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Plano de intervenção

Modelo de plano de intervenção para TEA (PIP): metas, estratégias, acompanhamento e relação com o PEI

Modelo completo de plano de intervenção para criança com transtorno do espectro autista (TEA), preenchido com um caso fictício de 7 anos com TEA como hipótese diagnóstica provável: metas por domínio com linha de base, critério de sucesso e prazo, estratégias ligadas às metas, responsáveis por ambiente, quadro de acompanhamento e histórico de versões. Explica também a diferença entre o plano clínico (PIP) e os planos escolares (PEI, PDI e PAEE).

Natureza
Documento clínico
Metas no modelo
8 metas, 8 domínios
Revisão sugerida
A cada 3 a 6 meses
Base legal escolar
Lei 12.764 e LBI

Em resumo

Um plano de intervenção para TEA (PIP) é o documento clínico que transforma os achados da avaliação em metas mensuráveis por domínio, cada uma com linha de base, critério de sucesso, prazo, responsáveis e forma de acompanhamento. Ele não substitui o PEI ou o PAEE, que são documentos pedagógicos elaborados pela escola, mas pode subsidiá-los com informações compartilhadas mediante autorização da família. O plano deve ser revisado a cada três a seis meses ou quando houver mudança relevante.

Quando usar este documento

Use quando

  • Depois de uma avaliação neuropsicológica ou multiprofissional de TEA, para converter os achados em metas de trabalho com linha de base e prazo, em vez de deixar as recomendações do laudo soltas.
  • Quando vários profissionais atendem a mesma criança (psicologia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, escola) e precisam de metas comuns, com responsáveis e ambientes definidos, para não trabalharem em direções diferentes.
  • Quando a família precisa entender o que será trabalhado, por quê, em quanto tempo e como saberá se houve avanço, com linguagem objetiva e registros comparáveis ao longo do tempo.
  • Para subsidiar o PEI ou o PAEE da escola com informações funcionais (metas, estratégias que funcionam, sinais de sobrecarga), sempre com autorização dos responsáveis e apenas no que for necessário.
  • No ciclo de revisão de um plano já em andamento, para registrar evolução, encerrar metas atingidas, ajustar critérios e manter histórico de versões.

Não use quando

  • Como substituto do laudo ou do relatório de avaliação: o plano parte dos achados, mas não descreve método, resultados nem conclusão diagnóstica.
  • Como se fosse o PEI da escola: o plano educacional é documento pedagógico, elaborado pela equipe escolar com a família; o profissional da saúde contribui, mas não o redige sozinho.
  • Antes de ter linha de base: sem observação, escala ou registro inicial, a meta vira intenção e não permite saber se houve mudança.
  • Para justificar carga horária de terapias de forma genérica, sem vínculo entre cada atendimento, as metas definidas e a forma de acompanhamento.
Estrutura

O que o documento precisa ter

  1. 01

    Identificação, base do plano e objetivo geral

    Situa quem é a criança, de quais avaliações o plano parte, quem participa e qual é a direção geral do trabalho no período. O objetivo geral é funcional (participação, comunicação, autonomia), não uma lista de sintomas a eliminar.

  2. 02

    Potencialidades e necessidades prioritárias

    Resume, com base nas evidências da avaliação, o que a criança já faz bem e o que mais limita sua participação hoje. As potencialidades entram como recurso das estratégias, e as necessidades definem a ordem de prioridade das metas.

  3. 03

    Metas por domínio (SMART, com linha de base)

    Cada meta é específica, mensurável, alcançável, relevante e com prazo. Traz o domínio, a prioridade (alta, média, baixa), a linha de base observada, o resultado esperado, o critério de sucesso, o prazo (curto, médio, longo) e o responsável.

  4. 04

    Estratégias ligadas às metas

    Para cada meta, a ação prática, o motivo clínico, a frequência, os materiais, as adaptações e os sinais para pausar ou reavaliar. Estratégia sem meta associada é atividade solta; meta sem estratégia é desejo.

  5. 05

    Responsáveis e ambientes

    Define quem conduz cada estratégia em casa, na escola, na clínica e na comunidade, e como as informações circulam entre eles. Evita que o plano dependa de uma única pessoa ou de um único ambiente.

  6. 06

    Acompanhamento, registro de evolução e revisão

    Especifica como cada meta será medida (frequência, percentual, duração, escala, checklist ou observação), com que regularidade, quem registra e quando o plano será revisado. Inclui o histórico de versões.

