rápido de sintomas por autorrelato, o OCI-R é mais adequado. Também não há estudo brasileiro com adolescentes, e o escore não deve ser usado para fechar diagnóstico, prever comportamento ou avaliar risco.
As 44 afirmativas aparecem misturadas na folha e se agrupam em três domínios derivados da análise fatorial do OCCWG (2005), confirmados na adaptação brasileira. Todas pontuam na mesma direção: quanto maior a resposta, maior a concordância com a crença disfuncional.
| Dimensão | Itens | O que avalia |
|---|---|---|
| Responsabilidade e ameaça (RT) | 16 itens | Responsabilidade inflada por danos e superestimação da ameaça; soma possível de 16 a 112. |
| Perfeccionismo e certeza (PC) | 16 itens | Exigência de fazer tudo perfeitamente e dificuldade de tolerar dúvida; soma possível de 16 a 112. |
| Importância e controle (ICT) | 12 itens | Valor atribuído à simples presença de um pensamento, incluindo fusão pensamento-ação; soma de 12 a 84. |
| Total | 44 itens | Soma dos três domínios, de 44 a 308; resume o endosso geral, mas esconde o perfil. |
Entregue a folha com a instrução impressa e explique que não há respostas certas: a pessoa deve pensar em como costuma ver as coisas na maior parte do tempo.
Leia junto a escala de sete pontos, de discordo totalmente a concordo totalmente, e reforce o pedido do protocolo para evitar o ponto médio (4).
Deixe a pessoa responder sozinha, em ambiente reservado e sem limite de tempo, permanecendo disponível para dúvidas de vocabulário sem sugerir respostas.
Ao recolher, confira se os 44 itens têm uma única marcação e peça para completar os que ficaram em branco.
Registre data, fase do tratamento e humor atual, que alteram o endosso das crenças.
Converse sobre as afirmativas com concordância forte (6 ou 7), sobretudo as de conteúdo agressivo ou sexual, explicando que medem o significado dado ao pensamento.
A correção do OBQ-44 é aditiva e sem inversões: cada resposta de 1 a 7 entra com o próprio valor no domínio a que pertence. Responsabilidade e ameaça e perfeccionismo e certeza têm 16 itens cada, com somas de 16 a 112; importância e controle dos pensamentos tem 12 itens, com soma de 12 a 84. O total, de 44 a 308, deve coincidir com a soma dos três domínios. Como os domínios têm tamanhos diferentes, a comparação entre eles se faz pela média por item, que volta à métrica de 1 a 7 da folha.
Depois da aritmética, leia o padrão de respostas. Separar concordância forte (6 ou 7), concordância (5), ponto médio e discordância (1 a 3) mostra se a soma vem de poucas crenças intensas ou de endosso moderado e espalhado. Só então compare as somas com médias de grupos, como referência e nunca como norma individual.
No PontoAzul, você transcreve as 44 respostas do protocolo já aplicado e a data da aplicação. O servidor recusa valores fora de 1 a 7 e idade abaixo de 18 anos, soma os três domínios e o total, calcula a média por item, conta concordância forte, ponto médio e discordância e situa cada soma entre a média de universitários sem diagnóstico (Wang et al., 2015) e a de adultos brasileiros com TOC antes do tratamento (Bortoncello et al., 2012). Também sinaliza 11 ou mais respostas 4, a mesma resposta em 35 ou mais itens e a concordância com os itens sobre pensamentos agressivos, descrita como significado atribuído ao pensamento, nunca como risco.
Confira se as 44 afirmativas têm exatamente uma resposta inteira de 1 (discordo totalmente) a 7 (concordo totalmente); item em branco impede a soma do domínio.
Não inverta nenhum item: no OBQ-44 todas as afirmativas descrevem a crença disfuncional, então o valor marcado entra direto na soma.
Some o domínio responsabilidade e ameaça pelos itens 1, 5, 6, 8, 15, 16, 17, 19, 22, 23, 29, 33, 34, 36, 39 e 41 (16 a 112).
Some perfeccionismo e certeza pelos itens 2, 3, 4, 9, 10, 11, 12, 14, 18, 20, 25, 26, 31, 37, 40 e 43 (16 a 112).
Some importância e controle dos pensamentos pelos itens 7, 13, 21, 24, 27, 28, 30, 32, 35, 38, 42 e 44 (12 a 84).
Some os três domínios para o total (44 a 308) e confira se ele bate com a soma direta dos 44 valores.
Divida cada soma pelo número de itens do domínio para obter a média por item (1 a 7) e comparar domínios de tamanhos diferentes.
Conte as respostas 4 (ponto médio), que a instrução pede para evitar, antes de comparar as somas com médias de grupos.
