1Domínio A — Interação social recíproca
Uso de comportamentos não verbais para regular a interação, relações com pares, compartilhamento de prazer e reciprocidade socioemocional.
A ADI-R é a entrevista semiestruturada com pais ou cuidadores mais usada na investigação do autismo. São 93 itens sobre desenvolvimento, comunicação, interação social e comportamentos repetitivos, com um algoritmo que exige atingir o corte em quatro domínios. Veja como a entrevista é organizada, como pontuar e como levar o resultado ao laudo.
A ADI-R (Autism Diagnostic Interview-Revised) é uma entrevista clínica semiestruturada, feita com pais ou cuidadores, que investiga a história do desenvolvimento e os comportamentos associados ao autismo. Tem 93 itens e um algoritmo diagnóstico com quatro domínios: interação social recíproca, comunicação, comportamentos restritos e repetitivos e início dos sinais antes dos 36 meses. O resultado é compatível com autismo quando os quatro cortes são atingidos.
Uso de comportamentos não verbais para regular a interação, relações com pares, compartilhamento de prazer e reciprocidade socioemocional.
Atraso ou ausência de linguagem compensada por gestos, conversa recíproca, fala estereotipada e brincadeira imaginativa ou de imitação social. Tem corte diferente para pessoas verbais e não verbais.
Interesses circunscritos, rituais, maneirismos motores e interesse por partes de objetos ou elementos sensoriais.
Evidências de desenvolvimento atípico evidente até os 36 meses.
Você informa a versão do algoritmo (verbal ou não verbal) e os códigos atribuídos aos itens na entrevista com o cuidador. Parágrafo-base com informante, data, somas por domínio e conclusão do algoritmo, para você integrar à observação direta.
O PontoAzul seleciona os itens do algoritmo, converte 3 em 2 e códigos especiais em 0, soma os domínios A, B, C e D e compara cada um com seu corte.
Testar com ADI-RCalcule a idade na data de aplicação do ADI-R
Autor(es): Michael Rutter, Ann Le Couteur e Catherine Lord · 2003 (manual WPS); versão revisada descrita em 1994
Conteúdo da equipe editorial PontoAzul, baseado nas fontes listadas ao final. Revisão editorial v2, atualizada em .
A Autism Diagnostic Interview-Revised (ADI-R) foi desenvolvida por Michael Rutter, Ann Le Couteur e Catherine Lord como revisão da ADI original. A versão revisada foi descrita por Lord, Rutter e Le Couteur em 1994 e o manual foi publicado pela Western Psychological Services em 2003. Ela nasceu para padronizar a coleta da história do desenvolvimento em pesquisas genéticas e epidemiológicas sobre autismo e se tornou referência clínica.
A entrevista é semiestruturada e centrada no investigador: o entrevistador não lê perguntas fechadas e anota sim ou não; ele explora cada tema até obter descrições concretas de comportamento e então decide o código com base nas definições do manual. Isso exige treino, porque o mesmo relato pode ser codificado de formas diferentes por quem não domina os critérios.
No Brasil, Becker e colaboradores (2012) traduziram e validaram a ADI-R em estudo caso-controle com 20 pacientes com autismo e 20 controles com deficiência intelectual, encontrando alfa de Cronbach de 0,976, sensibilidade e especificidade de 100% em relação ao DSM-IV e kappa médio de 0,824 entre observadores. Não localizamos edição brasileira comercial do manual, e a ADI-R não aparece na lista de testes favoráveis do SATEPSI consultada em setembro de 2026.
A ADI-R é indicada na investigação diagnóstica de TEA quando há um informante que conheça bem a história da pessoa, em geral mãe, pai ou cuidador principal. Serve para crianças, adolescentes e adultos com idade mental acima de 2 anos. É especialmente útil em casos em que a observação atual é pouco conclusiva, como crianças que já passaram por intervenção intensiva, adolescentes com boa compensação social ou quadros com deficiência intelectual, em que é preciso documentar o início e o curso dos sinais. Em pesquisa, é usada para caracterizar amostras com critério uniforme.
