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Autismo e responsividade social · Avaliação

RMET: Teste dos Olhos de Baron-Cohen

O Teste dos Olhos (RMET), de Baron-Cohen e colaboradores (2001), mede o reconhecimento de estados mentais a partir da região dos olhos.

Fotos
36
Escore
0 a 36
Opções por foto
4 palavras
Acerto ao acaso
9 acertos

RMET em resumo

O Teste dos Olhos (Reading the Mind in the Eyes Test, RMET) é uma tarefa de desempenho criada por Simon Baron-Cohen e colaboradores (2001) para avaliar a leitura de estados mentais, componente da teoria da mente. A pessoa vê 36 fotografias da região dos olhos e escolhe, entre quatro palavras, a que descreve o que a pessoa pensa ou sente. O escore vai de 0 a 36; não há ponto de corte e o resultado não diagnostica autismo.

Fotos
36
Escore
0 a 36
Opções por foto
4 palavras
Acerto ao acaso
9 acertos
Formato
Tarefa de desempenho
Ponto de corte
Não há
Versão brasileira
Sanvicente-Vieira et al., 2014
Amostra brasileira
1.440 pessoas, 17 a 59 anos

O que o RMET avalia?

1Estados mentais pelos olhos

Escolha da palavra que melhor descreve pensamento ou sentimento expresso apenas pela região dos olhos, sem rosto inteiro nem contexto.

2Valência emocional

Leitura descritiva dos acertos conforme a palavra-alvo seja positiva, neutra ou negativa, segundo classificações publicadas.

3Gênero da pessoa na foto

Contagem dos acertos em fotos de homens e de mulheres, útil para descrever o padrão, sem valor normativo próprio.

Dados que viram resultado

Do RMET ao gráfico e ao laudo

Aplique as 36 fotos na tela, com item de treino e glossário, ou registre a palavra escolhida em cada foto de uma aplicação em papel, com data e contexto da aplicação. O resultado entra no laudo-base editável, onde você integra vocabulário, escolaridade, entrevista e outras medidas de cognição social antes de concluir.

  • Gabarito oficial aplicado sem conferência manual
  • Total situado frente a grupos publicados
  • Sinais de validade antes da interpretação

Correção programada e Cérebro PontoAzul

O servidor confere cada escolha com o gabarito oficial, soma de 0 a 36, separa acertos por valência e gênero da foto, compara com as médias publicadas e testa acaso, omissões, posição repetida e ritmo.

Testar com RMET

Calculadora de idade cronológica

Teste dos Olhos, versão revisada para adultos (Reading the Mind in the Eyes Test – Revised, RMET)

Autor(es): Simon Baron-Cohen, Sally Wheelwright, Jacqueline Hill, Yogini Raste e Ian Plumb (Autism Research Centre, Universidade de Cambridge); versão brasileira de Hélio Tonelli e Breno Sanvicente-Vieira · 2001 (versão brasileira: 2014)

Conteúdo da equipe editorial PontoAzul, baseado nas fontes listadas ao final. Revisão editorial v2, atualizada em .

O que é o RMET?

O Teste dos Olhos de Baron-Cohen, ou Reading the Mind in the Eyes Test (RMET), foi revisado em 2001 por Simon Baron-Cohen, Sally Wheelwright, Jacqueline Hill, Yogini Raste e Ian Plumb, do Autism Research Centre da Universidade de Cambridge. A primeira versão, de 1997, oferecia apenas duas opções por foto. A revisão passou a quatro palavras por imagem, reduzindo o acerto ao acaso de 50% para 25%, trocou itens fáceis por estados mentais mais complexos, revisou a proporção de rostos masculinos e femininos e acrescentou um glossário.

A tarefa avalia a leitura de estados mentais, um componente da teoria da mente e da cognição social. A pessoa vê só a região dos olhos e escolhe a palavra que descreve o que a pessoa da foto pensa ou sente. No estudo de 2001, 15 adultos com síndrome de Asperger ou autismo de alto funcionamento acertaram em média 21,9, contra 26,2 na população geral britânica, e o escore se correlacionou de forma inversa com o AQ.

A versão em português do Brasil foi traduzida por Hélio Tonelli e Breno Sanvicente-Vieira e é distribuída pelo Autism Research Centre. Sanvicente-Vieira e colaboradores (2014) descreveram a tradução, a retrotradução e um estudo-piloto, e recomendaram, no futuro, fotos de brasileiros. Miguel e colaboradores (2017) aplicaram o teste a 1.440 brasileiros de 17 a 59 anos e encontraram itens concentrados em dificuldade baixa e precisão modesta.

