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Plano de intervenção

Modelo de PEI para TDAH: plano educacional individualizado com metas, adaptações escolares e acompanhamento

Modelo de Plano Educacional Individualizado (PEI) para estudante com TDAH, preenchido com um caso fictício de 9 anos: perfil com potencialidades e barreiras, metas escolares com linha de base, adaptações de sala e de avaliação, responsáveis, quadro de acompanhamento e histórico de versões. Explica a base legal (Lei 14.254/2021) e a relação entre o PEI da escola e o plano de intervenção clínico.

Natureza
Documento pedagógico
Lei de referência
Lei 14.254/2021
Metas no modelo
7 metas escolares
Revisão sugerida
A cada bimestre

Em resumo

O PEI para TDAH é o documento pedagógico em que a escola registra as metas, as adaptações de sala e de avaliação, os responsáveis e a forma de acompanhar um estudante com TDAH. Sua base legal mais direta é a Lei 14.254/2021, que garante acompanhamento específico na escola. A avaliação neuropsicológica e o plano clínico (PIP) podem subsidiar o PEI, mas a escola o elabora com a família e o estudante, revisando-o a cada bimestre ou semestre.

Quando usar este documento

Use quando

  • Quando um estudante com TDAH, diagnosticado ou em investigação, apresenta barreiras na aprendizagem ou na participação que não se resolvem apenas com as práticas gerais da turma.
  • Depois de uma avaliação neuropsicológica, para transformar as recomendações escolares do laudo em metas concretas, adaptações definidas e indicadores que a professora consiga registrar.
  • Quando família, escola e clínica precisam combinar o que cada um faz, com uma rotina de comunicação e datas de revisão.
  • Para formalizar adaptações de avaliação, como tempo adicional, ambiente com menos estímulos ou prova fracionada, com critério e justificativa registrados.
  • Na transição de ano escolar ou de professor, para que as estratégias que funcionaram não se percam.

Não use quando

  • Como documento clínico: o PEI não descreve resultados de testes, hipóteses diagnósticas nem tratamento; essas informações ficam no laudo e no prontuário.
  • Para reduzir conteúdo curricular de um estudante com capacidade cognitiva preservada: no TDAH sem outra condição associada, as adaptações costumam ser de acesso e de forma, não de redução do currículo.
  • Como cópia de um modelo genérico sem observação do estudante: metas sem linha de base própria não orientam o trabalho nem permitem revisão.
  • Para condicionar o apoio à apresentação de laudo: a Lei 14.254/2021 prevê acompanhamento específico assim que as dificuldades forem identificadas.
Estrutura

O que o documento precisa ter

  1. 01

    Identificação e objetivo do plano

    Registra o estudante, o ano escolar, quem elaborou, de quais informações o plano parte e o objetivo geral do período, sempre ligado à aprendizagem e à participação.

  2. 02

    Perfil: potencialidades e barreiras

    Descreve o que o estudante já faz bem e quais barreiras do ambiente e da tarefa dificultam a aprendizagem. No TDAH, barreiras comuns são instruções longas, cópia extensa, tarefas sem pausas e avaliações em ambiente ruidoso.

  3. 03

    Metas com linha de base

    Metas escolares específicas e mensuráveis, cada uma com domínio, linha de base, resultado esperado, critério de sucesso, prazo e responsável. São metas de aprendizagem e de autonomia, não de comportamento ideal.

  4. 04

    Adaptações e estratégias

    Lista as adaptações de sala, de material e de avaliação, com ação prática, frequência, ambiente e justificativa, ligadas às metas. Separa adaptações de acesso (como o estudante aprende e demonstra o que sabe) de adaptações de conteúdo.

  5. 05

    Responsáveis e ambientes

    Distribui as ações entre professora regente, coordenação, família e clínica, e define como e quando a informação circula entre eles.

  6. 06

    Acompanhamento, revisão e histórico

    Define indicadores, quem registra, com que frequência, as datas de revisão e o histórico de versões. Sem essa parte, o PEI não consegue mostrar se as adaptações estão funcionando.

