1Parte A — iniciação
Completar 15 sentenças com uma palavra que faça sentido: mede busca lexical automática, iniciação e velocidade de resposta.
O Teste Hayling avalia iniciação e inibição verbal com sentenças às quais falta a última palavra. Na Parte A, a pessoa completa 15 sentenças com a palavra esperada; na Parte B, outras 15 com uma palavra sem relação. Tempos, erros tipo A e tipo B (escore de 0 a 45) e a diferença B − A são comparados com normas brasileiras de 19 a 75 anos, por idade e escolaridade.
O Teste Hayling (Burgess e Shallice, 1996–1997) é uma tarefa oral e cronometrada de completar sentenças que mede iniciação verbal (Parte A) e inibição verbal (Parte B). Na versão brasileira adulta, cada parte tem 15 sentenças. Medem-se o tempo de cada parte, os erros da Parte A, os erros da Parte B (0 a 15 e escore ponderado de 0 a 45) e a diferença B − A, comparados a normas de adultos de 19 a 75 anos.
Completar 15 sentenças com uma palavra que faça sentido: mede busca lexical automática, iniciação e velocidade de resposta.
Completar 15 sentenças com uma palavra sem relação de sentido: exige suprimir a resposta automática e gerar uma estratégia de busca.
Erro tipo A completa a sentença (3 pontos); erro tipo B fica ligado ao sentido sem completá-la (1 ponto).
A diferença de tempo B − A estima quanto a supressão da palavra esperada atrasa a resposta em relação à iniciação.
Você informa a data, os anos de estudo e, para cada uma das 30 sentenças, a classificação da resposta e a latência em segundos, ou só o tempo total de cada parte. Esses números entram no laudo-base com a referência normativa e alertas de registro, como Parte B mais rápida que a A, para que você interprete iniciação e inibição no contexto do caso.
O servidor confere idade de 19 a 75 anos e escolaridade de 5 anos ou mais, soma tempos, pondera erros tipo A (3) e tipo B (1), calcula B − A e compara seis medidas com a média e o DP da célula de idade × escolaridade de Zimmermann et al. (2017).
Testar com HaylingCalcule a idade na data de aplicação do Hayling
Autor(es): Paul W. Burgess e Tim Shallice; adaptação brasileira de Rochele Paz Fonseca e colaboradoras; normas brasileiras de Zimmermann, Cardoso, Kristensen e Fonseca · 1996–1997 (adaptação brasileira: 2010; normas adultas: 2017)
Conteúdo da equipe editorial PontoAzul, baseado nas fontes listadas ao final. Revisão editorial v2, atualizada em .
O Teste Hayling foi criado pelos neuropsicólogos britânicos Paul W. Burgess e Tim Shallice. O estudo de 1996, publicado na Neuropsychologia, comparou 91 pacientes com lesão cerebral: quem tinha lesão frontal respondeu mais devagar na condição de completar sentenças e produziu mais palavras ligadas à frase na condição de suprimir, além de usar menos estratégias. As duas condições não se correlacionaram, nem no grupo nem caso a caso, o que sustenta a ideia de que iniciação e inibição podem falhar de forma independente. Em 1997, o teste foi publicado como manual, junto com o Teste de Brixton, pela Thames Valley Test Company.
A tarefa é simples de explicar e difícil de executar. O examinador lê uma sentença sem a última palavra. Na Parte A, o contexto ativa quase automaticamente uma palavra, e a pessoa deve dizê-la rápido. Na Parte B, deve dizer uma palavra sem nenhuma relação de sentido, o que exige frear a resposta que o contexto ativou e buscar outra, muitas vezes com uma estratégia, como nomear objetos da sala.
No Brasil, a versão adulta foi adaptada por Fonseca e colaboradoras (2010), em capítulo publicado pela Casa do Psicólogo, com sentenças próprias em português. Em 2017, Zimmermann, Cardoso, Kristensen e Fonseca publicaram na Trends in Psychiatry and Psychotherapy as normas de 364 adultos de 19 a 75 anos, com pelo menos 5 anos de estudo, mostrando efeitos de idade e de escolaridade. Há ainda uma versão infantil, de 6 a 12 anos (Siqueira et al., 2016).
O Teste Hayling é indicado para adultos de 19 a 75 anos com 5 anos ou mais de estudo quando a pergunta envolve controle inibitório verbal, impulsividade, iniciação lentificada ou uso de estratégias. Aparece em avaliações de TDAH no adulto, lesões adquiridas e AVC, traumatismo cranioencefálico, transtornos psiquiátricos com componente executivo e queixas cognitivas no envelhecimento. Por ser curto e oral, entra bem numa bateria de funções executivas ao lado de FDT, Stroop, TMT e fluência verbal, e ajuda a separar lentidão de base de falha de inibição.
