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Laudo psicológico

Modelo de laudo psicológico: estrutura do art. 13, exemplo preenchido e como redigir cada item

Modelo de laudo psicológico estruturado conforme o art. 13 da Resolução CFP nº 06/2019, com exemplo preenchido de uma avaliação de adulta com queixa de ansiedade. Mostra os seis itens obrigatórios (identificação, descrição da demanda, procedimento, análise, conclusão e referências), onde indicar a validade, como apresentar resultados e o que nunca deve constar.

Base normativa
Art. 13, Res. 06/2019
Itens obrigatórios
6 itens
Pré-requisito
Avaliação psicológica
Guarda do material
Mínimo de 5 anos

Em resumo

O laudo psicológico é o documento que resulta de um processo de avaliação psicológica e serve para subsidiar decisões no contexto em que a demanda surgiu (art. 13 da Resolução CFP nº 06/2019). Deve ser escrito em itens: identificação, descrição da demanda, procedimento, análise, conclusão e referências. A validade do conteúdo é indicada no último parágrafo (art. 17), a entrega ocorre em entrevista devolutiva (art. 18) e o material que o fundamenta é guardado por no mínimo cinco anos.

Quando usar este documento

Use quando

  • Ao concluir um processo de avaliação psicológica cujo resultado precisa subsidiar uma decisão: planejamento terapêutico, encaminhamento, adaptação escolar ou laboral, perícia ou acesso a direitos.
  • Quando o solicitante precisa conhecer os procedimentos, o raciocínio técnico e as conclusões, e não apenas um fato pontual; o laudo expõe demanda, método, análise e conclusão de forma articulada.
  • Quando a conclusão envolve diagnóstico, hipótese diagnóstica, prognóstico ou sugestão de projeto terapêutico, que o art. 13, inciso IV, prevê expressamente para o laudo.
  • Quando o próprio avaliado, um médico, a escola ou o Judiciário pedem um documento formal após a avaliação; o art. 7º, § 6º, torna dever fornecer documento ao final do processo avaliativo.

Não use quando

  • Quando não houve avaliação psicológica, e sim acompanhamento psicoterapêutico ou intervenção: nesse caso, o documento adequado é o relatório psicológico (art. 11), que não tem como finalidade produzir diagnóstico.
  • Quando a finalidade é apenas comprovar comparecimento (declaração, art. 9º) ou justificar uma falta ou aptidão de forma pontual (atestado, art. 10); um laudo completo exporia mais informação do que a finalidade exige.
  • Quando alguém pede sua opinião técnica sobre uma questão ou sobre um documento de outro profissional, sem que você avalie a pessoa: isso é parecer psicológico (art. 14).
Estrutura

O que o documento precisa ter

  1. 01

    Identificação

    Título “Laudo Psicológico”, nome completo ou nome social da pessoa atendida (com dados sociodemográficos quando necessário), solicitante especificado (Judiciário, empresa, instituição, a própria pessoa ou outro interessado), finalidade e nome da autora com inscrição no CRP (art. 13, § 2º).

  2. 02

    Descrição da demanda

    O que motivou a busca pela avaliação, quem forneceu as informações e quais demandas levaram ao pedido do documento. É requisito indispensável e deve apresentar o raciocínio que justifica os procedimentos escolhidos (§ 3º).

  3. 03

    Procedimento

    Raciocínio técnico-científico e recursos utilizados, com o referencial teórico-metodológico, as pessoas ouvidas, o número de encontros e a duração do processo (§ 4º). Os procedimentos devem ser pertinentes à complexidade da demanda e seguir a normativa de avaliação psicológica vigente.

  4. 04

    Análise

    Exposição descritiva, metódica, objetiva e coerente com os dados e a demanda, sem descrição literal das sessões, sem afirmações sem sustentação em fatos ou teorias e restrita ao necessário para responder à demanda (§ 5º).

