AFLSABLLS-RVB-MAPPPlano de intervençãoTEA

AFLS, ABLLS-R ou VB-MAPP: qual usar e como levar ao plano de intervenção

O que o AFLS, o ABLLS-R e o VB-MAPP avaliam, para quem serve cada um, como escolher pela pergunta e como transformar o resultado em metas do plano.

Publicado em 8 min de leitura1.243 palavras

O VB-MAPP, o ABLLS-R e o AFLS são avaliações referenciadas a critérios, e não testes normativos: mostram quais habilidades a pessoa já usa e quais podem virar objetivo de ensino. A escolha depende da pergunta. O VB-MAPP organiza marcos de linguagem e aprendizagem iniciais, barreiras e transição; o ABLLS-R detalha 544 habilidades de linguagem e aprendizagem em 25 áreas; e o AFLS avalia habilidades funcionais de vida diária em seis protocolos, da rotina básica ao trabalho e à vida independente. Nenhum dos três dá percentil, idade mental ou diagnóstico; os três servem para planejar e acompanhar o ensino.

Este guia descreve cada um em termos gerais, a partir das fontes dos autores e das páginas do PontoAzul. Ele não traz habilidades, marcos, tarefas, critérios de pontuação nem trechos dos protocolos, que são material protegido dos autores e das editoras.

Os três lado a lado

VB-MAPP, ABLLS-R e AFLS: o que avaliam e para quem
InstrumentoAutor e anoO que avaliaEstruturaPara quemNo PontoAzul, você registra
VB-MAPPMark L. Sundberg, 2008Linguagem e aprendizagem iniciais, com base na análise do comportamento verbal170 marcos em 3 níveis, 24 barreiras, 18 áreas de transição, análise de tarefas e metas educacionaisCrianças autistas e outras pessoas com atraso de linguagemA coleta por programas: o nível e, por domínio, dez registros com data, programa, acertos, tentativas e ajuda
ABLLS-RJames W. Partington, revisão de 2006Linguagem, aprendizagem básica, interação social, autocuidados, habilidades acadêmicas e motoras544 habilidades em 25 áreasAprendizes autistas ou com outras dificuldades de desenvolvimentoOs escores já apurados no protocolo e o momento de acompanhamento, de AV1 a AV4
AFLSJames W. Partington e Michael M. Mueller, 2012Habilidades funcionais para a independência na vida diáriaUm guia e seis protocolos: habilidades básicas, domésticas, participação comunitária, escola, trabalho e vida independenteCrianças, adolescentes e adultos com deficiências do desenvolvimentoOs escores do protocolo já aplicado, com os contextos e as datas de observação

Como escolher pela pergunta

"Como estão a linguagem e as habilidades de aprendizagem iniciais?" O VB-MAPP organiza esse começo em marcos distribuídos em três níveis, que acompanham a sequência do desenvolvimento típico de 0 a 18, de 18 a 30 e de 30 a 48 meses, e acrescenta as barreiras, que ajudam a entender por que o progresso trava. Os níveis em meses descrevem a sequência dos marcos e não viram idade mental. O autor descreve uso também com pessoas mais velhas cuja linguagem está abaixo da de uma criança típica de 4 anos.

"Quais habilidades de linguagem e aprendizagem já existem, num currículo amplo?" O ABLLS-R cobre mais áreas, inclusive autocuidados, habilidades acadêmicas e motoras, e permite acompanhar a aquisição habilidade por habilidade ao longo do tempo.

"O que falta para a pessoa ser mais independente em casa, na escola, na comunidade ou no trabalho?" O AFLS foi feito para essa pergunta e acompanha a pessoa até a vida adulta. A avaliação se concentra nos protocolos pertinentes à rotina e aos objetivos reais da pessoa: não é preciso aplicar os seis.

Os instrumentos podem ser usados de modo complementar, como a página do AFLS descreve para o AFLS e o ABLLS-R: um olha para a linguagem e a aprendizagem, o outro para a autonomia. Mantenha separados os critérios e os registros de cada um. Escores de um instrumento não se convertem nos do outro.

Quando a pergunta é normativa

Se o encaminhamento pede comparar o comportamento adaptativo com pessoas da mesma idade, nenhum dos três responde a essa pergunta. Para isso existem escalas normativas, como a ABAS-3 e a Vineland-3. Para mapear o desenvolvimento pré-escolar geral, a página do PORTAGE descreve outra opção. Escalas normativas e avaliações por critério respondem a perguntas diferentes e podem conviver no mesmo caso; o guia da área de desenvolvimento e comportamento adaptativo reúne essas opções.