Modelo preenchido

Caso fictício. Rafael não existe: é o mesmo personagem do laudo de TDAH infantil de exemplo, e as metas, linhas de base e adaptações foram criadas para demonstrar a estrutura de um PEI. Os profissionais e a escola citados também são fictícios. O modelo não substitui a construção do plano pela equipe pedagógica com a família e o estudante.

Profissional responsável (exemplo)

Psicóloga · CRP 00/000000 · registro fictício

contato@exemplo.com.br · (00) 0000-0000

Plano Educacional Individualizado (PEI)

Versão 1 · Construído com a escola em 19/10/2026 · Revisão prevista para 07/12/2026

Estudante
Rafael (caso fictício)
Idade
9 anos e 7 meses
Ano escolar
4º ano do ensino fundamental, escola regular, período da tarde
Elaboração
Coordenação pedagógica e professora regente, com a família e com subsídios da avaliação neuropsicológica de 09/2026
Informações de base
Observação em sala, histórico escolar, relato da família e recomendações escolares da avaliação (SNAP-IV de pais e professora, BPA-2, WISC-IV)
Compartilhamento
Autorização escrita dos responsáveis, arquivada, para compartilhar com a escola a hipótese diagnóstica (padrão compatível com TDAH) e as recomendações escolares da avaliação
Vigência
Ciclo 1: 19/10/2026 a 18/12/2026; ciclo 2 a partir de 02/2027

1. Objetivo e perfil do estudante

Objetivo geral

Garantir que Rafael tenha acesso ao conteúdo do 4º ano em condições equivalentes às da turma, reduzindo as barreiras de atenção e organização que hoje o impedem de concluir cópias, seguir instruções longas e demonstrar o que sabe em matemática.

Síntese para a escola. A avaliação neuropsicológica indicou capacidade cognitiva geral na média e dificuldade acentuada de manter e alternar a atenção em tarefas longas, com relatos convergentes da família e da professora. O padrão é compatível com TDAH. Uma investigação complementar em matemática está em andamento. Na prática da sala, isso significa que Rafael entende o conteúdo quando a informação chega em partes curtas, mas perde etapas quando a tarefa é extensa, ruidosa ou sem pausas.

Potencialidades e barreiras observadas
ÁreaPotencialidadesBarreiras observadasFonte
CompreensãoRaciocínio verbal bom; participa oralmente com ideias pertinentesPerde etapas de instruções com mais de dois passosProfessora e avaliação
Cópia e escritaLetra legível quando copia trechos curtosConclui a cópia do quadro em 2 de 10 aulasRegistro da professora (2 semanas)
MatemáticaResolve contas simples oralmente; gosta de desafios com moedas e jogosErra por pular etapas em contas armadas; não termina listas longasCadernos e provas do 2º bimestre
OrganizaçãoUsa bem lembretes visuais quando oferecidosEsquece material ou agenda em 3 a 4 dias por semanaFamília e professora
ParticipaçãoColabora em atividades em grupo e em tarefas práticasInterrompe colegas e levanta-se com frequência em atividades longas de mesaObservação em sala

2. Metas do ciclo

Metas de curto prazo valem até a revisão de dezembro (8 semanas); metas de médio prazo seguem para o ciclo 2. Entre parênteses, a prioridade definida em reunião com a família.