  5. 05

    Conclusão

    Conclusões derivadas da análise, com encaminhamentos, intervenções, diagnóstico, prognóstico ou hipótese diagnóstica, evolução do caso, orientação ou sugestão de projeto terapêutico (§ 6º, I). Termina com local, data, carimbo com nome e CRP e assinatura na última página.

  6. 06

    Validade do conteúdo

    O prazo de validade do conteúdo deve constar no último parágrafo do documento (art. 17), considerando a normatização da área, a natureza dinâmica do que foi avaliado e a necessidade de atualização das informações.

  7. 07

    Referências

    Item obrigatório no laudo: fontes científicas ou referências bibliográficas utilizadas, preferencialmente em nota de rodapé (§ 7º). Inclui os manuais e artigos dos instrumentos que sustentam a interpretação.

Modelo preenchido

Caso fictício. Patrícia não existe: a idade, a profissão, a queixa, os escores e a hipótese diagnóstica foram criados para demonstrar a estrutura do laudo previsto no art. 13 da Resolução CFP nº 06/2019. A psicóloga e o registro no CRP exibidos também são fictícios.

Profissional responsável (exemplo)

Psicóloga · CRP 00/000000 · registro fictício

contato@exemplo.com.br · (00) 0000-0000

Laudo Psicológico

Avaliação psicológica de adulta com queixa de ansiedade · Laudas numeradas e rubricadas

Pessoa atendida
Patrícia Moreira Lins · 34 anos · analista financeira · ensino superior completo
Solicitante
A própria atendida, por orientação de sua médica clínica
Finalidade
Subsidiar o planejamento do acompanhamento clínico e a comunicação com a médica assistente
Autora
Psicóloga responsável (exemplo) · CRP 00/000000 · registro fictício
Período da avaliação
08/09/2026 a 06/10/2026 · devolutiva em 13/10/2026

Descrição da demanda

Patrícia procurou avaliação psicológica por orientação de sua médica clínica, após consultas motivadas por palpitações, tensão muscular na região cervical e dificuldade para iniciar o sono. Segundo relatório médico apresentado pela própria atendida, exames laboratoriais e eletrocardiograma realizados em agosto de 2026 não mostraram alterações que explicassem os sintomas, e a médica sugeriu investigar fatores emocionais.

Na entrevista inicial, a atendida relatou preocupação constante e difícil de controlar com o desempenho no trabalho, a saúde dos pais e a situação financeira, com início há cerca de dezoito meses, após promoção para cargo de coordenação. Descreveu cansaço ao fim do dia, irritabilidade com a família e a sensação de “não conseguir desligar a cabeça”. As informações foram fornecidas pela atendida e complementadas, com sua autorização, pelo companheiro.

A demanda, portanto, consistiu em compreender a natureza, a intensidade e o impacto dos sintomas ansiosos, verificar a presença de sintomas depressivos e de alteração do sono e oferecer subsídios para o planejamento do acompanhamento. Por envolver possível hipótese diagnóstica e decisão sobre o tipo de cuidado, optou-se por processo de avaliação psicológica com entrevistas, escalas de autorrelato e informação de terceiro.

Procedimento

A avaliação foi conduzida em cinco encontros de cerca de cinquenta minutos, entre 8 de setembro e 6 de outubro de 2026, com referencial cognitivo-comportamental para a compreensão dos fenômenos ansiosos e critérios diagnósticos do DSM-5-TR para a formulação da hipótese diagnóstica. Foram ouvidos a atendida e, em um encontro, o companheiro, com consentimento expresso dela.