Indicação e população

O RMET entra na avaliação neuropsicológica de adolescentes mais velhos e adultos quando a pergunta envolve cognição social: dificuldade em perceber intenções, mal-entendidos frequentes, investigação de autismo em adultos, esquizofrenia, uso de substâncias ou lesões neurológicas. Funciona como medida complementar, ao lado de entrevista, observação, escalas de traços e relatos de terceiros. Também é muito usado em pesquisa. A versão adulta é aplicada no PontoAzul a partir de 16 anos; a maior amostra brasileira foi de 17 a 59 anos. Como a tarefa exige conhecer palavras de estados mentais, a escolaridade e o domínio do português precisam constar na interpretação.

Quando o RMET não é a melhor escolha

O RMET não serve para diagnosticar ou descartar autismo, esquizofrenia ou qualquer outro quadro, e não mede empatia, habilidades sociais nem comportamento social no dia a dia. Evite-o quando o vocabulário de estados mentais em português for limitado ou a visão estiver comprometida. Para traços autistas, use AQ ou SRS-2; para avaliação diagnóstica, ADI-R e ADOS-2; para empatia autorrelatada, EQ-60 ou EMRI.

Estrutura do RMET

O teste tem um item de treino e 36 fotografias em preto e branco da região dos olhos. Cada foto traz quatro palavras: uma palavra-alvo e três distratoras parecidas em valência ou intensidade. As imagens e palavras são material do Autism Research Centre e não são reproduzidas aqui.

DimensãoItensO que avalia
Item de treino1 fotoApresenta o formato da tarefa e confirma a compreensão; não entra no escore.
Fotografias do teste36 fotosQuatro palavras por foto; um ponto quando a escolhida coincide com o gabarito.
GlossárioApoioDefinições das palavras, que podem ser consultadas durante a tarefa sem penalidade.
Valência da palavra-alvo36 fotosAgrupamento em positivas, neutras e negativas para leitura descritiva dos acertos.
Gênero da foto36 fotosSeparação dos acertos entre fotos de homens e de mulheres.

Protocolo de aplicação

  1. 1

    Confirme visão adequada, iluminação e, na tela, tamanho de imagem suficiente para ver detalhes da região dos olhos.

  2. 2

    Apresente o item de treino com a instrução: escolher a palavra que melhor descreve o que a pessoa pensa ou sente, lendo as quatro antes.

  3. 3

    Informe que o glossário pode ser consultado a qualquer momento e que não há limite de tempo, embora a resposta deva ser rápida.

  4. 4

    Aplique as 36 fotografias na ordem, uma por vez, sem comentar acertos nem sugerir palavras.

  5. 5

    Registre uso do glossário, leitura assistida, cansaço e engajamento, que entram como contexto da interpretação.

Como corrigir o RMET

A correção do RMET é dicotômica: cada uma das 36 fotos vale 1 ponto quando a palavra escolhida coincide com o gabarito da versão aplicada, e 0 em caso de erro ou omissão. O total vai de 0 a 36. Como há quatro opções, o acaso gera cerca de 9 acertos; pela distribuição binomial, só a partir de 14 acertos o resultado fica improvável como chute (p ≈ 0,046). O item de treino não pontua.

Além do total, a literatura analisa os acertos por valência da palavra-alvo. Harkness e colaboradores (2005) classificaram as palavras em positivas, neutras e negativas, e Sanvicente-Vieira e colaboradores (2017) encontraram, em mulheres com dependência de cocaína, menor acerto justamente nos estados mentais negativos. Com poucas fotos por parte, uma única resposta altera muito o percentual, por isso essas partes são descritivas.

No PontoAzul, o teste pode ser aplicado na tela, com item de treino e glossário, ou você registra a palavra escolhida em cada foto de uma aplicação em papel. A plataforma confere com o gabarito oficial do Autism Research Centre, aceita até 3 fotos em branco, calcula total e percentual, separa acertos por valência e por gênero da foto e situa o total frente a dois grupos controle brasileiros pequenos (48 adultos de Santa Catarina e 30 mulheres de Porto Alegre) e aos grupos do estudo original. Também destaca fotos fáceis erradas e sinaliza nível de acaso, posição repetida e ritmo rápido.

  1. Confira se o item de treino foi respondido corretamente; um erro nele pede retomar a instrução antes de confiar no total.

  2. Compare a palavra escolhida em cada uma das 36 fotos com o gabarito oficial da versão aplicada: 1 ponto por acerto, 0 por erro.

  3. Conte fotos em branco como erro e registre quantas foram; muitas omissões tornam o protocolo incompleto.

  4. Some os acertos para obter o escore total, de 0 a 36, e calcule o percentual de acerto.

  5. Verifique o acaso: com quatro opções, chutar produz cerca de 9 acertos, e totais até 13 não se distinguem estatisticamente do acaso.

