A síntese da SRS-2 no laudo responde a uma pergunta: o que o informante relatou sobre a responsividade social da pessoa e que peso isso tem na avaliação. Ela costuma ter cinco partes, nesta ordem: (1) a forma, o informante e a data; (2) o escore T total e a faixa; (3) o perfil das escalas e subescalas, como descrição; (4) a comparação entre informantes, quando há mais de um; e (5) a integração com as outras fontes, com os limites da escala. A SRS-2 quantifica o que o informante percebe. Ela não diagnostica, e a síntese não deve fazer isso por ela.
Este guia trata só da redação. Ele não traz itens, tabelas de conversão nem texto do manual. As faixas do escore T citadas aqui são as que a página da SRS-2 já publica.
As cinco partes da síntese
| Parte | O que escrever | O que evitar |
|---|---|---|
| 1. Identificação | A edição, a forma (Pré-escolar, Escolar, Adulto autorrelato ou Adulto heterorrelato), quem respondeu e a relação com a pessoa, a data e a norma usada | Escrever só "SRS-2", sem forma nem informante |
| 2. Resultado total | O escore T total e a faixa correspondente | Citar só o bruto ou transformar a faixa em diagnóstico |
| 3. Perfil | As escalas CIS e PRR e as subescalas mais e menos elevadas, como descrição | Ler uma subescala isolada como conclusão |
| 4. Informantes | As convergências antes das divergências, com o contexto de cada informante | Escolher um relato e descartar o outro |
| 5. Integração e limites | Como o resultado conversa com a história, a observação e os outros instrumentos, e o que a escala não mede | Concluir o diagnóstico a partir da escala |
1. Forma, informante e data
A SRS-2 tem quatro formulários, com os mesmos 65 itens e a redação ajustada à idade e a quem responde. Comece pelo formulário usado e por quem respondeu, porque cada formulário tem a sua norma e cada informante observa um contexto. "Forma Escolar, respondida pela mãe em [data]" já diz ao leitor de onde vem o número. A página da SRS-2 recomenda registrar também se as normas aplicadas foram as da edição brasileira.
2. Escore T total e faixa
O escore T tem média 50 e desvio-padrão 10, e escores mais altos indicam mais dificuldades. As faixas do total publicadas na página da SRS-2 são: até 59, dentro dos limites típicos; 60 a 65, leve; 66 a 75, moderado; 76 ou mais, grave. Escreva o número e a faixa juntos: "escore T total de 68, na faixa moderada (66 a 75)".
Dois cuidados. Primeiro, um escore perto da fronteira entre faixas pede redação prudente, porque todo escore tem erro de medida; o guia sobre erro-padrão de medida explica por quê. Segundo, a página da SRS-2 lembra que as faixas leve, moderada e grave não correspondem aos níveis de suporte do DSM-5-TR: não use uma como sinônimo da outra.
3. O perfil: escalas e subescalas
Depois do total, descreva o perfil. A escala de Comunicação e Interação Social (CIS) reúne as quatro primeiras subescalas, e a de Padrões Restritos e Repetitivos (PRR) aparece separada. As subescalas são Percepção Social, Cognição Social, Comunicação Social, Motivação Social e Padrões Restritos e Repetitivos.
A distribuidora descreve as subescalas como úteis para planejar e avaliar a intervenção, e não para rastreio ou diagnóstico. Na síntese, elas mostram onde a dificuldade relatada se concentra: qual área se destaca e qual está menos comprometida, com o escore T de cada uma. Dois casos com o mesmo total podem ter perfis opostos, e é o perfil que orienta as recomendações. Para a classificação de cada escala, siga o que o manual da edição aplicada prevê.
4. Mais de um informante
Quando pais e professores respondem, ou quando o adulto responde ao autorrelato e alguém próximo ao heterorrelato, apresente primeiro o que os relatos têm em comum e depois onde divergem. A página da SRS-2 é clara: diferenças entre informantes são informação clínica, não erro. A pergunta da síntese é o que muda entre os contextos (a demanda, a rotina, o tempo de convivência), e não qual informante está certo.
