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Atenção, memória e funções executivas · Avaliação

TMT: Teste de Trilhas A e B (Trail Making Test)

O Teste de Trilhas (TMT) mede velocidade de processamento na parte A (ligar 25 números em ordem) e flexibilidade cognitiva na parte B (alternar números e letras, 1-A-2-B até 13).

Referência clássica
Reitan (1958)
Círculos por parte
25
Duração
5 a 10 minutos

TMT em resumo

O Trail Making Test (TMT), ou Teste de Trilhas, é uma tarefa de lápis e papel com duas partes. Na parte A, a pessoa liga 25 círculos numerados em ordem crescente; na parte B, alterna números e letras (1-A-2-B…13). O tempo da parte A reflete rastreio visual e velocidade; o da parte B acrescenta flexibilidade cognitiva. Os índices B−A e B/A isolam o custo da alternância.

Origem
Army Individual Test Battery (1944)
Referência clássica
Reitan (1958)
Partes
A (números) e B (números e letras)
Círculos por parte
25
Medidas
Tempo A, tempo B, erros, B−A, B/A
Duração
5 a 10 minutos
Normas adultas brasileiras
Campanholo et al. (2014), n = 1.447
SATEPSI
Não consta como teste psicológico favorável

O que o TMT avalia?

1Parte A

Ligar os números de 1 a 25 em ordem crescente, o mais rápido possível, sem tirar o lápis do papel. Mede rastreio visual, sequenciamento simples e velocidade psicomotora.

2Parte B

Alternar números e letras em ordem (1-A-2-B-3-C… até 13), com 25 círculos. Acrescenta a exigência de manter duas sequências e trocar de uma para outra.

3Índice B−A

Diferença em segundos entre as partes B e A. Estima o tempo gasto com a alternância, descontando a velocidade motora e visual.

4Razão B/A

Tempo da parte B dividido pelo da parte A. Mostra o custo relativo da alternância e é menos sensível à lentidão geral.

Dados que viram resultado

Do TMT ao gráfico e ao laudo

Você registra os tempos em segundos e os erros das partes A e B do Teste de Trilhas. O resultado vira um parágrafo do laudo-base sobre velocidade e flexibilidade cognitiva, para você revisar.

  • B−A e B/A sem conta manual
  • Norma por idade e escolaridade
  • Padrão descrito no laudo-base

Correção programada e Cérebro PontoAzul

O PontoAzul calcula B−A e B/A, compara os tempos com a norma selecionada para idade e escolaridade e identifica o padrão de desempenho.

Testar com TMT

Calculadora de idade cronológica

Trail Making Test (TMT), partes A e B: velocidade de processamento e flexibilidade cognitiva em adultos

Autor(es): Army Individual Test Battery (1944); popularizado por Ralph M. Reitan (1958); normas brasileiras de Hamdan e Hamdan (2009) e Campanholo et al. (2014) · 1944 (origem); 1958 (Reitan)

Conteúdo da equipe editorial PontoAzul, baseado nas fontes listadas ao final. Revisão editorial v2, atualizada em .

O que é o TMT?

O Trail Making Test (TMT) nasceu como parte da Army Individual Test Battery, em 1944, e ganhou uso clínico com os estudos de Ralph Reitan (1958), que mostrou sua sensibilidade a lesões cerebrais. Hoje é um dos testes neuropsicológicos mais aplicados no mundo, pela rapidez e pela riqueza de informação em poucos minutos.

A parte A exige rastreio visual, reconhecimento de números e sequência simples. A parte B mantém essas demandas e acrescenta a alternância entre duas sequências (números e letras), o que envolve memória operacional e flexibilidade cognitiva. Como a parte B contém a parte A, a comparação entre elas, pelos índices B−A e B/A, permite separar lentidão geral de dificuldade de alternância.

No Brasil, não há manual comercial da versão adulta clássica. As referências normativas vêm de artigos: Hamdan e Hamdan (2009), com 318 adultos de 18 a 81 anos divididos por idade e escolaridade, e Campanholo et al. (2014), com 1.447 adultos saudáveis. Para crianças, existem versões publicadas pela Memnon com normas próprias.

Indicação e população

O TMT é indicado em avaliações neuropsicológicas de adultos e idosos: rastreio de declínio cognitivo, traumatismo cranioencefálico, AVC, esclerose múltipla, TDAH do adulto, transtornos psiquiátricos e acompanhamento de reabilitação. Também é útil em avaliações de capacidade para dirigir e de retorno ao trabalho, sempre como parte de uma bateria e não como teste único. Por ser curto, também funciona bem em reavaliações seriadas, desde que se considere o efeito de prática.

Quando o TMT não é a melhor escolha

Evite o TMT quando a pessoa não domina a sequência do alfabeto ou os números até 25, tem baixa visão não corrigida ou tremor e paresia na mão dominante. Em baixa escolaridade, a parte B pode medir mais o letramento do que a flexibilidade; nesses casos, considere o Teste de Trilhas Coloridas. Para crianças, use versões com normas infantis.