Metas com linha de base
DomínioMetaLinha de baseResultado esperadoCritério de sucessoPrazoResponsável
Atenção em sala (alta)Concluir a cópia do quadro com o trecho dividido em blocos numeradosConclui em 2 de 10 aulasConcluir a maior parte das cópias com apoio de blocosConclui em 7 de 10 aulas, em 2 semanas consecutivasCurto (8 semanas)Professora regente
Seguimento de instruções (alta)Executar instrução de 3 passos com apoio de checklist na mesaExecuta 1 de 5 instruções de 3 passos sem ajudaExecutar instruções de 3 passos com checklist e conferência4 de 5 instruções completas em 3 registros semanaisCurto (8 semanas)Professora regente
Matemática (alta)Resolver contas armadas seguindo roteiro de etapas impressoAcerta 4 de 10 contas por pular etapas; não conclui listas com mais de 10 itensAcertar a maioria das contas e concluir listas fracionadas7 de 10 contas corretas e lista concluída em 3 de 4 atividadesMédio (1 semestre)Professora regente, com reforço
Organização (média)Conferir material e agenda no fim da aula com checklist de 4 itensEsquece material ou agenda em 3 a 4 dias por semanaSair da escola com o material completoNo máximo 1 esquecimento por semana, por 4 semanasCurto (8 semanas)Professora e família
Avaliações (alta)Concluir avaliações com prova fracionada e tempo adicionalDeixa em branco 30% a 40% das questões por não chegar ao fimResponder a todas as questões que dominaResponde 100% das questões em 2 avaliações seguidasCurto (8 semanas)Coordenação e professora
Autorregulação (média)Esperar a vez de falar usando sinal combinadoInterrompe em média 6 vezes por aulaReduzir as interrupções com apoio do sinalNo máximo 2 interrupções por aula em 4 de 5 aulas observadasMédio (1 semestre)Professora, com orientação clínica
Autonomia nas tarefas de casa (média)Iniciar a lição de casa com rotina fixa e intervalos de 5 minutos a cada 15Inicia após mais de 30 minutos de insistência; supervisão contínuaIniciar em até 10 minutos e trabalhar em blocos curtosInicia em até 10 minutos em 4 de 5 dias, por 3 semanasMédio (1 semestre)Família, com orientação da psicóloga

3. Adaptações e estratégias

Adaptações de sala, material e avaliação
EstratégiaAção práticaFrequênciaAmbientePor quê
Posição na salaSentar perto da professora e longe da porta e da janela, ao lado de colega organizadoPermanenteSala de aulaReduz estímulos concorrentes e facilita a verificação rápida de entendimento
Cópia em blocosDividir o texto do quadro em blocos numerados de 3 a 4 linhas; marcar com visto cada bloco concluídoEm toda cópiaSala de aulaTarefas curtas com marco visível sustentam a atenção e mostram o progresso
Instrução fracionada com checklistDar uma etapa por vez ou entregar cartão com os passos numerados; pedir que Rafael repita a primeira etapaEm toda instrução com mais de 2 passosSala de aulaA avaliação mostrou perda de etapas em instruções longas; a repetição confirma o entendimento
Roteiro de etapas em matemáticaCartão plastificado com as etapas da conta armada e espaço quadriculado no cadernoEm toda atividade de cálculoSala de aula e casaOs erros observados até agora são sobretudo de etapa pulada; a investigação em andamento dirá se há dificuldade de conceito; o roteiro torna o processo visível
Lista fracionadaEntregar exercícios em folhas de 5 itens, com a próxima folha somente após concluir a anteriorEm listas com mais de 10 itensSala de aula e casaEvita o abandono diante de listas longas sem reduzir o conteúdo
Prova fracionada e tempo adicionalProva em duas partes, com intervalo curto; até 30 minutos adicionais; leitura do enunciado em voz alta quando solicitadoEm todas as avaliaçõesSala de apoio ou canto silenciosoPermite que Rafael demonstre o que sabe sem que a avaliação meça apenas a resistência atencional
Pausas ativas programadasCombinar tarefas de levar recado ou distribuir material a cada 20 minutos de atividade de mesa2 a 3 vezes por aulaSala de aulaA necessidade de movimento é atendida de forma combinada, reduzindo levantar sem permissão
Sinal combinado para falarCartão na mesa: virar o cartão quando quiser falar; a professora reconhece com um gesto e chama em seguidaEm toda aulaSala de aulaDá à impulsividade uma saída visível e permite registrar as interrupções
Checklist de saídaLista de 4 itens colada na mochila (agenda, estojo, caderno do dia, bilhete); a professora confere nos primeiros 15 diasDiariamenteSala de aula e casaTransfere a memória de trabalho para um apoio externo, que depois pode ser retirado

Natureza das adaptações. Todas as adaptações deste plano são de acesso: mudam a forma de apresentar a tarefa, o tempo e o ambiente, mas mantêm os objetivos de aprendizagem do 4º ano. Se a investigação em matemática indicar transtorno específico da aprendizagem, o plano será revisto.