  6. Compare o total, de forma descritiva, com médias de grupos publicados, nomeando país, versão e tamanho da amostra; não converta em percentil.

Exemplo de correção

Exemplo demonstrativo: adulta fictícia de 30 anos, com 15 anos de escolaridade, avaliada por queixa de dificuldade em perceber intenções em reuniões de trabalho. Acertou o item de treino e respondeu ao teste na tela:

Fotos respondidas
35 de 36
Acertos
25
Erros + em branco
10 + 1 = 11
Conferência
25 + 11 = 36
Percentual de acerto
25 ÷ 36 = 69,4%
Diferença da média do Reino Unido
25 − 26,2 = −1,2

Total 25 de 36, bem acima do nível do acaso e 1,2 ponto abaixo da média da população geral do estudo original. Sem norma brasileira, a leitura é descritiva e precisa da entrevista e de outras fontes.

Interpretação dos resultados

O RMET não tem ponto de corte, percentil nem norma brasileira em escore bruto, por isso não há faixas de classificação nesta página. O total é lido por três referências. Primeiro, o acaso: com quatro opções, chutar leva a cerca de 9 acertos, e até 13 o resultado não se distingue do acaso. Segundo, as médias do estudo original de Baron-Cohen e colaboradores (2001), no Reino Unido: 26,2 na população geral, 28,0 em universitários de Cambridge, 30,9 em adultos pareados por QI e 21,9 em 15 adultos com síndrome de Asperger ou autismo de alto funcionamento. Terceiro, grupos controle brasileiros pequenos que usaram a versão em português. Essas médias situam o total; não classificam a pessoa.

As distribuições dos grupos se sobrepõem: um total perto da média do grupo autista não indica autismo, e um total na média da população geral não o afasta. Na amostra brasileira de 1.440 pessoas, a maioria das fotos foi fácil e a precisão foi modesta, com confiabilidade de 0,49 no modelo de Rasch. Vocabulário, escolaridade, atenção, visão e humor também pesam no desempenho.

Erros comuns na correção manual

Tratar o total como diagnóstico de autismo

O RMET mede leitura de estados mentais em fotos, não traços autistas. Um total baixo pede explicação, e não um rótulo.

Usar gabarito de outra tradução

As palavras mudam entre versões e idiomas. Corrigir a versão brasileira com a chave inglesa ou com uma lista antiga produz acertos falsos.

Inventar ponto de corte ou percentil

Não existe norma brasileira em escore bruto. Escrever “déficit” ou “abaixo da média” sem fonte transforma uma média de grupo em classificação individual.

Ignorar o nível do acaso

Totais até 13 não se distinguem do chute. Interpretá-los como cognição social baixa, sem checar compreensão e engajamento, é erro frequente.

Esquecer vocabulário e escolaridade

Quem não conhece a palavra-alvo erra mesmo lendo bem o olhar. Registre o uso do glossário e o nível de leitura antes de concluir.

No PontoAzul, a correção do RMET segue as regras do instrumento e mostra o cálculo para você conferir. Teste grátis por 7 dias.

Como o RMET aparece no laudo

Trecho demonstrativo, sem dados de paciente real. O PontoAzul confere as 36 respostas com o gabarito do Autism Research Centre, organiza acertos, partes e comparações com grupos publicados; a interpretação e a integração com a entrevista são do profissional.

Em 08/10/2026, a avaliada fictícia de 30 anos realizou o Teste dos Olhos (Reading the Mind in the Eyes Test, versão brasileira do Autism Research Centre), após acertar o item de treino. Obteve 25 acertos em 36 fotografias (69,4%), com uma foto sem resposta, desempenho bem acima do nível do acaso e próximo da média de 26,2 descrita para a população geral no estudo original de Baron-Cohen et al. (2001). O instrumento não possui norma brasileira nem ponto de corte, e o resultado não confirma nem afasta hipótese diagnóstica. Recomenda-se integrar o achado à entrevista, ao relato de terceiros e a outras medidas de cognição social e de vocabulário.

Trecho ilustrativo de caso fictício. O texto final é sempre revisado pelo profissional.

RMET e instrumentos parecidos

  • AQ: O AQ é autorrelato de 50 itens sobre traços autistas. O RMET é tarefa de desempenho; no estudo original, os dois se correlacionaram de forma inversa.
  • EQ-60: O EQ-60 pergunta como a pessoa percebe a própria empatia. O RMET observa o que ela de fato reconhece em fotos, sem depender da autoimagem.
  • SRS-2: A SRS-2 descreve responsividade social no cotidiano, com normas e informantes. O RMET mede uma habilidade específica numa situação sem contexto.
  • EMRI: A EMRI é autorrelato de empatia em quatro fatores, como tomada de perspectiva. Combinada ao RMET, contrasta empatia relatada com reconhecimento observado.

