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Saúde emocional · Acompanhamento

HAM-D: pontuação da Escala de Hamilton

A HAM-D de 17 itens transforma uma entrevista clínica sobre a última semana em um total de 0 a 52 pontos.

Itens
17
Escore
0 a 52
Período
Última semana
Duração
15 a 30 minutos

HAM-D em resumo

A Escala de Avaliação de Depressão de Hamilton de 17 itens (HAM-D) é uma medida heteroaplicada de intensidade de sintomas depressivos, criada por Max Hamilton em 1960. O profissional pontua 17 itens após entrevista sobre a última semana, usando escalas de 0 a 2 ou de 0 a 4; o total da versão de 17 itens vai de 0 a 52. Ela é útil principalmente para acompanhar gravidade e mudança clínica, não para concluir diagnóstico sozinha.

Itens
17
Escore
0 a 52
Período
Última semana
Duração
15 a 30 minutos
Formato
Entrevista clínica
Pontuação
0–2 ou 0–4 por item
Referência BR
Freire et al., 2014

O que o HAM-D avalia?

1Humor e atividades

Humor deprimido, culpa e redução de atividades ajudam a descrever a intensidade observada na entrevista.

2Sono e vegetativos

Alterações do sono, apetite, peso e sintomas somáticos mostram a expressão corporal do quadro.

3Ansiedade e movimento

Ansiedade, agitação e retardo psicomotor acrescentam informações à observação direta do avaliador.

4Item de suicídio

A pontuação desse item exige avaliação clínica de segurança, qualquer que seja a faixa do total.

Dados que viram resultado

Do HAM-D ao gráfico e ao laudo

Você registra os 17 escores atribuídos na entrevista da HAM-D e a data da avaliação. A pontuação e sua referência entram no laudo-base editável, com espaço para contexto e revisão clínica.

  • Soma respeita os limites dos itens
  • Item de segurança em evidência
  • Versão e referência seguem ao laudo

Correção programada e Cérebro PontoAzul

O Cérebro PontoAzul organiza o total de 0 a 52, a faixa da fonte incorporada e o item de segurança para conferência do profissional.

Testar com HAM-D

Calculadora de idade cronológica

Escala de Avaliação de Depressão de Hamilton de 17 itens (Hamilton Rating Scale for Depression)

Autor(es): Max Hamilton; estudo psicométrico brasileiro: Manoela Ávila Freire e colaboradores · 1960 (estudo brasileiro: 2014)

Conteúdo da equipe editorial PontoAzul, baseado nas fontes listadas ao final. Revisão editorial v2, atualizada em .

O que é o HAM-D?

A Hamilton Rating Scale for Depression (HAM-D) foi publicada por Max Hamilton em 1960 para mensurar intensidade de sintomas em pacientes com quadro depressivo já reconhecido. A versão clínica mais usada tem 17 itens, embora existam versões com 21 e 24. Essa distinção importa na prática: acrescentar itens muda o máximo possível e impede comparar diretamente um total de uma versão com o de outra. A HAM-D não foi concebida como formulário entregue ao paciente. Um avaliador treinado conduz entrevista, observa comportamento e atribui escores para a semana anterior à aplicação.

Os 17 itens cobrem humor, culpa, suicídio, alterações do sono, atividades, movimento, ansiedade e manifestações somáticas. Nove recebem valores de 0 a 4 e oito, de 0 a 2, produzindo 0 a 52 pontos. O número global resume intensidade, mas o perfil de respostas merece atenção: uma alteração do sono por condição médica, por exemplo, pode contribuir para o escore sem ter o mesmo significado clínico de uma piora do humor. O item de suicídio tem consequência própria e não pode se perder na soma. Por isso, registro de data, versão, referência de gravidade e contexto da entrevista ajuda mais do que uma categoria sem explicação.

Em 2014, Freire e colaboradores estudaram uma versão traduzida usada no Brasil em 231 pessoas no sul do país, comparando-a com entrevista estruturada. Encontraram 9 pontos como corte de discriminação naquela amostra e investigaram a qualidade dos itens e da tradução. O estudo também mostrou que a estrutura fatorial não é simples: um agrupamento de temas pode ser útil para discussão clínica, mas não equivale a subescalas universais com seus próprios pontos de corte. A principal utilidade da HAM-D permanece descrever gravidade e mudança ao longo do cuidado, com leitura clínica individual.

