1Redução
Investiga se a pessoa já percebeu necessidade de diminuir o consumo de bebida.
O CAGE usa quatro perguntas de resposta sim ou não para investigar sinais de problemas relacionados ao álcool. Cada resposta positiva vale um ponto, produzindo total de 0 a 4; dois ou mais pontos são o corte clássico estudado no Brasil. Entenda o que o resultado sinaliza, suas limitações para consumo de risco inicial e como registrar a triagem junto ao restante da avaliação.
O questionário CAGE é uma triagem breve de problemas relacionados ao álcool divulgada por John A. Ewing. Tem quatro perguntas binárias sobre desejo de reduzir o consumo, incômodo com críticas, culpa e uso de bebida ao despertar. Cada sim soma um ponto, de 0 a 4; dois ou mais foram usados como resultado positivo em estudo brasileiro de Masur e Monteiro. O CAGE detecta sobretudo consequências já percebidas e não descreve bem quantidade ou frequência de consumo.
Investiga se a pessoa já percebeu necessidade de diminuir o consumo de bebida.
Aborda a reação à preocupação ou crítica de outras pessoas sobre o beber.
Investiga sentimentos de culpa ligados ao próprio padrão de consumo de bebidas alcoólicas.
Registra o relato de beber ao acordar, situação que precisa ser investigada junto ao padrão atual de consumo e às demais respostas.
Você registra as quatro respostas sim ou não do CAGE já aplicado. Com esse registro, o PontoAzul prepara um trecho de laudo-base para sua revisão.
A correção programada do PontoAzul soma as respostas positivas e apresenta a faixa de rastreio da referência incorporada, mantendo as respostas no contexto do caso.
Testar com CAGECalcule a idade na data de aplicação do CAGE
Autor(es): John A. Ewing e colaboradores; validação brasileira por Masur e Monteiro · 1984 (estudo brasileiro: 1983)
Conteúdo da equipe editorial PontoAzul, baseado nas fontes listadas ao final. Revisão editorial v2, atualizada em .
O CAGE é um questionário curto associado a John A. Ewing, difundido em publicação de 1984. Seu nome resume quatro temas: reduzir a bebida, irritação com críticas, culpa e uso de álcool ao despertar. O formato de sim ou não exige pouco tempo e oferece uma primeira indicação de que o beber já produziu preocupação pessoal ou social. A lógica do teste, porém, se concentra em sinais e consequências percebidas, e não em registrar quantas doses uma pessoa consome numa semana.
Cada resposta positiva vale um ponto, produzindo escore total de zero a quatro. O ponto de corte clássico de duas respostas positivas apareceu em diferentes estudos, inclusive na pesquisa brasileira de Masur e Monteiro publicada em 1983. A validação brasileira analisou homens internados em hospital psiquiátrico, com sensibilidade de 88% e especificidade de 83% para esse limiar. Esses números pertencem à amostra pesquisada; não são garantia de desempenho idêntico em população geral ou em outros grupos.
Hoje, a seleção do CAGE deve levar em conta seu alcance. O NIAAA destaca que perguntas sobre consequências deixam escapar parte das pessoas que bebem em níveis de risco antes de reconhecer problemas. Por isso, o AUDIT ou AUDIT-C costuma responder melhor à pergunta sobre consumo atual e prevenção precoce. O CAGE permanece útil para organizar temas da entrevista quando a questão clínica envolve problemas já vividos com álcool. A devolutiva deve mencionar quais temas foram positivos, não somente a contagem.
O CAGE pode apoiar uma entrevista breve em adultos quando o profissional deseja investigar sinais de dificuldades percebidas no uso de álcool. Cabe em triagem clínica e em avaliações mais amplas nas quais o consumo pode influenciar sono, humor, atenção ou rotina. Uma resposta positiva abre espaço para perguntar sobre frequência, quantidade, consequências, tentativas de redução e necessidade de cuidado. O resultado deve orientar perguntas seguintes e não encerrar a investigação. Em serviços interessados em identificar consumo de risco antes do surgimento de problemas percebidos, o AUDIT é mais adequado como rastreio inicial, e o CAGE pode ser complementar.
Quando o CAGE não é a melhor escolha
Para rastrear consumo pesado antes de consequências percebidas, o CAGE é insuficiente: o AUDIT ou AUDIT-C pergunta sobre frequência e quantidade e pode identificar oportunidades de intervenção mais cedo. O CAGE também não estabelece diagnóstico, grau de dependência nem mede mudança no volume ingerido. Em adolescentes ou gestantes, escolha instrumentos estudados para a população e investigue o contexto individual.
As quatro letras do nome remetem a quatro temas, sem constituir subescalas independentes. A pontuação é a contagem de respostas positivas.
| Dimensão | Itens | O que avalia |
|---|---|---|
| Percepção pessoal | 2 perguntas | Desejo de reduzir o consumo e culpa relacionada ao beber. |
| Reação social | 1 pergunta | Incômodo com críticas de outras pessoas. |
| Uso matinal | 1 pergunta | Relato de bebida logo ao despertar. |
Explique que as quatro perguntas investigam experiências ligadas ao consumo de álcool, em ambiente reservado.
Conduza as perguntas do formulário selecionado sem sugerir que alguma resposta é desejável.
