1Ansiedade/Depressão
Síndrome internalizante com medos, preocupação, choro, sentimento de desvalia e nervosismo.
O CBCL/6–18 é o questionário respondido por pais ou cuidadores para descrever problemas emocionais e de comportamento de crianças e adolescentes de 6 a 18 anos. Faz parte do sistema ASEBA, de Achenbach, e gera escores T em oito síndromes, em escalas internalizante, externalizante e total, em escalas orientadas pelo DSM e em competências. Veja como ler cada nível e levar o perfil ao laudo.
O CBCL/6–18 é um inventário ASEBA respondido por pais ou cuidadores sobre comportamentos dos últimos seis meses. Reúne 118 itens de problemas, além de competências. A referência oficial fornece conversões normativas por síndrome e escalas amplas. O módulo atual do PontoAzul apresenta somas brutas e critérios operacionais; não calcula escores T, percentis ou Problemas Totais. Identifique essa diferença ao integrar o protocolo ao laudo.
Síndrome internalizante com medos, preocupação, choro, sentimento de desvalia e nervosismo.
Síndrome internalizante com retraimento, pouca energia, desinteresse e preferência por ficar só.
Síndrome internalizante com dores, náuseas, tontura e cansaço sem causa médica conhecida.
Dificuldades de relacionamento com pares, dependência e sentimento de rejeição.
Pensamentos repetitivos, comportamentos estranhos, problemas de sono e percepções incomuns.
Desatenção, impulsividade, inquietação e dificuldade de concluir o que começa.
Síndrome externalizante com mentiras, desobediência a regras e companhias de risco.
Síndrome externalizante com brigas, discussões, crueldade, gritos e oposição.
Seis escalas agrupando itens por categorias diagnósticas: afetivos, ansiedade, somáticos, déficit de atenção/hiperatividade, desafio e oposição e conduta.
Escalas de atividades, sociabilidade e desempenho escolar, somadas em competência total; aqui, escores baixos indicam dificuldade.
Registre respostas do CBCL/6–18, data, sexo normativo e informante do protocolo aplicado. Integre o perfil disponível à entrevista e aos outros informantes. Escores brutos e classificações das escalas cobertas, com limites e estrato identificados.
O PontoAzul soma as escalas disponíveis e classifica seus escores brutos pelos cortes publicados do estrato. O fluxo atual não calcula Problemas Totais, escores T ou percentis: essas medidas aparecem como indisponíveis.
Testar com CBCL/6–18Calcule a idade na data de aplicação do CBCL/6–18
Autor(es): Thomas M. Achenbach e Leslie A. Rescorla (ASEBA); versão brasileira coordenada por Isabel Bordin, Edwiges Silvares e colaboradores · 2001 (versão brasileira oficial: 2010)
Conteúdo da equipe editorial PontoAzul, baseado nas fontes listadas ao final. Revisão editorial v2, atualizada em .
O Child Behavior Checklist (CBCL) é o instrumento central do Achenbach System of Empirically Based Assessment (ASEBA), criado por Thomas Achenbach na Universidade de Vermont. A versão atual para idade escolar, o CBCL/6–18, foi publicada com Leslie Rescorla em 2001 e é uma das medidas de psicopatologia infantil mais estudadas no mundo, com traduções em dezenas de idiomas e normas multiculturais.
A lógica do ASEBA é empírica: as síndromes não foram definidas a partir de categorias diagnósticas, mas de análises fatoriais de milhares de formulários. Daí vêm as oito síndromes e o agrupamento em problemas internalizantes, voltados para o sofrimento interno, e externalizantes, voltados para o conflito com o ambiente. Em 2001, o sistema ganhou também escalas orientadas pelo DSM, que reagrupam os itens em categorias diagnósticas.
No Brasil, a história começa com o estudo de Bordin, Mari e Caeiro (1995) sobre o CBCL/4–18. Em 2010, traduções feitas na UNIFESP e na USP foram unificadas numa versão brasileira oficial, adaptada em grupos focais com mães de baixa escolaridade para garantir a compreensão, como descrevem Bordin et al. (2013). O instrumento é protegido por direitos autorais e distribuído pelo ASEBA.
