Ir para o conteúdo
Autismo e responsividade social · Entrevista

ADI-R: Entrevista Diagnóstica de Autismo Revisada

A ADI-R é a entrevista semiestruturada com pais ou cuidadores mais usada na investigação do autismo.

Itens
93
Informante
Pais ou cuidadores
Duração
1h30 a 2h30

ADI-R em resumo

A ADI-R (Autism Diagnostic Interview-Revised) é uma entrevista clínica semiestruturada, feita com pais ou cuidadores, que investiga a história do desenvolvimento e os comportamentos associados ao autismo. Tem 93 itens e um algoritmo diagnóstico com quatro domínios: interação social recíproca, comunicação, comportamentos restritos e repetitivos e início dos sinais antes dos 36 meses. O resultado é compatível com autismo quando os quatro cortes são atingidos.

Autores
Rutter, Le Couteur e Lord
Editora original
Western Psychological Services (2003)
Itens
93
Informante
Pais ou cuidadores
Duração
1h30 a 2h30
Público avaliado
Crianças e adultos com idade mental acima de 2 anos
Cortes do algoritmo
A ≥ 10; B ≥ 8 (verbal) ou ≥ 7 (não verbal); C ≥ 3; D ≥ 1
Validação brasileira
Becker et al. (2012), Arquivos de Neuro-Psiquiatria

O que o ADI-R avalia?

1Domínio A — Interação social recíproca

Uso de comportamentos não verbais para regular a interação, relações com pares, compartilhamento de prazer e reciprocidade socioemocional.

2Domínio B — Comunicação

Atraso ou ausência de linguagem compensada por gestos, conversa recíproca, fala estereotipada e brincadeira imaginativa ou de imitação social. Tem corte diferente para pessoas verbais e não verbais.

3Domínio C — Comportamentos restritos, repetitivos e estereotipados

Interesses circunscritos, rituais, maneirismos motores e interesse por partes de objetos ou elementos sensoriais.

4Domínio D — Idade de início

Evidências de desenvolvimento atípico evidente até os 36 meses.

Dados que viram resultado

Do ADI-R ao gráfico e ao laudo

Você informa a versão do algoritmo (verbal ou não verbal) e os códigos atribuídos aos itens na entrevista com o cuidador. Parágrafo-base com informante, data, somas por domínio e conclusão do algoritmo, para você integrar à observação direta.

  • Algoritmo verbal e não verbal
  • Quatro critérios em uma tabela
  • História transformada em texto

Correção programada e Cérebro PontoAzul

O PontoAzul seleciona os itens do algoritmo, converte 3 em 2 e códigos especiais em 0, soma os domínios A, B, C e D e compara cada um com seu corte.

Testar com ADI-R

Calculadora de idade cronológica

Autism Diagnostic Interview-Revised (ADI-R) – Entrevista Diagnóstica de Autismo Revisada

Autor(es): Michael Rutter, Ann Le Couteur e Catherine Lord · 2003 (manual WPS); versão revisada descrita em 1994

Conteúdo da equipe editorial PontoAzul, baseado nas fontes listadas ao final. Revisão editorial v2, atualizada em .

O que é o ADI-R?

A Autism Diagnostic Interview-Revised (ADI-R) foi desenvolvida por Michael Rutter, Ann Le Couteur e Catherine Lord como revisão da ADI original. A versão revisada foi descrita por Lord, Rutter e Le Couteur em 1994 e o manual foi publicado pela Western Psychological Services em 2003. Ela nasceu para padronizar a coleta da história do desenvolvimento em pesquisas genéticas e epidemiológicas sobre autismo e se tornou referência clínica.

A entrevista é semiestruturada e centrada no investigador: o entrevistador não lê perguntas fechadas e anota sim ou não; ele explora cada tema até obter descrições concretas de comportamento e então decide o código com base nas definições do manual. Isso exige treino, porque o mesmo relato pode ser codificado de formas diferentes por quem não domina os critérios.

No Brasil, Becker e colaboradores (2012) traduziram e validaram a ADI-R em estudo caso-controle com 20 pacientes com autismo e 20 controles com deficiência intelectual, encontrando alfa de Cronbach de 0,976, sensibilidade e especificidade de 100% em relação ao DSM-IV e kappa médio de 0,824 entre observadores. Não localizamos edição brasileira comercial do manual, e a ADI-R não aparece na lista de testes favoráveis do SATEPSI consultada em setembro de 2026.