Quando reavaliar uma estratégia. Se, depois de 4 semanas de aplicação consistente, não houver mudança no indicador, a equipe verifica se a estratégia está sendo usada como combinado, se o critério está adequado e se há algum fator novo (sono, ansiedade, mudança familiar). Se uma adaptação passar a expor Rafael diante da turma, a forma de aplicá-la deve ser ajustada com ele.

4. Responsáveis e comunicação

Quem faz o quê
AmbienteResponsávelAçõesComunicação
Sala de aulaProfessora regenteCópia em blocos, instrução fracionada, roteiro de matemática, pausas, sinal combinado, registro dos indicadoresBilhete semanal na agenda às sextas-feiras
EscolaCoordenação pedagógicaOrganização das avaliações adaptadas, sala de apoio, reunião de revisãoReunião com a família a cada bimestre
ReforçoProfessora de reforçoPrática de contas armadas com roteiro, 2 vezes por semanaRegistro no caderno de reforço
CasaMãe e paiRotina de lição com blocos de 15 minutos, checklist da mochila, ambiente com pouco ruídoResposta ao bilhete semanal e registro de início da lição
ClínicaPsicóloga que acompanha RafaelOrientação à família e à professora sobre manejo comportamental; acompanhamento da investigação em matemáticaContato com a escola mediante autorização da família

O acompanhamento médico, quando indicado, segue em paralelo e não é objeto deste plano; decisões sobre tratamento cabem aos profissionais de saúde e à família.

5. Acompanhamento e revisão

Quadro de acompanhamento
MetaIndicadorComo registrarQuem registraFrequênciaLinha de baseRevisão (12/2026)
Cópia do quadroCópias concluídas / cópias propostasMarcação na lista de chamadaProfessoraDiária2 de 10a registrar
Instruções de 3 passosInstruções completas / instruções dadasFicha de 5 oportunidadesProfessora3 vezes por semana1 de 5a registrar
Contas armadasPercentual de acertos e conclusão da listaCorreção do cadernoProfessora e reforçoSemanal4 de 10; listas incompletasa registrar
Material e agendaDias com esquecimentoChecklist da mochilaFamíliaDiária3 a 4 por semanaa registrar
AvaliaçõesPercentual de questões respondidasAnálise de cada provaCoordenaçãoA cada avaliação60% a 70%a registrar
Esperar a vezInterrupções por aulaContagem em 1 aula por diaProfessoraDiáriaMédia de 6a registrar
Início da lição de casaMinutos até iniciarAnotação na agendaFamíliaDiáriaMais de 30 minutosa registrar
Histórico de versões
VersãoDataAlteraçãoMotivo
119/10/2026Criação do PEI com 7 metas e 9 adaptaçõesDevolutiva da avaliação neuropsicológica e reunião com a família

Na revisão de dezembro, metas atingidas serão encerradas ou substituídas pela etapa seguinte; adaptações que deixarem de ser necessárias serão retiradas de forma gradual, e as informações serão repassadas à professora do 5º ano com autorização da família.

Profissional responsável (exemplo)

Psicóloga · CRP 00/000000 · registro fictício

Como escrever: evite × prefira

Meta de aprendizagem, não de comportamento ideal

Evite

“Rafael deverá prestar mais atenção e parar de conversar.”

Prefira

“Concluir a cópia do quadro dividida em blocos numerados em 7 de 10 aulas, por 2 semanas consecutivas.”

Por quê: Prestar atenção não é observável nem depende só do estudante. A meta descreve um resultado visível, o apoio que torna esse resultado possível e o critério para saber se foi alcançado.

Adaptação com ação prática e motivo

Evite

“Oferecer adaptações conforme a necessidade do aluno.”

Prefira

“Prova em duas partes, com intervalo curto e até 30 minutos adicionais, em sala de apoio, porque Rafael deixa 30% a 40% das questões em branco por não chegar ao fim.”

Por quê: Uma adaptação genérica não é aplicada da mesma forma por todos os professores. A forma concreta, com justificativa, protege o estudante e dá segurança à escola.

Linha de base registrada antes de começar

Evite

“O aluno tem muita dificuldade com a organização do material.”

