PontoAzulProfissional responsável (exemplo)
Neuropsicóloga · CRP 00/000000 · registro fictício
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Laudo Psicológico — Avaliação Neuropsicológica Integrada
Documento para o profissional
- Paciente
- Júlia (caso fictício)
- Idade na avaliação
- 16 anos
- Período da avaliação
- 29/09/2026 a 30/09/2026 (3 instrumentos)
- Data do documento
- 09/10/2026
- Solicitante
- Responsáveis, por encaminhamento da pediatra
- Autora
- Psicóloga responsável (exemplo) · CRP 00/000000 · registro fictício
- Finalidade
- Investigação de sintomas depressivos e de sinais de risco, para orientar conduta imediata e encaminhamentos.
- Motivo da avaliação
- Encaminhada pela pediatra por humor deprimido e queda no rendimento escolar após mudança de escola.
- Perguntas da avaliação
- 1.Há sintomas depressivos clinicamente relevantes e algum sinal de risco que exija conduta imediata?
1. Identificação e demanda
Júlia, 16 anos nas aplicações, foi avaliada por encaminhamento da pediatra em razão de humor deprimido e queda do rendimento escolar após mudança de escola. A pergunta clínica busca saber se há sintomas depressivos clinicamente relevantes e algum sinal de risco que exija conduta imediata.
2. Procedimentos
A integração foi realizada a partir de três protocolos padronizados, todos respondidos pela própria adolescente, e da história registrada como contexto do quadro. O YSR/11–18 ofereceu um autorrelato de amplo espectro sindrômico e de competências; o BDI-II e o PHQ-9 contribuíram como rastreios autorreferidos de intensidade de sintomas depressivos nas últimas duas semanas. A história registrada foi utilizada para situar início, contexto e prejuízo acadêmico, mas sem informante registrado para que pudesse funcionar como confirmação independente. As aplicações ocorreram em 29 e 30/09/2026, aos 16 anos. A ponderação considerou que as três medidas de sintomas provêm do mesmo informante e do mesmo método; portanto, foram tratadas como complementares entre si, e não como fontes independentes convergentes. Cada instrumento foi interpretado apenas frente à sua própria referência e às suas faixas, sem comparação numérica entre escores.
Instrumentos integrados
| Instrumento | Aplicação | Idade | Método | Informante |
|---|---|---|---|---|
| YSR/11–18 | 29/09/2026 | 16 anos | Autorrelato | autorrelato |
| BDI-II | 30/09/2026 | 16 anos | Autorrelato | autorrelato |
| PHQ-9 | 30/09/2026 | 16 anos | Autorrelato | autorrelato |
3. Resultados integrados por domínio
Humor e ansiedade
Sintomas internalizantes e depressivos moderados em autorrelato único
| Instrumento | Medida | Resultado | Faixa | Situação |
|---|---|---|---|---|
| YSR/11–18Informante: autorrelato | Problemas internalizantes | soma 23 de 62, T 63, faixa limítrofe | limítrofe | Perto do corte |
| Ansiedade/depressão | soma 15 de 26, T 70, faixa clínica | clínica | Fora do esperado | |
| Retraimento/depressão | soma 6 de 16, T 61, faixa normal | normal | Dentro do esperado | |
| Queixas somáticas | soma 2 de 20, T 51, faixa normal | normal | Dentro do esperado | |
| Problemas de pensamento | soma 4 de 24, T 54, faixa normal | normal | Dentro do esperado | |
| BDI-IIInformante: autorrelato | Escore total | Total 24 (0 a 63), faixa Moderada (20 a 28) | Moderada | Fora do esperado |
| PHQ-9Informante: autorrelato | Escore total | Total 11 (0 a 27), faixa Moderada (10 a 14) | Moderada | Fora do esperado |
YSR/11–18 — Inventário de Autoavaliação para Adolescentes, respondido pela adolescente, apresenta Ansiedade/depressão: soma 15 de 26, T 70, faixa clínica, fora do esperado pela referência do instrumento, exatamente no primeiro valor da faixa clínica, e Problemas internalizantes: soma 23 de 62, T 63, faixa limítrofe, perto do corte ou da passagem de faixa do instrumento. No mesmo inventário, Retraimento/depressão: soma 6 de 16, T 61, faixa normal, Queixas somáticas: soma 2 de 20, T 51, faixa normal e Problemas de pensamento: soma 4 de 24, T 54, faixa normal ficam dentro do esperado.
