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Autismo e responsividade social · Rastreio

AQ: Quociente do Espectro do Autismo para Adultos

O Quociente do Espectro do Autismo (AQ) organiza o rastreio de traços autistas em adultos e jovens a partir de 16 anos.

Itens
50
Escore total
0 a 50
Idade
16 anos ou mais
Domínios
5

AQ em resumo

O Quociente do Espectro do Autismo (AQ) é um questionário de autorrelato publicado por Baron-Cohen e colaboradores em 2001 para quantificar traços autistas em adultos e jovens a partir de 16 anos. Reúne 50 itens em cinco domínios; cada resposta recebe 0 ou 1 ponto, produzindo total de 0 a 50. Os cortes de 26 e 32 vêm de amostras e finalidades diferentes. O resultado orienta a investigação, sem confirmar ou excluir TEA isoladamente.

Itens
50
Escore total
0 a 50
Idade
16 anos ou mais
Domínios
5
Formato
Autorrelato
Resposta
4 alternativas
Triagem clínica
26 pontos
Estudo original
32 pontos

O que o AQ avalia?

1Habilidades sociais

Dez itens descrevem preferência social, desenvoltura e experiências em situações interpessoais do cotidiano.

2Alternância de atenção

Dez itens sobre mudar o foco entre tarefas, interesses e demandas.

3Atenção aos detalhes

Dez itens registram a percepção de pormenores, padrões e particularidades em diferentes situações cotidianas.

4Comunicação

Dez itens sobre trocas conversacionais e compreensão da comunicação social.

5Imaginação

Dez itens abordam a representação de situações, histórias e perspectivas de outras pessoas em contextos sociais.

Dados que viram resultado

Do AQ ao gráfico e ao laudo

Registre as 50 respostas do AQ adulto já aplicado e a data da avaliação. Acrescente sua interpretação e revise o laudo-base com os demais dados. Total, referência de 32 pontos e contexto da aplicação.

  • Chave aplicada às 50 respostas
  • Total e referência juntos
  • Resultado ligado ao caso

Correção programada e Cérebro PontoAzul

O PontoAzul aplica a chave binária, calcula o total de 0 a 50 e compara com a referência incorporada de 32 pontos. O fluxo atual não calcula os cinco subtotais nem oferece seletor entre cortes.

Testar com AQ

Calculadora de idade cronológica

Quociente do Espectro do Autismo para Adultos (Autism-Spectrum Quotient)

Autor(es): Simon Baron-Cohen, Sally Wheelwright, Richard Skinner, Joanne Martin e Emma Clubley; tradução brasileira de Ana Osório, Beatriz Sanchez e Júlia Egito · 2001 (versão brasileira: 2017)

Conteúdo da equipe editorial PontoAzul, baseado nas fontes listadas ao final. Revisão editorial v2, atualizada em .

O que é o AQ?

O Quociente do Espectro do Autismo (AQ) surgiu em 2001 no trabalho de Simon Baron-Cohen, Sally Wheelwright, Richard Skinner, Joanne Martin e Emma Clubley, da Universidade de Cambridge. A proposta era quantificar traços relacionados ao espectro autista em adultos com inteligência preservada. O estudo original comparou grupos clínicos, controles e estudantes, mostrando distribuição contínua do escore de zero a cinquenta, sem transformar o questionário em um exame diagnóstico.

A estrutura original reúne cinquenta afirmações de autorrelato em habilidades sociais, alternância de atenção, atenção aos detalhes, comunicação e imaginação. Cada domínio possui dez afirmações. A pessoa escolhe entre quatro graus de concordância, e a chave dicotomiza a resposta em zero ou um ponto conforme a direção de cada frase. Por isso, o total clássico não é uma soma de intensidade Likert e não pode ultrapassar cinquenta.

Existe uma tradução para o português brasileiro de Ana Osório, Beatriz Sanchez e Júlia Egito disponibilizada pelo Autism Research Centre. Alves e colaboradores publicaram em 2022 dados sobre adultos brasileiros e observaram que a distribuição local difere da amostra original. Isso reforça a necessidade de identificar a versão utilizada e apresentar o AQ como uma peça da investigação, articulada com entrevista, observação e funcionamento cotidiano.