Quando o Hayling não é a melhor escolha
A versão adulta não deve ser aplicada em crianças: Siqueira et al. (2010) mostraram baixa sensibilidade a diferenças de idade, e há uma versão infantil própria, de 6 a 12 anos. Também não há norma para menos de 5 anos de estudo, para quem não tem o português como língua materna ou para afasia, disartria grave e perda auditiva não corrigida. Nesses casos, prefira o FDT, que usa só dígitos de 1 a 5, ou tarefas com normas para a população.
O examinador lê cada sentença em voz alta, sem a última palavra, e cronometra a resposta. As duas partes usam sentenças diferentes e geram sete medidas, das quais seis têm média e desvio-padrão publicados para adultos brasileiros.
| Dimensão | Itens | O que avalia |
|---|---|---|
| Parte A — iniciação | 15 sentenças | Completar com a palavra que faz sentido no contexto, o mais rápido possível. |
| Parte B — inibição | 15 sentenças | Completar com uma palavra sem relação de sentido com a sentença lida. |
| Tempo A e Tempo B | Soma de 15 latências | Segundos do fim da leitura ao início da resposta, somados em cada parte. |
| Erros A | 0–15 | Palavras que não completam a sentença com sentido; raros em adultos sem queixa. |
| Erros B/15 | 0–15 | Número de sentenças da Parte B com qualquer erro, tipo A ou tipo B. |
| Erros B/45 | 0–45 | Escore ponderado: 3 pontos por erro tipo A e 1 ponto por erro tipo B. |
| B − A e razão B/A | Segundos | Custo de tempo da inibição; a razão B/A não tem norma e é descritiva. |
Confirme idade, anos de estudo concluídos, português como língua materna, audição e fala antes de iniciar.
Explique a Parte A, faça os exemplos de treino e leia as 15 sentenças, cronometrando cada latência.
Explique a Parte B com cuidado, garantindo que a pessoa entendeu que a palavra não pode ter relação com a frase.
Leia as 15 sentenças da Parte B, anotando a palavra dita e o tempo, sem corrigir durante a execução.
Grave a sessão quando possível: facilita conferir latências e classificar respostas duvidosas depois.
Registre estratégias observadas, hesitações, autocorreções, fadiga e medicação em uso.
A correção do Teste Hayling combina tempo e qualidade da resposta. Tempo A e Tempo B são somas de 15 latências. Na Parte A, conta-se apenas o número de erros. Na Parte B, cada resposta recebe uma categoria: correta, erro tipo B (palavra associada ao sentido, como antônimo ou palavra ligada ao sujeito ou ao verbo) ou erro tipo A (palavra que completa a frase). A ponderação de 3 e 1 ponto gera o escore B/45, que separa quem falha por completo de quem suprime parcialmente; o escore B/15 conta as sentenças com qualquer erro. A diferença B − A estima o custo de tempo da inibição.
No PontoAzul, você registra a data, os anos de estudo e, para cada uma das 30 sentenças, a classificação e a latência (ou só o tempo total de cada parte). A plataforma bloqueia idades fora de 19 a 75 anos e escolaridade abaixo de 5 anos, soma os tempos, calcula a latência média e as três sentenças mais lentas, conta erros tipo A e tipo B, obtém B/15, B/45, B − A e a razão B/A, mostra os erros por terço da tarefa (sentenças 1–5, 6–10 e 11–15) e compara seis medidas com a célula de idade × escolaridade de Zimmermann et al. (2017), marcando como abaixo do esperado as que ficam a 1,5 DP ou mais. Erros A e a razão B/A são apresentados sem classificação.
Registre a latência de cada sentença, do fim da leitura pelo examinador até o início da resposta, em segundos.
Some as 15 latências de cada parte para obter Tempo A e Tempo B.
Na Parte A, conte as respostas que não completam a sentença com sentido: Erros A (0 a 15).
Na Parte B, classifique cada resposta: correta (0), erro tipo B (palavra ligada ao sentido sem completar, 1 ponto) ou erro tipo A (palavra que completa a sentença, 3 pontos).
Calcule Erros B/15 (sentenças com erro) e Erros B/45 (tipo A × 3 + tipo B × 1).
Calcule B − A subtraindo o Tempo A do Tempo B.
Compare cada medida com a média e o desvio-padrão do grupo de idade (19–39, 40–59, 60–75 anos) e escolaridade (5–8, 9–11, 12 anos ou mais) de Zimmermann et al. (2017).