O CBCL/6–18 é indicado quando se precisa de uma visão ampla e padronizada dos problemas emocionais e comportamentais de crianças e adolescentes de 6 a 18 anos: avaliações psicológicas e neuropsicológicas, investigação de TDAH e comorbidades, triagem em serviços de saúde mental, pesquisa e acompanhamento de intervenções. É especialmente útil para mapear comorbidades, por exemplo ansiedade em uma criança encaminhada por desatenção, e para comparar a visão dos pais com a da escola (TRF) e do próprio jovem (YSR).
Quando o CBCL/6–18 não é a melhor escolha
O CBCL/6–18 não diagnostica transtornos por si só e não substitui entrevista clínica ou observação. Para crianças de 1 ano e meio a 5 anos, use o CBCL/1½–5; para o relato do próprio adolescente, o YSR/11–18; para a escola, o TRF. Evite interpretar o formulário quando o cuidador convive pouco com a criança, tem dificuldade importante de leitura sem apoio na aplicação ou está em litígio que possa enviesar o relato.
O formulário tem duas partes: competências (atividades, amizades, escola) e problemas de comportamento. Os itens de problemas descrevem comportamentos e o informante marca o quanto cada um é verdadeiro para a criança.
| Dimensão | Itens | O que avalia |
|---|---|---|
| Competências | Parte I | Esportes, passatempos, tarefas, amizades, convivência familiar e desempenho escolar. |
| Problemas de comportamento | 118 | Itens de 0 (não é verdadeiro) a 2 (muito verdadeiro ou frequentemente verdadeiro), incluindo itens abertos para descrever outros problemas. |
| Síndromes internalizantes | 3 escalas | Ansiedade/depressão, isolamento/depressão e queixas somáticas. |
| Síndromes externalizantes | 2 escalas | Comportamento de quebrar regras e comportamento agressivo. |
| Outras síndromes | 3 escalas | Problemas sociais, de pensamento e de atenção, que entram no total, mas não na internalização nem na externalização. |
| Escalas DSM | 6 escalas | Reagrupamento dos itens conforme categorias diagnósticas. |
Entregue o formulário ao cuidador que mais convive com a criança e explique que as respostas se referem aos últimos seis meses.
Oriente a marcar 0, 1 ou 2 em todos os itens, mesmo quando o comportamento não parecer se aplicar à idade.
Se houver dificuldade de leitura, aplique em formato de entrevista, lendo os itens sem sugerir respostas.
Revise os itens abertos e as descrições escritas antes de encerrar a sessão.
Registre quem respondeu, idade e sexo da criança e a data, necessários para escolher a norma.
A correção do CBCL/6–18 envolve várias camadas: somar os itens de cada síndrome e escala DSM, compor internalização, externalização e total, converter cada escore bruto em escore T pela norma de sexo e idade e, por fim, classificar em faixa normal, limítrofe ou clínica. As competências seguem o caminho inverso, em que valores baixos preocupam. Feito à mão, o processo é longo e cheio de pontos de erro de transcrição.
No PontoAzul: Registre respostas do CBCL/6–18, data, sexo normativo e informante do protocolo aplicado. O PontoAzul soma as escalas disponíveis e classifica seus escores brutos pelos cortes publicados do estrato. O fluxo atual não calcula Problemas Totais, escores T ou percentis: essas medidas aparecem como indisponíveis.
Revise o formulário com o cuidador e esclareça itens em branco, duplicados ou com observações escritas que mudem o sentido da resposta.
Some os itens de cada uma das 8 síndromes e das 6 escalas orientadas pelo DSM para obter os escores brutos.
Some ansiedade/depressão, isolamento/depressão e queixas somáticas para internalização; quebrar regras e agressivo para externalização; todos os itens de problemas para o total.
Converta os escores brutos em escores T e percentis pela norma adequada ao sexo, à faixa etária e ao grupo cultural, usando o software ou os perfis do ASEBA.
Classifique: síndromes e escalas DSM normal abaixo de 65, limítrofe de 65 a 69, clínico a partir de 70; escalas amplas normal abaixo de 60, limítrofe de 60 a 63, clínico a partir de 64.
Nas competências, lembre que a lógica se inverte: escores T baixos indicam dificuldade.