Indicação e população

O AQ adulto é útil quando a pessoa a partir de dezesseis anos relata, ou a equipe observa, um padrão persistente de dificuldades sociais, particularidades de atenção e interesses desde o desenvolvimento. Ele pode organizar a triagem inicial e tornar explícitos os domínios a explorar na entrevista. Na avaliação de adultos que chegam após anos de explicações parciais para suas dificuldades, o questionário oferece um ponto de partida objetivo. Também auxilia na comparação entre autorrelato e informações de familiares ou documentos escolares. Um escore baixo não encerra a análise se a história é consistente, assim como um escore alto pede exame clínico mais amplo.

Quando o AQ não é a melhor escolha

O AQ não substitui entrevista de desenvolvimento, observação clínica e investigação funcional. Evite usá-lo sozinho para concluir diagnóstico ou para afastar TEA quando a história clínica é sugestiva. Em crianças, use a versão infantil pertinente; para caracterizar responsividade social por informante, considere SRS-2, e para avaliação diagnóstica abrangente, ADI-R e ADOS-2.

Estrutura do AQ

A versão adulta mantém cinquenta afirmações agrupadas em cinco conjuntos conceituais de dez. A pessoa escolhe uma de quatro alternativas de concordância para cada afirmação.

DimensãoItensO que avalia
Habilidades sociais10 itensInvestiga experiências de convivência e conforto em interações.
Alternância de atenção10 itensExplora mudança de foco, rotina e flexibilidade cotidiana.
Atenção aos detalhes10 itensRegistra o destaque dado a elementos específicos e padrões.
Comunicação10 itensReúne indicadores autorreferidos da conversa e da comunicação social.
Imaginação10 itensAborda a construção de cenários e perspectivas em situações sociais.

Protocolo de aplicação

  1. 1

    Confirme que está usando a versão adulta do AQ, destinada a pessoas de 16 anos ou mais, e registre idioma e data.

  2. 2

    Entregue o protocolo de 50 afirmações para autorrelato e explique as quatro alternativas de concordância, sem sugerir respostas.

  3. 3

    Verifique ao final se todas as afirmações receberam uma única marcação; esclareça apenas problemas de compreensão do preenchimento.

  4. 4

    Registre as respostas do protocolo já aplicado e confira a direção da chave antes de gerar o total.

  5. 5

    Converse sobre exemplos cotidianos dos domínios mais elevados e recupere a história de desenvolvimento com outras fontes.

Como corrigir o AQ

A resposta marcada em cada uma das cinquenta afirmações deve ser comparada à chave da versão adulta. Concordância indica traço em parte dos itens; discordância indica traço em outros. A chave transforma as quatro alternativas em valores binários de zero ou um. Depois de somar o total, é possível separar cinco subtotais, cada um com dez itens e amplitude de zero a dez. Verifique que a soma dos subtotais reproduz o total. A interpretação precisa nomear o estudo que sustenta o limiar, pois 26 e 32 não são equivalentes.

No PontoAzul: Registre as 50 respostas do AQ adulto já aplicado e a data da avaliação. O PontoAzul aplica a chave binária, calcula o total de 0 a 50 e compara com a referência incorporada de 32 pontos. O fluxo atual não calcula os cinco subtotais nem oferece seletor entre cortes.

  1. Confira se as 50 afirmações receberam exatamente uma das quatro respostas de concordância previstas; marque omissões antes da soma.

  2. Aplique a chave oficial da versão utilizada: algumas afirmações indicam traço na concordância e outras na discordância. A intensidade da concordância não acrescenta pontos.

  3. Converta cada resposta pela chave em 0 ou 1 ponto e some os 50 valores; o total possível fica entre 0 e 50.

  4. Separe os itens nos cinco domínios originais de dez afirmações; cada subtotal fica entre 0 e 10 e a soma dos cinco subtotais precisa reproduzir o total.

  5. Identifique a referência antes de interpretar: 32 pontos no artigo original e 26 pontos na amostra clínica de Woodbury-Smith e colaboradores. Registre qual foi escolhida.