InstrumentoAplicaçãoIdadeMétodoInformante
Entrevista clínica semiestruturada08/09 e 06/10/202634 anosEntrevistaAtendida
GAD-715/09/202634 anosAutorrelatoAtendida
PHQ-915/09/202634 anosAutorrelatoAtendida
Inventário de Ansiedade de Beck (BAI)22/09/202634 anosAutorrelatoAtendida
Índice de Gravidade de Insônia (ISI)22/09/202634 anosAutorrelatoAtendida
WHOQOL-BREF22/09/202634 anosAutorrelatoAtendida
Entrevista com familiar29/09/2026—EntrevistaCompanheiro

Os instrumentos foram aplicados e corrigidos segundo os respectivos manuais e estudos de referência, indicados nas referências. Os escores foram interpretados em conjunto com as entrevistas, e não isoladamente.

Análise

Resultados das escalas
InstrumentoResultadoFaixa de referênciaLeitura
GAD-715 pontos15 a 21: sintomas gravesPreocupação e tensão de intensidade elevada
BAI27 pontos20 a 30: nível moderadoPredomínio de sintomas somáticos e de tensão
PHQ-98 pontos5 a 9: sintomas levesItem sobre pensamentos de morte pontuado em zero
ISI16 pontos15 a 21: insônia clínica moderadaDificuldade principal para iniciar o sono
WHOQOL-BREFPsicológico 50 · Físico 54Escala de 0 a 100Domínios mais comprometidos; relações sociais 67

Os dados de entrevista e de escalas convergem para um quadro de ansiedade persistente e generalizada: a preocupação é excessiva em relação ao contexto, ocorre na maior parte dos dias há mais de seis meses, abrange vários temas e é acompanhada de inquietação, fadiga, tensão muscular, irritabilidade e dificuldade para iniciar o sono. O relato do companheiro confirma a mudança de comportamento após a promoção, com maior irritabilidade e checagens frequentes do celular de trabalho à noite.

Os sintomas depressivos são de intensidade leve e aparecem associados ao cansaço e à insônia, sem perda generalizada de interesse e sem pensamentos de morte, o que não sustenta hipótese de episódio depressivo neste momento. As palpitações foram descritas como associadas a momentos de preocupação, sem crises de início abrupto e pico intenso, o que torna pouco provável o transtorno de pânico. A ansiedade não se restringe a situações de exposição social, e a condição médica foi investigada pela médica assistente, segundo relatório apresentado.

Foi identificado consumo de cerca de cinco xícaras de café por dia, a maior parte após as 16h, fator que pode contribuir para a insônia e a ativação fisiológica. Como recursos, destacam-se boa compreensão do próprio funcionamento, rede de apoio familiar, ausência de uso de outras substâncias e motivação para o acompanhamento.

Conclusão

A partir do exposto, os dados obtidos são compatíveis com a hipótese diagnóstica de Transtorno de Ansiedade Generalizada (F41.1 na CID-10), de intensidade moderada a grave, acompanhado de sintomas depressivos leves e de insônia inicial, com impacto no trabalho, no descanso e na convivência familiar. O código foi incluído com a concordância da atendida, registrada no prontuário, por ser útil à comunicação com a médica assistente.

O prognóstico é considerado favorável, em razão da boa adesão ao processo, da compreensão que a atendida demonstra sobre o próprio funcionamento e da rede de apoio disponível. A conclusão considera a natureza dinâmica e não cristalizada do fenômeno avaliado.

  • Psicoterapia semanal com foco no manejo da preocupação, na regulação da ativação fisiológica e na reorganização da rotina de trabalho e descanso.
  • Compartilhamento deste laudo com a médica clínica assistente, mediante autorização da atendida, para avaliação conjunta da conduta, inclusive quanto à indicação de avaliação psiquiátrica.
  • Orientações de higiene do sono e revisão do consumo de cafeína em diálogo com a médica assistente.
  • Reaplicação do GAD-7 e do ISI após doze semanas de acompanhamento, para registrar a evolução do caso.

Este laudo não poderá ser utilizado para fins diferentes do apontado na identificação, possui caráter sigiloso e trata-se de documento extrajudicial; a autora não se responsabiliza pelo uso dado ao laudo após sua entrega em entrevista devolutiva.