Do resultado ao plano de intervenção

  1. Delimite o que entra. Escolha os protocolos, as áreas ou os níveis ligados à demanda e registre o que ficou de fora. Avaliar tudo de uma vez alonga o processo e dilui as prioridades.
  2. Transforme o perfil em linha de base. Para cada área prioritária, descreva o que a pessoa já faz sozinha, o que faz com ajuda e o que ainda não faz, e em que ambiente isso foi observado. É essa linha de base que torna a meta mensurável.
  3. Priorize. Comece pelo que mais limita a participação hoje e pelo que é pré-requisito de outras habilidades. No VB-MAPP, as barreiras indicam o que pode impedir o avanço de qualquer meta.
  4. Escreva a meta. No modelo de plano de intervenção para TEA (PIP), cada meta tem domínio, prioridade, linha de base, resultado esperado, critério de sucesso, prazo, responsável e ambiente. Uma forma útil é: [habilidade descrita em termos observáveis], em [ambiente], com [nível de ajuda], até [critério de sucesso], em [prazo]. Descreva o comportamento com as suas palavras, sem copiar a redação das tarefas do protocolo.
  5. Ligue cada estratégia a uma meta. A estratégia diz a ação prática, a frequência, os materiais, as adaptações e quando pausar ou reavaliar.
  6. Reavalie com o mesmo instrumento. Para comparar momentos, mantenha a versão, as áreas avaliadas e os critérios. O modelo de PIP sugere revisar o plano a cada três a seis meses, ou antes, quando houver mudança relevante.

O plano clínico não substitui o plano da escola: o PEI e o PAEE são documentos pedagógicos, e o PIP pode subsidiá-los com autorização da família, como o modelo de PIP explica.

O que o PontoAzul faz em cada um

  • AFLS: você transcreve os escores do protocolo já aplicado e indica os contextos e as datas de observação. A IA PontoAzul organiza as áreas e os níveis de habilidade, e o mapa mostra as habilidades e a evolução sem inventar percentis.
  • ABLLS-R: você registra os escores já apurados no protocolo e o momento de acompanhamento, de AV1 a AV4. O PontoAzul organiza as áreas e as mudanças entre as avaliações, sem criar cortes normativos.
  • VB-MAPP: o módulo do PontoAzul tem outro escopo, a coleta de dados por programas. Você seleciona o nível e registra, por domínio, dez coletas com data, programa, acertos, tentativas e ajuda; o PontoAzul calcula a proporção de acertos de cada coleta, a média por domínio e a indicação de aquisição do programa. Ele não aplica nem pontua os marcos, as barreiras ou a transição do protocolo.

Nos três, o resultado fica no caso do paciente e pode alimentar o laudo-base editável. No PontoAzul, o Plano de Intervenção é elaborado a partir das informações do paciente e dos resultados já registrados; cada meta fica ligada aos achados que a justificam, e as sugestões de ajuste só mudam o plano quando você escolhe aplicá-las. O profissional decide, edita e assume o conteúdo final.

Referências

  • Sundberg, M. L. (2008). Verbal Behavior Milestones Assessment and Placement Program: The VB-MAPP. Concord, CA: AVB Press. Descrição do autor: marksundberg.com/vb-mapp; editora: AVB Press.
  • Partington, J. W. (2010). The ABLLS-R: The Assessment of Basic Language and Learning Skills-Revised. Behavior Analysts, Inc.
  • Partington, J. W., & Mueller, M. M. (2012). The Assessment of Functional Living Skills: Guide and Assessment Protocols. Behavior Analysts, Inc.
  • Partington Behavior Analysts. Resources for clinicians: finalidade do ABLLS-R e do AFLS e os seis protocolos do AFLS.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre AFLS, ABLLS-R e VB-MAPP?
Os três são avaliações referenciadas a critérios. O VB-MAPP organiza marcos de linguagem e aprendizagem iniciais em três níveis, com barreiras e transição; o ABLLS-R detalha 544 habilidades de linguagem e aprendizagem em 25 áreas; o AFLS avalia habilidades funcionais de vida diária em seis protocolos. A escolha depende da pergunta: linguagem inicial, currículo amplo de aprendizagem ou autonomia.
Quais são os protocolos do AFLS?
O AFLS tem um guia e seis protocolos: habilidades básicas, habilidades domésticas, participação comunitária, escola, trabalho e vida independente. A avaliação se concentra nos protocolos pertinentes à rotina e aos objetivos da pessoa; não é preciso aplicar todos.
O VB-MAPP serve para crianças mais velhas?
O autor descreve o VB-MAPP para crianças autistas e outras pessoas com atraso de linguagem, inclusive de mais idade, quando a linguagem está abaixo da de uma criança típica de 4 anos. Os níveis em meses descrevem a sequência dos marcos, não a idade da pessoa avaliada.
O ABLLS-R ou o VB-MAPP diagnosticam autismo?
Não. Os dois avaliam habilidades para planejar o ensino e não produzem diagnóstico, percentil nem idade mental. O diagnóstico depende da avaliação clínica, com história do desenvolvimento, observação e outros instrumentos.
Posso usar dois desses instrumentos no mesmo caso?
Sim, de modo complementar: por exemplo, um instrumento de linguagem e aprendizagem e o AFLS para a autonomia. Mantenha separados os critérios, as datas e os registros de cada um, porque os escores de um não se convertem nos do outro.
Como o PontoAzul ajuda a passar da avaliação ao plano de intervenção?
O resultado registrado fica no caso do paciente. No PontoAzul, o Plano de Intervenção é elaborado a partir das informações do paciente e dos resultados já registrados, e cada meta traz linha de base, critério de sucesso, prazo, responsáveis e ambientes. As sugestões de ajuste só mudam o plano quando você escolhe aplicá-las.

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