Estrutura do TMT

Cada parte do TMT tem uma folha de treino curta e uma folha de teste com 25 círculos espalhados. O aplicador cronometra do comando “já” até o último círculo e aponta cada erro na hora, para que a pessoa volte ao último círculo correto; o cronômetro não para durante a correção.

DimensãoItensO que avalia
Treino da parte AExemploSequência numérica curta para garantir que a instrução foi entendida.
Parte A1 → 25Ligação dos números em ordem crescente, cronometrada.
Treino da parte BExemploAlternância curta entre números e letras.
Parte B1 → 13 e A → LAlternância completa entre números e letras, cronometrada.

Protocolo de aplicação

  1. 1

    Coloque a folha diante do examinando e faça o treino da parte A, corrigindo dúvidas.

  2. 2

    Aplique a parte A com cronômetro, apontando cada erro na hora para que a pessoa volte ao último círculo correto.

  3. 3

    Faça o treino da parte B e confirme que a alternância número-letra foi compreendida.

  4. 4

    Aplique a parte B nas mesmas condições, sem parar o cronômetro durante as correções.

  5. 5

    Registre tempos, número e tipo de erros e observações sobre estratégia e comportamento.

Como corrigir o TMT

A correção do TMT parece trivial, mas o laudo depende de detalhes: tempos em segundos, erros por parte, B−A e B/A, e comparação com a norma adequada à idade e à escolaridade. A escolha do estudo normativo precisa aparecer no laudo, porque cada um define grupos diferentes.

No PontoAzul, você registra os tempos e os erros das partes A e B. A plataforma calcula B−A e B/A, compara com a referência normativa selecionada para a idade e a escolaridade do caso e classifica o padrão entre lentidão geral e custo de alternância. O cálculo fica visível e o resultado entra no laudo-base para revisão.

  1. Registre o tempo em segundos de cada parte, do comando de início até o último círculo.

  2. Anote o número de erros de cada parte (ligação fora de ordem, troca de sequência na B, perseveração).

  3. Calcule B − A (em segundos) e B ÷ A (razão).

  4. Converta os tempos em percentil ou escore z pela norma brasileira da idade e escolaridade do examinando.

  5. Descreva o padrão: lentidão geral (A e B lentos, razão preservada) ou custo específico de alternância (A normal, B e razão elevados).

Exemplo de correção

Caso fictício: mulher de 45 anos, 16 anos de estudo, com queixa de dificuldade para alternar tarefas no trabalho.

Tempo parte A
32 s, 0 erros
Tempo parte B
118 s, 2 erros
B − A
86 s
B ÷ A
3,7

Parte A dentro do esperado e parte B lenta, com razão B/A de 3,7 e dois erros de alternância: padrão compatível com custo específico de flexibilidade, não com lentidão geral. A posição exata nos percentis depende da tabela por idade e escolaridade usada. Números ilustrativos.

Interpretação dos resultados

O TMT não tem pontos de corte oficiais: os tempos variam muito com idade e escolaridade, e cada estudo normativo brasileiro (Hamdan e Hamdan, 2009; Campanholo et al., 2014) organiza suas tabelas por grupos próprios. Por isso, a interpretação combina a posição normativa dos tempos com o padrão entre as partes. A tabela abaixo resume os padrões mais usados na leitura clínica, sem substituir a conversão normativa.

FaixaClassificaçãoLeitura clínica
A e B na média, B/A típicaDesempenho esperadoVelocidade e flexibilidade compatíveis com o grupo de idade e escolaridade.
A e B lentos, B/A típicaLentidão geralO problema está na velocidade de processamento ou motora, não na alternância. Verifique fatores motores, visuais e de humor.
A normal, B lenta, B/A elevadaCusto de alternânciaDificuldade específica de flexibilidade cognitiva e manutenção de duas sequências.
Erros frequentes não corrigidosFalha de monitoramentoSugere impulsividade ou dificuldade de automonitoramento; descreva tipo e momento dos erros.

Informe no laudo a norma usada e a escolaridade considerada. Em pessoas com menos de 8 anos de estudo, a parte B pode ser prejudicada pelo pouco domínio do alfabeto. O TMT não consta na lista de testes psicológicos favoráveis do SATEPSI; use-o como tarefa neuropsicológica complementar.

Erros comuns na correção manual

Parar o cronômetro para corrigir o erro

O tempo corre enquanto o examinando volta ao último círculo correto. Parar o cronômetro subestima a parte B justamente de quem mais erra.

Interpretar a parte B sem olhar a parte A

Uma parte B lenta pode ser só lentidão geral. Sem B−A e B/A, o laudo atribui à flexibilidade o que é velocidade.

