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Relatório para a família

Modelo de relatório psicológico para os pais, preenchido e comentado

Modelo de relatório psicológico para os pais preenchido com um caso fictício de 9 anos, escrito em linguagem acessível e estruturado conforme a Resolução CFP nº 06/2019. Mostra como explicar o que a avaliação mostrou, apresentar as forças da criança, traduzir dificuldades em situações do dia a dia e organizar os próximos passos, sem jargão, sem alarme e sem atribuir culpa à família.

Modalidade
Relatório psicológico
Norma
Res. CFP nº 06/2019
Entrega
Entrevista devolutiva
Destinatário
Pais e responsáveis

Em resumo

O relatório psicológico para os pais é a versão da avaliação escrita para a família: explica, sem jargão, o que a avaliação mostrou, as forças da criança, como as dificuldades aparecem no dia a dia e quais são os próximos passos. É entregue em entrevista devolutiva, junto com o laudo ou depois dele, conforme a Resolução CFP nº 06/2019. Não deve conter escores soltos, termos alarmantes, julgamentos sobre a criação nem promessas de prognóstico.

Quando usar este documento

Use quando

  • Ao final de uma avaliação psicológica ou neuropsicológica de criança ou adolescente, para que a família tenha por escrito, em linguagem própria, o que foi explicado na entrevista devolutiva.
  • Quando o laudo técnico é necessário para outros profissionais, mas é denso demais para orientar a família em casa.
  • Ao encerrar um processo de acompanhamento ou psicoterapia infantil, para registrar a evolução e orientar a continuidade.
  • Em reavaliações, para mostrar à família o que mudou desde a avaliação anterior e o que continua precisando de apoio.

Não use quando

  • Como substituto do laudo quando a família precisa do documento técnico completo para outro profissional, para a escola ou para fins legais.
  • Para comunicar situações de risco, violência ou suspeita de violação de direitos: essas situações exigem conduta própria, conversa presencial e, quando cabível, comunicação às autoridades, não um texto entregue à família.
  • Quando os responsáveis divergem sobre o acesso às informações da criança e não há definição de quem detém a responsabilidade legal: esclareça a situação antes de entregar o documento.
Estrutura

O que o documento precisa ter

  1. 01

    Identificação

    Título, nome da criança, solicitante, finalidade e autora com inscrição no CRP (art. 11 da Resolução CFP nº 06/2019). A finalidade (“explicar os resultados à família e orientar os próximos passos”) deixa claro que o documento é para casa, e não para perícia ou escola.

  2. 02

    Por que e como a avaliação foi feita

    Cumpre os itens de descrição da demanda e procedimento em linguagem simples: o que motivou a avaliação, quem foi ouvido, quantos encontros houve e o que cada instrumento mede, em uma frase que qualquer pai entende.

  3. 03

    O que a avaliação mostrou

    É a análise traduzida. Abre com a mensagem principal em uma frase e percorre as áreas avaliadas (atenção, compreensão, memória, rapidez) sem números soltos, explicando o que cada resultado significa para a criança.

  4. 04

    Forças

    Mostra à família o que a criança faz bem e como usar isso. É a seção que mais reduz a angústia e que dá aos pais um ponto de partida concreto para ajudar.

  5. 05

    Dificuldades no dia a dia

    Traduz os achados em situações reconhecíveis (lição de casa, rotina da manhã, esquecimentos, frustração) com uma tabela “O que ajuda” × “O que evitar”. Sem culpa: a dificuldade é descrita como algo que acontece com a criança, não como resultado da criação.

  6. 06

    Próximos passos

    Recomendações priorizadas, cada uma com o motivo: conversa sobre o laudo, rotina em casa, compartilhamento com a escola, encaminhamentos complementares e data de reavaliação. Responde à pergunta que todo pai faz ao fim da devolutiva: “e agora?”.