Indicação e população

A HAM-D é indicada quando se deseja mensurar a gravidade de sintomas depressivos por entrevista clínica e acompanhar sua mudança ao longo do tratamento. Ela é frequente em pesquisa de intervenções e também pode apoiar documentação de evolução no atendimento. O profissional precisa ter treinamento para atribuir escores consistentes, especialmente quando a descrição de um sintoma envolve observação e relato. Em uma bateria de avaliação psicológica, a HAM-D acrescenta a perspectiva do avaliador a medidas de autorrelato como PHQ-9 ou BDI-II. A escolha deve considerar a idade, o objetivo e a versão usada. O estudo brasileiro de 2014 avaliou participantes jovens de 18 a 27 anos; seus resultados não devem ser automaticamente transportados para todas as populações clínicas. Para triagem de pessoas sem diagnóstico prévio, prefira um instrumento construído para rastreio e confirme achados em entrevista.

Quando o HAM-D não é a melhor escolha

A HAM-D não é um questionário de autorrelato nem um teste para detectar depressão em pessoas sem avaliação clínica. Para rastreio breve por autorrelato, considere o PHQ-9; para sintomas ansiosos pontuados pelo clínico, considere a HAM-A. Não a use como substituto de entrevista diagnóstica ou de avaliação específica de risco de suicídio.

Estrutura do HAM-D

Na versão HAM-D-17, nove itens admitem valores de 0 a 4 e oito admitem valores de 0 a 2. Os grupos abaixo descrevem temas da entrevista; não são subescalas universais com cortes independentes.

DimensãoItensO que avalia
Humor e cogniçãoItens clínicosHumor deprimido, culpa, atividades e consciência do quadro.
Sono3 itensDificuldade para iniciar, manter e prolongar o sono até o despertar.
Corpo e apetiteItens clínicosSintomas somáticos, apetite, peso e aspectos associados.
Ansiedade e movimentoItens clínicosAnsiedade psíquica e somática, agitação e retardo observados pelo profissional.
Segurança1 itemConteúdo relacionado a suicídio, sempre avaliado fora da soma global.

Protocolo de aplicação

  1. 1

    Confirme que o protocolo escolhido é a HAM-D de 17 itens e identifique a versão antes de iniciar a entrevista.

  2. 2

    Explique que a avaliação cobre os sete dias anteriores, incluindo o dia atual, e peça exemplos concretos quando necessário.

  3. 3

    Explore cada domínio e observe comportamento, movimento e comunicação sem delegar ao paciente a pontuação dos itens.

  4. 4

    Atribua somente o valor permitido para cada item, registrando dúvidas e informações complementares relevantes ao julgamento clínico.

  5. 5

    Avalie de imediato qualquer conteúdo de suicídio e documente a conduta clínica em separado da pontuação global.

  6. 6

    Registre data, versão e referência interpretativa para comparação com entrevistas futuras conduzidas pelo mesmo método.

Como corrigir o HAM-D

A correção da HAM-D-17 soma 17 pontuações atribuídas pelo avaliador após a entrevista. O teto varia por item: nove vão de 0 a 4 e oito de 0 a 2. A soma possível vai de 0 a 52, mas somente se o protocolo for a versão de 17 itens e todos forem pontuados segundo suas âncoras próprias. A resposta sobre suicídio também integra o total, porém sua importância clínica não se esgota no número. Uma marcação que sugira risco requer avaliação imediata de pensamentos, intenção, plano, meios e proteção.

Para interpretar o total, identifique a referência utilizada. As faixas de gravidade resumidas pela American Thoracic Society distinguem 0–7, 8–13, 14–18, 19–22 e 23 ou mais. Já Freire e colaboradores encontraram, em amostra brasileira específica, 9 pontos como limite para separar grupos em sua análise. Não são tabelas intercambiáveis: uma descreve intensidade em cinco níveis, a outra testa discriminação em uma amostra. Anote no documento qual pergunta está sendo respondida e evite comparar totais oriundos de versões distintas. A variação entre aplicações ganha sentido junto com sintomas dominantes, mudanças de tratamento e funcionamento.

No PontoAzul, você registra os 17 valores atribuídos na entrevista da HAM-D. A plataforma soma o total de 0 a 52, apresenta a faixa escolhida para conferência e mantém o item de segurança destacado no caso. O laudo-base recebe o resultado com versão, data e referência, permitindo que você revise a redação antes de finalizar.

