O VB-MAPP, o ABLLS-R e o AFLS são avaliações referenciadas a critérios, e não testes normativos: mostram quais habilidades a pessoa já usa e quais podem virar objetivo de ensino. A escolha depende da pergunta. O VB-MAPP organiza marcos de linguagem e aprendizagem iniciais, barreiras e transição; o ABLLS-R detalha 544 habilidades de linguagem e aprendizagem em 25 áreas; e o AFLS avalia habilidades funcionais de vida diária em seis protocolos, da rotina básica ao trabalho e à vida independente. Nenhum dos três dá percentil, idade mental ou diagnóstico; os três servem para planejar e acompanhar o ensino.
Este guia descreve cada um em termos gerais, a partir das fontes dos autores e das páginas do PontoAzul. Ele não traz habilidades, marcos, tarefas, critérios de pontuação nem trechos dos protocolos, que são material protegido dos autores e das editoras.
Os três lado a lado
| Instrumento | Autor e ano | O que avalia | Estrutura | Para quem | No PontoAzul, você registra |
|---|---|---|---|---|---|
| VB-MAPP | Mark L. Sundberg, 2008 | Linguagem e aprendizagem iniciais, com base na análise do comportamento verbal | 170 marcos em 3 níveis, 24 barreiras, 18 áreas de transição, análise de tarefas e metas educacionais | Crianças autistas e outras pessoas com atraso de linguagem | A coleta por programas: o nível e, por domínio, dez registros com data, programa, acertos, tentativas e ajuda |
| ABLLS-R | James W. Partington, revisão de 2006 | Linguagem, aprendizagem básica, interação social, autocuidados, habilidades acadêmicas e motoras | 544 habilidades em 25 áreas | Aprendizes autistas ou com outras dificuldades de desenvolvimento | Os escores já apurados no protocolo e o momento de acompanhamento, de AV1 a AV4 |
| AFLS | James W. Partington e Michael M. Mueller, 2012 | Habilidades funcionais para a independência na vida diária | Um guia e seis protocolos: habilidades básicas, domésticas, participação comunitária, escola, trabalho e vida independente | Crianças, adolescentes e adultos com deficiências do desenvolvimento | Os escores do protocolo já aplicado, com os contextos e as datas de observação |
Como escolher pela pergunta
"Como estão a linguagem e as habilidades de aprendizagem iniciais?" O VB-MAPP organiza esse começo em marcos distribuídos em três níveis, que acompanham a sequência do desenvolvimento típico de 0 a 18, de 18 a 30 e de 30 a 48 meses, e acrescenta as barreiras, que ajudam a entender por que o progresso trava. Os níveis em meses descrevem a sequência dos marcos e não viram idade mental. O autor descreve uso também com pessoas mais velhas cuja linguagem está abaixo da de uma criança típica de 4 anos.
"Quais habilidades de linguagem e aprendizagem já existem, num currículo amplo?" O ABLLS-R cobre mais áreas, inclusive autocuidados, habilidades acadêmicas e motoras, e permite acompanhar a aquisição habilidade por habilidade ao longo do tempo.
"O que falta para a pessoa ser mais independente em casa, na escola, na comunidade ou no trabalho?" O AFLS foi feito para essa pergunta e acompanha a pessoa até a vida adulta. A avaliação se concentra nos protocolos pertinentes à rotina e aos objetivos reais da pessoa: não é preciso aplicar os seis.
Os instrumentos podem ser usados de modo complementar, como a página do AFLS descreve para o AFLS e o ABLLS-R: um olha para a linguagem e a aprendizagem, o outro para a autonomia. Mantenha separados os critérios e os registros de cada um. Escores de um instrumento não se convertem nos do outro.