Usar norma sem ajuste de escolaridade

A escolaridade pesa tanto quanto a idade nos tempos da parte B. Comparar com a média geral gera falsos déficits em baixa escolaridade.

Calcular a razão invertida

A razão é B ÷ A. Registrar A ÷ B produz valores menores que 1 e confunde a comparação. No PontoAzul, os dois índices saem com a fórmula exposta para conferência.

No PontoAzul, a correção do TMT segue as regras do instrumento e mostra o cálculo para você conferir. Teste grátis por 7 dias.

Como o TMT aparece no laudo

Trecho demonstrativo, sem dados de paciente real. No PontoAzul, você registra tempos e erros das duas partes; o laudo-base traz B−A, B/A e a posição normativa, para você revisar.

No Teste de Trilhas (Trail Making Test), aplicado em 22/09/2026, a avaliada completou a parte A em 32 segundos, sem erros, e a parte B em 118 segundos, com dois erros de alternância corrigidos após sinalização. A diferença entre as partes foi de 86 segundos e a razão B/A, de 3,7. O desempenho na parte A situou-se na faixa esperada para idade e escolaridade, enquanto a parte B indicou maior custo para alternar entre sequências, sugerindo fragilidade na flexibilidade cognitiva.

Trecho ilustrativo de caso fictício. O texto final é sempre revisado pelo profissional.

TMT e instrumentos parecidos

  • Teste de Trilhas Coloridas (TTC): O TTC troca as letras por cores, reduzindo o peso da escolaridade e do alfabeto, e tem normas brasileiras publicadas em manual de 18 a 86 anos.
  • Trilhas Pré-Escolar: Versão para 4 a 6 anos com figuras de cachorros e ossos em ordem de tamanho, sem exigir números ou letras.
  • FDT: O FDT também mede flexibilidade (alternância) e inibição, usando dígitos de 1 a 5 e contagem, com normas brasileiras em manual.
  • Stroop Victoria: O Stroop foca controle inibitório. TMT e Stroop costumam ser aplicados juntos para separar flexibilidade de inibição.

Referências e fontes públicas

Fontes consultadas pela equipe editorial para revisar as informações desta página.

Bibliografia complementar (4)
  1. Reitan, R. M. (1958). Validity of the Trail Making Test as an indicator of organic brain damage. Perceptual and Motor Skills, 8, 271–276.
  2. Hamdan, A. C., & Hamdan, E. M. L. R. (2009). Effects of age and education level on the Trail Making Test in a healthy Brazilian sample. Psychology & Neuroscience, 2(2), 199–203.
  3. Campanholo, K. R., Romão, M. A., Machado, M. A. R., et al. (2014). Performance of an adult Brazilian sample on the Trail Making Test and Stroop Test. Dementia & Neuropsychologia, 8(1), 26–31.
  4. Tombaugh, T. N. (2004). Trail Making Test A and B: normative data stratified by age and education. Archives of Clinical Neuropsychology, 19(2), 203–214.

Perguntas frequentes sobre o TMT

Como corrigir o Teste de Trilhas A e B?
Registre o tempo em segundos e os erros de cada parte. Calcule B − A e a razão B ÷ A. Depois compare os tempos com uma norma brasileira que considere idade e escolaridade, como Campanholo et al. (2014), e descreva se o padrão é de lentidão geral ou de custo de alternância.
O que avalia a parte B do Trail Making Test?
A parte B avalia flexibilidade cognitiva: a pessoa precisa alternar entre números e letras (1-A-2-B…), mantendo duas sequências na memória operacional. Como também exige rastreio e velocidade, deve ser lida junto com a parte A.
Como interpretar a razão B/A do TMT?
A razão B/A mostra quanto a parte B foi mais lenta que a A. Uma razão elevada com parte A normal sugere dificuldade específica de alternância; razão típica com as duas partes lentas sugere lentidão geral de processamento.
Quanto tempo dura o Teste de Trilhas?
A aplicação do TMT, com os treinos das duas partes, costuma levar de 5 a 10 minutos. A correção dos tempos e índices é imediata, mas a escolha da norma por idade e escolaridade exige atenção.
O Teste de Trilhas é aprovado no SATEPSI?
Não. Em consultas públicas ao SATEPSI, nenhuma versão do TMT aparece na lista de testes psicológicos favoráveis. Ele é usado como tarefa neuropsicológica, com normas publicadas em artigos, e deve ser apresentado no laudo como tal.
Pode parar o cronômetro quando o paciente erra no TMT?
Não. Ao apontar o erro, o avaliado volta ao último círculo correto enquanto o cronômetro continua correndo. O tempo gasto com a correção faz parte do desempenho e é justamente o que torna a parte B sensível.
Como o PontoAzul ajuda com o TMT?
Você registra tempos e erros das duas partes e o PontoAzul calcula B−A e B/A, compara com a norma por idade e escolaridade e escreve o trecho do laudo com o padrão encontrado, para você revisar. Teste grátis por 7 dias.

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