Indicação e população

A ADI-R é indicada na investigação diagnóstica de TEA quando há um informante que conheça bem a história da pessoa, em geral mãe, pai ou cuidador principal. Serve para crianças, adolescentes e adultos com idade mental acima de 2 anos. É especialmente útil em casos em que a observação atual é pouco conclusiva, como crianças que já passaram por intervenção intensiva, adolescentes com boa compensação social ou quadros com deficiência intelectual, em que é preciso documentar o início e o curso dos sinais. Em pesquisa, é usada para caracterizar amostras com critério uniforme.

Quando o ADI-R não é a melhor escolha

A ADI-R não é indicada como triagem rápida: a entrevista é longa e exige entrevistador treinado. Perde precisão em crianças com idade mental abaixo de 2 anos e quando o informante não conviveu com a pessoa na primeira infância, situação comum em adultos. Também não substitui a observação direta: um cuidador que minimiza ou exagera dificuldades muda o resultado. Nesses casos, combine com ADOS-2 ou CARS-2 e com outras fontes de informação.

Estrutura do ADI-R

A entrevista percorre a vida da pessoa em blocos temáticos, pedindo exemplos concretos de comportamento. Muitos itens são codificados em dois momentos: o comportamento atual e o período mais característico, em geral entre 4 e 5 anos, ou em algum momento da vida. Não reproduzimos perguntas nem descritores do protocolo, que são protegidos.

DimensãoItensO que avalia
Informações de base e famíliaAberturaContexto familiar, escolaridade, diagnósticos anteriores, medicações e a queixa atual.
Desenvolvimento inicialMarcosPrimeiros anos, marcos motores, controle esfincteriano e idade em que os pais perceberam algo diferente.
Aquisição e perda de linguagemLinguagemPrimeiras palavras e frases, perdas de linguagem ou de outras habilidades e nível atual de fala.
Funcionamento de linguagem e comunicaçãoComunicaçãoEcolalia, uso de gestos, conversa, perguntas estereotipadas e brincadeira de faz de conta.
Desenvolvimento social e brincadeiraSocialContato visual, sorriso social, oferta de conforto, amizades e interesse por outras crianças.
Interesses e comportamentosRepetitivosPreocupações incomuns, rituais, resistência a mudanças, maneirismos e interesses sensoriais.
Comportamentos geraisOutrosAutoagressão, agressividade, hiperatividade, habilidades isoladas e outros comportamentos relevantes para o diagnóstico diferencial.

Protocolo de aplicação

  1. 1

    Agende uma sessão longa, sem a presença da pessoa avaliada, com o cuidador que melhor conhece a primeira infância.

  2. 2

    Explique que as perguntas pedem exemplos concretos e que a história entre 4 e 5 anos é especialmente importante.

  3. 3

    Conduza os blocos na ordem do protocolo, explorando cada comportamento até ter informação suficiente para codificar.

  4. 4

    Codifique cada item durante ou logo após a entrevista, separando comportamento atual e período mais característico.

  5. 5

    Aplique o algoritmo diagnóstico correto (verbal ou não verbal) e registre os quatro domínios.

  6. 6

    Integre o resultado à observação direta e às demais fontes antes de concluir o diagnóstico.

Como corrigir o ADI-R

A correção da ADI-R é feita em duas camadas. Primeiro, cada item recebe código de 0 (comportamento ausente) a 3 (alteração acentuada), com códigos especiais para informação indisponível ou item não aplicável. Depois, só os itens do algoritmo são somados, com o código 3 convertido para 2 e os códigos especiais convertidos para 0. O domínio B tem duas versões, conforme a pessoa tenha ou não linguagem funcional. O resultado não é um total: é a verificação de quatro critérios independentes.

No PontoAzul, você registra os códigos já atribuídos na entrevista. A plataforma aplica a conversão, seleciona os itens do algoritmo verbal ou não verbal, soma os domínios A, B, C e D, mostra quais cortes foram atingidos e redige o parágrafo-base do laudo para sua revisão.

  1. Codifique cada item de 0 a 3 a partir dos exemplos relatados, usando os códigos especiais 7, 8 e 9 quando o manual prevê.

  2. Selecione os itens do algoritmo diagnóstico, que usa os códigos do período mais característico ou de qualquer momento da vida, conforme o item.

