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TDAH e comportamento · Rastreio

Escala de Vanderbilt para TDAH: pais e professores

A Escala de Vanderbilt é o questionário para pais e professores recomendado pela Academia Americana de Pediatria na investigação de TDAH.

Sintoma positivo
Resposta 2 ou 3

Escala de Vanderbilt em resumo

A Vanderbilt reúne sintomas e desempenho para apoiar o rastreio de TDAH e dificuldades associadas. Há formulários para pais e professores, com blocos próprios. No PontoAzul, a correção recebe as formas iniciais, conta sintomas positivos e verifica o desempenho; formulários de seguimento não integram o módulo. Os indicadores precisam ser interpretados com história, contexto e outras informações da avaliação.

Sintomas de TDAH
18 (itens 1–9 desatenção; 10–18 hiperatividade/impulsividade)
Resposta aos sintomas
0 nunca, 1 ocasionalmente, 2 frequentemente, 3 muito frequentemente
Sintoma positivo
Resposta 2 ou 3
Critério de TDAH
6 de 9 positivos na dimensão + prejuízo no desempenho
Prejuízo
Nota 4 em pelo menos 2 itens ou 5 em pelo menos 1
Versão para pais
Rastreia TOD, conduta e ansiedade/depressão
Validação original
Crianças de 6 a 12 anos
Tempo
10 minutos por informante

O que o Escala de Vanderbilt avalia?

1Desatenção

Itens 1 a 9, correspondentes aos nove sintomas de desatenção do DSM.

2Hiperatividade/impulsividade

Itens 10 a 18, correspondentes aos nove sintomas de hiperatividade e impulsividade.

3Transtorno opositor desafiador

Na versão para pais, itens 19 a 26; positivo com 4 de 8. Na de professores, TOD e conduta ficam juntos nos itens 19 a 28, com 3 de 10.

4Transtorno de conduta (pais)

Itens 27 a 40; positivo com 3 dos 14 comportamentos marcados como 2 ou 3.

5Ansiedade/depressão

Sete itens (41 a 47 nos pais; 29 a 35 nos professores); positivo com 3 de 7.

6Desempenho

Escala de 1 (excelente) a 5 (problemático) para desempenho escolar, relações e, na versão para professores, comportamento em sala e organização.

Dados que viram resultado

Do Escala de Vanderbilt ao gráfico e ao laudo

Registre as respostas da forma inicial Vanderbilt para pais/cuidadores ou professores e a data de aplicação. O laudo-base descreve a apresentação sugerida, as comorbidades rastreadas e o prejuízo, com a ressalva de que se trata de rastreio.

  • Formas iniciais identificadas
  • Sintomas e desempenho juntos
  • Rastreio revisável no contexto

Correção programada e Cérebro PontoAzul

O PontoAzul conta os sintomas positivos, verifica o desempenho e organiza os indicadores de rastreio da forma selecionada.

Testar com Escala de Vanderbilt

Calculadora de idade cronológica

NICHQ Vanderbilt Assessment Scales (Vanderbilt ADHD Diagnostic Parent and Teacher Rating Scales), de Mark Wolraich e colaboradores

Autor(es): Mark L. Wolraich e colaboradores (Universidade Vanderbilt); difundida pela Academia Americana de Pediatria e pelo NICHQ · 1998 (professores) e 2003 (pais)

Conteúdo da equipe editorial PontoAzul, baseado nas fontes listadas ao final. Revisão editorial v2, atualizada em .

O que é o Escala de Vanderbilt?

A Escala de Vanderbilt nasceu na Universidade Vanderbilt, nos Estados Unidos, com o pediatra do desenvolvimento Mark Wolraich. A versão para professores foi publicada em 1998 e a versão para pais, em 2003. Depois, as escalas foram incorporadas ao kit de ferramentas para TDAH da Academia Americana de Pediatria e do National Institute for Children's Health Quality (NICHQ), e passaram a ser chamadas de NICHQ Vanderbilt Assessment Scales.

O que diferencia a Vanderbilt de outras escalas de sintomas é a combinação de três elementos: os 18 sintomas do DSM para TDAH, rastreios breves de comorbidades (TOD, transtorno de conduta e ansiedade/depressão, além de dificuldade de aprendizagem na versão para professores) e uma seção de desempenho, pontuada de 1 a 5, que verifica se os sintomas trazem prejuízo escolar e social. O critério da escala só é atendido quando sintomas e prejuízo aparecem juntos.