Validade: o conteúdo deste laudo é válido por seis meses a contar da data de emissão, considerando a natureza dinâmica dos sintomas avaliados e a mudança esperada com o acompanhamento; após esse prazo, ou diante de alteração relevante do quadro, recomenda-se reavaliação. São Paulo, 13 de outubro de 2026.

Referências (preferencialmente em nota de rodapé)

  • American Psychiatric Association. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5-TR. Porto Alegre: Artmed, 2023.
  • Bastien, C. H.; Vallières, A.; Morin, C. M. Validation of the Insomnia Severity Index as an outcome measure for insomnia research. Sleep Medicine, 2(4), 297–307, 2001.
  • Conselho Federal de Psicologia. Resolução CFP nº 06/2019. Institui regras para a elaboração de documentos escritos produzidos pela psicóloga e pelo psicólogo no exercício profissional.
  • Cunha, J. A. Manual da versão em português das Escalas Beck. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2001.
  • Fleck, M. P. A. et al. Aplicação da versão em português do instrumento abreviado de avaliação da qualidade de vida WHOQOL-bref. Revista de Saúde Pública, 34(2), 178–183, 2000.
  • Kroenke, K.; Spitzer, R. L.; Williams, J. B. W. The PHQ-9: validity of a brief depression severity measure. Journal of General Internal Medicine, 16(9), 606–613, 2001.
  • Spitzer, R. L. et al. A brief measure for assessing generalized anxiety disorder: the GAD-7. Archives of Internal Medicine, 166(10), 1092–1097, 2006.

Psicóloga responsável (exemplo) — CRP 00/000000 (registro fictício). Carimbo e assinatura na última página.

Profissional responsável (exemplo)

Psicóloga · CRP 00/000000 · registro fictício

Como escrever: evite × prefira

Descreva a demanda, não apenas o pedido

Evite

“Paciente veio fazer avaliação psicológica a pedido da médica.”

Prefira

“Procurou avaliação por orientação da médica clínica, após palpitações e insônia sem alteração em exames, com preocupação constante há dezoito meses. A demanda consistiu em compreender a natureza e o impacto dos sintomas para planejar o acompanhamento.”

Por quê: O § 3º do art. 13 exige descrever o que motivou a busca, quem forneceu as informações e as demandas que levaram ao pedido, e apresentar o raciocínio que justifica os procedimentos escolhidos.

Informe números do processo

Evite

“Foram realizadas algumas sessões e aplicados testes.”

Prefira

“Cinco encontros de cerca de cinquenta minutos, entre 8 de setembro e 6 de outubro de 2026, com entrevistas, GAD-7, PHQ-9, BAI, ISI e WHOQOL-BREF; o companheiro foi ouvido em um encontro, com consentimento da atendida.”

Por quê: O § 4º, I, determina citar as pessoas ouvidas, as informações objetivas, o número de encontros e o tempo de duração. Sem isso, o destinatário não consegue avaliar a solidez do processo.

Integre os dados em vez de listar escores

Evite

“GAD-7 = 15. BAI = 27. PHQ-9 = 8. ISI = 16.”

Prefira

“Os dados de entrevista e de escalas convergem para ansiedade persistente e generalizada; os sintomas depressivos são leves e associados ao cansaço e à insônia, sem pensamentos de morte.”

Por quê: A análise deve ser descritiva, metódica e coerente com os dados (§ 5º). Escores soltos não respondem à demanda; a interpretação conjunta, sim, e é ela que sustenta a conclusão.

Sustente cada afirmação em fonte

Evite

“A paciente é perfeccionista e tem dificuldade de impor limites no trabalho.”

Prefira

“O relato do companheiro confirma a mudança de comportamento após a promoção, com checagens frequentes do celular de trabalho à noite.”

Por quê: O § 5º, III, veda afirmações sem sustentação em fatos ou teorias. Identificar quem disse, ou qual instrumento indicou, protege a avaliada e a autora do documento.

