O módulo do ADOS-2 é escolhido pela linguagem expressiva que a pessoa usa e, em seguida, pela idade. São cinco módulos: o Toddler (T), para crianças de 12 a 30 meses que ainda não usam frases de forma consistente; o módulo 1, a partir de 31 meses, para quem usa pouca ou nenhuma fala em frases; o módulo 2, em qualquer idade, para quem fala em frases, mas sem fluência; o módulo 3, para crianças e adolescentes jovens com linguagem fluente; e o módulo 4, para adolescentes mais velhos e adultos com linguagem fluente. Cada aplicação usa um único módulo.
Este guia reúne o critério geral que a distribuidora e a literatura publicam e o que a página do ADOS-2 já descreve. Ele não traz atividades, materiais, descritores de codificação, algoritmos nem pontos de corte: esse conteúdo é do manual e do treinamento no instrumento, protegido por direitos autorais.
Os cinco módulos lado a lado
| Módulo | Idade | Linguagem expressiva | Formato e ponto de atenção | O que o algoritmo entrega |
|---|---|---|---|---|
| Toddler (T) | 12 a 30 meses | Ainda sem frases de forma consistente | Pede idade mental não verbal de pelo menos 12 meses | Níveis de preocupação, não classificação diagnóstica |
| Módulo 1 | A partir de 31 meses | Pouca ou nenhuma fala em frases | Atividades centradas em brincadeira e rotinas sociais | Classificação: Autismo, Espectro do Autismo ou Não Espectro |
| Módulo 2 | Qualquer idade | Fala em frases, sem fluência verbal | Mistura brincadeira e conversa | Classificação: Autismo, Espectro do Autismo ou Não Espectro |
| Módulo 3 | Crianças e adolescentes jovens | Fluente | Para quem ainda se engaja em brincadeiras com brinquedos | Classificação: Autismo, Espectro do Autismo ou Não Espectro |
| Módulo 4 | Adolescentes mais velhos e adultos | Fluente | Atividades baseadas em conversa e entrevista | Classificação: Autismo, Espectro do Autismo ou Não Espectro |
Nos módulos T, 1 e 2, o algoritmo ainda se divide em subgrupos, definidos pela idade ou pela presença de palavras e frases. Escolher o módulo é a primeira decisão; escolher o subgrupo certo dentro dele é a segunda, e as duas mudam os itens que entram na soma.
Primeiro a linguagem, depois a idade
A pergunta que decide o módulo é quanto a pessoa fala, e não quanto compreende nem quantos anos tem. Antes da sessão, levante a história e o nível de linguagem expressiva, como a página do ADOS-2 orienta no passo a passo de aplicação. A idade entra depois: ela separa o Toddler do módulo 1 entre as crianças que ainda não usam frases, e separa o módulo 3 do módulo 4 entre as pessoas fluentes.
Por isso, uma criança de 8 anos pode fazer o módulo 1 ou o 2, e um adulto sem linguagem fluente também. O módulo descreve o nível de linguagem com que as atividades vão funcionar, não a maturidade da pessoa. Quando a linguagem fica na fronteira entre dois módulos, siga as orientações do manual e registre no laudo por que o módulo foi escolhido.
Toddler ou módulo 1: a idade da criança que ainda não usa frases
O módulo Toddler foi desenvolvido para crianças com menos de 30 meses (Luyster et al., 2009). No lugar da classificação, ele organiza o resultado em níveis de preocupação, que orientam acompanhamento e encaminhamento. A partir de 31 meses, a criança que ainda usa pouca ou nenhuma fala em frases faz o módulo 1.
Nessa idade, o ADOS-2 costuma entrar depois de uma triagem positiva ou de uma preocupação levantada pela família ou pela escola. O M-CHAT-R/F, que cobre de 16 a 30 meses, é um exemplo de triagem que pode vir antes.
Módulo 2 ou módulo 3: a fluência
Entre as pessoas que já falam em frases, o que separa os dois módulos é a fluência verbal. O módulo 2 vale para qualquer idade e mistura brincadeira e conversa; o módulo 3 pede linguagem fluente. Uma criança em idade escolar que fala em frases, mas sem fluência, faz o módulo 2, mesmo que a idade faça pensar no 3.