  7. 07

    Articulação com a escola e guia para a família

    Indica o que pode ser compartilhado com a escola para apoiar o PEI ou o PAEE, com consentimento, e traduz o plano em orientações práticas para a família, em linguagem acessível.

Modelo preenchido

Caso fictício. Davi não existe: é o mesmo personagem do laudo neuropsicológico de TEA de exemplo, e as metas, linhas de base e registros foram criados para demonstrar a estrutura do plano. Os profissionais citados também são fictícios. O modelo não substitui o julgamento clínico nem a construção do plano com a família e a escola.

Profissional responsável (exemplo)

Psicóloga · CRP 00/000000 · registro fictício

contato@exemplo.com.br · (00) 0000-0000

Plano de Intervenção (PIP)

Versão 1 · Elaborado em 13/10/2026 · Próxima revisão prevista para 12/01/2027

Paciente
Davi (caso fictício)
Idade
7 anos e 4 meses
Escolaridade
2º ano do ensino fundamental, escola regular, período da manhã
Base do plano
Avaliação neuropsicológica de 09/2026 (SRS-2, ADI-R, ATA, Vineland-3, SDQ da professora), com TEA como hipótese diagnóstica provável; avaliação cognitiva, observação estruturada e avaliação fonoaudiológica em andamento. O plano parte das necessidades funcionais já observadas e será revisto quando o diagnóstico for definido
Equipe
Neuropsicóloga (coordenação do plano), fonoaudióloga, terapeuta ocupacional, família e escola
Vigência
13/10/2026 a 12/04/2027, com revisões trimestrais

1. Objetivo e necessidade atual

Objetivo geral

Ampliar a participação de Davi nas rotinas de casa e da escola, com foco em comunicação de pedidos e recusas, tolerância a mudanças de rotina e autonomia em atividades de vida diária, preservando seus interesses e reduzindo situações de sobrecarga que hoje terminam em crise.

Necessidade atual. A família relata crises em mudanças de rotina, isolamento em situações sociais menos estruturadas e dependência de ajuda para vestir-se e alimentar-se. A Vineland-3 respondida pela mãe indica comportamento adaptativo abaixo do esperado (Composto 64), e a SRS-2, também respondida pela mãe, fica em faixa moderada (T 72,5). Na escola, o quadro descrito é diferente: a professora relata um aluno quieto, que cumpre as tarefas, brinca com dois colegas e raramente apresenta crises, e o SDQ não indica problemas de relacionamento com pares. A observação no recreio em 10/2026 mostrou Davi brincando com esses colegas quando é convidado, mas raramente iniciando a interação. Por isso, cada meta usa a linha de base do contexto em que será trabalhada, e a investigação diagnóstica segue em paralelo, sem adiar o apoio às necessidades já identificadas.

Potencialidades e necessidades prioritárias (base: avaliação de 09/2026)
PotencialidadesNecessidades prioritárias
Interesse intenso por mapas e linhas de ônibus, útil como tema de conversa e de motivaçãoFazer pedidos e recusar sem chorar ou sair do ambiente
Cumpre rotina escolar estruturada e segue apoio visual com facilidadeTolerar mudanças de rotina sem crise, especialmente na saída da escola e aos fins de semana
Memória visual boa; reconhece símbolos e sequênciasIniciar interação e propor brincadeira a um colega em situação pouco estruturada
Vínculo afetivo forte com a mãe e com a avóVestir-se e usar talheres com menos ajuda física
Lê palavras simples e gosta de listasCoordenação motora fina para recorte e escrita, com cansaço rápido

2. Metas por domínio

As metas abaixo foram priorizadas a partir das evidências da avaliação e da conversa com a família. Prioridade: alta (afeta segurança, comunicação básica ou participação diária), média e baixa. Prazo: curto (até 3 meses), médio (até 6 meses), longo (até 12 meses).

