1Identificação de letras
Nome ou som das letras e tarefa de igual-diferente com palavras e pseudopalavras: verifica se o reconhecimento das unidades básicas está automatizado.
O PROLEC avalia os processos cognitivos da leitura em crianças do 2º ao 5º ano: identificação de letras, reconhecimento de palavras (processos léxicos), processos sintáticos e processos semânticos. A adaptação brasileira é de Capellini, Oliveira e Cuetos. Veja as provas, a lógica de correção por ano escolar e como transformar o perfil em laudo.
O PROLEC (Provas de Avaliação dos Processos de Leitura) é uma bateria de aplicação individual que identifica em qual etapa da leitura a criança falha: reconhecer letras, decodificar palavras e pseudopalavras, processar a estrutura das frases ou extrair significado de frases e textos. Criado na Espanha por Cuetos, Rodríguez e Ruano (1996) e adaptado ao Brasil por Capellini, Oliveira e Cuetos, é usado com alunos do 2º ao 5º ano, sobretudo na investigação de dislexia.
Nome ou som das letras e tarefa de igual-diferente com palavras e pseudopalavras: verifica se o reconhecimento das unidades básicas está automatizado.
Decisão lexical, leitura de palavras e leitura de pseudopalavras: separa a via lexical (palavras conhecidas) da via fonológica (decodificação).
Estruturas gramaticais (relacionar frases de diferentes estruturas a figuras) e sinais de pontuação na leitura em voz alta.
Compreensão de orações e compreensão de textos narrativos e expositivos com perguntas.
Você informa o ano escolar e os escores brutos já apurados em cada prova do PROLEC. O perfil vira um parágrafo do laudo-base organizado por processo, para você acrescentar a análise dos erros.
O PontoAzul compara cada escore com a norma brasileira do ano, atribui a classificação e agrupa as provas nos quatro processos de leitura.
Testar com PROLECCalcule a idade na data de aplicação do PROLEC
Autor(es): Simone Aparecida Capellini, Adriana Marques de Oliveira e Fernando Cuetos · 2010
Conteúdo da equipe editorial PontoAzul, baseado nas fontes listadas ao final. Revisão editorial v2, atualizada em .
O PROLEC nasceu na Espanha em 1996, com Fernando Cuetos, Blanca Rodríguez e Elvira Ruano, a partir do modelo cognitivo de leitura de dupla rota. A ideia central é que ler depende de vários processos encadeados — perceptivos, léxicos, sintáticos e semânticos — e que uma dificuldade de leitura pode nascer em qualquer um deles. Em vez de um número global, a bateria entrega um mapa de onde o processo falha.
A adaptação brasileira, conduzida por Simone Aparecida Capellini, Adriana Marques de Oliveira e o próprio Cuetos, foi publicada pela Casa do Psicólogo (2ª edição em 2010) e hoje é distribuída pela Hogrefe. Destina-se a crianças do 2º ao 5º ano e é aplicada individualmente, sem tempo-limite. As provas se organizam em quatro blocos: identificação de letras, processos léxicos, processos sintáticos e processos semânticos.
O bloco léxico é o mais usado na clínica da dislexia: a comparação entre leitura de palavras e de pseudopalavras permite distinguir falhas na rota fonológica (decodificação) de falhas na rota lexical. A prova de compreensão de textos (PROLEC-T) foi estudada separadamente por Pinheiro, Vilhena e Santos (2017): são quatro textos e 16 questões, cada uma valendo um ponto.
O PROLEC é indicado para crianças do 2º ao 5º ano com queixa de leitura: lentidão, trocas de letras, leitura silabada, dificuldade de compreensão ou baixo rendimento em português. É peça central na investigação de dislexia do desenvolvimento e útil também em TDAH com prejuízo acadêmico, transtornos de linguagem e acompanhamento de intervenções fonológicas, porque mostra se o avanço ocorreu no processo trabalhado.
Quando o PROLEC não é a melhor escolha
O PROLEC não serve para alunos do 6º ano em diante, para os quais existe o PROLEC-SE-R, nem para crianças ainda não alfabetizadas, cujas dificuldades aparecem melhor em instrumentos de pré-requisitos como THCP ou IAR. Também não é teste de inteligência nem de escrita: um perfil de dificuldade em leitura só vira hipótese diagnóstica quando cruzado com cognição, escolarização e história.
As provas seguem uma ordem hierárquica, do processo mais periférico ao mais central. Isso permite localizar onde a leitura quebra: uma criança pode reconhecer letras e falhar na decodificação, ou decodificar bem e não compreender.
| Dimensão | Itens | O que avalia |
|---|---|---|
| Nome ou som das letras | Bloco 1 | Nomear ou dar o som de letras isoladas, em maiúsculas e minúsculas. |
| Igual-diferente | Bloco 1 | Julgar se pares de palavras ou pseudopalavras são idênticos, sem necessidade de ler em voz alta. |
| Decisão lexical | Bloco 2 | Indicar quais sequências de letras são palavras reais. |
| Leitura de palavras e de pseudopalavras | Bloco 2 | Leitura em voz alta que contrasta a rota lexical com a rota fonológica; erros em pseudopalavras sugerem falha de decodificação. |
| Estruturas gramaticais | Bloco 3 | Escolher a figura que corresponde a frases ativas, passivas e com complemento focalizado. |
| Sinais de pontuação | Bloco 3 | Ler um texto respeitando entonação de perguntas, exclamações e pausas. |
| Compreensão de orações e de textos | Bloco 4 | Executar ordens escritas e responder perguntas sobre textos curtos narrativos e expositivos. |
Confirme o ano escolar da criança e separe o caderno de provas e a folha de registro.