BDI-II — Inventário de Depressão de Beck, respondido pela adolescente, totaliza 24 (0 a 63), faixa Moderada (20 a 28), fora do esperado pela referência do instrumento e acima do ponto de corte de rastreio citado para adultos da comunidade brasileira (referência de adultos, cuja aplicação a uma adolescente de 16 anos deve ser lida com cautela); dos seis itens com marcação 2 ou 3, quatro são de conteúdo predominantemente somático, o que não é uma subescala, mas um sinal clínico para investigar condições médicas.
PHQ-9 — Questionário sobre a Saúde do Paciente-9, respondido pela adolescente, totaliza 11 (0 a 27), faixa Moderada (10 a 14), fora do esperado pela referência do instrumento e atingindo o corte de rastreio; os itens de interesse ou prazer e humor deprimido são marcados em mais da metade dos dias, e a funcionalidade é referida como "Muita dificuldade".
Os três protocolos se complementam para descrever a experiência interna, mas não constituem confirmação independente, pois têm o mesmo informante e o mesmo método. A divergência interna entre YSR Ansiedade/depressão em faixa clínica e YSR Retraimento/depressão em faixa normal é clinicamente explicável: construtos distintos, um conjunto afetivo-ansioso e outro de retraimento social; o quadro pode se expressar mais por humor deprimido, choro e ansiedade do que por isolamento percebido. A leitura clínica é de sofrimento emocional moderado no eixo internalizante, sem confirmação diagnóstica por esta via isolada.
Ajustamento emocional e comportamental geral
Problemas totais normais com elevação restrita ao eixo internalizante
| Instrumento | Medida | Resultado | Faixa | Situação |
|---|---|---|---|---|
| YSR/11–18Informante: autorrelato | Problemas totais | soma 41 de 210, T 53, faixa normal | normal | Dentro do esperado |
YSR/11–18 — Inventário de Autoavaliação para Adolescentes, respondido pela adolescente, apresenta Problemas totais: soma 41 de 210, T 53, faixa normal, dentro do esperado pela referência do instrumento.
O contraste com o YSR Ansiedade/depressão em faixa clínica, o BDI-II em faixa Moderada e o PHQ-9 em faixa Moderada não indica erro de medida: a escala de problemas totais do YSR pode permanecer normal quando o sofrimento é predominantemente internalizante e não há elevação externalizante. Trata-se de fonte única de autorrelato, e a leitura clínica é de que a dificuldade atual está concentrada no eixo emocional, e não em uma elevação global de problemas comportamentais.
Comportamento externalizante
Comportamento externalizante sem achados clínicos
| Instrumento | Medida | Resultado | Faixa | Situação |
|---|---|---|---|---|
| YSR/11–18Informante: autorrelato | Problemas externalizantes | soma 4 de 64, T 42, faixa normal | normal | Dentro do esperado |
| Comportamento de quebra de regras | soma 1 de 30, T 50, faixa normal | normal | Dentro do esperado | |
| Comportamento agressivo | soma 3 de 34, T 50, faixa normal | normal | Dentro do esperado |
YSR/11–18 — Inventário de Autoavaliação para Adolescentes, respondido pela adolescente, apresenta Problemas externalizantes: soma 4 de 64, T 42, faixa normal, Comportamento de quebra de regras: soma 1 de 30, T 50, faixa normal e Comportamento agressivo: soma 3 de 34, T 50, faixa normal, todos dentro do esperado pela referência do instrumento.
Não há elevação externalizante no autorrelato. Esse achado é de fonte única e, portanto, limita-se à percepção da adolescente; ainda assim, afasta a ideia de que o sofrimento atual esteja se expressando por agitação, oposição ou quebra de regras no relato.