Metas SMART com linha de base
DomínioMetaLinha de baseResultado esperadoCritério de sucessoPrazoResponsável
Comunicação funcional (alta)Pedir ajuda ou pausa usando frase curta ou cartão visualPede ajuda em 1 de 10 oportunidades observadas; nas demais, chora ou sai da mesaPedir ajuda ou pausa de forma independente na maior parte das oportunidades7 de 10 oportunidades em 3 registros semanais seguidos, em casa e na clínicaCurto (12 semanas)Fonoaudióloga, com mãe
Regulação emocional e transições (alta)Aceitar mudança de rotina avisada com antecedência, usando quadro visualEm casa: 4 a 5 crises por semana ligadas a mudanças, com duração média de 20 minutos (na escola, raras)Reduzir a frequência e a duração das crises em mudanças previstasNo máximo 2 crises por semana, com duração média abaixo de 10 minutos, por 4 semanasMédio (6 meses)Neuropsicóloga e família
Flexibilidade (média)Aceitar uma variação planejada por semana em atividade preferida (trajeto, ordem de tarefas)Recusa toda variação no trajeto de casa à escolaTolerar variação planejada com apoio de aviso visualAceita a variação em 3 de 4 semanas consecutivas, com até um lembreteMédio (6 meses)Família, com orientação da neuropsicóloga
Interação com pares (média)Iniciar interação e propor brincadeira a um colega no recreioObservação no recreio em 10/2026: inicia interação em 1 de 5 dias; nos demais, brinca com os dois colegas habituais quando é convidadoTomar a iniciativa de convidar ou propor brincadeira, com mediação apenas no inícioInicia interação em 3 de 5 dias observados, com mediação reduzida a uma retirada gradualMédio (6 meses)Escola (mediação no recreio), com orientação clínica
Comunicação social (média)Responder a pergunta de um adulto e fazer uma pergunta de volta sobre tema de interesseResponde com uma palavra e não retorna perguntas em conversaManter troca de dois turnos sobre tema de interesseDois turnos completos em 4 de 5 conversas registradas em sessãoCurto (12 semanas)Fonoaudióloga
Atividades de vida diária (média)Vestir camiseta e calça sozinho, com roupa separada e sequência visualPrecisa de ajuda física em todas as etapasVestir-se com apoio apenas verbal ou visualCompleta a sequência com no máximo uma dica verbal em 5 de 7 diasMédio (6 meses)Terapeuta ocupacional e família
Coordenação motora fina (baixa)Usar garfo para levar alimento à boca durante o almoçoUsa colher ou mão; recusa o garfoUsar garfo em parte da refeição, com talher adaptado se necessárioUsa garfo em pelo menos metade da refeição em 4 de 7 diasMédio (6 meses)Terapeuta ocupacional e família
Participação escolar (média)Iniciar atividade de escrita com apoio de modelo e intervalos programadosInicia escrita em 2 de 5 atividades; nas demais, larga o lápis após 2 minutosIniciar e manter escrita por 8 minutos com pausa programadaInicia e mantém 8 minutos em 4 de 5 atividades por 3 semanasMédio (6 meses)Escola, com sugestões da terapeuta ocupacional

Nenhuma meta tem como objetivo eliminar movimentos repetitivos que não causam dano nem prejudicam a participação; eles foram registrados como forma de autorregulação e serão observados apenas se passarem a gerar risco ou impedir a atividade.