Aplique as provas na ordem do manual, dos processos periféricos (letras) aos centrais (compreensão), dando os exemplos de treino de cada uma.
Nas provas de leitura em voz alta, registre literalmente cada resposta errada para a análise do tipo de erro.
Se houver fadiga, divida a aplicação em duas sessões, respeitando a sequência dos blocos.
Anote comportamentos relevantes: leitura silabada, autocorreções, uso do dedo, adivinhação pelo contexto.
Cada prova gera um escore bruto próprio, que o manual compara com a média e o desvio-padrão do ano escolar para chegar a uma classificação. O trabalho manual está em consultar tabelas diferentes para cada prova e ano e, depois, reorganizar tudo por processo para escrever o laudo.
No PontoAzul, você registra o ano escolar e os escores brutos já apurados. A plataforma aplica a norma brasileira do PROLEC a cada prova, classifica os resultados, agrupa-os nos quatro processos e mostra o perfil em uma visualização única. O texto-base do laudo sai organizado por processo, e a análise qualitativa dos erros fica com você.
Registre, em cada prova, os acertos conforme os critérios do manual; nas tarefas de leitura em voz alta, anote também os erros cometidos para análise posterior.
Some o escore bruto de cada prova separadamente — o PROLEC não tem escore total único.
Localize a tabela do ano escolar da criança no manual e compare cada escore com a média e o desvio-padrão do grupo.
Classifique cada prova conforme as categorias do manual, que vão do desempenho esperado até a dificuldade severa.
Organize as provas por processo (letras, léxico, sintaxe, semântica) para ver em que nível a leitura começa a falhar.
Exemplo de correção
Criança fictícia do 3º ano, encaminhada por lentidão e trocas na leitura. Escores brutos comparados com as normas do 3º ano:
Letras e sintaxe preservadas, com falha concentrada na leitura de pseudopalavras: padrão compatível com dificuldade na rota fonológica, hipótese a confirmar com consciência fonológica e nomeação rápida.
O PROLEC não produz um escore único. A interpretação é feita prova a prova, comparando o escore bruto com a média e o desvio-padrão do ano escolar descritos no manual brasileiro, cujas normas vieram do estudo de Oliveira e Capellini com 262 alunos do 2º ao 5º ano. As categorias de classificação e os valores de corte estão nas tabelas do manual, que é material protegido; por isso esta página não reproduz os limites. O que importa na leitura clínica é o desenho do perfil: em qual processo o desempenho cai primeiro e se a queda aparece em provas que usam a mesma via cognitiva.
Estudos com o instrumento mostram escores médios mais baixos em escolas públicas do que em particulares; compare sempre com a tabela correta. Distribuições concentradas no teto em algumas provas reduzem a sensibilidade para crianças com desempenho médio ou alto.
Somar tudo em um escore total
O PROLEC foi desenhado para perfis por processo. Um total mascara justamente a informação clínica — por exemplo, pseudopalavras muito abaixo com compreensão preservada.
Usar a tabela do ano errado
As normas mudam bastante entre o 2º e o 5º ano. Uma criança avaliada em fevereiro, no início do ano letivo, ainda é comparada com o ano que está cursando, não com o anterior.
Não registrar o tipo de erro na leitura em voz alta
Sem anotar lexicalizações, trocas de letras ou regularizações, perde-se a análise qualitativa que diferencia rotas de leitura. O PontoAzul guarda essas observações junto dos escores.
Interpretar compreensão sem olhar decodificação
Baixo desempenho em textos pode ser consequência de decodificação lenta. Leia o perfil de baixo para cima antes de concluir por déficit semântico.
No PontoAzul, a correção do PROLEC segue as regras do instrumento e mostra o cálculo para você conferir. Teste grátis por 7 dias.
Trecho demonstrativo, sem dados de paciente real. No PontoAzul, você informa o ano escolar e os escores brutos de cada prova; a plataforma classifica cada uma pelo manual e agrupa os resultados por processo no laudo-base, para sua revisão.
Nas Provas de Avaliação dos Processos de Leitura (PROLEC), a criança, aluna do 3º ano, apresentou desempenho dentro do esperado para o ano escolar nas provas de identificação de letras e de estruturas gramaticais. Nos processos léxicos, observou-se desempenho abaixo do esperado na leitura de palavras e dificuldade severa na leitura de pseudopalavras, com predomínio de lexicalizações e trocas entre grafemas de sons semelhantes. O padrão sugere comprometimento da rota fonológica de leitura, com relativa preservação dos processos sintáticos, e indica a necessidade de avaliar consciência fonológica e velocidade de nomeação.
Trecho ilustrativo de caso fictício. O texto final é sempre revisado pelo profissional.
Fontes consultadas pela equipe editorial para revisar as informações desta página.
Treze provas de leitura, com rastreio em seis e aprofundamento em sete.
TDE II: escrita, aritmética e leitura do 1º ao 9º ano, com normas por ano e tipo de escola.
Dois subtestes de 40 itens para contrastar compreensão oral e escrita.
Três subtestes, tempo e erros por idade de 6 a 14 anos.
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