Comunicação e interação social
Interação social sem problemas relatados, apesar do retraimento
| Instrumento | Medida | Resultado | Faixa | Situação |
|---|---|---|---|---|
| YSR/11–18Informante: autorrelato | Problemas sociais | soma 2 de 22, T 51, faixa normal | normal | Dentro do esperado |
YSR/11–18 — Inventário de Autoavaliação para Adolescentes, respondido pela adolescente, apresenta Problemas sociais: soma 2 de 22, T 51, faixa normal, dentro do esperado pela referência do instrumento.
Este dado indica que não há percepção de conflitos interpessoais ou inadequação social, mas não afasta redução de participação; a competência social rebaixada é tratada em comportamento adaptativo. Fonte única de autorrelato, sem confirmação por informante independente.
Atenção
Problemas de atenção dentro do esperado
| Instrumento | Medida | Resultado | Faixa | Situação |
|---|---|---|---|---|
| YSR/11–18Informante: autorrelato | Problemas de atenção | soma 6 de 18, T 54, faixa normal | normal | Dentro do esperado |
YSR/11–18 — Inventário de Autoavaliação para Adolescentes, respondido pela adolescente, apresenta Problemas de atenção: soma 6 de 18, T 54, faixa normal, dentro do esperado pela referência do instrumento.
Não há relato de desatenção como síndrome proeminente. Como se trata de fonte única, a ausência de queixa autorrelatada não substitui a avaliação clínica se houver suspeita de prejuízo atencional em outros contextos.
Comportamento adaptativo
Competências social e total rebaixadas com atividades preservadas
| Instrumento | Medida | Resultado | Faixa | Situação |
|---|---|---|---|---|
| YSR/11–18Informante: autorrelato | Atividades | T 41, faixa normal (faixa para baixo: limítrofe T 31 a 35, clínica T 30 ou menos) | normal | Dentro do esperado |
| Social | T 35, faixa limítrofe (faixa para baixo: limítrofe T 31 a 35, clínica T 30 ou menos) | limítrofe | Perto do corte | |
| Total de competências | T 36, faixa clínica (faixa para baixo: limítrofe T 37 a 40, clínica T 36 ou menos) | clínica | Fora do esperado |
YSR/11–18 — Inventário de Autoavaliação para Adolescentes, respondido pela adolescente, apresenta Atividades: T 41, faixa normal, Social: T 35, faixa limítrofe e Total de competências: T 36, faixa clínica; nas competências, valores baixos indicam menor participação ou recursos relatados.
Há divergência interna no mesmo protocolo: YSR Problemas sociais em faixa normal e YSR Social e Total de competências rebaixadas. As escalas de competências medem participação e recursos, enquanto problemas sociais medem conflitos ou dificuldade de relacionamento. O afastamento depressivo pode reduzir a participação social e as competências totais sem produzir conflitos sociais percebidos. A leitura é de retraimento e redução de recursos adaptativos relatados, em fonte única de autorrelato.
Aprendizagem acadêmica: Desempenho escolar autorrelatado e declínio acadêmico contextual
YSR/11–18 — Inventário de Autoavaliação para Adolescentes, respondido pela adolescente, traz Desempenho escolar: 2,5, média das notas relatadas em escala de 0 a 3, medida descritiva sem classificação padronizada pelo instrumento.
A história registrada situa o declínio: mudança de escola em junho, notas em queda e faltas às segundas-feiras desde agosto. O informante dessa história não está registrado; por isso, o dado funciona como contexto clínico, não como confirmação independente do autorrelato. A leitura integra o desempenho autorrelatado e o sinal contextual de prejuízo acadêmico, a ser confirmado por registros escolares objetivos.
4. Integração clínica
Padrão central do quadro
O conjunto é consistente com um quadro internalizante predominantemente depressivo-ansioso, de intensidade moderada no autorrelato, acompanhado de retraimento das competências sociais e totais e de queda funcional escolar. A formulação não deve ser lida como episódio depressivo confirmado: os três instrumentos de sintomas vêm do mesmo informante e método, e os rastreios não aplicam algoritmo diagnóstico.
