
Profissional responsável (exemplo)
Neuropsicóloga · CRP 00/000000 · registro fictício
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Análise de Progressão — WAIS-III
- Paciente
- Marcos (caso fictício)
- Aplicações
- 15/07/2026 (28 anos e 4 meses) e 15/09/2026 (28 anos e 6 meses)
- Intervalo
- 62 dias (2 meses)
- Público-Alvo
- Profissional
Introdução
Esta reavaliação foi solicitada pelo neurologista dois meses após a primeira avaliação, com a pergunta central: o desempenho intelectual mudou entre as duas aplicações? Foram comparadas duas aplicações do WAIS-III, realizadas em 15/07/2026, quando Marcos tinha 28 anos e 4 meses, e em 15/09/2026, aos 28 anos e 6 meses, com intervalo de 62 dias (2 meses). Com duas aplicações, é possível descrever direção e tamanho da diferença entre dois pontos; não é possível descrever forma de trajetória, como aceleração, platô ou desaceleração.
Procedimento, Fonte e Qualidade do Protocolo
O instrumento utilizado foi o WAIS-III, Escala de Inteligência Wechsler para Adultos, 3ª edição, com a mesma referência normativa da revisão brasileira de 2020, faixa de 20 a 29 anos. As aplicações são comparáveis com ressalva: o intervalo de 62 dias está dentro da janela de 70 dias em que a fonte descreve efeito de prática no reteste (WAIS-III, revisão brasileira de 2020, Tabela 5.8a). Essa ressalva significa que ganhos podem refletir familiaridade com o instrumento, e não somente mudança do paciente. Para os índices e QIs, a mudança foi julgada pelo índice de mudança confiável de Jacobson-Truax, com fidedignidade da Tabela 5.8a (estabilidade, N = 47, 4 a 10 semanas, r ajustado); mudança confiável exige |RCI| ≥ 1,96. Para os subtestes isolados, o instrumento não publica diferença mínima nem fidedignidade; essas variações foram tratadas descritivamente, sem afirmação de mudança real.
Comparável, com ressalvas
Intervalo curto entre 15/07/2026 e 15/09/2026 (62 dias (2 meses)), dentro da janela de 70 dias em que a fonte (WAIS-III, revisão brasileira de 2020, Tabela 5.8a) descreve efeito de prática no reteste; ganhos podem refletir familiaridade com o teste.
Resultados, Análise do Perfil e Leitura do Caso
Compreensão Verbal (ICV)
Primeira aplicação: ICV 104, percentil 61, IC 95% 98–109, faixa Médio. Segunda aplicação: ICV 106, percentil 66, IC 95% 100–111, faixa Médio. Diferença de +2 pontos. O índice de mudança confiável (Jacobson-Truax) é 0,24; mudança confiável exigiria cerca de 16,1 pontos (WAIS-III, revisão brasileira de 2020, Tabela 5.8a). A diferença fica dentro da variação esperada pelo critério e não é tratada como melhora nem piora. A faixa permaneceu Médio. A fonte descreve efeito médio de prática de +5,1 pontos no reteste; parte da diferença observada pode refletir familiaridade com o instrumento.
Organização Perceptual (IOP)
Primeira aplicação: IOP 96, percentil 39, IC 95% 89–103, faixa Médio, com limites que abrangem também a faixa Médio Inferior. Segunda aplicação: IOP 100, percentil 50, IC 95% 93–107, faixa Médio. Diferença de +4 pontos. O índice de mudança confiável é 0,63; mudança confiável exigiria cerca de 12,5 pontos. A diferença fica dentro da variação esperada pelo critério, não sendo tratada como melhora nem piora. A faixa permaneceu Médio. A fonte descreve efeito médio de prática de +4,8 pontos; parte da diferença observada pode refletir familiaridade com o teste.
Memória Operacional (IMO)
Primeira aplicação: IMO 94, percentil 34, IC 95% 87–103, faixa Médio, com limites que abrangem também a faixa Médio Inferior. Segunda aplicação: IMO 94, percentil 34, IC 95% 87–103, faixa Médio, com a mesma condição de limite. Não houve diferença entre as pontuações. Trata-se de estabilidade descritiva; a faixa permaneceu Médio. A fonte descreve efeito médio de prática de +3,7 pontos no reteste; a expectativa de ganho por familiaridade não se refletiu nesta medida.