Registre cada sim e cada não exatamente como informado, anotando dúvidas relevantes sobre o período mencionado.
Confira as quatro respostas antes de somar e registre quais temas receberam resposta positiva.
Após a triagem, discuta o padrão atual de ingestão e escolha o instrumento complementar conforme a finalidade clínica.
A soma do CAGE é uma contagem: quatro respostas negativas resultam em zero; cada resposta positiva acrescenta um ponto; quatro positivas somam quatro. Não há peso distinto para o tema de culpa ou para o uso matinal no escore bruto. O ponto de corte de duas respostas positivas foi utilizado na validação brasileira de Masur e Monteiro, mas a leitura clínica precisa preservar o conteúdo específico de cada resposta. Um escore dois formado por culpa e desejo de reduzir não descreve exatamente o mesmo relato que outro formado por críticas e bebida ao despertar.
O limite da correção manual está menos na aritmética e mais na interpretação: copiar o total para o laudo e chamá-lo de gravidade do consumo apaga a diferença entre triagem de problemas e mensuração de volume. No PontoAzul, você registra as quatro respostas do protocolo já aplicado; a plataforma calcula de zero a quatro, destaca os temas positivos e prepara um trecho de laudo para sua revisão, sem converter a triagem em diagnóstico automático.
Confirme que o formulário usado contém as quatro perguntas clássicas e que a pessoa compreendeu o foco em álcool.
Atribua zero para cada resposta negativa e um ponto para cada resposta positiva, sem ponderar itens.
Some as quatro respostas; o total possível varia de zero a quatro.
Registre quantas respostas foram positivas e quais temas geraram a pontuação, pois dois totais iguais podem representar perfis diferentes.
Compare com o corte de duas respostas positivas usado por Masur e Monteiro em estudo brasileiro de pacientes internados.
Em resultado positivo, aprofunde com entrevista e, quando o objetivo for padrão atual de ingestão, complemente com o AUDIT.
Exemplo de correção
Adulto de 44 anos em entrevista sobre uso de álcool; respostas fictícias de um protocolo CAGE completo:
Duas respostas positivas: triagem positiva pelo corte clássico, indicando necessidade de investigação clínica do consumo.
O estudo brasileiro de Masur e Monteiro com pacientes internados utilizou duas respostas positivas como corte principal. Nesse contexto específico, a sensibilidade relatada foi de 88% e a especificidade de 83%. Três respostas positivas aumentaram a especificidade, mas reduziram a sensibilidade. O CAGE não constitui escala de intensidade do beber: a contagem sugere necessidade de investigar problemas já percebidos. Organizações como o NIAAA recomendam instrumentos que perguntam diretamente sobre quantidade e frequência para rastreio amplo e precoce de consumo pesado.
| Faixa | Classificação | Leitura clínica |
|---|---|---|
| 0–1 | Abaixo do corte | Não alcança o limiar clássico; ainda pode existir consumo de risco não captado pelo CAGE. |
| 2–4 | Triagem positiva | Dois ou mais temas positivos indicam aprofundar padrão de uso e consequências. |
O corte brasileiro foi estudado em homens internados em hospital psiquiátrico, portanto sua sensibilidade não deve ser generalizada automaticamente. Um resultado negativo não exclui consumo excessivo sem consequências percebidas.
Somar resposta negativa
Só a resposta positiva recebe um ponto. Não misture os códigos de sim e não na digitação.
Tratar escore como gravidade
Quatro pontos não descrevem quantas doses são consumidas nem a frequência do beber; use entrevista e AUDIT.
Ignorar o contexto amostral
O corte de duas respostas foi estudado em amostra clínica específica e pede interpretação contextualizada.
Confundir CAGE e AUDIT
Um CAGE negativo não substitui perguntas diretas sobre padrão e volume do consumo.
No PontoAzul, a correção do CAGE segue as regras do instrumento e mostra o cálculo para você conferir. Teste grátis por 7 dias.
No PontoAzul, quatro respostas binárias viram escore e um trecho de laudo-base editável; o profissional decide a sequência da investigação.
Em 12/03/2026, o participante fictício de 44 anos respondeu ao questionário CAGE durante entrevista clínica. Houve duas respostas positivas em quatro, relativas à percepção de necessidade de reduzir o consumo e ao sentimento de culpa, resultando em escore 2 de 4. Pelo ponto de corte utilizado por Masur e Monteiro (1983) em estudo brasileiro, trata-se de triagem positiva para investigação de problemas relacionados ao álcool. O resultado não informa volume nem frequência de ingestão e não estabelece diagnóstico. Recomenda-se aprofundar a entrevista, registrar o padrão atual de consumo com instrumento apropriado e combinar os achados com o contexto de saúde e funcionamento.
Trecho ilustrativo de caso fictício. O texto final é sempre revisado pelo profissional.
Fontes consultadas pela equipe editorial para revisar as informações desta página.
Rastreio do uso de álcool com 10 questões, total de 0 a 40 e quatro zonas de intervenção.
Seis questões, escore de 0 a 10 e cinco faixas de dependência à nicotina.
Onze questões, escore de 0 a 44 e itens finais com pesos de 0, 2 ou 4.
Versão estendida com quatro partes e 54 registros sobre uso, efeitos e mudança.
Correção, resultados, gráficos e laudo no mesmo fluxo para você revisar.
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