Existem versões iniciais e de seguimento, estas com um registro de efeitos colaterais de medicação. No Brasil, há estudos de tradução e adaptação transcultural, como o de Silva e colaboradores (2021), mas ainda sem normas nacionais publicadas.

Indicação e população

A Vanderbilt é indicada na investigação inicial de TDAH em crianças em idade escolar, sobretudo quando se quer rastrear ao mesmo tempo as comorbidades mais frequentes e documentar prejuízo funcional. Pediatras, neuropediatras, psicólogos e neuropsicólogos a usam para organizar o relato de casa e escola antes da entrevista e para acompanhar o tratamento com a versão de seguimento, que também registra efeitos colaterais. É especialmente útil quando o encaminhamento vem da escola e é preciso diferenciar TDAH de ansiedade ou dificuldade de aprendizagem.

Quando o Escala de Vanderbilt não é a melhor escolha

A Escala de Vanderbilt não deve ser usada sozinha para diagnosticar, como deixam claro as próprias instruções de pontuação: é preciso entrevistar cuidadores e o paciente e combinar fontes. Os estudos de validação foram feitos com crianças de 6 a 12 anos, então use com cuidado em pré-escolares e adolescentes. Não é instrumento para adultos e não substitui avaliação de aprendizagem quando o professor sinaliza dificuldade acadêmica.

Estrutura do Escala de Vanderbilt

As versões iniciais têm duas partes: sintomas e desempenho. As versões de seguimento mantêm os 18 sintomas de TDAH, o bloco opositor e a seção de desempenho, e acrescentam o registro de efeitos colaterais de medicação.

DimensãoItensO que avalia
Sintomas de TDAH1–18Mesma numeração nas versões para pais e professores.
Comorbidades — pais19–47TOD (19–26), conduta (27–40) e ansiedade/depressão (41–47).
Comorbidades — professores19–35TOD/conduta (19–28) e ansiedade/depressão (29–35).
Desempenho — paisA partir do 48Desempenho escolar geral e em disciplinas, relacionamento com pais, irmãos e colegas e participação em atividades.
Desempenho — professores36–43Leitura, matemática, expressão escrita, relações com colegas, seguir instruções, perturbar a aula, concluir tarefas e organização.

Protocolo de aplicação

  1. 1

    Envie a versão inicial para pais e a versão inicial para professores, cada uma respondida de forma independente.

  2. 2

    Oriente a considerar o comportamento dos últimos seis meses e, no caso de medicação, a responder sobre a criança sem efeito do remédio, quando isso for possível.

  3. 3

    Peça que o desempenho seja avaliado de 1 (excelente) a 5 (problemático) comparando com a média da turma ou da idade.

  4. 4

    Revise itens em branco, especialmente na seção de desempenho, que decide o critério de prejuízo.

  5. 5

    Nas reavaliações, use as versões de seguimento e registre dose e efeitos colaterais relatados.

Como corrigir o Escala de Vanderbilt

A correção da Vanderbilt é por blocos: conta-se, em cada bloco, quantos itens receberam 2 ou 3 e compara-se com o limiar do bloco. Depois, verifica-se a seção de desempenho. As instruções AAP da 2ª edição adotam pelo menos duas notas 4 ou uma nota 5 no desempenho, regra usada no módulo PontoAzul. O PDF NICHQ da 1ª edição usa pelo menos uma nota 4 ou 5. Identifique a edição e não misture esses critérios. O rastreio de cada quadro só é positivo quando os dois critérios são atendidos. A numeração dos blocos muda entre pais e professores, e essa é a principal fonte de erro na correção à mão.

No PontoAzul, o módulo recebe as formas iniciais para pais/cuidadores ou professores. A correção conta os sintomas positivos e verifica o desempenho, preservando os blocos próprios de cada forma. Os formulários de seguimento não integram esta correção. Revise os indicadores de rastreio e o contexto antes de finalizar o laudo-base.

  1. Nos blocos de sintomas, considere positivo todo item marcado como 2 (frequentemente) ou 3 (muito frequentemente).

  2. Conte os positivos em desatenção (1–9) e em hiperatividade/impulsividade (10–18): 6 ou mais em uma dimensão preenchem o critério de sintomas daquela apresentação; nas duas, apresentação combinada.

  3. Conte os positivos nos blocos de comorbidade, com o limiar de cada um: TOD 4 de 8 (pais), conduta 3 de 14 (pais), TOD/conduta 3 de 10 (professores) e ansiedade/depressão 3 de 7.