Quando o ADI-R não é a melhor escolha
A ADI-R não é indicada como triagem rápida: a entrevista é longa e exige entrevistador treinado. Perde precisão em crianças com idade mental abaixo de 2 anos e quando o informante não conviveu com a pessoa na primeira infância, situação comum em adultos. Também não substitui a observação direta: um cuidador que minimiza ou exagera dificuldades muda o resultado. Nesses casos, combine com ADOS-2 ou CARS-2 e com outras fontes de informação.
A entrevista percorre a vida da pessoa em blocos temáticos, pedindo exemplos concretos de comportamento. Muitos itens são codificados em dois momentos: o comportamento atual e o período mais característico, em geral entre 4 e 5 anos, ou em algum momento da vida. Não reproduzimos perguntas nem descritores do protocolo, que são protegidos.
| Dimensão | Itens | O que avalia |
|---|---|---|
| Informações de base e família | Abertura | Contexto familiar, escolaridade, diagnósticos anteriores, medicações e a queixa atual. |
| Desenvolvimento inicial | Marcos | Primeiros anos, marcos motores, controle esfincteriano e idade em que os pais perceberam algo diferente. |
| Aquisição e perda de linguagem | Linguagem | Primeiras palavras e frases, perdas de linguagem ou de outras habilidades e nível atual de fala. |
| Funcionamento de linguagem e comunicação | Comunicação | Ecolalia, uso de gestos, conversa, perguntas estereotipadas e brincadeira de faz de conta. |
| Desenvolvimento social e brincadeira | Social | Contato visual, sorriso social, oferta de conforto, amizades e interesse por outras crianças. |
| Interesses e comportamentos | Repetitivos | Preocupações incomuns, rituais, resistência a mudanças, maneirismos e interesses sensoriais. |
| Comportamentos gerais | Outros | Autoagressão, agressividade, hiperatividade, habilidades isoladas e outros comportamentos relevantes para o diagnóstico diferencial. |
Agende uma sessão longa, sem a presença da pessoa avaliada, com o cuidador que melhor conhece a primeira infância.
Explique que as perguntas pedem exemplos concretos e que a história entre 4 e 5 anos é especialmente importante.
Conduza os blocos na ordem do protocolo, explorando cada comportamento até ter informação suficiente para codificar.
Codifique cada item durante ou logo após a entrevista, separando comportamento atual e período mais característico.
Aplique o algoritmo diagnóstico correto (verbal ou não verbal) e registre os quatro domínios.
Integre o resultado à observação direta e às demais fontes antes de concluir o diagnóstico.
A correção da ADI-R é feita em duas camadas. Primeiro, cada item recebe código de 0 (comportamento ausente) a 3 (alteração acentuada), com códigos especiais para informação indisponível ou item não aplicável. Depois, só os itens do algoritmo são somados, com o código 3 convertido para 2 e os códigos especiais convertidos para 0. O domínio B tem duas versões, conforme a pessoa tenha ou não linguagem funcional. O resultado não é um total: é a verificação de quatro critérios independentes.
No PontoAzul, você registra os códigos já atribuídos na entrevista. A plataforma aplica a conversão, seleciona os itens do algoritmo verbal ou não verbal, soma os domínios A, B, C e D, mostra quais cortes foram atingidos e redige o parágrafo-base do laudo para sua revisão.
Codifique cada item de 0 a 3 a partir dos exemplos relatados, usando os códigos especiais 7, 8 e 9 quando o manual prevê.
Selecione os itens do algoritmo diagnóstico, que usa os códigos do período mais característico ou de qualquer momento da vida, conforme o item.
Converta para o algoritmo: 3 passa a valer 2; códigos 7, 8 e 9 passam a valer 0.
Some os itens de cada domínio: A (social), B (comunicação, com versão verbal ou não verbal) e C (repetitivos).
Verifique o domínio D: se há evidência de alteração do desenvolvimento até os 36 meses.
Compare com os cortes: A ≥ 10, B ≥ 8 (verbal) ou ≥ 7 (não verbal), C ≥ 3 e D ≥ 1. O resultado é compatível com autismo quando os quatro são atingidos.
Exemplo de correção
Menina de 6 anos, fala em frases, entrevista feita com a mãe. Somas fictícias após a conversão do algoritmo:
Os quatro domínios atingem o corte: o relato é compatível com autismo pelo algoritmo diagnóstico da ADI-R, a ser integrado à observação direta.