  7. 07

    Fechamento e validade

    Uma palavra de acolhimento, a restrição de uso, o prazo de validade no último parágrafo (art. 17) e local, data, nome, CRP e assinatura, com laudas numeradas e rubricadas.

Modelo preenchido

Caso fictício. Rafael não existe: a criança, a família, a escola, os resultados e a profissional foram criados para demonstração, a partir do mesmo caso do laudo de exemplo de TDAH infantil do PontoAzul. O registro profissional exibido também é fictício.

Profissional responsável (exemplo)

Psicóloga · CRP 00/000000 · registro fictício

contato@exemplo.com.br · (00) 0000-0000

Relatório Psicológico

Avaliação neuropsicológica · documento para a família

Criança
Rafael (caso fictício)
Idade
9 anos
Solicitante
Responsáveis legais
Finalidade
Explicar os resultados da avaliação à família e orientar os próximos passos
Autora
Profissional responsável (exemplo) · Neuropsicóloga · CRP 00/000000 (registro fictício)
Período da avaliação
10/09/2026 a 15/09/2026 (entrevista com os responsáveis, questionário da professora e uma sessão com Rafael)
Data do documento
09/10/2026

Por que e como a avaliação foi feita

A avaliação foi procurada porque a escola percebeu que Rafael tinha dificuldade para manter a atenção nas aulas e porque as notas de matemática caíram no último bimestre. A família também relatou que a lição de casa vinha demorando muito e que era preciso repetir os pedidos várias vezes. O objetivo foi entender como Rafael aprende e presta atenção, para orientar como ajudá-lo.

A avaliação foi feita entre 10 e 15 de setembro, em três etapas. Em 10/09, os responsáveis foram entrevistados e responderam a um questionário sobre o comportamento de Rafael em casa; em 12/09, a professora respondeu ao mesmo questionário sobre a escola; em 15/09, Rafael fez, em uma única sessão de cerca de duas horas e com pausas, atividades parecidas com jogos e exercícios. Ele colaborou bem durante toda a sessão.

O que foi usado na avaliação, em palavras simples
InstrumentoO que ele ajuda a entender
SNAP-IV (respondido pelos responsáveis e pela professora)Com que frequência aparecem comportamentos de desatenção, agitação e oposição em casa e na escola.
BPA-2 (feito por Rafael)Como ele mantém, divide e alterna a atenção em tarefas com tempo marcado.
WISC-IV (feito por Rafael)Como ele compreende, raciocina, guarda informações por alguns segundos e trabalha com rapidez.

O que a avaliação mostrou

Em uma frase

Rafael entende e raciocina como o esperado para a idade; o que está difícil para ele agora é manter a atenção em tarefas longas, e para isso existe ajuda que funciona.

Atenção

Esta é a área que mais precisa de apoio. Em casa e na escola, os responsáveis e a professora descreveram as mesmas situações: Rafael se distrai com facilidade, perde partes das instruções e tem dificuldade para terminar o que começa. Nas atividades feitas durante a avaliação, em que precisava manter o foco por vários minutos, ele também teve mais dificuldade do que a maioria das crianças da idade dele. Quando três fontes diferentes apontam a mesma coisa, há segurança de que a dificuldade é real e não depende de um ambiente específico.

Compreensão e raciocínio

Rafael entende bem o que ouve, tem bom vocabulário e consegue resolver problemas com figuras e formas como as outras crianças da idade dele. Nas notas mais baixas em matemática, a atenção que escapa no meio de contas e problemas com várias etapas pode pesar, mas ainda não se sabe se ela explica tudo ou se existe também uma dificuldade específica com a matemática. Por isso, uma avaliação específica de matemática está entre os próximos passos.

Memória e rapidez

A capacidade de guardar uma informação por alguns segundos enquanto faz outra coisa, como lembrar um número enquanto resolve a conta, está dentro do esperado, mas perto do limite. A rapidez para tarefas simples também está dentro do esperado. A memória será observada com atenção ao longo do acompanhamento.

