
Profissional responsável (exemplo)
Neuropsicóloga · CRP 00/000000 · registro fictício
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Análise de Progressão — MMSE-2
- Paciente
- Teresa (caso fictício)
- Aplicações
- 10/09/2025 (71 anos e 3 meses) e 15/09/2026 (72 anos e 3 meses)
- Intervalo
- 370 dias (1 ano)
- Público-Alvo
- Família
Introdução
Este relatório compara duas aplicações do Miniexame do Estado Mental, 2ª edição (MMSE-2), realizadas por Teresa em 10/09/2025 e 15/09/2026, com intervalo de 370 dias (um ano).
A reavaliação foi feita por queixa de memória relatada pela filha, e a pergunta central foi se o resultado desse teste breve de triagem caiu, desde a avaliação anterior, mais do que a variação comum do próprio teste.
Procedimento, Fonte e Qualidade do Protocolo
As duas aplicações usaram a mesma versão (Versão Padrão), a mesma forma (Azul) e foram realizadas por Teresa. As duas foram lidas com a mesma referência de idade e escolaridade. Por isso, os resultados são comparáveis.
Para o total da Versão Padrão, a diferença foi julgada pelo critério publicado no próprio manual do MMSE-2: uma queda de 5 pontos é maior do que a diferença mínima esperada e é tratada como piora confiável.
Para o Escore T da Versão Padrão, o manual não publica um critério de diferença mínima. Nesse caso, descreve-se apenas o fato de o valor ter caído e mudado de posição em relação à média, sem afirmar mudança real.
Resultados, Análise do Perfil e Leitura do Caso
Total da Versão Padrão (SV)
Na primeira aplicação, o total foi de 27 de 30 pontos. Na segunda, foi de 22 de 30 pontos. A queda de 5 pontos ultrapassou a variação comum esperada pelo critério do manual; por isso, é uma piora confiável no escore bruto.
Esse achado não diz, sozinho, que houve perda de autonomia ou mudança clínica no dia a dia; diz que a queda no teste provavelmente não é apenas imprecisão do instrumento.
Escore T da Versão Padrão (SV)
A pontuação ajustada por idade e escolaridade passou de 54 para 37. Na primeira aplicação, ficava um pouco acima da média do grupo de comparação; na segunda, ficou abaixo dessa média.
O valor diminuiu e mudou de posição, mas o manual não publica um critério para julgar se essa alteração é real. Portanto, registra-se apenas que o valor caiu, sem chamar a mudança de piora confiável.
Gráficos da progressão
Evolução por medida — MMSE-2
Círculo vazado: 1ª aplicação. Círculo cheio: aplicação atual. A faixa clara marca a média esperada. Só é chamada de melhora ou piora a mudança que passa no critério de mudança confiável.
| Medida | 10/09/2025 | 15/09/2026 | Diferença | Leitura |
|---|---|---|---|---|
| Escore T da Versão Padrão (SV) | 54 | 37 | -17 | Sem critério de mudança confiável |
| Total da Versão Padrão (SV) | 27 | 22 | -5 | Piora confiável |
Integração Clínica, Formulação e Próxima Evidência
Direção e tamanho da mudança
O dado mais firme é a queda de 5 pontos no total: de 27 para 22. Essa queda atingiu o critério publicado no manual e, por isso, é classificada como uma piora confiável no escore bruto do MMSE-2.
A pontuação ajustada por idade e escolaridade acompanhou essa direção, saindo de uma posição um pouco acima da média para uma posição abaixo da média. Essa segunda medida, porém, não tem critério publicado para mudança; ela aponta no mesmo sentido, mas não é uma confirmação independente de piora real.
Com duas aplicações, é possível falar em direção e tamanho da diferença. Não é possível saber se a queda representa início de um padrão progressivo, uma oscilação ou um acontecimento pontual.
Hipóteses sobre a diferença
Mudança cognitiva real
- A favor: a queixa de memória relatada pela filha e a queda de 5 pontos no total, classificada como piora confiável.
- Contra: o MMSE-2 é um teste breve de triagem, que não verifica se algum fator atrapalhou o desempenho naquele dia, e não houve observação direta do dia a dia.