A ADI-R não produz escore total nem níveis de gravidade. O algoritmo diagnóstico funciona por critério em cada domínio: se todos os cortes são atingidos, o padrão relatado é compatível com autismo. Se um domínio fica abaixo, o resultado não fecha o critério do algoritmo, mas a entrevista continua descrevendo um perfil útil para a formulação clínica. Os cortes abaixo são os do algoritmo original, construído com base na CID-10 e no DSM-IV:
| Faixa | Classificação | Leitura clínica |
|---|---|---|
| A ≥ 10 | Interação social recíproca | Alterações sociais relatadas em nível compatível com o critério do algoritmo. |
| B ≥ 8 (verbal) ou ≥ 7 (não verbal) | Comunicação | Alterações de comunicação compatíveis com o critério; o corte muda conforme a pessoa tenha ou não linguagem funcional. |
| C ≥ 3 | Comportamentos restritos e repetitivos | Padrões repetitivos relatados em nível suficiente para o critério. |
| D ≥ 1 | Início até 36 meses | Há evidência de desenvolvimento atípico nos primeiros três anos. |
O algoritmo foi criado para a classificação de autismo nos moldes da CID-10 e do DSM-IV. No DSM-5-TR, os critérios foram reorganizados em dois domínios, e pesquisas recentes propõem algoritmos atualizados. Em meninas e em adultos com boa linguagem, perfis abaixo do corte em um domínio são frequentes mesmo com diagnóstico confirmado por outras fontes. Relate no laudo o algoritmo usado e o informante.
Usar o código atual no lugar do código de 4 a 5 anos
O algoritmo diagnóstico usa, na maior parte dos itens, o período mais característico ou qualquer momento da vida. Somar o comportamento atual reduz o escore em crianças que melhoraram com intervenção.
Aplicar o corte verbal em criança não verbal
O domínio B tem itens e cortes diferentes para quem tem e quem não tem linguagem funcional. Trocar a versão muda a soma e o critério.
Esquecer de converter o código 3
Para o algoritmo, 3 vale 2. Somar 3 infla o domínio e faz casos limítrofes parecerem acima do corte.
Somar itens que não pertencem ao algoritmo
Boa parte dos 93 itens descreve o caso, mas não entra na soma. No PontoAzul, só os itens do algoritmo escolhido são somados, com a regra de conversão aplicada.
No PontoAzul, a correção do ADI-R segue as regras do instrumento e mostra o cálculo para você conferir. Teste grátis por 7 dias.
Trecho demonstrativo, sem dados de paciente real. No PontoAzul, você registra os códigos da entrevista já realizada. A plataforma seleciona os itens do algoritmo, converte os códigos, soma os domínios e escreve o trecho-base do laudo para revisão.
Foi realizada a Entrevista Diagnóstica de Autismo Revisada (ADI-R) com a mãe da examinanda em 02/09/2026, com duração aproximada de duas horas. No algoritmo diagnóstico, a examinanda obteve 16 pontos no domínio de interação social recíproca (corte 10), 11 pontos em comunicação, versão verbal (corte 8), 5 pontos em comportamentos restritos e repetitivos (corte 3) e 3 pontos no domínio de início (corte 1). Todos os critérios do algoritmo foram atingidos, configurando relato compatível com autismo. O dado deve ser lido em conjunto com a observação direta realizada com o ADOS-2.
Trecho ilustrativo de caso fictício. O texto final é sempre revisado pelo profissional.
Fontes consultadas pela equipe editorial para revisar as informações desta página.
ADOS-2: observação padronizada do TEA em 5 módulos, com algoritmo e escore de comparação de 1 a 10.
SRS-2: 65 itens, formas de 2,5 anos à vida adulta, escore T e níveis leve, moderado e grave.
CARS-2: 15 itens de 1 a 4, total de 15 a 60, formas ST e HF com cortes próprios de gravidade.
M-CHAT-R/F: 20 perguntas para pais, 16 a 30 meses, risco baixo (0–2), médio (3–7) ou alto (8–20).
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