Forças

Rafael tem pontos fortes que são a base de qualquer ajuda:

  • Entende bem explicações faladas e se expressa com clareza: conversar e explicar em voz alta funciona com ele.
  • Raciocina bem com imagens, esquemas e objetos concretos, o que pode ser usado para estudar matemática.
  • Faz tarefas curtas e claras no ritmo esperado para a idade.
  • Tem boa relação com os colegas e gosta de participar de atividades em grupo.
  • Não apresentou comportamentos de desafio ou oposição como dificuldade: ele quer colaborar.

Dificuldades no dia a dia

A dificuldade de atenção não é preguiça nem falta de esforço, e também não é resultado de algo que a família fez ou deixou de fazer. É uma forma de funcionar que pede apoio de fora enquanto Rafael desenvolve recursos próprios. A tabela abaixo reúne as situações descritas pela família e o que costuma ajudar em cada uma.

Situações do dia a dia de Rafael
Situação do dia a diaO que ajudaO que evitar
Lição de casa que se arrastaDividir em blocos de 10 a 15 minutos com pausas curtas, mesa sem objetos extras e um adulto por perto no começo de cada bloco.Sessões longas “até terminar tudo” e estudar com televisão ou celular por perto.
Pedidos que se perdemChegar perto, olhar nos olhos, dar um pedido por vez e pedir que ele repita o que vai fazer.Dar várias ordens de uma vez ou de outro cômodo.
Rotina da manhã corridaQuadro com figuras da sequência (acordar, vestir, café, mochila) e mochila arrumada na noite anterior.Lembrar de tudo falando ao mesmo tempo, já com pressa.
Esquecimento de material e tarefasChecklist curto na porta ou na agenda, conferido junto com ele por um minuto.Sermões sobre responsabilidade ou resolver tudo por ele sem envolvê-lo.
Frustração com as notas de matemáticaValorizar o raciocínio que ele acertou e conferir as contas por etapas, separando erro de distração de erro de entendimento.Comparar com irmãos ou colegas e dizer que ele “não presta atenção porque não quer”.
Agitação em momentos de esperaAntecipar quanto tempo vai durar a espera e levar uma atividade curta para as mãos.Exigir que fique parado por muito tempo sem nada para fazer.

Pequenas mudanças consistentes fazem mais diferença do que grandes mudanças que não se mantêm. Sugere-se escolher duas ou três situações para começar e ajustar conforme o que funcionar melhor para a família.

Próximos passos

A família não precisa decidir nada sozinha. Os passos abaixo estão em ordem de prioridade, e cada um deles será retomado com a psicóloga responsável na entrevista devolutiva.

Conversar com a psicóloga responsável sobre o laudo psicológico, entregue junto com este relatório, para entender a conclusão completa e esclarecer todas as dúvidas.

Alta

A conclusão técnica, com o nome do quadro, está no laudo e precisa ser explicada pessoalmente.

Organizar a rotina de casa com tarefas em blocos curtos, pedidos um de cada vez e menos distrações na hora de estudar.

Alta

A dificuldade de atenção apareceu em casa, na escola e nas atividades da avaliação.

Decidir, com calma, se a família autoriza o envio de um relatório próprio para a escola, com orientações para a professora e sem informações de saúde da família.

Alta

A escola pediu a avaliação, e as adaptações em sala ajudam diretamente na matemática e na rotina de estudo.

Fazer uma avaliação específica de matemática e responder a escalas de ansiedade e humor, para completar a investigação.

Alta

Ainda não se sabe se a queda em matemática vem só da atenção ou também de uma dificuldade específica, e ansiedade e humor não foram medidos nesta avaliação. Visão e audição já foram examinadas em 2026, com resultados normais, e não precisam ser repetidas agora.

Observar o sono e o humor de Rafael nas próximas semanas e relatar o que perceberem à psicóloga responsável na próxima consulta.

Média

Sono e emoções influenciam a atenção; as observações da família complementam as escalas de ansiedade e humor indicadas acima.