O guia sobre a SRS-2 com vários respondentes no laudo mostra como manter os relatos separados durante a correção.
5. Integração e limites
Feche a síntese ligando o resultado ao restante da avaliação. Escores elevados na SRS-2 também aparecem em TDAH, ansiedade social, deficiência intelectual e outros quadros, como a página da SRS-2 registra. Por isso, a síntese diz o que o resultado sugere e como ele será integrado à história do desenvolvimento, à observação direta e aos outros instrumentos; a conclusão do laudo é que reúne tudo.
A Resolução CFP nº 06/2019 organiza o laudo psicológico em seis itens (identificação, descrição da demanda, procedimento, análise, conclusão e referências) e pede, na análise, uma exposição descritiva, metódica e objetiva, com linguagem objetiva e precisa e sem afirmações sem sustentação em fatos ou teorias. A síntese da SRS-2 entra na análise; a conclusão parte do que a análise relatou. O guia sobre os elementos obrigatórios do laudo detalha essa estrutura.
Linguagem cuidadosa: troque isto por aquilo
- Em vez de "a SRS-2 indica autismo", escreva "o resultado é compatível com dificuldades na responsividade social, na percepção do informante".
- Em vez de "a criança tem nível moderado de autismo", escreva "o escore T total ficou na faixa moderada da SRS-2", sem confundir a faixa com nível de suporte.
- Em vez de "a professora subestimou as dificuldades", escreva "a professora descreve menos dificuldades no contexto escolar".
- Em vez de "o resultado normal afasta TEA", escreva "o escore ficou dentro dos limites típicos pelo relato do informante" e deixe a conclusão para a integração com as outras fontes.
Modelo de síntese (caso fictício)
Caso fictício. Na SRS-2 (Escala de Responsividade Social, 2ª edição), forma Escolar, respondida pela mãe e pela professora, o escore T total foi 68 no relato materno, na faixa moderada (66 a 75), e 61 no relato da professora, na faixa leve (60 a 65). Nos dois relatos, a Cognição Social foi a subescala mais elevada, o que descreve dificuldade para interpretar pistas sociais em casa e na escola. A diferença de intensidade entre os relatos pode refletir diferenças de contexto e de convivência e será examinada na entrevista e na observação direta. O resultado é compatível com dificuldades na responsividade social, na percepção das duas informantes, não estabelece diagnóstico isoladamente e é integrado à história do desenvolvimento e aos demais instrumentos na conclusão.
O exemplo de laudo neuropsicológico de TEA, também com um caso fictício, mostra a SRS-2 respondida pela mãe integrada a outros instrumentos e ao relato da escola.
O que o PontoAzul faz na SRS-2
Você escolhe o formulário e o informante e registra as 65 respostas, ou envia a SRS-2 por link para quem vai responder, e as respostas voltam para a correção do formulário escolhido. O PontoAzul aplica as inversões, soma o total, a CIS, a PRR e as subescalas e organiza os escores T da forma correspondente. Em seguida, escreve um parágrafo-base com a forma, o informante, a faixa do total e os destaques do perfil, para você revisar e integrar ao restante do laudo. A síntese final é do profissional que assina.
Referências
- Constantino, J. N., & Gruber, C. P. (2012). Social Responsiveness Scale, Second Edition (SRS-2): Manual. Torrance, CA: Western Psychological Services.
- Constantino, J. N., & Gruber, C. P. (2021). SRS-2: Escala de Responsividade Social, segunda edição. Adaptação brasileira de L. Borges. São Paulo: Hogrefe.
- Pearson Clinical UK. Social Responsiveness Scale, Second Edition (SRS-2): formas, subescalas de tratamento e escalas compatíveis com o DSM-5.
- Texas Education Agency, TARGET. Social Responsiveness Scale, Second Edition: escore T e uso como apoio ao rastreio e ao diagnóstico.
- Conselho Federal de Psicologia. (2019). Resolução CFP nº 06/2019 comentada. Brasília: CFP.