Hierarquia da evidência
Para a experiência emocional interna, o autorrelato da adolescente é a fonte mais direta e, portanto, pesa mais para a presença de humor deprimido, anedonia e sofrimento; entretanto, a repetição do mesmo informante não aumenta a validade diagnóstica. Para funcionamento escolar e adaptativo, o autorrelato único é insuficiente para extrapolar contexto; informantes adultos independentes e registros escolares teriam maior peso. Para segurança, os itens marcados de pensamento de morte/suicídio têm prioridade absoluta e obrigam avaliação direta, que pesa mais que qualquer escore.
Divergências e sua interpretação
- YSR Problemas totais normal versus YSR Ansiedade/depressão clínica, BDI-II moderado e PHQ-9 moderado: o YSR Problemas totais pode permanecer normal diante de sofrimento internalizante, e os períodos dos rastreios são as duas últimas semanas, enquanto o YSR cobre os últimos seis meses. Uma entrevista clínica com informantes independentes resolveria a extensão do quadro.
- YSR Ansiedade/depressão clínica versus YSR Retraimento/depressão normal: construtos distintos, um mais afetivo-ansioso e outro de isolamento social; o sofrimento atual parece não se manifestar como retraimento social percebido. A observação clínica e o relato de terceiros ajudariam a diferenciar.
- YSR Competências social e total rebaixadas versus YSR Problemas sociais normal: as competências medem participação e recursos, e os problemas sociais medem conflitos; o afastamento depressivo pode reduzir a participação sem gerar conflitos. Relato de pais/professores e entrevista sobre rotina social são necessários.
Explicações alternativas
Hipotireoidismo descompensado ou condição médica contribuindo para humor, energia e sono
- A favor: história registrada de hipotireoidismo em tratamento com levotiroxina; no BDI-II, quatro dos seis itens com marcação 2 ou 3 são de conteúdo predominantemente somático; no PHQ-9, item de sono marcado em mais da metade dos dias. Esses achados somáticos divergem do YSR Queixas somáticas T 51, faixa normal, no mesmo autorrelato; como o YSR cobre os últimos seis meses e o BDI-II e o PHQ-9 cobrem as últimas duas semanas, a diferença pode refletir período de referência, e não inconsistência entre os instrumentos.
- Contra: não há TSH ou T4 livre registrado; os sintomas centrais de humor deprimido e anedonia estão presentes no autorrelato; o quadro internalizante é sindrômico e não apenas somático.
- Próximo passo: TSH/T4 livre e revisão endocrinológica da adesão e do controle do hipotireoidismo.
Transtorno de ansiedade com sintomas depressivos secundários
- A favor: a única escala sindrômica clínica do YSR é Ansiedade/depressão, em faixa clínica no autorrelato.
- Contra: BDI-II e PHQ-9 apontam sintomas depressivos de intensidade moderada, incluindo perda de interesse/prazer e humor deprimido.
- Próximo passo: entrevista clínica para verificar primazia da ansiedade e, se necessário, aplicação de medida específica de ansiedade.
Transtorno de ajustamento com humor deprimido/ansioso após mudança de escola
- A favor: mudança de escola em junho; história de choro à noite, afastamento das amigas, sono interrompido, notas em queda e faltas às segundas-feiras desde agosto; sofrimento internalizante moderado no autorrelato.
- Contra: a intensidade moderada dos sintomas e a presença de anedonia e de queda funcional podem ultrapassar a leitura de ajustamento; a duração e a generalização não estão confirmadas.
- Próximo passo: entrevista clínica com cronologia fina entre o evento e os sintomas, e avaliação da interferência funcional.
Estilo de resposta do autorrelato, sem escala de validade
- A favor: todas as medidas de sintomas vêm da própria adolescente e nenhum dos três instrumentos tem escala de validade, o que impede verificar exagero ou minimização nas respostas.
- Contra: nenhum dado registrado sugere distorção específica do autorrelato; os três protocolos descrevem sofrimento internalizante consistente, e há contexto de perda funcional escolar e social.
- Próximo passo: informantes independentes, entrevista clínica e observação direta para calibrar o estilo de resposta.