3. Estratégias ligadas às metas

Estratégias, frequência, ambiente e justificativa
EstratégiaAção práticaFrequênciaAmbientePor quê
Cartão de ajuda e de pausa (meta de comunicação funcional)Deixar dois cartões visíveis na mesa; o adulto mostra o cartão no início da dificuldade e aguarda 5 segundos antes de ajudarEm toda tarefa de mesaCasa, clínica e escolaOferece uma forma mais fácil e mais rápida de pedir do que a crise, e permite contar as oportunidades
Quadro visual de rotina com aviso de mudança (meta de transições)Quadro com figuras da sequência do dia; mudanças marcadas com símbolo de troca e avisadas com 10 minutos de antecedência e de novo com 2 minutosDiariamenteCasa e escolaDavi segue bem apoio visual; antecipar a mudança reduz a imprevisibilidade, gatilho das crises relatadas
Variação planejada e pequena (meta de flexibilidade)Escolher com Davi, no domingo, uma variação da semana (outro caminho, outra ordem de tarefas), marcada no quadro1 vez por semanaCasa e comunidadeExpor a mudança em dose pequena, previsível e com escolha aumenta a tolerância sem gerar sobrecarga
Brincadeira mediada com tema de interesse (meta de iniciativa com pares)No recreio, a auxiliar leva o jogo de cartas de ônibus e incentiva Davi a convidar um dos colegas com quem já brinca; a mediação diminui a cada duas semanas3 vezes por semana, 10 minutosEscolaO tema preferido aumenta a motivação e os colegas conhecidos reduzem a exigência social; o foco é a iniciativa, que a observação mostrou ser rara
Troca de turnos com pergunta-modelo (meta de comunicação social)Em conversa sobre mapas, o adulto modela a pergunta de volta e oferece cartão com início de fraseEm toda sessão de fonoaudiologia e 1 vez ao dia em casaClínica e casaTorna visível a estrutura da conversa, que a SRS-2 apontou como área de dificuldade
Sequência visual de vestir (meta de vida diária)Fotos das etapas coladas no armário; ajuda física retirada etapa por etapa, da última para a primeiraTodas as manhãsCasaO encadeamento de trás para frente garante que Davi termine a tarefa sozinho e perceba o sucesso
Talher adaptado e prática curta (meta motora fina)Garfo com cabo engrossado; usar nos primeiros 5 minutos do almoço, sem cobrança no restanteDiariamente no almoçoCasaReduz a exigência motora e evita que a refeição vire disputa
Escrita com modelo e pausa programada (meta escolar)Ficha com modelo pontilhado e cronômetro visual de 4 minutos, seguido de pausa de 1 minutoEm toda atividade de escritaEscolaO cansaço motor rápido e a dificuldade de iniciar foram observados; a pausa previsível sustenta a continuidade
Materiais, adaptações e quando pausar ou reavaliar
EstratégiaMateriais e adaptaçõesQuando pausar ou reavaliar
Cartões de ajuda e de pausaCartões plastificados com símbolo e palavra; versão em chaveiro para a escolaSe Davi usar o cartão de pausa para evitar todas as tarefas por 2 semanas, revisar a demanda das tarefas antes de restringir o cartão
Quadro visual de rotinaFiguras com velcro; símbolo próprio para mudançaSe as crises aumentarem após a introdução, verificar se o quadro está atualizado e se os avisos estão sendo dados
Brincadeira mediadaCartas de linhas de ônibus; espaço mais silencioso do pátioSe houver sinais de sobrecarga sensorial (tapar ouvidos, fugir), reduzir o tempo e mudar o local antes de insistir
Sequência visual de vestirFotos do próprio Davi; roupas sem botão no inícioSe não houver avanço em 6 semanas, reavaliar com a terapeuta ocupacional o planejamento motor

4. Responsáveis e ambientes

Quem conduz o quê, onde e como a informação circula
AmbienteQuem conduzO que fazComunicação
CasaMãe e avóQuadro visual, variação semanal, sequência de vestir, talher adaptado, cartõesRegistro diário simples em ficha de checklist; envio semanal de foto da ficha à neuropsicóloga
EscolaProfessora regente e auxiliar de sala, com coordenação pedagógicaQuadro de rotina com avisos de mudança, brincadeira mediada no recreio, escrita com pausa programadaCaderno de comunicação semanal; reunião com a equipe clínica a cada 2 meses, com autorização da família
ClínicaNeuropsicóloga, fonoaudióloga e terapeuta ocupacionalSessões de treino das habilidades-alvo, orientação à família e à escola, consolidação dos registrosReunião interna mensal; atualização do registro de evolução no plano
ComunidadeFamíliaVariação planejada de trajeto, ida a lugares com aviso prévio e tempo de saída combinadoRelato nas sessões quinzenais de orientação

5. Acompanhamento e registro de evolução

Quadro de acompanhamento
MetaComo acompanharFrequência do registroQuem registraLinha de base (10/2026)Revisão 1 (01/2027)Revisão 2 (04/2027)
Pedir ajuda ou pausaFrequência: oportunidades com pedido / total de oportunidades3 vezes por semanaFonoaudióloga e mãe1 de 10a registrara registrar
Transições sem criseFrequência e duração das crises (registro ABC simples)DiáriaMãe e escolaCasa: 4 a 5 por semana; 20 minutosa registrara registrar
Variação planejadaChecklist: aceitou, aceitou com lembrete, recusouSemanalFamíliaRecusa todasa registrara registrar
Iniciativa com colega no recreioDias com iniciativa de interação e nível de mediação3 vezes por semanaAuxiliar de sala1 de 5 diasa registrara registrar
Troca de turnosObservação em sessão: turnos completos por conversaSemanalFonoaudióloga1 turnoa registrara registrar
Vestir-seChecklist por etapa e tipo de ajuda (física, verbal, nenhuma)DiáriaMãeAjuda física em todasa registrara registrar
Uso do garfoPercentual aproximado da refeição com garfoDiáriaAvó0%a registrara registrar
Escrita com pausaDuração do engajamento e início espontâneo2 vezes por semanaProfessora2 de 5; 2 minutosa registrara registrar