  4. Na seção de desempenho, marque como prejuízo notas 4 ou 5. O critério exige nota 4 em pelo menos 2 itens ou nota 5 em pelo menos 1.

  5. Só considere o rastreio positivo quando o critério de sintomas e o de prejuízo forem atendidos juntos.

  6. Na versão de professores, verifique também o rastreio de dificuldade de aprendizagem: nota 4 em ambos ou 5 em um dos itens de leitura e expressão escrita.

Exemplo de correção

Exemplo demonstrativo: Menina de 9 anos, Vanderbilt respondida pelos pais na avaliação inicial:

Desatenção (1–9)
7 itens em 2 ou 3
Hiperatividade/impulsividade (10–18)
3 itens em 2 ou 3
TOD (19–26)
1 de 8
Ansiedade/depressão (41–47)
3 de 7
Desempenho
Escolar geral 4, leitura 4, relação com colegas 3

Critério de sintomas desatentos atendido (7 de 9) e prejuízo presente (duas notas 4). Rastreio positivo para apresentação desatenta, com rastreio também positivo para ansiedade/depressão (3 de 7): investigar ansiedade antes de atribuir toda a desatenção ao TDAH.

Interpretação dos resultados

A Vanderbilt é corrigida por contagem de sintomas, como o DSM, mas com um diferencial: o resultado só é positivo quando há também prejuízo na seção de desempenho. Os limiares abaixo seguem as instruções de pontuação distribuídas pela Academia Americana de Pediatria.

FaixaClassificaçãoLeitura clínica
Desatenção: ≥ 6 de 9 + prejuízoRastreio positivo — desatentoSintomas de desatenção frequentes com impacto no desempenho.
Hiperatividade: ≥ 6 de 9 + prejuízoRastreio positivo — hiperativo/impulsivoSintomas de hiperatividade/impulsividade frequentes com impacto.
Ambas ≥ 6 + prejuízoRastreio positivo — combinadoCritérios das duas dimensões atendidos.
TOD ≥ 4/8 · conduta ≥ 3/14 · ansiedade/depressão ≥ 3/7 (pais)Rastreio de comorbidade positivoSinaliza comorbidade a investigar, também condicionada a prejuízo no desempenho.

A seção de desempenho transforma a escala num rastreio mais conservador que o de contagem pura, mas ainda assim o resultado é de rastreio. A concordância entre pais e professores é moderada. A versão brasileira ainda tem estudos iniciais de adaptação, sem normas nacionais publicadas, então o resultado deve ser interpretado com os critérios originais e dados clínicos.

Erros comuns na correção manual

Ignorar a seção de desempenho

Seis sintomas positivos sem nota 4 ou 5 no desempenho não preenchem o critério da escala. Muitos relatórios param na contagem de sintomas.

Usar os números de itens dos pais no formulário do professor

As comorbidades mudam de posição: ansiedade/depressão está em 41–47 nos pais e em 29–35 nos professores. Contar o bloco errado gera resultados sem sentido.

Aplicar 4 de 8 no bloco opositor do professor

No professor, TOD e conduta estão juntos em 10 itens, com limiar de 3. O critério de 4 de 8 é só da versão para pais.

Contar resposta 1 como sintoma

Ocasionalmente (1) não é positivo. Só 2 e 3 contam. No PontoAzul, cada bloco é contado com o limiar e a numeração da versão escolhida.

No PontoAzul, a correção do Escala de Vanderbilt segue as regras do instrumento e mostra o cálculo para você conferir. Teste grátis por 7 dias.

Como o Escala de Vanderbilt aparece no laudo

Trecho demonstrativo, sem dados de paciente real. No PontoAzul, o módulo recebe as formas iniciais para pais/cuidadores ou professores. A correção conta os sintomas positivos e verifica o desempenho, preservando os blocos próprios de cada forma. Os formulários de seguimento não integram esta correção. Revise os indicadores de rastreio e o contexto antes de finalizar o laudo-base.

Na Escala de Avaliação de Vanderbilt (NICHQ), versão para pais, respondida em 26/05/2026, foram assinalados como frequentes ou muito frequentes 7 dos 9 sintomas de desatenção e 3 dos 9 sintomas de hiperatividade/impulsividade. A seção de desempenho indicou prejuízo no desempenho escolar geral e na leitura (nota 4 em ambos). O padrão preenche o critério de rastreio para apresentação predominantemente desatenta. O bloco de ansiedade/depressão também foi positivo (3 de 7), o que exige investigação específica de sintomas ansiosos e depressivos antes da conclusão diagnóstica.