Exemplo de correção
Exemplo demonstrativo: mulher fictícia de 29 anos, encaminhada por demora para concluir relatórios e revisões repetidas. Somas após transcrever as 44 respostas:
Total 154 de 308, com perfil diferenciado: perfeccionismo e certeza concentram a concordância (média 4,63), enquanto importância e controle dos pensamentos ficam em 22, abaixo da média não clínica de 25,65 (Wang et al., 2015). Não há classificação de gravidade: o dado orienta a entrevista, não o diagnóstico.
O OBQ-44 não tem ponto de corte publicado nem norma brasileira para pessoas sem diagnóstico. Por isso, a leitura é dimensional e comparativa. Primeiro, a média por item de cada domínio: acima de 4 indica concordância predominante com as crenças; abaixo de 4, discordância predominante. Depois, a posição da soma frente a médias de grupos estudados. Na versão chinesa (Wang et al., 2015), universitários sem diagnóstico (n = 569) tiveram médias de 39,27 em responsabilidade e ameaça, 42,24 em perfeccionismo e certeza, 25,65 em importância e controle e 107,19 no total; pacientes com TOC (n = 66) tiveram 65,89, 65,50, 42,85 e 178,23. No Brasil, Bortoncello e colaboradores (2012) descreveram 104 adultos com TOC e mostraram queda das somas após terapia cognitivo-comportamental em grupo. Essas médias são referências de grupo: situar alguém perto da média clínica não significa dizer que a pessoa tem TOC.
Médias de grupo não equivalem a percentis nem a faixas de gravidade, e amostras de países diferentes não são intercambiáveis. Responsabilidade e perfeccionismo também se elevam em outros transtornos de ansiedade; em Shams e Milosevic (2015), só importância e controle dos pensamentos separou o grupo com TOC do grupo ansioso. Crenças altas sem sintomas e sintomas com crenças baixas acontecem, e o questionário não tem escala de validade.
Usar uma chave de domínios errada
Modelos que circulam na internet distribuem os itens de outra forma. A chave da versão brasileira põe 16, 16 e 12 itens nos domínios; trocar um item muda o perfil.
Inverter itens que não são invertidos
Por hábito com outras escalas, há quem recodifique afirmativas. No OBQ-44 nenhuma é invertida, e a inversão derruba artificialmente a soma.
Comparar somas de domínios diferentes
Dizer que 58 em responsabilidade é mais que 40 em importância ignora que um domínio tem 16 itens e o outro 12. Compare pela média por item.
Ler média de grupo como corte
Ficar acima da média de pacientes com TOC não é ponto de corte nem diagnóstico. A média descreve um grupo, não fixa limite individual.
Ignorar o excesso de respostas 4
A instrução pede para evitar o ponto médio. Muitas respostas 4 achatam as somas no centro e escondem o domínio que realmente se destaca.
No PontoAzul, a correção do OBQ-44 segue as regras do instrumento e mostra o cálculo para você conferir. Teste grátis por 7 dias.
No PontoAzul, as somas, médias por item e posições recalculadas no servidor entram no laudo-base ao lado do gráfico dos domínios. O texto abaixo mostra a redação de um caso fictício, que o profissional revisa e complementa com a entrevista.
Em 14/10/2026, a avaliada, de 29 anos, respondeu ao Questionário de Crenças Obsessivas (OBQ-44; OCCWG, 2005; versão brasileira de Bortoncello et al., 2012). O total foi de 154 pontos, média de 3,50 por item. O domínio perfeccionismo e intolerância à incerteza somou 74 (média 4,63), entre a média de universitários sem diagnóstico e a de adultos brasileiros com TOC antes do tratamento, com concordância forte em afirmativas sobre erros e certeza. Responsabilidade e ameaça somou 58 (3,63) e importância e controle dos pensamentos, 22 (1,83), abaixo da média não clínica. Em hipótese, a exigência de precisão seria o eixo da demora relatada no trabalho. Como o instrumento descreve crenças, recomenda-se investigar obsessões e compulsões com entrevista estruturada e medida própria de sintomas.
Trecho ilustrativo de caso fictício. O texto final é sempre revisado pelo profissional.
Fontes consultadas pela equipe editorial para revisar as informações desta página.
Escala Yale-Brown: 10 itens de gravidade, total de 0 a 40, obsessões e compulsões em cinco dimensões.
OCI-R: 18 itens, seis subescalas de 0 a 12, total de 0 a 72 e corte de rastreio em 21.
BAI: 21 sintomas, 0 a 63 pontos, intensidade da ansiedade na última semana.
BDI-II: 21 itens, 0 a 63 pontos, gravidade de sintomas depressivos nas últimas duas semanas.
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