Regras de revisão. Meta atingida pelo critério em dois registros consecutivos é encerrada e substituída pela etapa seguinte. Meta sem mudança em 8 semanas é reavaliada: verificar se a estratégia está sendo aplicada como combinado, se o critério está realista e se surgiu algum fator novo (sono, saúde, mudança escolar). Reavaliações padronizadas, como a Vineland-3, ficam para o intervalo de 12 meses, quando a comparação com a linha de base é mais informativa.

Histórico de versões
VersãoDataAlteraçãoMotivo
113/10/2026Criação do plano com 8 metas em 8 domíniosDevolutiva da avaliação de 09/2026 à família, com TEA como hipótese diagnóstica provável e investigação complementar em andamento

6. Articulação com a escola e orientações à família

O que será compartilhado com a escola (com autorização dos responsáveis)

  • As metas de transições, interação com pares e escrita, com as estratégias correspondentes, para que a equipe pedagógica avalie como incorporá-las ao PEI ou ao Plano de Atendimento Educacional Especializado (PAEE).
  • Sinais de sobrecarga observados (tapar os ouvidos, andar em círculos, recusar contato) e o que costuma ajudar (aviso prévio, local mais silencioso, cartão de pausa).
  • O quadro de registro simples para recreio e escrita, se a escola concordar em usá-lo.
  • Não serão enviados escores brutos, hipóteses diferenciais nem informações familiares que não tenham relação com a vida escolar.

Guia rápido para a família

  1. Avise mudanças com antecedência, mostrando no quadro e repetindo o aviso dois minutos antes.
  2. Deixe os cartões de ajuda e de pausa sempre à vista e aceite o pedido quando Davi usá-los.
  3. Escolha com ele uma pequena variação por semana e comemore quando ela acontecer.
  4. Na hora de vestir, ajude só na etapa em que ele ainda precisa e deixe que termine sozinho.
  5. Marque a ficha de registro no fim do dia; não é preciso detalhar, basta o que aconteceu.

Profissional responsável (exemplo)

Psicóloga · CRP 00/000000 · registro fictício

Como escrever: evite × prefira

Meta observável, não intenção vaga

Evite

“Melhorar a comunicação e a socialização de Davi.”

Prefira

“Pedir ajuda ou pausa com frase curta ou cartão visual em 7 de 10 oportunidades, em 3 registros semanais seguidos, em casa e na clínica.”

Por quê: Uma meta vaga não permite saber se houve mudança nem quando encerrá-la. A versão observável define o comportamento, a medida, o critério e os contextos, e qualquer pessoa da equipe consegue registrar do mesmo jeito.

Linha de base com número

Evite

“Atualmente apresenta muitas crises.”

Prefira

“Linha de base: 4 a 5 crises por semana ligadas a mudanças de rotina, com duração média de 20 minutos (registro da mãe em 2 semanas).”

Por quê: Sem linha de base, o critério de sucesso fica sem referência e a revisão vira impressão. Duas semanas de registro antes de iniciar a estratégia costumam bastar para uma linha de base útil.

Estratégia ligada à meta, ao ambiente e ao motivo

Evite

“Utilizar recursos visuais.”

Prefira

“Quadro visual de rotina com símbolo de mudança, aviso 10 e 2 minutos antes, diariamente em casa e na escola, porque a imprevisibilidade é o gatilho das crises relatadas.”

Por quê: A estratégia precisa dizer o que fazer, quando, onde e por quê. O motivo ajuda quem aplica a adaptar sem perder a função quando algo sai do previsto.

Linguagem descritiva e não estigmatizante

Evite

“Criança com comportamento birrento e rígido, que não aceita regras.”

Prefira

“Diante de mudanças não avisadas, Davi chora e sai do ambiente; com aviso visual prévio, aceita a transição na maioria das vezes.”

Por quê: Descrever a situação e a resposta, em vez de rotular, mostra o que pode ser modificado no ambiente e evita que o documento reforce estigmas quando lido pela escola ou pela própria família.