Formule a conclusão com precisão

Evite

“Conclui-se que a paciente sofre de ansiedade grave e deve tomar medicação.”

Prefira

“Os dados são compatíveis com a hipótese diagnóstica de Transtorno de Ansiedade Generalizada; sugere-se avaliação conjunta da conduta com a médica assistente.”

Por quê: A conclusão indica diagnóstico ou hipótese, prognóstico e encaminhamentos (§ 6º, I), dentro da competência da psicóloga. Prescrição medicamentosa não é atribuição da Psicologia.

Erros comuns

Chamar de laudo o que é relatório

Laudo pressupõe avaliação psicológica (art. 13). Documento que descreve acompanhamento psicoterapêutico, sem processo avaliativo, é relatório (art. 11), que não tem como finalidade produzir diagnóstico. Trocar as modalidades induz o destinatário a atribuir ao texto um peso técnico que ele não tem.

Omitir as referências

No laudo, a informação das fontes científicas é obrigatória (art. 13, § 7º), preferencialmente em nota de rodapé. Citar apenas o nome dos instrumentos, sem manual ou estudo de referência, impede que outro profissional confira a interpretação.

Esquecer a validade no último parágrafo

O art. 17 exige indicar o prazo de validade do conteúdo no último parágrafo. Sem ele, um laudo antigo continua circulando como se descrevesse o funcionamento atual da pessoa, o que é especialmente problemático em quadros que mudam com o tratamento.

Transcrever sessões

Copiar falas, sonhos ou detalhes íntimos da entrevista expõe a pessoa avaliada sem acrescentar fundamento. O § 5º, I, só admite descrição literal quando tecnicamente justificada, e o § 5º, II, limita o texto ao necessário para responder à demanda.

Entregar sem devolutiva

O art. 18 torna dever realizar ao menos uma entrevista devolutiva para a entrega do laudo; se for impossível, as razões devem ser explicitadas. Enviar o arquivo por e-mail sem conversa e sem protocolo de entrega descumpre a resolução.

Usar instrumentos fora do manual

Aplicar versões adaptadas sem padronização, corrigir com normas de outra população ou interpretar um escore de rastreio como diagnóstico fragiliza toda a conclusão. A resolução exige métodos e técnicas reconhecidos cientificamente, conforme a normativa de avaliação psicológica vigente.

Ética e normas

Cuidados éticos e normativos

O que a Resolução CFP nº 06/2019 diz sobre o laudo

O art. 13 define o laudo como resultado de um processo de avaliação psicológica, com finalidade de subsidiar decisões relacionadas ao contexto em que surgiu a demanda. Deve conter narrativa detalhada e didática, acessível ao destinatário, construída a partir do registro documental e de métodos e técnicas reconhecidos cientificamente.

Sigilo e mínimo necessário

Somente deve ser relatado o que for necessário para responder à demanda (art. 13, § 5º, II), e o Código de Ética orienta transmitir apenas as informações necessárias à tomada de decisão que afete a pessoa atendida. Dados de outros membros da família, histórico íntimo e informações sem relação com a finalidade ficam no prontuário.

Registro documental e guarda

O laudo se apoia no registro documental previsto na Resolução CFP nº 01/2009. Documentos e todo o material que os fundamentou, físico ou digital, são guardados por no mínimo cinco anos (art. 15), sob responsabilidade da psicóloga em conjunto com a instituição, em local que garanta sigilo.

Entrega com protocolo

O laudo é entregue diretamente ao beneficiário, ao responsável legal ou ao solicitante, em entrevista devolutiva (arts. 16 e 18). É obrigatório manter protocolo de entrega assinado, comprovando o recebimento e a responsabilidade de quem recebe pelo uso e sigilo das informações.

LGPD e dados de saúde

Hipótese diagnóstica, resultados de escalas e histórico clínico são dados pessoais sensíveis referentes à saúde (Lei nº 13.709/2018, art. 5º, II). O envio a terceiros, como a médica assistente, deve ter autorização da pessoa avaliada, e o armazenamento digital precisa de controle de acesso.