Prefira

“Linha de base: esquece material ou agenda em 3 a 4 dias por semana (registro de 2 semanas pela professora e pela família).”

Por quê: Com o número inicial, a revisão mostra se houve mudança. Sem ele, a reunião de revisão depende da memória e da impressão de cada um.

Linguagem descritiva no lugar de rótulos

Evite

“Aluno desinteressado, preguiçoso e desorganizado.”

Prefira

“Em listas longas sem pausas, Rafael abandona a tarefa após os primeiros itens; em folhas de 5 itens, conclui a atividade.”

Por quê: No TDAH, rótulos morais são frequentes e prejudicam a relação do estudante com a escola. Descrever a condição da tarefa mostra o que a escola pode ajustar.

Acesso sem reduzir o currículo

Evite

“Reduzir o conteúdo de matemática e aplicar prova mais fácil.”

Prefira

“Manter os objetivos do 4º ano, com roteiro de etapas, lista fracionada e prova em duas partes.”

Por quê: Com capacidade cognitiva preservada, a barreira está na forma da tarefa. Reduzir conteúdo sem necessidade pode gerar defasagem e baixa expectativa.

Erros comuns

Copiar o laudo para dentro do PEI

Transcrever escores, percentis e hipóteses diagnósticas no PEI expõe informações sensíveis e não ajuda a professora. O PEI precisa da tradução funcional: o que acontece em sala, por que e o que fazer.

Adaptações sem critério de retirada

Adaptações que nunca são revistas podem se tornar dependência ou, ao contrário, ser abandonadas sem registro. Cada adaptação deve ter indicador e data de revisão, e a retirada deve ser gradual e combinada.

Só pontos fracos no perfil

Um perfil que lista apenas dificuldades não oferece recursos para as estratégias. Potencialidades, como raciocínio verbal, interesse por jogos e colaboração em grupo, são o ponto de apoio das adaptações.

Tratar o PEI como responsabilidade de um único professor

Sem divisão de responsabilidades entre regente, coordenação, reforço e família, as ações dependem de uma pessoa e se perdem quando ela falta ou muda. O plano precisa dizer quem faz cada ação e como a informação circula.

Esperar laudo para começar

A Lei 14.254/2021 prevê acompanhamento específico pelos educadores assim que as alterações forem percebidas. Adaptações simples de acesso podem começar enquanto a avaliação está em andamento.

Não envolver o estudante

Um estudante de 9 anos consegue opinar sobre sinais combinados, lugar na sala e formas de pausa. Adaptações impostas, especialmente as que o expõem diante da turma, costumam ser recusadas.

Ética e normas

Cuidados éticos e normativos

O que o profissional de saúde compartilha com a escola

O psicólogo compartilha apenas o necessário para a vida escolar: como as dificuldades aparecem em sala, quais estratégias tendem a ajudar e quais metas podem ser acompanhadas pela escola. Escores detalhados, hipóteses em investigação e informações familiares ficam no prontuário. Documentos escritos enviados à escola seguem a Resolução CFP nº 06/2019.

Consentimento da família e escuta do estudante

Qualquer troca de informações entre clínica e escola depende de autorização dos responsáveis legais. O estudante deve ser ouvido sobre as adaptações, e dados de saúde de crianças são sensíveis pela LGPD, o que pede cuidado com quem acessa o PEI e onde ele é guardado.

Linguagem não estigmatizante

O PEI acompanha o estudante por anos e passa por vários professores. Evite rótulos como preguiçoso, bagunceiro ou desinteressado, e descreva comportamentos em contexto, sempre ao lado das potencialidades.

Revisão periódica e sem promessas

O plano deve ser revisado em datas definidas, com registro do que mudou. Nem a escola nem o profissional de saúde devem prometer resultados, notas ou prazos de melhora; o que se compromete é a aplicação das adaptações e o acompanhamento.

No PontoAzul

Como o PontoAzul ajuda a produzir este documento

Do laudo ao plano, sem perder a evidência

No PontoAzul, o Plano de Intervenção parte das informações do paciente e dos resultados da avaliação. As recomendações escolares do laudo de TDAH viram metas com domínio, prioridade, prazo, linha de base, resultado esperado e critério de sucesso, cada uma ligada ao achado que a justifica.