  3. Converta para o algoritmo: 3 passa a valer 2; códigos 7, 8 e 9 passam a valer 0.

  4. Some os itens de cada domínio: A (social), B (comunicação, com versão verbal ou não verbal) e C (repetitivos).

  5. Verifique o domínio D: se há evidência de alteração do desenvolvimento até os 36 meses.

  6. Compare com os cortes: A ≥ 10, B ≥ 8 (verbal) ou ≥ 7 (não verbal), C ≥ 3 e D ≥ 1. O resultado é compatível com autismo quando os quatro são atingidos.

Exemplo de correção

Menina de 6 anos, fala em frases, entrevista feita com a mãe. Somas fictícias após a conversão do algoritmo:

Domínio A — social
16 (corte 10)
Domínio B — comunicação verbal
11 (corte 8)
Domínio C — repetitivos
5 (corte 3)
Domínio D — início
3 (corte 1)
Domínios acima do corte
4 de 4

Os quatro domínios atingem o corte: o relato é compatível com autismo pelo algoritmo diagnóstico da ADI-R, a ser integrado à observação direta.

Interpretação dos resultados

A ADI-R não produz escore total nem níveis de gravidade. O algoritmo diagnóstico funciona por critério em cada domínio: se todos os cortes são atingidos, o padrão relatado é compatível com autismo. Se um domínio fica abaixo, o resultado não fecha o critério do algoritmo, mas a entrevista continua descrevendo um perfil útil para a formulação clínica. Os cortes abaixo são os do algoritmo original, construído com base na CID-10 e no DSM-IV:

FaixaClassificaçãoLeitura clínica
A ≥ 10Interação social recíprocaAlterações sociais relatadas em nível compatível com o critério do algoritmo.
B ≥ 8 (verbal) ou ≥ 7 (não verbal)ComunicaçãoAlterações de comunicação compatíveis com o critério; o corte muda conforme a pessoa tenha ou não linguagem funcional.
C ≥ 3Comportamentos restritos e repetitivosPadrões repetitivos relatados em nível suficiente para o critério.
D ≥ 1Início até 36 mesesHá evidência de desenvolvimento atípico nos primeiros três anos.

O algoritmo foi criado para a classificação de autismo nos moldes da CID-10 e do DSM-IV. No DSM-5-TR, os critérios foram reorganizados em dois domínios, e pesquisas recentes propõem algoritmos atualizados. Em meninas e em adultos com boa linguagem, perfis abaixo do corte em um domínio são frequentes mesmo com diagnóstico confirmado por outras fontes. Relate no laudo o algoritmo usado e o informante.

Erros comuns na correção manual

Usar o código atual no lugar do código de 4 a 5 anos

O algoritmo diagnóstico usa, na maior parte dos itens, o período mais característico ou qualquer momento da vida. Somar o comportamento atual reduz o escore em crianças que melhoraram com intervenção.

Aplicar o corte verbal em criança não verbal

O domínio B tem itens e cortes diferentes para quem tem e quem não tem linguagem funcional. Trocar a versão muda a soma e o critério.

Esquecer de converter o código 3

Para o algoritmo, 3 vale 2. Somar 3 infla o domínio e faz casos limítrofes parecerem acima do corte.

Somar itens que não pertencem ao algoritmo

Boa parte dos 93 itens descreve o caso, mas não entra na soma. No PontoAzul, só os itens do algoritmo escolhido são somados, com a regra de conversão aplicada.

No PontoAzul, a correção do ADI-R segue as regras do instrumento e mostra o cálculo para você conferir. Teste grátis por 7 dias.

Como o ADI-R aparece no laudo

Trecho demonstrativo, sem dados de paciente real. No PontoAzul, você registra os códigos da entrevista já realizada. A plataforma seleciona os itens do algoritmo, converte os códigos, soma os domínios e escreve o trecho-base do laudo para revisão.

Foi realizada a Entrevista Diagnóstica de Autismo Revisada (ADI-R) com a mãe da examinanda em 02/09/2026, com duração aproximada de duas horas. No algoritmo diagnóstico, a examinanda obteve 16 pontos no domínio de interação social recíproca (corte 10), 11 pontos em comunicação, versão verbal (corte 8), 5 pontos em comportamentos restritos e repetitivos (corte 3) e 3 pontos no domínio de início (corte 1). Todos os critérios do algoritmo foram atingidos, configurando relato compatível com autismo. O dado deve ser lido em conjunto com a observação direta realizada com o ADOS-2.