Velocidade de Processamento (IVP)
Primeira aplicação: IVP 84, percentil 14, IC 95% 77–97, faixa Médio Inferior, com intervalo que abrange também a faixa Limítrofe. Segunda aplicação: IVP 89, percentil 23, IC 95% 81–101, faixa Médio Inferior. Diferença de +5 pontos. O índice de mudança confiável é 0,65; mudança confiável exigiria cerca de 15 pontos. A diferença fica dentro da variação esperada pelo critério, não sendo tratada como melhora nem piora. A faixa permaneceu Médio Inferior. A fonte descreve efeito médio de prática de +4,5 pontos; a diferença observada é compatível com familiaridade com o instrumento.
QI Verbal (QIV)
Primeira aplicação: QIV 100, percentil 50, IC 95% 95–105, faixa Médio. Segunda aplicação: QIV 101, percentil 53, IC 95% 96–106, faixa Médio. Diferença de +1 ponto. O índice de mudança confiável é 0,14; mudança confiável exigiria cerca de 13,8 pontos. A diferença permanece dentro da variação esperada pelo critério e não é tratada como melhora nem piora. A faixa permaneceu Médio. A fonte descreve efeito médio de prática de +3,2 pontos; a variação observada foi mínima.
QI de Execução (QIE)
Primeira aplicação: QIE 92, percentil 30, IC 95% 86–99, faixa Médio, com limites que abrangem também a faixa Médio Inferior. Segunda aplicação: QIE 96, percentil 39, IC 95% 90–102, faixa Médio. Diferença de +4 pontos. O índice de mudança confiável é 0,77; mudança confiável exigiria cerca de 10,2 pontos. A diferença fica dentro da variação esperada pelo critério, não sendo tratada como melhora nem piora. A faixa permaneceu Médio. A fonte descreve efeito médio de prática de +5,4 pontos; parte da diferença pode refletir familiaridade com o instrumento.
QI Total (QIT)
Primeira aplicação: QIT 96, percentil 39, IC 95% 92–100, faixa Médio. Segunda aplicação: QIT 98, percentil 45, IC 95% 94–102, faixa Médio. Diferença de +2 pontos. O índice de mudança confiável é 0,42; mudança confiável exigiria cerca de 9,3 pontos. A diferença fica dentro da variação esperada pelo critério, não sendo tratada como melhora nem piora. A faixa permaneceu Médio. A fonte descreve efeito médio de prática de +4,4 pontos; parte da diferença observada pode refletir familiaridade com o teste.
Vocabulário, Aritmética, Dígitos, Informação, Compreensão, Sequência de Números e Letras, Raciocínio Matricial, Arranjo de Figuras
Vocabulário (11 para 11), Aritmética (9 para 9), Dígitos (9 para 9), Informação (11 para 11), Compreensão (10 para 10), Sequência de Números e Letras (9 para 9), Raciocínio Matricial (10 para 10) e Arranjo de Figuras (9 para 9) apresentaram pontuações idênticas nas duas aplicações. Trata-se de estabilidade descritiva, sem transformá-la em progresso ou estagnação clínica na ausência de dados funcionais. Subtestes isolados não recebem faixa de classificação nesta versão.
Semelhanças, Completar Figuras, Códigos, Cubos, Procurar Símbolos
Semelhanças (10 para 11), Completar Figuras (9 para 10), Códigos (7 para 8), Cubos (9 para 10) e Procurar Símbolos (7 para 8) mostraram diferença de +1 ponto. O instrumento não publica diferença mínima nem fidedignidade para essas medidas isoladas; as variações são descritas como fato, com direção de aumento, sem afirmar que representam mudança real. Não se usa melhora, piora, ganho ou declínio para esses subtestes.
