1Estágio 1 — Questionário para pais
20 perguntas de sim ou não sobre comportamentos do dia a dia. Gera um total de risco de 0 a 20.
O M-CHAT-R/F é o instrumento de rastreio de autismo mais usado com crianças de 16 a 30 meses. Os pais respondem 20 perguntas de sim ou não; o total indica risco baixo, médio ou alto, e o risco médio passa por uma entrevista de seguimento. Veja como pontuar, quando aplicar o seguimento e o que registrar no prontuário ou no relatório.
O M-CHAT-R/F (Modified Checklist for Autism in Toddlers, Revised with Follow-Up) é um rastreio de dois estágios para identificar crianças de 16 a 30 meses com maior probabilidade de transtorno do espectro autista. Os pais respondem 20 perguntas de sim ou não. Totais de 0 a 2 indicam risco baixo, de 3 a 7 pedem a entrevista de seguimento e de 8 a 20 indicam risco alto, com encaminhamento direto para avaliação diagnóstica.
20 perguntas de sim ou não sobre comportamentos do dia a dia. Gera um total de risco de 0 a 20.
Entrevista estruturada, feita pelo profissional, que retoma apenas os itens que pontuaram risco para confirmar ou não com exemplos concretos.
Você registra a data de nascimento, as 20 respostas dos pais e, no risco médio, o resultado de cada item revisto no seguimento. Um registro-base com idade, total, faixa, seguimento e recomendação de encaminhamento, para você revisar.
O PontoAzul confere a idade, aplica a regra de pontuação com os itens 2, 5 e 12 invertidos, soma o total e define a faixa e o desfecho do seguimento.
Testar com M-CHAT-R/FCalcule a idade na data de aplicação do M-CHAT-R/F
Autor(es): Diana L. Robins, Deborah Fein e Marianne Barton · 2009 (versão revisada); validação publicada em 2014
Conteúdo da equipe editorial PontoAzul, baseado nas fontes listadas ao final. Revisão editorial v2, atualizada em .
O M-CHAT-R/F é a versão revisada, com entrevista de seguimento, do M-CHAT original criado por Diana Robins, Deborah Fein e Marianne Barton. A revisão simplificou a redação, retirou itens com baixo desempenho e reorganizou o rastreio em dois estágios. O estudo de validação de Robins e colaboradores, publicado na revista Pediatrics em 2014, acompanhou mais de 16 mil crianças rastreadas em consultas pediátricas de rotina e mostrou que o seguimento reduz bastante os falsos positivos.
O primeiro estágio é um questionário de 20 perguntas de sim ou não, preenchido pelos pais em poucos minutos. O segundo é a entrevista de seguimento, estruturada em fluxogramas por item, que o profissional usa para checar com exemplos se o comportamento em risco realmente ocorre.
No Brasil, a versão em português foi traduzida e validada por Losapio e colaboradores (2023), com sensibilidade de 88,2% para corte acima de 2 pontos. Na consulta ao SATEPSI em setembro de 2026, a escala aparece classificada como instrumento não privativo do psicólogo (análise de 14/07/2022). Os autores liberam o uso clínico gratuito do formulário oficial, sem alterações; a distribuição em software, sites ou plataformas eletrônicas depende de licença, conforme o site oficial mchatscreen.com.
O M-CHAT-R/F é indicado para o rastreio de risco de TEA em crianças de 16 a 30 meses, em consultas de puericultura, unidades básicas de saúde, creches com acompanhamento de saúde e serviços de estimulação precoce. Também é útil quando pais ou educadores relatam preocupação com atenção compartilhada, resposta ao nome ou brincadeira. Psicólogos e neuropsicólogos o usam como ponto de partida antes de instrumentos observacionais como ADEC, PROTEA-R ou ADOS-2, e como dado de história em avaliações posteriores.
Quando o M-CHAT-R/F não é a melhor escolha
O M-CHAT-R/F não é diagnóstico e não deve ser usado fora da faixa de 16 a 30 meses, nem em crianças mais velhas com suspeita de TEA, para as quais existem instrumentos como SRS-2 ou CARS-2. Também não substitui a vigilância do desenvolvimento: um resultado de risco baixo não afasta preocupação clínica ou familiar persistente. Não altere o texto dos itens nem transforme o questionário em versão própria sem autorização dos autores.
Os 20 itens abordam comportamentos que costumam estar presentes nessa idade, com linguagem simples e exemplos para os pais. O texto dos itens é protegido e deve ser usado exatamente como publicado; aqui descrevemos apenas os temas.
| Dimensão | Itens | O que avalia |
|---|---|---|
| Atenção compartilhada | Vários itens | Apontar para pedir e para mostrar algo interessante, seguir o olhar e trazer objetos para mostrar. |
| Resposta social | Vários itens | Resposta ao nome, sorriso em resposta, contato visual e interesse por outras crianças. |
| Brincadeira e imitação | Vários itens | Faz de conta, imitação de gestos e busca de atenção dos pais para compartilhar. |
| Comportamentos incomuns | Itens 2, 5 e 12 | Três itens em que responder sim indica risco, ligados a movimentos incomuns, sensibilidade a sons e dúvida sobre a audição. |
| Desenvolvimento motor e compreensão | Demais itens | Andar, compreender pedidos simples e reagir ao que acontece ao redor. |
Confirme que a criança tem entre 16 e 30 meses e entregue o formulário oficial em português, sem mudanças no texto.
Peça que os pais respondam pensando no comportamento habitual da criança, não em um dia atípico.
Corrija aplicando a regra dos itens invertidos (2, 5 e 12) e some o total.