Transtorno bipolar subjacente
- A favor: humor deprimido moderado autorrelatado e prejuízo funcional, que podem ocorrer em fase depressiva do transtorno bipolar.
- Contra: nenhum dado registrado de mania, hipomania, expansividade, aumento de energia ou grandiosidade; ausência de triagem não é evidência a favor.
- Próximo passo: história de mania/hipomania com informante independente e instrumento de rastreio específico.
5. Formulação diagnóstica
A hipótese principal é de episódio depressivo / transtorno depressivo, em nível de hipótese provável. Os dados cobrem sintomas do núcleo depressivo e prejuízo, mas não cobrem de forma conclusiva duração, contextos e exclusões médicas; por isso, a confirmação depende de entrevista clínica e de informantes independentes.
- Critérios cobertos
- Os dados cobrem sintomas de humor deprimido e perda de interesse/prazer no autorrelato: YSR/11–18 Ansiedade/depressão T 70 faixa clínica, BDI-II total 24 faixa Moderada e PHQ-9 total 11 faixa Moderada; sofrimento e prejuízo funcional indicados por PHQ-9 funcionalidade "Muita dificuldade", YSR Social T 35 faixa limítrofe, YSR Total de competências T 36 faixa clínica e história registrada de notas em queda e faltas às segundas-feiras. Não cobrem de forma confirmatória duração, exclusão de condição médica ou substância, ausência de mania/hipomania nem prejuízo em mais de um contexto por informante independente.
- A favor
- YSR/11–18 Ansiedade/depressão T 70 faixa clínica e Problemas internalizantes T 63 faixa limítrofe; BDI-II total 24 faixa Moderada, com quatro dos seis itens mais marcados de conteúdo somático; PHQ-9 total 11 faixa Moderada, com itens de interesse/prazer e humor deprimido em mais da metade dos dias; YSR Social T 35 faixa limítrofe e Total de competências T 36 faixa clínica; história de choro à noite, afastamento das amigas, sono interrompido, notas em queda e faltas às segundas-feiras.
- Contra
- Todas as medidas de sintomas são do mesmo informante e método, sem escala de validade e sem confirmação independente; BDI-II e PHQ-9 são rastreios de intensidade e não confirmam episódio; YSR Retraimento/depressão, Queixas somáticas, Problemas de pensamento, Problemas totais e escalas externalizantes ficaram na faixa normal; hipotireoidismo em tratamento com levotiroxina pode contribuir para sintomas somáticos e de sono; não há entrevista clínica, observação ou informante independente para confirmar duração, curso e prejuízo.
- Diferenciais
- Transtorno depressivo devido a condição médica (hipotireoidismo) ou substância/medicamento; transtorno de ansiedade com sintomas depressivos secundários; transtorno de ajustamento com humor deprimido/ansioso após mudança de escola em junho; transtorno bipolar; luto ou reação de perda.
- O que falta
- Avaliação de risco direta e imediata; entrevista clínica estruturada para episódio depressivo, duração, curso e prejuízo; TSH/T4 livre e revisão do tratamento do hipotireoidismo; história de mania/hipomania, sintomas psicóticos, luto e uso de substâncias; CBCL/TRF ou outro informante adulto da casa e da escola; dados escolares objetivos.
6. Segurança
Foram registrados três itens de segurança em instrumentos de autorrelato. No YSR/11–18, item 91 (pensamentos de suicídio), resposta 1. No BDI-II, item 9 (pensamentos ou desejos suicidas), resposta 1. No PHQ-9, item 9 (pensamentos de morte ou de se ferir), resposta 1 — vários dias.
Esses registros exigem conduta imediata: o profissional responsável deve realizar avaliação direta de risco, investigando ideação atual, plano, método, intenção e acesso a meios; acionar a rede de proteção e emergência psiquiátrica se houver risco imediato; e não decidir a conduta apenas pelos escores.
Recomenda-se prioridade Alta para avaliação clínica imediata e supervisão familiar de segurança.