Critério de sucesso que inclui generalização

Evite

“Atingir a meta em sessão.”

Prefira

“Critério: 7 de 10 oportunidades em casa e na clínica, por 3 semanas seguidas.”

Por quê: Em TEA, habilidades aprendidas em um contexto nem sempre aparecem em outro. Exigir mais de um ambiente e mais de um registro torna o critério mais confiável.

Prazo com data de revisão

Evite

“Meta de longo prazo, a ser revista quando necessário.”

Prefira

“Prazo médio (6 meses); revisões em 12/01/2027 e 12/04/2027.”

Por quê: Datas concretas criam o compromisso de olhar os registros e decidir o que manter, ajustar ou encerrar.

Erros comuns

Copiar metas de banco sem individualizar

Listas prontas de metas para autismo são úteis como inspiração, mas metas copiadas sem linha de base própria costumam ser fáceis demais ou impossíveis para aquela criança. Cada meta deve nascer de um achado da avaliação ou de um relato funcional da família e da escola.

Metas demais ao mesmo tempo

Planos com 20 ou 30 metas simultâneas diluem o esforço da família e da equipe e tornam o registro impraticável. Um ciclo com 5 a 8 metas prioritárias, revisado a cada trimestre, tende a gerar mais informação e mais aderência.

Não definir como medir

Sem dizer se a meta será acompanhada por frequência, percentual, duração, escala ou checklist, cada pessoa registra de um jeito e a revisão não consegue comparar. O método de acompanhamento faz parte da meta.

Mirar a supressão de comportamentos que não causam dano

Metas para eliminar movimentos repetitivos, interesses restritos ou formas de comunicação diferentes, sem relação com risco ou participação, tendem a aumentar a sobrecarga. O foco do plano deve ser funcionalidade, bem-estar e participação.

Confundir o plano clínico com o PEI

Enviar o PIP para a escola como se fosse o PEI desloca a responsabilidade pedagógica e expõe informações clínicas desnecessárias. O plano clínico subsidia; a escola elabora o PEI ou o PAEE com a família e o estudante.

Não revisar nem registrar versões

Um plano que não é revisado vira documento de arquivo. Sem histórico de versões, perde-se a memória do que já foi tentado, do que funcionou e de por que uma meta foi alterada.

Ética e normas

Cuidados éticos e normativos

O que compartilhar com a escola

Compartilhe apenas o necessário para apoiar a vida escolar: metas que envolvem a escola, estratégias que funcionam e sinais de sobrecarga. Escores brutos, hipóteses diferenciais e dados familiares sensíveis permanecem no prontuário. Quando o compartilhamento for por escrito, siga as regras da Resolução CFP nº 06/2019 para documentos psicológicos, escolhendo a modalidade adequada (em geral, relatório psicológico ou multiprofissional).

Consentimento e participação da criança

O envio de qualquer informação à escola ou a outros profissionais depende de autorização dos responsáveis legais. A criança deve participar do plano na medida da sua compreensão: escolher temas de interesse, opinar sobre estratégias e ter sinais de recusa respeitados. Dados de saúde de crianças são dados pessoais sensíveis, e a LGPD exige tratamento no melhor interesse da criança.

Linguagem não estigmatizante

Descreva comportamentos em contexto e evite rótulos morais (birra, manha, teimosia). O plano será lido por pais, professores e, no futuro, pela própria pessoa; a linguagem deve reconhecer potencialidades e não tratar características do espectro como defeitos a corrigir.

Sem promessa de resultado

Metas são hipóteses de trabalho, não garantias. O plano não deve prometer prazos de melhora, normalização ou independência total, nem condicionar o acesso a direitos escolares à sua existência: pelo Decreto nº 12.686/2025, o AEE e o profissional de apoio não dependem de laudo ou documento de saúde.

Revisão periódica obrigatória

Revise o plano nas datas combinadas, registre o que mudou e por quê, e encerre metas atingidas. Manter metas antigas sem revisão expõe a criança a intervenções que podem não fazer mais sentido.

No PontoAzul

Como o PontoAzul ajuda a produzir este documento

O plano parte das evidências da avaliação

No PontoAzul, o Plano de Intervenção é elaborado a partir das informações do paciente e dos resultados já registrados. Cada meta fica ligada aos achados que a justificam, e a aba Visão geral resume objetivo, necessidade atual, potencialidades e necessidades prioritárias.