Planejar uma reavaliação em cerca de 12 meses, ou antes se a escola ou a família notarem mudanças importantes.

Baixa

O desenvolvimento muda com o tempo, e a reavaliação mostra o efeito das ajudas.

Para fechar

Rafael é um menino que entende, raciocina e quer participar. Com apoio para a atenção em casa e na escola, ele tem condições de acompanhar o que se espera para a idade. A psicóloga responsável permanece à disposição da família para esclarecer dúvidas sempre que necessário.

Este relatório foi escrito para a família, com a finalidade descrita na identificação, tem caráter sigiloso e não deve ser usado para outros fins nem entregue a terceiros sem orientação. O conteúdo tem validade de 12 meses ou até nova avaliação, considerando que o desenvolvimento infantil é dinâmico.

Profissional responsável (exemplo)

Psicóloga · CRP 00/000000 · registro fictício

Como escrever: evite × prefira

Troque o termo técnico pelo que ele significa

Evite

“Apresentou desempenho no percentil 1 em atenção concentrada, classificação muito inferior.”

Prefira

“Nas atividades em que precisava manter o foco por vários minutos, Rafael teve mais dificuldade do que a maioria das crianças da idade dele.”

Por quê: Percentil e classificação são linguagem de laudo. A família precisa entender o que o resultado significa na vida da criança; o número exato está no laudo, se ela quiser consultar.

Informe sem alarmar

Evite

“Os resultados são preocupantes e indicam comprometimento importante da atenção.”

Prefira

“A atenção é a área que mais precisa de apoio agora, e há estratégias que funcionam bem para crianças com esse perfil.”

Por quê: Pais ansiosos não absorvem orientação. Ser honesto sobre a dificuldade e mostrar o caminho na mesma frase mantém a família capaz de agir.

Descreva sem culpar

Evite

“A falta de limites e o excesso de telas em casa agravam o quadro.”

Prefira

“Uma rotina previsível, com telas em horários combinados, ajuda Rafael a se organizar.”

Por quê: A frase culpabilizante gera defesa e afasta a família do tratamento. A orientação formulada como ajuda produz a mesma mudança de comportamento sem ferir o vínculo.

Separe a criança da dificuldade

Evite

“Seu filho é desatento e desorganizado.”

Prefira

“Rafael tem dificuldade para manter a atenção em tarefas longas e se organiza melhor com apoio visual.”

Por quê: “É” vira identidade e tende a ser repetido em casa na frente da criança. Descrever o comportamento e o contexto mostra que ele pode mudar.

Faça recomendações com prazo e ação

Evite

“Recomenda-se acompanhamento especializado.”

Prefira

“Agendar, nas próximas quatro semanas, a avaliação específica de matemática indicada e levar o resultado à consulta de acompanhamento com a psicóloga responsável.”

Por quê: Recomendação vaga gera sensação de abandono e não é seguida. Verbo, prazo e quem faz transformam a orientação em plano.

Erros comuns

Entregar o laudo técnico como se fosse o relatório para os pais

O laudo é escrito para outros profissionais e está cheio de índices, percentis e critérios. Entregá-lo sozinho à família gera interpretações erradas e buscas ansiosas na internet. O relatório para os pais complementa o laudo, não o substitui, e os dois devem ser explicados na entrevista devolutiva.

Esconder a conclusão em nome da delicadeza

Linguagem acessível não significa omitir. Os envolvidos têm direito a receber informações sobre objetivos e resultados do serviço e ter acesso ao documento produzido (Resolução CFP nº 06/2019, art. 4º, § 4º). O relatório traduz a conclusão; não a apaga.

Prometer prognóstico ou indicar medicação

Frases como “com o tempo isso passa” ou “vai precisar de remédio” extrapolam a avaliação e a competência do documento. Prognóstico deve ser cauteloso e fundamentado, e decisões sobre medicação são do médico; o relatório pode, quando indicado, recomendar avaliação médica.