Exemplo de correção
Menina de 10 anos avaliada por queixas de dor de barriga, choro e recusa escolar. Escores T fictícios a partir do relato da mãe:
Perfil predominantemente internalizante, com ansiedade/depressão na faixa clínica e queixas somáticas limítrofes, sem elevação externalizante ou de atenção. Direciona a investigação para ansiedade, com escalas específicas como SCARED ou MASC.
O CBCL/6–18 compara a criança com a amostra normativa em escores T, com média 50 e desvio padrão 10. Os cortes abaixo são os adotados nos perfis ASEBA de 2001 para problemas. As escalas amplas têm cortes mais baixos que as síndromes porque somam muitos itens e ficam mais sensíveis.
| Faixa | Classificação | Leitura clínica |
|---|---|---|
| Síndromes e DSM: T < 65 | Faixa normal | Problemas relatados dentro do esperado para idade e sexo. |
| Síndromes e DSM: T 65–69 | Faixa limítrofe | Problemas acima do esperado, que merecem atenção e investigação. |
| Síndromes e DSM: T ≥ 70 | Faixa clínica | Nível de problemas semelhante ao de crianças atendidas em serviços de saúde mental. |
| Internalização, externalização e total: T 60–63 | Limítrofe (escalas amplas) | Elevação global moderada no grupo de problemas. |
| Internalização, externalização e total: T ≥ 64 | Clínico (escalas amplas) | Elevação global compatível com amostras clínicas. |
Escore clínico não é diagnóstico: indica desvio em relação à norma pelo olhar daquele informante. Compare com TRF e YSR quando possível, porque a concordância entre informantes é moderada por natureza. Nas escalas de competência a leitura é inversa, e competência total abaixo de T 37 é considerada clínica. No PontoAzul, a saída disponível usa cortes de escore bruto por estrato. Problemas Totais, escore T e percentil não estão calculados nesse fluxo.
Usar os cortes das síndromes nas escalas amplas
Internalização, externalização e total são clínicas a partir de T 64, não de 70. Aplicar o corte das síndromes subestima problemas globais.
Contar os problemas de atenção como externalizantes
Problemas sociais, de pensamento e de atenção entram no total, mas não na externalização. Incluí-los infla o escore externalizante.
Ler as competências como problemas
Nas competências, T baixo é o sinal de alerta. Interpretar T 30 em escolar como “baixo, então sem problemas” inverte a conclusão.
Norma errada de sexo ou idade
Sexo e idade identificam o estrato do protocolo. No PontoAzul, a classificação usa os cortes brutos disponíveis desse estrato; o fluxo não produz escore T nem percentil.
No PontoAzul, a correção do CBCL/6–18 segue as regras do instrumento e mostra o cálculo para você conferir. Teste grátis por 7 dias.
Exemplo demonstrativo de CBCL/6–18, sem dados reais. O PontoAzul soma as escalas disponíveis e classifica seus escores brutos pelos cortes publicados do estrato. O fluxo atual não calcula Problemas Totais, escores T ou percentis: essas medidas aparecem como indisponíveis. A interpretação ilustrada incorpora a leitura profissional do protocolo e da entrevista.
No Inventário de Comportamentos para Crianças e Adolescentes (CBCL/6–18; Achenbach & Rescorla, 2001), respondido pela mãe em 15/04/2026, observou-se elevação de problemas internalizantes (T = 69, faixa clínica), com a síndrome Ansiedade/Depressão em faixa clínica (T = 72) e Queixas Somáticas em faixa limítrofe (T = 68). As escalas de atenção, quebra de regras e agressividade permaneceram na faixa normal. O perfil é compatível com sofrimento emocional expresso por medo, choro e sintomas físicos, e será confrontado com o relato da professora e com a entrevista com a criança.
Trecho ilustrativo de caso fictício. O texto final é sempre revisado pelo profissional.
Fontes consultadas pela equipe editorial para revisar as informações desta página.
Autorrelato de 11 a 18 anos com 112 itens de problemas e oito síndromes.
CBCL/1½–5: 99 itens e perfil comportamental relatado por responsáveis.
SDQ: 25 itens, 5 escalas, total de dificuldades de 0 a 40 e faixas por informante.
SNAP-IV: 26 itens para pais e professores, critério de 6 itens e média por dimensão.
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