Referências e fontes públicas

Fontes consultadas pela equipe editorial para revisar as informações desta página.

Bibliografia complementar (5)
  1. Baron-Cohen, S., Wheelwright, S., Hill, J., Raste, Y., & Plumb, I. (2001). The “Reading the Mind in the Eyes” Test revised version: A study with normal adults, and adults with Asperger syndrome or high-functioning autism. Journal of Child Psychology and Psychiatry, 42(2), 241–251. https://doi.org/10.1111/1469-7610.00715
  2. Sanvicente-Vieira, B., Kluwe-Schiavon, B., Wearick-Silva, L. E., Piccoli, G. L., Scherer, L., Tonelli, H. A., & Grassi-Oliveira, R. (2014). Revised Reading the Mind in the Eyes Test (RMET) – Brazilian version. Revista Brasileira de Psiquiatria, 36(1), 60–67. https://doi.org/10.1590/1516-4446-2013-1162
  3. Miguel, F. K., Caramanico, R. B., Huss, E. Y., & Zuanazzi, A. C. (2017). Validity of the Reading the Mind in the Eyes Test in a Brazilian sample. Paidéia (Ribeirão Preto), 27(66), 16–23. https://doi.org/10.1590/1982-43272766201703
  4. Sanvicente-Vieira, B., Kluwe-Schiavon, B., Corcoran, R., & Grassi-Oliveira, R. (2017). Theory of mind impairments in women with cocaine addiction. Journal of Studies on Alcohol and Drugs, 78(2), 258–267. https://doi.org/10.15288/jsad.2017.78.258
  5. Greenberg, D. M., Warrier, V., et al. (2023). Sex and age differences in “theory of mind” across 57 countries using the English version of the “Reading the Mind in the Eyes” Test. Proceedings of the National Academy of Sciences, 120(1), e2022385119. https://doi.org/10.1073/pnas.2022385119

Perguntas frequentes sobre o RMET

O que é o teste dos olhos de Baron-Cohen?
É o Reading the Mind in the Eyes Test (RMET), tarefa de cognição social revisada por Simon Baron-Cohen e colaboradores em 2001. A pessoa vê 36 fotografias da região dos olhos e escolhe, entre quatro palavras, a que descreve o que a pessoa da foto pensa ou sente.
Quantas fotos tem o RMET?
A versão revisada para adultos tem 36 fotografias em preto e branco, mais um item de treino que não pontua. Cada foto traz quatro palavras, uma correta e três distratoras, e vale 1 ponto quando a escolha coincide com o gabarito, somando de 0 a 36.
Qual é a pontuação normal no teste dos olhos?
Não existe uma pontuação normal oficial nem norma brasileira em escore bruto. No estudo original britânico, a população geral teve média de 26,2 e universitários de Cambridge 28,0. Essas médias situam o resultado de forma descritiva, mas não funcionam como faixa de normalidade individual.
O RMET diagnostica autismo?
Não. O RMET mede o reconhecimento de estados mentais pela região dos olhos. Adultos autistas acertaram menos em média no estudo original, mas os grupos se sobrepõem. O diagnóstico depende de história do desenvolvimento, entrevista, observação e instrumentos específicos, como ADI-R e ADOS-2.
Qual o ponto de corte do Reading the Mind in the Eyes?
Nenhum. O RMET não tem ponto de corte validado, nem internacional nem brasileiro. A única referência estatística fixa é o acaso: com quatro opções, chutar produz cerca de 9 acertos, e totais até 13 não se distinguem do acaso. O restante é comparação descritiva com médias de grupos.
Para qual idade é o teste dos olhos adulto?
A versão revisada foi construída para adultos. No PontoAzul, ela é aceita a partir de 16 anos, e a maior amostra brasileira, de Miguel e colaboradores (2017), incluiu pessoas de 17 a 59 anos. Fora dessa faixa, a comparação com os grupos publicados fica mais frágil.
Mulheres acertam mais no teste dos olhos?
Em média, sim, mas a diferença é pequena. Um estudo com mais de 300 mil pessoas em 57 países (Greenberg et al., 2023) encontrou vantagem feminina replicável e desempenho que sobe na adolescência e cai levemente na vida adulta. Isso não permite inferir nada sobre uma pessoa isolada.
Como o PontoAzul ajuda com o RMET?
Você aplica as 36 fotos na tela ou transcreve a aplicação em papel. O PontoAzul confere com o gabarito oficial do Autism Research Centre, calcula total e percentual, separa acertos por valência e gênero da foto, compara com grupos publicados, sinaliza nível de acaso e leva o resultado ao laudo-base editável.

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