Listar recomendações demais, sem prioridade

Quinze orientações de igual peso paralisam a família. Seis a oito recomendações com prioridade e motivo, começando pelas que mudam o dia a dia, têm muito mais chance de serem seguidas.

Expor o que a criança contou em confiança

O Código de Ética determina que, no atendimento à criança e ao adolescente, se comunique aos responsáveis o estritamente essencial para promover medidas em seu benefício (art. 13). Conteúdos ditos pela criança ou pelo adolescente em confiança, que não sejam necessários para a família agir, não devem ser transcritos no relatório.

Enviar por e-mail sem devolutiva

Mandar o PDF por mensagem e encerrar o caso contraria o art. 18 (ao menos uma entrevista devolutiva para entregar relatório e laudo) e o art. 16 (entrega direta, com protocolo assinado). A conversa é o momento de ver como a família recebe o resultado e ajustar a explicação.

Ética e normas

Cuidados éticos e normativos

Modalidade: relatório psicológico entregue em entrevista devolutiva

A Resolução CFP nº 06/2019 lista as modalidades de documento no art. 8º (declaração, atestado psicológico, relatório psicológico ou multiprofissional, laudo psicológico e parecer psicológico). O texto para os pais se enquadra como relatório psicológico (art. 11), que deve ter linguagem “acessível e compreensível ao destinatário” e cinco itens: identificação, descrição da demanda, procedimento, análise e conclusão. A devolutiva é a entrevista do art. 18, obrigatória para a entrega de relatório e laudo; se ela não puder acontecer, a psicóloga deve explicitar as razões.

Direito de acesso e o que comunicar aos responsáveis

Os envolvidos no processo têm direito a receber informações sobre objetivos e resultados do serviço e acesso ao documento produzido (art. 4º, § 4º, da Resolução). Ao mesmo tempo, o Código de Ética determina que, no atendimento a crianças e adolescentes, se comunique aos responsáveis o estritamente essencial para promover medidas em seu benefício (art. 13). O relatório para os pais equilibra os dois: traz tudo o que a família precisa para agir e preserva o que pertence à intimidade da criança ou do adolescente.

Autorização, entrega e protocolo

O atendimento não eventual de criança ou adolescente exige autorização de ao menos um dos responsáveis (Código de Ética, art. 8º). O documento é entregue diretamente ao responsável legal e/ou ao solicitante em entrevista devolutiva, com protocolo de entrega assinado que comprove o recebimento e a responsabilidade pelo uso e sigilo das informações (Resolução, art. 16, § 1º). Em famílias com responsáveis separados, registre quem solicitou, quem recebeu e como o outro responsável será informado.

Linguagem, fontes e descrições literais

A Resolução veda afirmações sem identificação da fonte ou sem sustentação em fatos ou teorias (art. 11, § 5º, III) e orienta que o documento não traga descrições literais dos atendimentos, salvo justificativa técnica (art. 6º, § 5º). Para a família, isso se traduz em dizer de onde vem cada conclusão (“os responsáveis, a professora e as atividades de Rafael mostraram…”) sem reproduzir falas da criança nem detalhes das sessões.

LGPD, guarda e validade

Dados de saúde são dados pessoais sensíveis, e a LGPD determina que o tratamento de dados de crianças e adolescentes seja feito no seu melhor interesse (art. 14). Envie cópias digitais apenas por canal seguro e combine com a família como guardar o documento. A psicóloga guarda o documento e o material que o fundamentou por no mínimo cinco anos (Resolução, art. 15) e indica o prazo de validade do conteúdo no último parágrafo (art. 17).

No PontoAzul

Como o PontoAzul ajuda a produzir este documento

Versão família com a mesma profundidade

Ao concluir a avaliação, o PontoAzul gera a versão família a partir dos mesmos dados da versão técnica, organizada em O que a avaliação mostrou, Forças, Dificuldades no dia a dia e Próximos passos. Muda a linguagem, não a profundidade: a família recebe a mesma análise, traduzida.