  1. Confirme que o protocolo é a versão de 17 itens e que a entrevista se refere à última semana, incluindo o dia de aplicação.

  2. Atribua a cada item o escore permitido pelo roteiro: nove itens variam de 0 a 4 e oito variam de 0 a 2.

  3. Some os 17 escores sem acrescentar itens das versões de 21 ou 24 itens. O total da versão de 17 itens vai de 0 a 52.

  4. Compare o resultado com uma única referência de gravidade e registre qual conjunto de faixas foi usado no laudo.

  5. Analise separadamente o item de suicídio e faça avaliação clínica imediata de segurança se houver indicação de risco.

  6. Para acompanhar resposta, compare datas, total e itens mais salientes, mantendo a mesma versão e o mesmo método de entrevista.

Exemplo de correção

Caso fictício de pessoa adulta de 42 anos em acompanhamento. Após entrevista em 12/03/2026, o avaliador atribuiu valores aos 17 itens da HAM-D:

Itens 1–4
2+1+0+2 = 5
Itens 5–8
1+1+2+1 = 5
Itens 9–12
1+2+1+0 = 4
Itens 13–17
1+1+1+0+0 = 3
Total
5+5+4+3 = 17
Suicídio
0 ponto

O total é 17 pontos, na faixa moderada segundo a referência de gravidade indicada abaixo. O item de suicídio foi zero; a conclusão depende da entrevista e do contexto clínico.

Interpretação dos resultados

Max Hamilton não definiu faixas universais de gravidade. A classificação abaixo usa os intervalos de referência resumidos pela American Thoracic Society para a HAM-D-17. O estudo brasileiro de Freire e colaboradores (2014) encontrou 9 pontos como corte de discriminação em sua amostra; isso responde a outra pergunta e não substitui as faixas descritivas.

FaixaClassificaçãoLeitura clínica
0–7MínimaCarga pequena de sintomas na entrevista; compare com histórico e objetivo do acompanhamento.
8–13LeveSintomas presentes, com intensidade que pede leitura do funcionamento e da mudança clínica.
14–18ModeradaCarga intermediária; descrever itens salientes e necessidade de acompanhamento.
19–22GraveCarga elevada de sintomas na entrevista; priorizar avaliação clínica e plano de cuidado.
≥ 23Muito graveCarga muito elevada; investigar segurança, funcionamento e necessidade de apoio intensivo.

As versões HAM-D-17, HAM-D-21 e HAM-D-24 não têm o mesmo total possível. Há divergência entre referências de corte e entre roteiros de entrevista; registre a versão e a fonte escolhida. A resposta do item de suicídio requer avaliação separada, inclusive quando o total é baixo.

Erros comuns na correção manual

Usar limite igual em todos

Os 17 itens não compartilham a mesma escala. Alguns chegam a 2 e outros a 4; tratar todos como 0 a 4 altera o total.

Misturar versões de Hamilton

A versão de 17 itens não pode receber pontuações extras das versões de 21 ou 24 itens e continuar sendo interpretada em 0 a 52.

Trocar a referência de gravidade

Dois conjuntos publicados de cortes podem classificar o mesmo número de modo diferente. Indique a fonte e mantenha-a nas reavaliações.

Perder o item de suicídio

Um total aparentemente moderado não dispensa a leitura da resposta de segurança e a avaliação clínica imediata quando houver indicação de risco.

No PontoAzul, a correção do HAM-D segue as regras do instrumento e mostra o cálculo para você conferir. Teste grátis por 7 dias.

Como o HAM-D aparece no laudo

O PontoAzul organiza o total e a referência de faixa da HAM-D no laudo-base, preservando a resposta de segurança para avaliação independente pelo profissional.

Em 12/03/2026, a pessoa avaliada no exemplo fictício foi entrevistada pela Escala de Avaliação de Depressão de Hamilton de 17 itens (HAM-D-17), considerando os sete dias anteriores. O total foi de 17 em 52 pontos, correspondente à faixa moderada segundo os intervalos de gravidade resumidos pela American Thoracic Society. O item relacionado a suicídio recebeu zero ponto nesta entrevista. A distribuição das respostas sugere acompanhar especialmente humor e sono, sempre em associação com o funcionamento observado, a história do caso e a evolução entre avaliações. A decisão clínica deve resultar da entrevista completa, não da categoria isolada.