Trecho ilustrativo de caso fictício. O texto final é sempre revisado pelo profissional.

ADI-R e instrumentos parecidos

  • ADOS-2: O ADOS-2 observa o comportamento atual em sessão padronizada; a ADI-R reconstrói a história pelo relato do cuidador. Usadas juntas, cobrem passado e presente.
  • SRS-2: A SRS-2 é um questionário de 65 itens, respondido em cerca de 15 minutos, que gera escores T de traços atuais. A ADI-R leva horas, mas documenta a história do desenvolvimento, algo que a SRS-2 não faz.
  • CARS-2: A CARS-2 é uma escala de 15 itens pontuada pelo profissional com base em observação e informações. É mais curta e dá gravidade; a ADI-R não gera gravidade, mas é mais detalhada sobre o início dos sinais.

Referências e fontes públicas

Fontes consultadas pela equipe editorial para revisar as informações desta página.

Bibliografia complementar (3)
  1. Lord, C., Rutter, M., & Le Couteur, A. (1994). Autism Diagnostic Interview-Revised: A revised version of a diagnostic interview for caregivers of individuals with possible pervasive developmental disorders. Journal of Autism and Developmental Disorders, 24(5), 659–685.
  2. Rutter, M., Le Couteur, A., & Lord, C. (2003). ADI-R: Autism Diagnostic Interview-Revised. Manual. Los Angeles, CA: Western Psychological Services.
  3. Becker, M. M., Wagner, M. B., Bosa, C. A., Schmidt, C., Longo, D., Papaleo, C., & Riesgo, R. S. (2012). Translation and validation of Autism Diagnostic Interview-Revised (ADI-R) for autism diagnosis in Brazil. Arquivos de Neuro-Psiquiatria, 70(3).

Perguntas frequentes sobre o ADI-R

O que é a ADI-R?
A ADI-R é a Entrevista Diagnóstica de Autismo Revisada, uma entrevista semiestruturada feita com pais ou cuidadores sobre a história do desenvolvimento. Ela investiga interação social, comunicação, comportamentos repetitivos e idade de início dos sinais, e usa um algoritmo com cortes por domínio.
Quantas perguntas tem a ADI-R?
A ADI-R tem 93 itens. Nem todos entram no algoritmo diagnóstico: parte deles descreve o caso e ajuda no diagnóstico diferencial. O entrevistador explora cada item com perguntas abertas até conseguir exemplos concretos para codificar.
Quais são os pontos de corte da ADI-R?
No algoritmo diagnóstico, os cortes são 10 no domínio social (A), 8 em comunicação para pessoas verbais ou 7 para não verbais (B), 3 em comportamentos repetitivos (C) e 1 no domínio de início até 36 meses (D). É preciso atingir os quatro.
Quanto tempo dura a ADI-R?
A entrevista costuma levar de uma hora e meia a duas horas e meia, dependendo da complexidade do caso e do quanto o informante lembra da primeira infância. Por isso, muitos serviços a dividem em duas sessões.
A ADI-R serve para adultos?
Sim, desde que exista um informante que conheça a infância da pessoa, como pai, mãe ou irmão mais velho. Sem esse informante, o domínio de início e os itens do período de 4 a 5 anos ficam frágeis, e a entrevista perde parte do valor.
Existe versão brasileira da ADI-R?
Existe tradução e validação brasileira publicada por Becker e colaboradores em 2012, com boas propriedades em amostra pequena. Não localizamos edição brasileira comercial do manual, e a ADI-R não constava na lista de testes favoráveis do SATEPSI consultada em setembro de 2026.
Como o PontoAzul ajuda com a ADI-R?
Você registra os códigos da entrevista; o PontoAzul aplica a conversão do algoritmo, soma os quatro domínios na versão verbal ou não verbal, destaca quais cortes foram atingidos e prepara o texto do laudo-base para revisão. Teste grátis por 7 dias.

Ver todos os instrumentos de Autismo e responsividade social

Comece sua próxima avaliação com o ADI-R

Correção, resultados, gráficos e laudo no mesmo fluxo para você revisar.

Testar grátis por 7 dias