  6. Contextualize o resultado com entrevista, histórico de desenvolvimento, impacto funcional, informantes e outros instrumentos da bateria.

Exemplo de correção

Pessoa fictícia de 29 anos procura avaliação por dificuldades persistentes em interações sociais. O profissional registra as respostas de um AQ adulto completo, já aplicado.

Habilidades sociais
7 de 10
Alternância de atenção
6 de 10
Atenção aos detalhes
5 de 10
Comunicação
6 de 10
Imaginação
5 de 10
Soma dos domínios
7+6+5+6+5 = 29

O total fictício de 29/50 ultrapassa o corte de triagem de 26 descrito por Woodbury-Smith et al. (2005), mas fica abaixo dos 32 pontos destacados por Baron-Cohen et al. (2001). A diferença deve aparecer no laudo.

Interpretação dos resultados

Há dois limiares publicados com objetivos e amostras distintos. Baron-Cohen et al. (2001) destacaram 32 pontos ou mais ao comparar adultos com diagnóstico de Asperger/autismo de alto funcionamento e controles. Woodbury-Smith et al. (2005) identificaram 26 pontos como limiar de triagem em pessoas encaminhadas a uma clínica de diagnóstico. Assim, o intervalo intermediário não constitui uma categoria clínica formal; ele evidencia como a escolha da referência altera a leitura de um mesmo total.

FaixaClassificaçãoLeitura clínica
0–25Abaixo do corteTotal abaixo do limiar de Woodbury-Smith et al.; queixas e história continuam relevantes.
26–31Triagem positivaAlcança o limiar de 26, mas permanece abaixo dos 32 pontos destacados no estudo original.
32–50Ambos os cortesAlcança os referenciais de 26 e 32 pontos; requer investigação clínica contextualizada.

Os cortes nasceram em amostras diferentes e não são probabilidades diagnósticas individuais. Apresentações mascaradas, comorbidades e características culturais podem alterar o autorrelato. O estudo brasileiro de Alves et al. encontrou perfil populacional distinto do original; informe a versão e a referência adotadas.

Erros comuns na correção manual

Inverter a chave de respostas

Há itens cujo traço é indicado pela concordância e outros pela discordância. Somar diretamente a alternativa marcada cria falsos totais.

Pontuar intensidade como 0 a 3

O AQ clássico usa quatro alternativas na resposta, mas transforma cada item em 0 ou 1; tratar a escala como Likert de quatro pontos produz outro escore.

Misturar os cortes de 26 e 32

Aplicar um limiar no texto e outro na classificação muda a conclusão sobre o mesmo paciente. Registre a origem do corte.

Tratar os domínios como diagnóstico independente

Os cinco grupos descrevem um perfil; a evidência mais citada de triagem refere-se ao total do AQ, que deve ser lido junto à entrevista.

No PontoAzul, a correção do AQ segue as regras do instrumento e mostra o cálculo para você conferir. Teste grátis por 7 dias.

Como o AQ aparece no laudo

Exemplo demonstrativo de AQ, sem dados reais. O PontoAzul aplica a chave binária, calcula o total de 0 a 50 e compara com a referência incorporada de 32 pontos. O fluxo atual não calcula os cinco subtotais nem oferece seletor entre cortes. A interpretação ilustrada incorpora a leitura profissional do protocolo e da entrevista.

Em 12/03/2026, a pessoa avaliada respondeu à versão adulta do Quociente do Espectro do Autismo (AQ), obtendo 29 pontos em 50 possíveis. O valor supera o limiar de triagem de 26 pontos descrito por Woodbury-Smith et al. (2005), porém permanece abaixo do nível de 32 pontos destacado no estudo original de Baron-Cohen et al. (2001). O perfil apresentou maior concentração de respostas em habilidades sociais e alternância de atenção. Esse resultado sugere aprofundar a investigação por entrevista de desenvolvimento, observação clínica e informações de outras fontes, sem definir diagnóstico por si.

Trecho ilustrativo de caso fictício. O texto final é sempre revisado pelo profissional.