Exemplo de correção
Caso fictício: homem de 45 anos, 11 anos de estudo, avaliado por impulsividade verbal após troca de emprego. Grupo de referência: 40–59 anos, 9–11 anos de estudo (n = 30).
Tempo A dentro do esperado (0,29 DP). Tempo B, B − A, Erros B/15 e Erros B/45 ficam a 1,5 DP ou mais acima da média, abaixo do esperado para a idade e a escolaridade. O predomínio de erros tipo A indica que a palavra automática não foi suprimida.
A versão brasileira adulta não tem percentil nem escore padronizado publicado. A referência são as médias e os desvios-padrão de 364 adultos de Porto Alegre, de 19 a 75 anos, divididos em nove grupos de idade × escolaridade (Zimmermann et al., 2017, Tabela 3). Calcula-se a distância da média em desvios-padrão: positiva significa mais lento ou mais erros. O critério de 1,5 DP ou mais para tempo e erros foi usado pelo grupo da adaptação brasileira (Gindri, Zibetti e Fonseca, 2008).
| Faixa | Classificação | Leitura clínica |
|---|---|---|
| Menos de 1,5 DP | Dentro do esperado | Tempo ou erros compatíveis com adultos da mesma faixa de idade e escolaridade. |
| 1,5 DP ou mais | Abaixo do esperado | Mais lento ou com mais erros que o grupo de referência; integrar à história e a outras tarefas executivas. |
Erros A não recebem classificação: quase todos os adultos acertam a Parte A e a média do grupo fica abaixo de 0,5. Os grupos normativos têm de 18 a 90 pessoas, de uma única cidade. Uma medida abaixo do esperado descreve desempenho; não localiza lesão nem diagnostica disfunção executiva, TDAH ou demência.
Cronometrar desde o início da leitura
A latência começa quando o examinador termina a sentença. Iniciar o cronômetro antes soma o tempo de leitura e infla Tempo A, Tempo B e todas as distâncias.
Dar o mesmo peso a todo erro
O escore B/45 vale 3 para palavra que completa a sentença e 1 para palavra apenas relacionada. Contar só erros perde a diferença entre falha total e supressão parcial.
Aceitar palavra relacionada como correta
Antônimos, palavras ligadas ao sujeito, ao verbo ou à palavra esperada são erros tipo B. Classificá-las como corretas reduz artificialmente o escore de erros.
Usar norma só por idade
A escolaridade afetou mais medidas do que a idade no estudo brasileiro. Comparar um adulto de 6 anos de estudo com o grupo geral da idade subestima o esperado para ele.
Ler B − A sem olhar o Tempo A
Uma Parte A lenta alonga também a Parte B. Antes de atribuir o custo à inibição, confira a velocidade de base e a compreensão da instrução.
Aplicar a versão adulta em crianças
A versão adulta discrimina pouco entre idades na infância. Para 6 a 12 anos existe o Teste Hayling Infantil, com 10 sentenças por parte e normas próprias.
No PontoAzul, a correção do Hayling segue as regras do instrumento e mostra o cálculo para você conferir. Teste grátis por 7 dias.
No PontoAzul, tempos e classificações viram uma síntese com cada medida ao lado da média e do desvio-padrão do grupo de idade e escolaridade, a distribuição dos erros ao longo da Parte B e alertas de registro, base do laudo que você revisa.
No Teste Hayling, versão brasileira adulta, aplicado em 14/10/2026, o paciente de 45 anos, com 11 anos de estudo, completou a Parte A em 18,4 segundos, sem erros, desempenho dentro do esperado para o grupo de 40 a 59 anos com 9 a 11 anos de estudo (Zimmermann et al., 2017). Na Parte B, levou 82,0 segundos e errou 7 das 15 sentenças, seis delas completando a frase, com escore ponderado de 19 pontos; tempo, erros e custo B − A ficaram a 1,5 desvio-padrão ou mais acima da média. O perfil sugere dificuldade em suprimir respostas verbais automáticas, a confirmar com outra tarefa de interferência.
Trecho ilustrativo de caso fictício. O texto final é sempre revisado pelo profissional.
Fontes consultadas pela equipe editorial para revisar as informações desta página.
FDT: leitura, contagem, escolha e alternância, com índices de inibição e flexibilidade.
Stroop Victoria: tempos, erros e escores z por cartão na correção PontoAzul.
TMT: parte A, parte B, erros, B−A e B/A com normas por escolaridade.
Fluência fonêmica e semântica em seis tarefas, com comparação por idade de 7 a 10 anos.
Ver todos os instrumentos de Atenção, memória e funções executivas
Correção, resultados, gráficos e laudo no mesmo fluxo para você revisar.
Testar grátis por 7 dias