Metas e estratégias prontas para revisar

Cada meta indica como acompanhar (frequência, percentual, duração, escala, checklist ou observação), responsáveis e ambientes. As estratégias trazem ação prática, motivo, frequência, materiais, adaptações e quando pausar ou reavaliar.

Sugestões que não alteram o plano sem você

Quando o PontoAzul sugere ajustes, o plano atual permanece e não muda até você escolher o que aplicar. O conteúdo final é sempre decisão do profissional.

Guia para a escola e para a família

A partir do plano, o PontoAzul monta guias em linguagem acessível para a escola e para a família, úteis como subsídio para a construção do PEI. O profissional revisa o texto antes de compartilhar, com autorização dos responsáveis.

Registro de evolução e histórico de versões

A aba Acompanhamento registra a evolução em linha do tempo e o Histórico guarda cada versão, o que facilita reuniões de revisão com a escola e a comparação com reavaliações, como a análise de progressão do SNAP-IV.

Testar grátis por 7 dias

Perguntas frequentes: pei para tdah: plano educacional individualizado com metas e adaptações

Aluno com TDAH tem direito a PEI?
A Lei 14.254/2021 garante ao estudante com TDAH acompanhamento específico na escola, com apoio da família e dos serviços de saúde. Ela não usa o termo PEI, mas o plano educacional individualizado é a forma mais organizada de registrar esse acompanhamento. Normas estaduais, municipais e o regimento da escola podem detalhar o procedimento.
Quais são as adaptações escolares mais usadas para TDAH?
As mais comuns são de acesso: lugar próximo ao professor e longe de distrações, instruções curtas e fracionadas, checklists, tarefas em blocos, pausas ativas programadas, tempo adicional e prova fracionada em ambiente com menos estímulos. Elas devem ser escolhidas a partir das barreiras observadas, e não aplicadas em pacote.
TDAH dá direito a AEE ou profissional de apoio?
O Decreto nº 12.686/2025 define o público da educação especial como estudantes com deficiência, TEA e altas habilidades ou superdotação; o TDAH isolado não está nessa lista. O apoio ao estudante com TDAH se apoia principalmente na Lei 14.254/2021. Se houver condição associada que integre esse público, o AEE e o PAEE se aplicam.
Quem faz o PEI do aluno com TDAH: a escola ou o psicólogo?
A escola. O PEI é documento pedagógico elaborado pela coordenação e pelos professores, com a família e o estudante. O psicólogo ou neuropsicólogo contribui com a avaliação, com sugestões de estratégias e metas e, quando autorizado, participando de reuniões. O plano clínico de intervenção (PIP) é outro documento, de responsabilidade da equipe de saúde.
A escola pode exigir laudo para fazer adaptações para TDAH?
A Lei 14.254/2021 determina que estudantes com instabilidade de atenção que afete a aprendizagem recebam acompanhamento específico dos educadores o mais cedo possível. Isso indica que adaptações de acesso não precisam esperar o laudo. A avaliação ajuda a direcionar o plano, mas a observação pedagógica já justifica começar.
Como definir tempo extra na prova para aluno com TDAH?
O tempo adicional deve partir de um dado: por exemplo, quantas questões o estudante deixa em branco por falta de tempo. Combine um acréscimo, registre no PEI, acompanhe se ele passa a responder às questões que domina e revise. Prova fracionada e ambiente silencioso costumam somar ao efeito do tempo extra.
Como saber se o PEI está funcionando?
Compare o indicador de cada meta com a linha de base nas datas de revisão: cópias concluídas, instruções completas, questões respondidas, esquecimentos por semana. Reavaliações com escalas como o SNAP-IV, respondidas por família e professora em intervalos de seis meses, complementam os registros de sala.
Qual a diferença entre PEI e plano de intervenção clínico (PIP)?
O PEI organiza o que a escola faz para garantir acesso ao currículo e à participação. O PIP organiza o trabalho da equipe de saúde: psicoterapia, orientação parental, treino de funções executivas e encaminhamentos. Os dois devem conversar, com metas compatíveis, mas têm responsáveis, linguagem e destinatários diferentes.

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