AQ e instrumentos parecidos

  • SRS-2: O SRS-2 descreve responsividade social por formulários e normas próprias, inclusive a partir de informantes; o AQ adulto é autorrelato de 50 itens sobre traços mais amplos.
  • RAADS-R: O RAADS-R possui 80 questões e quatro domínios, com ênfase em experiências atuais e anteriores; o AQ é mais curto e utiliza cinco domínios originais.
  • ADOS-2: O ADOS-2 é uma observação estruturada conduzida por profissional capacitado; o AQ é questionário de rastreio respondido pela própria pessoa.

Referências e fontes públicas

Fontes consultadas pela equipe editorial para revisar as informações desta página.

Bibliografia complementar (3)
  1. Baron-Cohen, S., Wheelwright, S., Skinner, R., Martin, J., & Clubley, E. (2001). The autism-spectrum quotient (AQ): Evidence from Asperger syndrome/high-functioning autism, males and females, scientists and mathematicians. Journal of Autism and Developmental Disorders, 31(1), 5–17.
  2. Woodbury-Smith, M. R., Robinson, J., Wheelwright, S., & Baron-Cohen, S. (2005). Screening adults for Asperger syndrome using the AQ: A preliminary study of its diagnostic validity in clinical practice. Journal of Autism and Developmental Disorders, 35(3), 331–335.
  3. Alves, A. L. C., de Paula, J. J., de Miranda, D. M., & Romano-Silva, M. A. (2022). The Autism Spectrum Quotient in a sample of Brazilian adults: Analyses of normative data and performance. Dementia & Neuropsychologia, 16(2).

Perguntas frequentes sobre o AQ

Quantos itens tem o AQ?
O AQ adulto tem 50 afirmações, distribuídas originalmente em cinco domínios de dez itens cada. As respostas usam quatro alternativas de concordância, mas a correção clássica converte cada item em zero ou um ponto. O total possível é de zero a cinquenta.
Qual é o ponto de corte do AQ: 26 ou 32?
Os dois aparecem na literatura com finalidades diferentes. Woodbury-Smith et al. (2005) encontraram 26 como limiar de triagem em encaminhamentos clínicos. Baron-Cohen et al. (2001) destacaram 32 na comparação original entre grupos. O laudo precisa dizer qual referência foi aplicada.
Como corrigir o AQ de 50 itens?
Confira as cinquenta respostas e aplique a chave de direção da versão utilizada. Cada alternativa recebe zero ou um ponto, conforme represente ou não o traço investigado. Some o total, depois confira os cinco domínios e identifique a referência usada na leitura.
O AQ é autoaplicável?
Sim. A versão adulta é um questionário de autorrelato: a pessoa marca a alternativa que melhor a descreve. O profissional verifica a completude do protocolo, corrige as respostas e interpreta o resultado juntamente com entrevista, observação e história do desenvolvimento.
Para qual idade serve o AQ adulto?
A versão adulta disponibilizada pelo Autism Research Centre indica uso a partir de 16 anos. Há versões específicas para crianças e adolescentes, que não devem ser confundidas com o protocolo adulto. Sempre identifique a versão e o respondente no registro.
AQ alto confirma autismo?
Não. Um escore elevado indica maior presença de traços autorreferidos e ajuda a decidir quais aspectos investigar. A confirmação clínica exige integrar desenvolvimento, funcionamento, observação, informações de terceiros e diagnóstico diferencial. O questionário isolado também pode deixar passar apresentações menos típicas.
Qual a diferença entre AQ e SRS-2?
O AQ adulto é um autorrelato de cinquenta itens e cinco domínios conceituais. A SRS-2 usa formulários e normas próprios para responsividade social, com possibilidades de informantes. A escolha depende da pergunta clínica, da idade e de quem pode fornecer informação confiável.
Como o PontoAzul ajuda a corrigir o AQ?
Registre as 50 respostas do AQ adulto já aplicado e a data da avaliação. O PontoAzul aplica a chave binária, calcula o total de 0 a 50 e compara com a referência incorporada de 32 pontos. O fluxo atual não calcula os cinco subtotais nem oferece seletor entre cortes.

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