Metas mensuráveis com tudo o que a revisão precisa

Cada meta traz domínio, prioridade (alta, média, baixa), prazo (curto, médio, longo), linha de base, resultado esperado, critério de sucesso, como acompanhar (frequência, percentual, duração, escala, checklist ou observação), responsáveis e ambientes (casa, escola, clínica, comunidade).

Estratégias ligadas às metas

As estratégias trazem ação prática, por que funcionam, frequência, materiais, adaptações e quando pausar ou reavaliar, sempre vinculadas a uma meta específica.

Sugestões revisáveis antes de aplicar

Quando o PontoAzul sugere ajustes, o plano atual permanece como está e não muda até você escolher o que aplicar. O profissional decide, edita e assume o conteúdo final.

Registro de evolução, histórico e guias

A aba Acompanhamento registra a evolução em linha do tempo, e o Histórico guarda as versões. A partir do plano, o PontoAzul monta guias em linguagem acessível para a família e para a escola, que o profissional revisa antes de entregar.

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Perguntas frequentes: plano de intervenção para tea (pip) com metas e relação com o pei

Qual a diferença entre PIP, PEI, PDI e PAEE?
O PIP (plano de intervenção) é clínico: organiza metas terapêuticas da equipe de saúde. O PEI (Plano Educacional Individualizado) e o PDI (Plano de Desenvolvimento Individual, nome usado por algumas redes) são instrumentos pedagógicos da escola. O PAEE (Plano de Atendimento Educacional Especializado) é o documento obrigatório do AEE, derivado do estudo de caso. O Decreto nº 12.686/2025 determina que o PEI e instrumentos análogos sigam as regras do PAEE.
Quem elabora o PEI de uma criança autista?
O PEI é elaborado pela escola: professor regente, professor do AEE e coordenação pedagógica, com participação garantida da família e do próprio estudante. Profissionais da saúde, como psicólogo, fonoaudiólogo e terapeuta ocupacional, podem contribuir com informações funcionais e sugestões, mas não substituem a equipe escolar na definição do plano pedagógico.
A escola pode exigir laudo para oferecer AEE ou fazer o PEI?
Não para o AEE. O Decreto nº 12.686/2025 estabelece que a oferta do AEE e do profissional de apoio escolar não depende de diagnóstico, laudo ou relatório de profissional de saúde. A identificação parte do estudo de caso pedagógico. Laudos e avaliações podem ser usados como documentos subsidiários, mas não como condição de acesso.
Quais metas colocar em um plano de intervenção para autismo?
As metas devem vir das necessidades que mais limitam a participação da criança, identificadas na avaliação: comunicação funcional, regulação emocional, flexibilidade, interação com pares, atividades de vida diária, motricidade e participação escolar são domínios frequentes. Priorize de cinco a oito metas por ciclo, cada uma com linha de base, critério de sucesso e prazo.
O que é linha de base e como medir em TEA?
Linha de base é o registro de como a habilidade ou o comportamento acontece antes da intervenção. Pode ser frequência (quantas vezes por dia), percentual de oportunidades, duração, nível de ajuda necessário ou escore de escala padronizada. Duas semanas de registro simples, feito pela família, pela escola ou em sessão, costumam ser suficientes.
De quanto em quanto tempo revisar o plano de intervenção?
Uma revisão a cada três meses funciona bem para metas de curto prazo, com reavaliação mais ampla a cada seis a doze meses. Revise antes se houver mudança de escola, de medicação, de rotina familiar ou se uma meta ficar oito semanas sem mudança. Registre cada revisão no histórico de versões.
Criança com TEA tem direito a acompanhante especializado na escola?
A Lei nº 12.764/2012 prevê, no parágrafo único do art. 3º, acompanhante especializado para a pessoa com TEA incluída em classe comum, em casos de comprovada necessidade. A LBI (Lei nº 13.146/2015) garante oferta de profissional de apoio escolar, e o Decreto nº 12.686/2025 define que essa oferta não depende de laudo de saúde.
Dá para fazer o plano de intervenção antes de fechar o diagnóstico?
Sim. O plano se baseia em necessidades funcionais observadas, não apenas no diagnóstico. Uma criança com hipótese provável de TEA pode iniciar intervenção em comunicação ou regulação enquanto a investigação complementar é concluída. O plano deve registrar o estado da investigação e ser revisado quando o diagnóstico for definido.

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