- Próximo passo: avaliação clínica/neuropsicológica mais ampla, com relato de situações concretas do cotidiano.
Oscilação do dia da aplicação
- A favor: o protocolo traz o desempenho de um único dia e não inclui observações sobre sono, humor, dor ou motivação, o que impede descartar essa possibilidade.
- Contra: a queda no total foi maior do que a variação comum do teste, o que enfraquece a explicação de apenas um dia ruim.
- Próximo passo: verificar as condições do dia com o profissional e, se necessário, repetir o rastreio com a mesma versão e forma em outro momento estável.
Resultado inicial alto tende a se aproximar do habitual
- A favor: o primeiro total foi alto, 27 de 30, e a pontuação ajustada estava um pouco acima da média; parte da queda pode refletir aproximação do desempenho usual.
- Contra: a queda de 5 pontos foi maior do que a variação comum esperada, o que reduz a chance de ser apenas esse efeito.
- Próximo passo: repetir o instrumento em outro momento e verificar se o valor se mantém, sobe ou oscila.
Familiaridade com o teste
- A favor: não há dado que a apoie, pois a familiaridade com um teste costuma aumentar a pontuação, e não diminuí-la; além disso, o intervalo de um ano tende a reduzir esse efeito.
- Contra: como a pontuação caiu, a familiaridade não explica a diferença; se teve algum efeito, pode ter apenas atenuado a queda observada.
- Próximo passo: em uma próxima aplicação, manter a mesma versão e forma e discutir com o aplicador eventuais sinais de familiaridade.
Eventos de saúde, medicamentos ou intervenções entre as aplicações também podem influenciar o desempenho. Essa hipótese só pode ser avaliada com o profissional responsável, pois o rastreio, isolado, não permite atribuir a queda a esses fatores.
O que a trajetória permite e não permite afirmar
Permite afirmar que houve uma piora confiável no total do rastreio entre as duas datas. Não permite afirmar diagnóstico, não permite afirmar declínio funcional no dia a dia e não permite concluir que a queda continuará no futuro. A leitura ajustada por idade e escolaridade mostra direção semelhante, mas deve ser tratada como descritiva, não como prova adicional de mudança real.
Limites desta leitura
O MMSE-2 é um rastreio breve, não uma avaliação completa. As referências disponíveis não têm normas brasileiras publicadas, não há faixas descritivas nem ponto de corte recomendado. Assim, os resultados indicam necessidade de cuidado e investigação, mas não substituem avaliação clínica.
Síntese Clínica, Implicações e Próximos Passos
A resposta à pergunta da avaliação é parcial: no rastreio, houve piora confiável no total do MMSE-2, de 27 para 22 pontos. A pontuação ajustada por idade e escolaridade caiu na mesma direção, mas não é uma confirmação independente.
O achado justifica uma investigação clínica cuidadosa, sem que se possa afirmar, apenas com este rastreio, que Teresa perdeu autonomia ou que há um diagnóstico estabelecido. O próximo passo é avaliar o funcionamento diário e rever o quadro com um profissional.
Recomendações
Buscar avaliação clínica/neuropsicológica abrangente com profissional habilitado, levando os resultados das duas aplicações e a queixa de memória relatada pela filha.
AltaA queda de 5 pontos no total do MMSE-2 foi classificada como piora confiável e está associada a uma queixa de memória; por isso, é uma necessidade atual e direta de esclarecimento clínico.
Conversar com o profissional responsável sobre como Teresa estava no dia da segunda aplicação — sono, humor, dor, motivação — e, se necessário, repetir o MMSE-2 com a mesma versão e forma em outro momento estável.
MédiaA medida ajustada por idade e escolaridade não tem critério publicado de mudança; repetir em condições conhecidas ajuda a distinguir oscilação de um dia de mudança persistente.
Observar e anotar exemplos concretos do dia a dia envolvendo memória, atenção e organização, tanto dificuldades quanto preservações, para levar a uma próxima consulta.
MédiaO rastreio não mede por si só o funcionamento diário; relatos funcionais ajudam a saber se a queda no teste tem impacto real.