7. Conclusão
Resposta à demanda
Há sintomas depressivos clinicamente relevantes no autorrelato e sinal de risco que exige conduta imediata, mas a resposta diagnóstica permanece em aberto. A hipótese de episódio depressivo / transtorno depressivo é provável, sustentada por YSR Ansiedade/depressão em faixa clínica, BDI-II em faixa Moderada, PHQ-9 em faixa Moderada e prejuízo adaptativo relatado. O que decide os próximos passos é a avaliação de risco direta, a exclusão de causa médica por TSH/T4 livre e a confirmação por entrevista clínica e informantes independentes. Os limites de uma base exclusivamente de autorrelato reforçam que os rastreios não fecham diagnóstico.
8. Recomendações por área
Clínica
| Alta | Realizar avaliação de risco direta e imediata e entrevista clínica estruturada para confirmar episódio depressivo, curso, prejuízo e exclusões, incluindo mania, psicose, substâncias e condições médicas.Por quê: Itens de segurança em YSR/11–18, BDI-II e PHQ-9; YSR Ansiedade/depressão em faixa clínica; BDI-II e PHQ-9 em faixa Moderada. |
Família
| Alta | Supervisionar a segurança em casa, afastar meios de risco, buscar atendimento de urgência se houver risco imediato e manter acolhimento do choro noturno e da rotina de sono.Por quê: Itens de segurança nos três instrumentos; história de choro à noite e sono interrompido de madrugada. |
Encaminhamentos
| Média | Encaminhar para revisão endocrinológica do hipotireoidismo, com solicitação de TSH e T4 livre e verificação da adesão ou necessidade de ajuste da levotiroxina.Por quê: Hipotireoidismo em tratamento com levotiroxina; itens somáticos elevados no BDI-II e sono alterado no PHQ-9. |
Escola
| Média | Manter comunicação com o profissional responsável, monitorar faltas às segundas-feiras e queda de rendimento e instituir plano de retomada acadêmica.Por quê: História de notas em queda e faltas às segundas-feiras; YSR Desempenho escolar 2,5 descritivo; PHQ-9 funcionalidade "Muita dificuldade". |
9. Limites
A integração sustenta-se em três instrumentos padronizados de autorrelato e na história registrada, mas é limitada por não haver informante independente, observação clínica ou entrevista diagnóstica. As três medidas de sintomas vêm do mesmo informante e método; por isso, concordam como descrição da experiência interna, mas não comprovam o quadro em outros contextos. O YSR cobre os últimos seis meses, enquanto BDI-II e PHQ-9 cobrem as últimas duas semanas. Nenhum instrumento possui escala de validade. A história registrada não identifica o informante e não conta como confirmação independente. Não há testes não integrados a interpretar.
10. Referências normativas
- Conselho Federal de Psicologia. Resolução CFP nº 06/2019 — elaboração de documentos escritos produzidos pela psicóloga e pelo psicólogo.
- Conselho Federal de Psicologia. Resolução CFP nº 31/2022 — diretrizes para a realização de avaliação psicológica.
- Achenbach, T. M., & Rescorla, L. A. (2001). Manual for the ASEBA School-Age Forms & Profiles. Burlington, VT: University of Vermont, Research Center for Children, Youth, & Families.
- Beck, A. T., Steer, R. A., & Brown, G. K. (1996). Manual for the Beck Depression Inventory-II. San Antonio, TX: Psychological Corporation.
- Gorenstein, C., Wang, Y.-P., Argimon, I. L., & Werlang, B. S. G. (2011). Manual do Inventário de Depressão de Beck – BDI-II (adaptação brasileira). São Paulo: Casa do Psicólogo.
- Kroenke, K., Spitzer, R. L., & Williams, J. B. W. (2001). The PHQ-9: validity of a brief depression severity measure. Journal of General Internal Medicine, 16(9), 606–613.
- Santos, I. S., Tavares, B. F., Munhoz, T. N., Almeida, L. S. P., Silva, N. T. B., Tams, B. D., Patella, A. M., & Matijasevich, A. (2013). Sensibilidade e especificidade do Patient Health Questionnaire-9 (PHQ-9) entre adultos da população geral. Cadernos de Saúde Pública, 29(8), 1533–1543.