Trecho ilustrativo de caso fictício. O texto final é sempre revisado pelo profissional.

HAM-D e instrumentos parecidos

  • PHQ-9: O PHQ-9 é autorrelato breve sobre duas semanas e serve bem ao rastreio; a HAM-D usa julgamento do avaliador e costuma apoiar acompanhamento de gravidade.
  • BDI-II: O BDI-II é respondido pela pessoa em formato próprio; a HAM-D depende de entrevista e observação clínica.
  • HAM-A: A HAM-A descreve intensidade da ansiedade; a HAM-D concentra sintomas depressivos, embora haja itens e manifestações que se sobrepõem.

Referências e fontes públicas

Fontes consultadas pela equipe editorial para revisar as informações desta página.

Bibliografia complementar (3)
  1. Hamilton, M. (1960). A rating scale for depression. Journal of Neurology, Neurosurgery & Psychiatry, 23(1), 56–62. https://doi.org/10.1136/jnnp.23.1.56
  2. Freire, M. Á., Figueiredo, V. L. M., Gomide, A., Jansen, K., Silva, R. A., Magalhães, P. V. S., & Kapczinski, F. (2014). Escala Hamilton: estudo das características psicométricas em uma amostra do sul do Brasil. Jornal Brasileiro de Psiquiatria, 63(4), 281–289. https://doi.org/10.1590/0047-2085000000036
  3. American Thoracic Society. (2026). Anxiety and depression outcome measures: Hamilton Depression Rating Scale. https://site.thoracic.org/assemblies/pr/outcome-measures/anxiety-and-depression-outcome-measures

Perguntas frequentes sobre o HAM-D

Quantos itens tem a HAM-D?
A versão mais usada da HAM-D tem 17 itens pontuados em entrevista clínica. Existem versões de 21 e 24 itens, mas seus totais não são diretamente comparáveis ao máximo de 52 pontos da HAM-D-17. Antes de corrigir, confirme qual protocolo foi utilizado e registre a versão no laudo.
Como calcular a pontuação da HAM-D-17?
O avaliador atribui escores aos 17 itens conforme as âncoras da versão escolhida e depois soma os valores. Na HAM-D-17, nove itens vão de 0 a 4 e oito de 0 a 2, totalizando até 52. Não acrescente itens extras nem aplique um único limite de pontuação a todos.
Quais são as faixas da HAM-D?
Uma referência de gravidade usada para a HAM-D-17 descreve 0–7 como mínima, 8–13 leve, 14–18 moderada, 19–22 grave e 23 ou mais muito grave. Hamilton não definiu cortes universais e outras publicações usam intervalos diferentes. O laudo deve identificar a fonte adotada.
A HAM-D é preenchida pelo paciente?
Não. A HAM-D é heteroaplicada: o profissional conduz entrevista sobre a última semana e pontua cada item com base no relato e na observação. Se o objetivo exige autorrelato breve, o PHQ-9 é uma alternativa de rastreio. Trocar o formato de aplicação sem critério dificulta comparar resultados.
A HAM-D serve para diagnosticar depressão?
Não por si só. A escala foi desenhada para quantificar intensidade de sintomas, sobretudo em pessoas cuja condição já está sob avaliação clínica. Diagnóstico exige entrevista, duração, prejuízo, história e consideração de outras explicações. Um corte de pesquisa não vira confirmação automática de transtorno para um indivíduo.
Qual ponto de corte brasileiro da HAM-D?
No estudo de Freire e colaboradores de 2014, o valor de 9 pontos foi identificado para discriminar grupos na amostra estudada no sul do Brasil. Esse resultado não representa uma norma nacional para todas as idades. Ele também não substitui as faixas descritivas de gravidade usadas em acompanhamento.
Como interpretar o item de suicídio?
Leia a resposta em separado do total da HAM-D. Qualquer indício de pensamento, intenção ou comportamento relacionado a suicídio pede avaliação clínica imediata de segurança e encaminhamento conforme a situação. Um total baixo não descarta risco e o item isolado não quantifica toda a gravidade desse risco.
Como o PontoAzul ajuda com a HAM-D?
Você registra os 17 escores atribuídos na entrevista e o PontoAzul organiza a soma, a faixa da fonte incorporada e o alerta do item de segurança. Esses dados seguem no mesmo caso para um laudo-base editável. Assim, versão, data e referência não se perdem entre correção e documentação.

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