Gráficos da progressão
Evolução por medida — WAIS-III
Círculo vazado: 1ª aplicação. Círculo cheio: aplicação atual. A faixa clara marca a média esperada. Só é chamada de melhora ou piora a mudança que passa no critério de mudança confiável.
| Medida | 15/07/2026 | 15/09/2026 | Diferença | Leitura |
|---|---|---|---|---|
| Compreensão Verbal (ICV) | 104 | 106 | +2 | Dentro da variação esperada |
| Organização Perceptual (IOP) | 96 | 100 | +4 | Dentro da variação esperada |
| Memória Operacional (IMO) | 94 | 94 | 0 | Estável |
| Velocidade de Processamento (IVP) | 84 | 89 | +5 | Dentro da variação esperada |
| QI Verbal (QIV) | 100 | 101 | +1 | Dentro da variação esperada |
| QI de Execução (QIE) | 92 | 96 | +4 | Dentro da variação esperada |
| QI Total (QIT) | 96 | 98 | +2 | Dentro da variação esperada |
Análise Qualitativa do Perfil Cognitivo (WAIS-III)
A trajetória não mostra nenhuma mudança confiável entre as duas aplicações. As diferenças em todos os índices e QIs ficaram dentro da variação esperada pelo critério de Jacobson-Truax; os subtestes com variação de um ponto não possuem critério publicado; e todas as faixas dos índices permaneceram as mesmas. O padrão é de estabilidade geral do desempenho intelectual, com flutuações que os dados não permitem classificar como mudança real.
Padrão das diferenças
O ICV passou de 104 para 106 (+2) e o QIT de 96 para 98 (+2); o IOP passou de 96 para 100 (+4); o QIE de 92 para 96 (+4); e o IVP de 84 para 89 (+5). Nenhum desses aumentos alcança o limiar de mudança confiável. O QIV variou apenas +1 ponto. A IMO manteve 94. Entre os subtestes, Semelhanças, Completar Figuras, Códigos, Cubos e Procurar Símbolos variaram +1 ponto, enquanto os demais permaneceram idênticos. Quatro deles são de execução e velocidade, em geral mais sensíveis ao reteste, mas Semelhanças é verbal; e variações de um ponto em subtestes isolados, sem critério publicado, não permitem atribuir causa.
Não houve mudança de faixa em nenhum índice. Em duas medidas, a posição frente às faixas mudou descritivamente: na primeira aplicação, os intervalos de confiança de IOP e QIE alcançavam a faixa Médio Inferior; na segunda, ficaram inteiramente na faixa Médio. Essa alteração não possui peso probatório de mudança real, porque as faixas permaneceram Médio e as diferenças não atingiram o critério de mudança confiável. O IVP continuou perto do corte, na faixa Médio Inferior, nas duas aplicações.
Na primeira aplicação, a amplitude entre os índices ia de IVP 84 a ICV 104, com diferença ICV–IVP de 20 pontos, classificada como pouco comum na amostra normativa. Na segunda, a distância foi de 17 pontos, entre IVP 89 e ICV 106, passando a ser classificada como comum. A mudança é descritiva: a velocidade de processamento continuou abaixo dos demais índices e na faixa Médio Inferior, mas a discrepância perdeu saliência normativa. Esse contraste importa para o médico ponderar a necessidade de acompanhamento funcional, mas não altera o que a escala pode afirmar sobre mudança.
Explicações em discussão
Efeito de prática
- A favor: o intervalo de 62 dias está dentro da janela de 70 dias em que a fonte descreve efeito de prática; as notas de prática aparecem em ICV, IOP, IMO, IVP, QIV, QIE e QIT; os ganhos em execução e velocidade são coerentes com familiaridade com o material.
- Contra: parte das diferenças observadas foi menor que o efeito médio de prática publicado; a IMO permaneceu estável apesar da expectativa de ganho; o ICV e o QIT variaram pouco.
- Próximo passo: nova aplicação com a mesma versão e as mesmas condições padronizadas, em intervalo definido pelo profissional responsável, preferencialmente fora da janela de reteste, para verificar se os ganhos persistem.
Regressão à média
- A favor: o IVP partiu de 84, na faixa Médio Inferior e perto do corte; o QIE partiu de 92 e os subtestes Códigos e Procurar Símbolos iniciaram em 7, valores relativamente baixos no conjunto.
- Contra: ICV e QIT já estavam na faixa Médio e variaram pouco; IOP não era um valor extremo.
- Próximo passo: novos pontos de medida, com avaliação estável ao longo do tempo, para observar se os valores mais baixos tendem a se aproximar da média.