Regras de linguagem para a família já aplicadas

A versão família é redigida sem rótulos, alarme, culpa ou jargão, e nenhum título traz a palavra diagnóstico. O texto explica cada resultado pelo que ele significa no dia a dia, como no laudo de exemplo de TDAH infantil, e remete a conclusão técnica à conversa com o profissional.

Próximos passos por área, com prioridade e motivo

As recomendações saem agrupadas em Família, Escola e Encaminhamentos, cada uma com prioridade e um “Por quê” ligado ao resultado que a sustenta. A família entende o que fazer primeiro e por quê.

Revisão com comparação e histórico

Você ajusta o tom ou o conteúdo em linguagem natural (“deixe mais acolhedor”, “tire esse termo”), compara a versão anterior com a nova palavra a palavra e mantém o histórico. O PontoAzul não faz diagnóstico automático: a conclusão, a revisão final e a assinatura são do profissional.

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Perguntas frequentes: relatório psicológico para os pais

O que é um relatório psicológico para os pais?
É o documento escrito para a família ao final de uma avaliação ou acompanhamento, em linguagem acessível. Explica o que a avaliação mostrou, as forças da criança, como as dificuldades aparecem no dia a dia e os próximos passos. Pela Resolução CFP nº 06/2019, é um relatório psicológico entregue em entrevista devolutiva.
Qual a diferença entre devolutiva e relatório para os pais?
Devolutiva é a entrevista em que a psicóloga explica os resultados e entrega o documento; relatório é o texto escrito. A Resolução CFP nº 06/2019 torna obrigatória ao menos uma entrevista devolutiva para entregar relatório e laudo (art. 18). Por isso, o relatório para os pais acompanha a conversa, nunca a substitui.
É obrigatório fazer devolutiva para os pais depois da avaliação neuropsicológica?
Sim. O art. 18 da Resolução CFP nº 06/2019 estabelece como dever realizar ao menos uma entrevista devolutiva à pessoa atendida ou aos responsáveis legais para a entrega de relatório e laudo. Se ela não puder acontecer, a psicóloga deve explicitar as razões no registro do caso.
Os pais têm direito ao laudo completo?
Sim. A Resolução garante aos envolvidos o direito de receber informações sobre objetivos e resultados do serviço e acesso ao documento produzido. O relatório para os pais não substitui o laudo: ele traduz a conclusão para a vida em casa, enquanto o laudo fica disponível para a família e para outros profissionais.
Como explicar resultados de testes aos pais sem jargão?
Troque o número pelo significado: em vez de percentil 5, diga que a criança teve mais dificuldade do que a maioria das crianças da mesma idade naquela tarefa. Explique o que cada instrumento mede em uma frase, ligue o resultado a situações de casa e termine sempre com o que ajuda.
Como falar de dificuldades sem gerar culpa nos pais?
Descreva a dificuldade como algo que acontece com a criança, não como consequência da criação, e formule orientações como ajuda (“uma rotina previsível ajuda”) em vez de crítica (“falta rotina”). Diga explicitamente que a dificuldade não é preguiça nem falta de esforço, e comece sempre pelas forças.
Posso enviar o relatório para os pais por e-mail ou WhatsApp?
A regra da Resolução é a entrega direta em entrevista devolutiva, com protocolo assinado (art. 16). Uma cópia digital pode complementar a entrega presencial ou online, desde que enviada por canal seguro, com consentimento e registro, lembrando que dados de saúde de crianças são dados sensíveis na LGPD.
O relatório para os pais pode ser levado à escola?
Pode, se a família quiser, mas não é o ideal. Ele foi escrito para a casa e contém informações da família que a escola não precisa ter. O melhor caminho é um relatório próprio para a escola, com necessidades educacionais, forças e estratégias em sala, entregue com autorização dos responsáveis.

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