Trecho ilustrativo de caso fictício. O texto final é sempre revisado pelo profissional.

Escala de Vanderbilt e instrumentos parecidos

  • SNAP-IV: O SNAP-IV tem 26 itens (TDAH e TOD) e é mais difundido no Brasil. A Vanderbilt acrescenta conduta, ansiedade/depressão e exige prejuízo no desempenho.
  • Conners Abreviado: O Conners Abreviado gera um índice global de 10 itens para monitoramento. A Vanderbilt segue o DSM item a item e diferencia apresentações.
  • SDQ: O SDQ é um rastreio amplo de saúde mental com 25 itens. A Vanderbilt é específica para TDAH e suas comorbidades mais frequentes.
  • DBD-45: A DBD-45 aprofunda comportamentos disruptivos e opositores. A Vanderbilt faz só um rastreio breve desses quadros.

Referências e fontes públicas

Fontes consultadas pela equipe editorial para revisar as informações desta página.

Bibliografia complementar (3)
  1. Wolraich, M. L., Feurer, I. D., Hannah, J. N., Baumgaertel, A., & Pinnock, T. Y. (1998). Obtaining systematic teacher reports of disruptive behavior disorders utilizing DSM-IV. Journal of Abnormal Child Psychology, 26(2), 141–152.
  2. Wolraich, M. L., Lambert, W., Doffing, M. A., Bickman, L., Simmons, T., & Worley, K. (2003). Psychometric properties of the Vanderbilt ADHD Diagnostic Parent Rating Scale in a referred population. Journal of Pediatric Psychology, 28(8), 559–568.
  3. Silva, F. G., Gonzaga, A. V., Silva, M., & Carvalho, L. T. C. (2021). Adaptação transcultural da escala Vanderbilt para Português: uma proposta de entrevista de rastreio de TDAH. Brazilian Journal of Development, 7(5), 45079–45085.

Perguntas frequentes sobre o Escala de Vanderbilt

Como corrigir a escala Vanderbilt?
Conte os itens 2 ou 3 em cada bloco. Na dimensão de TDAH, o critério de sintomas usa seis de nove positivos. As instruções AAP da 2ª edição adotam pelo menos duas notas 4 ou uma nota 5 no desempenho, regra usada no módulo PontoAzul. O PDF NICHQ da 1ª edição usa pelo menos uma nota 4 ou 5. Identifique a edição e não misture esses critérios.
Qual o ponto de corte da escala Vanderbilt?
Para TDAH, 6 de 9 sintomas positivos por dimensão, mais prejuízo no desempenho. Na versão para pais, TOD exige 4 de 8, conduta 3 de 14 e ansiedade/depressão 3 de 7, sempre com prejuízo associado.
Qual a diferença entre a Vanderbilt de pais e de professores?
Os 18 sintomas de TDAH são iguais. Na versão para pais, há blocos separados de TOD, conduta e ansiedade/depressão. Na de professores, TOD e conduta ficam juntos, e a seção de desempenho inclui leitura, matemática, escrita e comportamento em sala.
A escala Vanderbilt diagnostica TDAH?
Não. As instruções da própria escala dizem que ela não deve ser usada sozinha para diagnóstico. O resultado precisa ser confirmado com entrevista de cuidadores e do paciente, história do desenvolvimento e informação de múltiplos contextos.
Para que serve a seção de desempenho da Vanderbilt?
A seção registra dificuldades funcionais na escola e nas relações, em conjunto com os sintomas. As instruções AAP da 2ª edição adotam pelo menos duas notas 4 ou uma nota 5 no desempenho, regra usada no módulo PontoAzul. O PDF NICHQ da 1ª edição usa pelo menos uma nota 4 ou 5. Identifique a edição e não misture esses critérios.
Existe versão brasileira da escala Vanderbilt?
Há estudos brasileiros de tradução e adaptação transcultural, como o de Silva et al. (2021) e um estudo piloto da versão para professores, mas ainda não há normas nacionais publicadas. Na prática, usam-se os critérios de contagem originais.
Como o PontoAzul ajuda com a escala Vanderbilt?
No PontoAzul, o módulo recebe as formas iniciais para pais/cuidadores ou professores. A correção conta os sintomas positivos e verifica o desempenho, preservando os blocos próprios de cada forma. Os formulários de seguimento não integram esta correção. Revise os indicadores de rastreio e o contexto antes de finalizar o laudo-base.

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