No risco médio, conduza a entrevista de seguimento apenas nos itens que pontuaram, seguindo o fluxograma de cada um.
Registre total, faixa, resultado do seguimento e conduta; no rastreio positivo ou no risco alto, encaminhe para avaliação diagnóstica e intervenção precoce.
A pontuação do M-CHAT-R/F é binária. Em 17 itens, a resposta não indica risco; nos itens 2, 5 e 12, a resposta sim indica risco. O total vai de 0 a 20. A decisão clínica não depende só do total: na faixa de 3 a 7, o resultado final vem da entrevista de seguimento, em que o rastreio é positivo quando 2 ou mais itens se mantêm em risco.
No PontoAzul, você registra as respostas coletadas no formulário oficial e o desfecho do seguimento. A plataforma aplica a regra dos itens invertidos, calcula o total, mostra a faixa e lista os itens que precisam ser revistos, além de preparar o texto-base do registro. Antes de usar qualquer versão eletrônica com famílias, verifique as condições de licença publicadas pelos autores.
Confira a idade: a criança deve ter entre 16 e 30 meses no dia da aplicação.
Para os itens 2, 5 e 12, a resposta sim vale 1 ponto de risco. Para todos os outros, a resposta não vale 1 ponto.
Some os pontos para obter o total de 0 a 20.
Total 0 a 2: risco baixo. Mantenha a vigilância do desenvolvimento nas consultas seguintes.
Total 3 a 7: risco médio. Aplique a entrevista de seguimento somente nos itens que pontuaram risco.
No seguimento, se 2 ou mais itens continuarem em risco, o rastreio é positivo e a criança deve ser encaminhada para avaliação diagnóstica e intervenção precoce.
Total 8 a 20: risco alto. É aceitável dispensar o seguimento e encaminhar direto para avaliação diagnóstica.
Exemplo de correção
Criança de 20 meses. A mãe respondeu o questionário na sala de espera. Dados fictícios:
Total 5 no questionário e 3 itens mantidos no seguimento: rastreio positivo. Encaminhar para avaliação diagnóstica de TEA e para intervenção precoce sem aguardar a conclusão do diagnóstico.
O M-CHAT-R/F usa três faixas de risco no primeiro estágio e uma regra de decisão no segundo. As faixas são as definidas pelos autores e repetidas no estudo brasileiro de Losapio et al. (2023):
| Faixa | Classificação | Leitura clínica |
|---|---|---|
| 0 – 2 | Risco baixo | Rastreio negativo. Manter vigilância do desenvolvimento e reavaliar se surgir preocupação. |
| 3 – 7 | Risco médio | Aplicar a entrevista de seguimento nos itens que pontuaram. Positivo se 2 ou mais itens continuarem em risco. |
| 8 – 20 | Risco alto | Encaminhar para avaliação diagnóstica e intervenção precoce; o seguimento pode ser dispensado. |
Rastreio positivo não é diagnóstico: parte das crianças positivas terá outros atrasos do desenvolvimento, que também merecem intervenção. No estudo brasileiro, a sensibilidade foi de 88,2% e a especificidade de 53,6% com corte acima de 2, em amostra clínica de 75 crianças; em amostras populacionais, o seguimento é o que reduz falsos positivos. Registre sempre se o seguimento foi feito.
Pontuar os itens 2, 5 e 12 como os demais
Nesses três itens, o risco está na resposta sim. Tratá-los como os outros troca o sentido e pode deslocar a criança de faixa.
Pular a entrevista de seguimento no risco médio
Sem o seguimento, o número de falsos positivos sobe muito. É o seguimento que decide se o rastreio de 3 a 7 pontos é positivo.
Refazer o seguimento em todos os itens
A entrevista retoma apenas os itens que pontuaram risco no questionário. Aplicar tudo alonga a consulta e mistura critérios.
Aplicar fora da faixa etária
Antes de 16 ou depois de 30 meses, as faixas perdem sentido. No PontoAzul, a idade calculada pela data de nascimento aparece junto do total para evitar esse deslize.
No PontoAzul, a correção do M-CHAT-R/F segue as regras do instrumento e mostra o cálculo para você conferir. Teste grátis por 7 dias.
Trecho demonstrativo, sem dados de paciente real. No PontoAzul, você registra as respostas já coletadas e o resultado do seguimento. A plataforma aplica a regra dos itens invertidos, indica a faixa e redige o registro-base para revisão.
Foi aplicado o M-CHAT-R/F (Modified Checklist for Autism in Toddlers, Revised with Follow-Up), respondido pela mãe em 10/09/2026, quando a criança tinha 20 meses. O total no questionário foi de 5 pontos, correspondente a risco médio. Na entrevista de seguimento, conduzida pela profissional no mesmo dia, 3 dos 5 itens revistos permaneceram em risco, caracterizando rastreio positivo. Recomenda-se encaminhamento para avaliação diagnóstica de transtorno do espectro autista e início de estimulação precoce, sem aguardar o diagnóstico. O rastreio não estabelece diagnóstico.
Trecho ilustrativo de caso fictício. O texto final é sempre revisado pelo profissional.
Fontes consultadas pela equipe editorial para revisar as informações desta página.
Materiais municipais de repertório e módulo digital PontoAzul: recursos distintos com o mesmo nome.
Observação direta de 16 comportamentos dos 12 aos 36 meses, com total de 0 a 32 pontos.
Observação de 2 a 5 anos com itens críticos e análise qualitativa.
ADOS-2: observação padronizada do TEA em 5 módulos, com algoritmo e escore de comparação de 1 a 10.
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