Quando a pergunta é normativa
Se o encaminhamento pede comparar o comportamento adaptativo com pessoas da mesma idade, nenhum dos três responde a essa pergunta. Para isso existem escalas normativas, como a ABAS-3 e a Vineland-3. Para mapear o desenvolvimento pré-escolar geral, a página do PORTAGE descreve outra opção. Escalas normativas e avaliações por critério respondem a perguntas diferentes e podem conviver no mesmo caso; o guia da área de desenvolvimento e comportamento adaptativo reúne essas opções.
Do resultado ao plano de intervenção
- Delimite o que entra. Escolha os protocolos, as áreas ou os níveis ligados à demanda e registre o que ficou de fora. Avaliar tudo de uma vez alonga o processo e dilui as prioridades.
- Transforme o perfil em linha de base. Para cada área prioritária, descreva o que a pessoa já faz sozinha, o que faz com ajuda e o que ainda não faz, e em que ambiente isso foi observado. É essa linha de base que torna a meta mensurável.
- Priorize. Comece pelo que mais limita a participação hoje e pelo que é pré-requisito de outras habilidades. No VB-MAPP, as barreiras indicam o que pode impedir o avanço de qualquer meta.
- Escreva a meta. No modelo de plano de intervenção para TEA (PIP), cada meta tem domínio, prioridade, linha de base, resultado esperado, critério de sucesso, prazo, responsável e ambiente. Uma forma útil é: [habilidade descrita em termos observáveis], em [ambiente], com [nível de ajuda], até [critério de sucesso], em [prazo]. Descreva o comportamento com as suas palavras, sem copiar a redação das tarefas do protocolo.
- Ligue cada estratégia a uma meta. A estratégia diz a ação prática, a frequência, os materiais, as adaptações e quando pausar ou reavaliar.
- Reavalie com o mesmo instrumento. Para comparar momentos, mantenha a versão, as áreas avaliadas e os critérios. O modelo de PIP sugere revisar o plano a cada três a seis meses, ou antes, quando houver mudança relevante.
O plano clínico não substitui o plano da escola: o PEI e o PAEE são documentos pedagógicos, e o PIP pode subsidiá-los com autorização da família, como o modelo de PIP explica.
O que o PontoAzul faz em cada um
- AFLS: você transcreve os escores do protocolo já aplicado e indica os contextos e as datas de observação. A IA PontoAzul organiza as áreas e os níveis de habilidade, e o mapa mostra as habilidades e a evolução sem inventar percentis.
- ABLLS-R: você registra os escores já apurados no protocolo e o momento de acompanhamento, de AV1 a AV4. O PontoAzul organiza as áreas e as mudanças entre as avaliações, sem criar cortes normativos.
- VB-MAPP: o módulo do PontoAzul tem outro escopo, a coleta de dados por programas. Você seleciona o nível e registra, por domínio, dez coletas com data, programa, acertos, tentativas e ajuda; o PontoAzul calcula a proporção de acertos de cada coleta, a média por domínio e a indicação de aquisição do programa. Ele não aplica nem pontua os marcos, as barreiras ou a transição do protocolo.
Nos três, o resultado fica no caso do paciente e pode alimentar o laudo-base editável. No PontoAzul, o Plano de Intervenção é elaborado a partir das informações do paciente e dos resultados já registrados; cada meta fica ligada aos achados que a justificam, e as sugestões de ajuste só mudam o plano quando você escolhe aplicá-las. O profissional decide, edita e assume o conteúdo final.
Referências
- Sundberg, M. L. (2008). Verbal Behavior Milestones Assessment and Placement Program: The VB-MAPP. Concord, CA: AVB Press. Descrição do autor: marksundberg.com/vb-mapp; editora: AVB Press.
- Partington, J. W. (2010). The ABLLS-R: The Assessment of Basic Language and Learning Skills-Revised. Behavior Analysts, Inc.
- Partington, J. W., & Mueller, M. M. (2012). The Assessment of Functional Living Skills: Guide and Assessment Protocols. Behavior Analysts, Inc.
- Partington Behavior Analysts. Resources for clinicians: finalidade do ABLLS-R e do AFLS e os seis protocolos do AFLS.