Módulo 3 ou módulo 4: idade e tipo de atividade
Com linguagem fluente, a escolha considera a idade e o tipo de atividade em que a pessoa se engaja. O módulo 3 atende crianças e adolescentes jovens que ainda se engajam em brincadeiras com brinquedos; o módulo 4, adolescentes mais velhos e adultos, com atividades baseadas em conversa e entrevista. Hus e Lord (2014) publicaram um algoritmo revisado para o módulo 4, voltado a adolescentes mais velhos e adultos fluentes.
O escore de comparação e o módulo T
O escore de comparação é uma métrica de 1 a 10 desenvolvida a partir do trabalho de Gotham, Pickles e Lord (2009), para comparar resultados de idades e níveis de linguagem diferentes. Segundo a página do ADOS-2, no manual ele existe para os módulos 1 a 3. O módulo T usa os níveis de preocupação. As faixas do escore de comparação e a leitura de cada uma estão na seção de interpretação da página do ADOS-2.
Quando o ADOS-2 não é a escolha
O ADOS-2 não é triagem nem questionário: exige examinador treinado, o kit completo e uma sala preparada. Em crianças com idade mental não verbal abaixo de 12 meses, em pessoas com deficiência visual ou auditiva graves e em quem não consegue se deslocar pela sala, os procedimentos padronizados perdem validade. Para rastreio, a página do ADOS-2 indica o M-CHAT-R/F ou questionários como a SRS-2.
Ele também não fecha diagnóstico sozinho. A ADI-R reconstrói a história do desenvolvimento com o cuidador e complementa a observação atual; a CARS-2 é uma escala preenchida pelo profissional com informações de várias fontes, mais rápida e sem o kit de atividades.
O que o PontoAzul faz com o ADOS-2
O PontoAzul não aplica o ADOS-2 nem escolhe o módulo: a sessão, a codificação e a escolha do módulo são do examinador treinado. Depois da sessão, você registra o módulo, a data e os códigos que atribuiu no protocolo. O algoritmo considera a idade e a linguagem conforme a rota do módulo, e o PontoAzul converte os códigos, soma os domínios Afeto Social (AS) e Comportamento Restrito e Repetitivo (CRR) e mostra o total e a classificação do algoritmo.
O resultado fica no caso do paciente e alimenta o laudo-base, que você revisa e completa com a interpretação clínica e o seu manual.
Como registrar o módulo no laudo
- A edição e o módulo aplicados e, nos módulos T, 1 e 2, o subgrupo do algoritmo.
- A data e a duração da sessão.
- Por que o módulo foi escolhido, em termos da linguagem expressiva observada.
- Os domínios, o total e a classificação, sem tratar módulos diferentes como equivalentes.
- A integração com a história do desenvolvimento, a entrevista com cuidadores e as informações de outros contextos.
O guia sobre como organizar o ADOS-2 no laudo aprofunda a diferença entre o que foi observado e a conclusão, e o guia da área de autismo mostra como os instrumentos se combinam. Quando a avaliação inclui a SRS-2, o guia como escrever a síntese da SRS-2 no laudo trata da redação desse resultado. O exemplo de laudo neuropsicológico de TEA, com um caso fictício, mostra como várias fontes entram no mesmo documento.
Referências
- Lord, C., Rutter, M., DiLavore, P. C., Risi, S., Gotham, K., & Bishop, S. L. (2012). Autism Diagnostic Observation Schedule, Second Edition (ADOS-2) manual. Torrance, CA: Western Psychological Services.
- Luyster, R., Gotham, K., Guthrie, W., et al. (2009). The Autism Diagnostic Observation Schedule – Toddler Module: A new module of a standardized diagnostic measure for autism spectrum disorders. Journal of Autism and Developmental Disorders, 39(9), 1305–1320. PMC2893552
- Gotham, K., Pickles, A., & Lord, C. (2009). Standardizing ADOS scores for a measure of severity in autism spectrum disorders. Journal of Autism and Developmental Disorders, 39(5), 693–705. PMC2922918
- Hus, V., & Lord, C. (2014). The Autism Diagnostic Observation Schedule, Module 4: Revised algorithm and standardized severity scores. Journal of Autism and Developmental Disorders, 44(8), 1996–2012. PMC4104252
- Pearson Clinical UK. Autism Diagnostic Observation Schedule, Second Edition (ADOS-2): módulos por idade e linguagem.