Condições de aplicação, estado, motivação e fadiga
- A favor: o próprio instrumento reconhece que escores de um único momento variam com condições de aplicação, motivação e fadiga; as diferenças encontradas são pequenas.
- Contra: os dados disponíveis não incluem registro de condição atípica em nenhuma das aplicações.
- Próximo passo: registro padronizado de estado, sono, fadiga, motivação e comportamento durante a próxima aplicação.
Mudança genuína do desempenho
- A favor: a direção foi positiva em QIE, IOP e nos subtestes de execução e velocidade; os intervalos de confiança de IOP e QIE deixaram de alcançar a faixa Médio Inferior.
- Contra: nenhuma diferença atingiu o índice de mudança confiável; o efeito de prática é uma explicação parcimoniosa para os ganhos observados.
- Próximo passo: observação funcional, relato de terceiros e reavaliação futura para testar se os ganhos se mantêm e têm expressão no cotidiano.
Desenvolvimento e troca de tabela normativa não explicam as diferenças: as duas aplicações usaram a mesma referência normativa da revisão de 2020, faixa de 20 a 29 anos. A hipótese de intervenção, medicação ou evento de vida só poderia ser considerada se estivesse documentada; a reavaliação foi solicitada pelo neurologista em curto intervalo, mas os dados disponíveis não permitem sustentar nem afastar essa explicação, que permanece como esclarecimento clínico externo.
O que a trajetória permite e não permite afirmar
Permite afirmar que não houve mudança confiável em nenhum índice ou QI; que o QIT permaneceu na faixa Médio; que o IVP permaneceu na faixa Médio Inferior; que a IMO permaneceu estável; e que as faixas não mudaram entre as aplicações. Não permite afirmar melhora real, piora, declínio ou resposta a intervenção; não permite separar efeito de familiaridade de mudança genuína; e não permite descrever forma de curva, pois há apenas dois pontos.
Limites da interpretação
Os achados são limitados por duas aplicações em curto intervalo, pelo efeito de prática documentado para o reteste, pela ausência de critério de diferença para subtestes isolados, pela influência de variáveis de estado e contexto sobre o desempenho e por não incluírem correlato funcional ou ecológico. Os resultados não servem para diagnosticar um quadro clínico nem para afirmar que o perfil mudou no dia a dia.
Síntese Clínica, Implicações e Próximos Passos
A comparação entre as duas aplicações do WAIS-III não evidencia mudança real no desempenho intelectual. O perfil de Marcos permaneceu estável: QIT na faixa Médio, compreensão verbal e organização perceptual dentro da média, memória operacional estável e velocidade de processamento na faixa Médio Inferior nas duas medidas. Os aumentos observados são de pequena magnitude, não alcançam o critério de mudança confiável e são compatíveis com o efeito de prática esperado no reteste de 62 dias. A resposta à pergunta da avaliação é de que não há evidência de mudança confiável no teste; se o objetivo for diferenciar familiaridade de ganho funcional, a próxima evidência deve incluir observação funcional e, se necessário, nova aplicação em condições que evitem a janela de reteste.
Recomendações
Realizar devolutiva conjunta com o neurologista para alinhar a interpretação de que não houve mudança confiável entre as aplicações.
MédiaA comparação é possível com ressalva por efeito de prática; nenhuma diferença atingiu o índice de mudança confiável.
Avaliar a expressão funcional da velocidade de processamento, que permaneceu na faixa Médio Inferior nos dois momentos.
MédiaIVP permaneceu Médio Inferior e a diferença ICV–IVP permaneceu acima do valor crítico da amostra normativa, embora tenha deixado de ser classificada como pouco comum.
Esclarecer com o médico e a família se houve evento, intervenção ou mudança medicamentosa entre as duas avaliações.
MédiaA hipótese de mudança por intervenção ou evento não pode ser sustentada nem afastada com os dados disponíveis, e a reavaliação foi solicitada em curto intervalo.
Se a questão de mudança cognitiva persistir, planejar nova aplicação do WAIS-III com a mesma versão e condições, em intervalo definido pelo profissional responsável, preferencialmente fora da janela de 70 dias descrita pela fonte.
BaixaO efeito de prática documentado é a principal explicação a diferenciar de mudança real; uma reaplicação fora dessa janela ajudaria a testar essa hipótese.