No PontoAzul

Como o PontoAzul ajuda a produzir este documento

Correção e gráficos dos instrumentos

O PontoAzul corrige 169 instrumentos e gera gráficos com faixas de referência, o que reduz erros de soma e de conversão e organiza os resultados que entram no item de procedimento e na análise do laudo.

Laudo-base em três versões

A partir dos dados registrados, o app gera um laudo-base nas versões profissional, família e escola. O texto é editado, revisado e assinado pelo profissional, que confere demanda, análise, conclusão, validade e referências antes de emitir.

Reavaliação com análise de progressão

Quando o laudo recomenda reaplicar escalas, como GAD-7 e ISI após doze semanas, a análise de progressão compara as duas aplicações e ajuda a documentar a evolução do caso. O plano de intervenção pode ser construído a partir dos mesmos achados.

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Perguntas frequentes: laudo psicológico

Qual a estrutura do laudo psicológico segundo a Resolução CFP nº 06/2019?
O laudo é composto de seis itens, apresentados em forma de itens: identificação, descrição da demanda, procedimento, análise, conclusão e referências (art. 13, § 1º). A identificação traz o título “Laudo Psicológico”, a pessoa atendida, o solicitante, a finalidade e a autora com inscrição no CRP.
Qual a diferença entre laudo e relatório psicológico?
O laudo resulta de um processo de avaliação psicológica e pode conter diagnóstico, hipótese diagnóstica e prognóstico (art. 13). O relatório comunica a atuação profissional em processos de trabalho, como acompanhamento ou acolhimento, e não tem como finalidade produzir diagnóstico (art. 11). O laudo também exige o item de referências.
Qual a validade de um laudo psicológico?
Não há prazo único. O art. 17 determina que a validade do conteúdo seja indicada no último parágrafo do documento, considerando a normatização da área e a natureza dinâmica do que foi avaliado. Sem norma específica, a psicóloga define o prazo com base nos objetivos, procedimentos e conclusões da avaliação.
O laudo psicológico pode ter CID?
A conclusão do laudo pode indicar diagnóstico e hipótese diagnóstica (art. 13, § 6º, I), e a classificação pode ser citada quando útil à finalidade. Como o código expõe dado sensível de saúde, é prudente registrar a concordância da pessoa avaliada, especialmente quando o laudo será enviado a terceiros.
Psicólogo pode dar diagnóstico no laudo?
Sim. O diagnóstico psicológico, a hipótese diagnóstica e o prognóstico estão entre os conteúdos previstos para a conclusão do laudo (art. 13, inciso IV e § 6º). O que não cabe à psicóloga é prescrever medicação ou definir condutas de outras profissões; essas indicações aparecem como encaminhamento.
Quantas sessões são necessárias para fazer um laudo psicológico?
A resolução não fixa número de encontros, mas exige que os procedimentos sejam pertinentes à complexidade da demanda e que o laudo informe quantos encontros houve e quanto tempo durou o processo (art. 13, § 4º). Uma avaliação de queixa ansiosa costuma exigir mais de um encontro.
O laudo precisa de referências bibliográficas?
Sim. No laudo, a informação das fontes científicas ou referências bibliográficas é obrigatória, preferencialmente em nota de rodapé (art. 13, § 7º). Incluem-se os manuais e estudos de validação dos instrumentos utilizados e as obras que fundamentam a hipótese diagnóstica.
Posso enviar o laudo psicológico por e-mail?
A resolução determina a entrega em entrevista devolutiva, ao beneficiário, ao responsável legal ou ao solicitante, com protocolo de entrega assinado (arts. 16 e 18). O envio digital, quando ocorrer, deve complementar essa entrega e observar os cuidados de sigilo e de segurança exigidos pela LGPD.

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